Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Portugal – Concerto de homenagem ao cantautor Pedro Barroso


- Esgotado -

No próximo dia 15 de março, pelas 21h30, o Teatro Virgínia, em Torres Novas, será palco de uma emocionante homenagem a Pedro Barroso, uma das figuras mais marcantes da música e da cultura portuguesas, no dia do aniversário dos cinco anos do seu desaparecimento.



Este concerto, reunirá prestigiados artistas, como Ana Laíns, João Chora, Nuno Barroso (filho do homenageado e também cantor e autor), Teresa Tapadas, Vítor Sarmento e António Laranjeira, que se juntam para celebrar a vida e a obra de Pedro Barroso.

Será uma noite memorável, onde a música e a memória se entrelaçam, relembrando o legado do artista que marcou gerações com a sua voz e poesia.

No dia 23 de Março, data do aniversário de Nuno Barroso, estará disponível o novo single “Somos Livres” (Até Morrer). P&C Assessoria de Imprensa - Portugal

Pedro Barroso:

Cantarei

Artes do futuro

Viva quem canta

Nuno Barroso:

A ceifeira

Andorinha das canções


domingo, 22 de março de 2020

Pedra filosofal - Menina dos olhos d´água












Vamos aprender português, cantando


Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer

Como esta pedra cinzenta
Em que me sento e descanso
Como este ribeiro manso
Em serenos sobressaltos

Como estes pinheiros altos
Que em verde e oiro se agitam
Como estas aves que gritam
Em bebedeiras de azul

Eles não sabem que sonho
É vinho, é espuma, é fermento
Bichinho alacre e sedento
De focinho pontiagudo
Em perpétuo movimento

Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel
Base, fuste ou capitel
Arco em ogiva, vitral

Pináculo de catedral
Contraponto, sinfonia
Máscara grega, magia
Que é retorta de alquimista

Mapa do mundo distante
Rosa dos ventos, infante
Caravela quinhentista
Que é cabo da boa-esperança

Ouro, canela, marfim
Florete de espadachim
Bastidor, passo de dança
Columbina e arlequim

Passarola voadora
Pára-raios, locomotiva
Barco de proa festiva
Alto-forno, geradora

Cisão do átomo, radar
Ultra-som, televisão
Desembarque em foguetão
Na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança

Como bola colorida
Entre as mãos duma criança

Manuel Freire - Portugal






Menina dos olhos d´água

Menina em teu peito sinto o tejo
E vontades marinheiras de aproar
Menina em teus lábios sinto fontes
De água doce que corre sem parar

Menina em teus olhos vejo espelhos
E em teus cabelos nuvens de encantar
E em teu corpo inteiro sinto feno
Rijo e tenro que nem sei explicar

Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar
Que eu só por mim quero te tanto
Que não vai haver menina para sobrar

Aprendi nos 'esteiros' com soeiro
E aprendi a 'fanga' com redol
Tenho no rio grande o mundo inteiro
E sinto o mundo inteiro no teu colo

Aprendi a amar a madrugada
Que desponta em mim quando sorris
És um rio cheio de água levada
E dás rumo à fragata que escolhi

Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar
Que eu só por mim quero te tanto
Que não vai haver menina para sobrar

Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar
Que eu só por mim quero te tanto
Que não vai haver menina para sobrar

António Pedro da Silva Chora Barroso – Portugal

(Lisboa, 28 de novembro de 1950 - Lisboa, 16 de março de 2020)

domingo, 3 de junho de 2018

Cantarei














Vamos aprender português, cantando


Vivi povo e multidão
sofri ventos sofri mares
passei sede e solidão
muitos lugares

Sofri países sem jeito
p´r´ó meu jeito de cantar
mordi penas no meu peito
e ouvi braços a gritar

E depois vivi o tempo
em que o tempo não chegava
para se dizer o tanto
que há tanto tempo se calava

Vivi explosões de alegria
fiz-me andarilho a cantar
cantei noite cantei dia
canções do meu inventar

E cantarei e cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

Cantarei e cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

Hoje resta-me este braço
de guitarra portuguesa
que nunca perde o seu espaço
e a sua beleza

Hoje restam-me os abraços
nesta pátria viajada
dos que moram mesmo lá longe
a tantos dias de jornada

E dos que fazem Portugal
no trabalho dia a dia
e me dão alma e razão
nesta porfia

Por isso invento caminhos
mais cantigas viajantes
e sinto música nos dedos
com a mesma força de antes

Cantarei e cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

Cantarei e cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

Hoje resta-me este braço
de guitarra portuguesa
que nunca perde o seu espaço
e a sua beleza

Hoje restam-me os abraços
nesta pátria viajada
dos que moram mesmo lá longe
a tantos dias de jornada

E dos que fazem Portugal
no trabalho dia a dia
e me dão alma e razão
nesta porfia

Por isso invento caminhos
mais cantigas viajantes
e sinto música nos dedos
com a mesma força de antes

Cantarei e cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

Cantarei e cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

Cantarei e cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

Pedro Barroso - Portugal

domingo, 11 de março de 2018

Artes do futuro




















Vamos aprender português, cantando


Vem

Vem no vento que envolve a montanha
e lhe esculpe grutas e segredos
que a cinge e a estreita nas fragas
vem nas silvas que rasgam os dedos

Como a rocha que na costa aguarda
a tal onda que explode ao morrer
chicoteando do mar os penhascos
por mais ásperos que pareçam ser

Vem cantando na verde campina
terra mãe de onde nasce o pão
ondulante seara menina
como as crinas dos cavalos que vão

Como criança pela mão do avô
vem para a escola no dia primeiro
passo a passo alcançar o futuro
destrinçar o sabor verdadeiro

Vem nos braços da rua a cidade
se for praça de causas perfeitas
e o coração te falar mais verdade
que as palavras dos outros, tão estreitas

Vem-me aos braços que eu não me envergonho
planta o mundo todo qu’inda houver
traz a alma que eu trago o meu sonho
e o espanto pode acontecer

E o espanto pode acontecer

Pedro Barroso - Portugal

Artes do futuro

Eu fui tu foste ele foi
talvez para sempre
como é da nossa humana condição
levados todos no acre improviso da loucura
mas tu diva esquecida
música que eu faço e me transcendes
sentada na berma do sonho apetecido
voltas a despertar do vendaval da espera
e regressas ainda hesitante nos meus dedos
e o amanhã pode já ter acontecido
hoje mesmo aqui, ao fim da tarde
e assim iremos enganando
as artes do futuro

E o amanhã pode já ter acontecido
Hoje mesmo aqui, ao fim da tarde
e assim iremos enganando
as artes do futuro

E o amanhã pode já ter acontecido
Hoje mesmo aqui, ao fim da tarde
e assim iremos enganando
as artes do futuro

E o amanhã pode já ter acontecido
Hoje mesmo aqui, ao fim da tarde
e assim iremos enganando
as artes do futuro

Pedro Barroso - Portugal


domingo, 31 de julho de 2016

Viva quem canta














Vamos aprender português, cantando




Já que aqui estou
vou-lhes agora contar
de mil passos feitos vida
desta vida atribulada
desta vida de cantar

se sobrar peito
depois de mil melodias
depois de tantas palavras
tantas terras tant’stradas
tantas noites tantos dias

viva quem canta
que quem canta é quem diz
quem diz o que vai no peito
no peito vai-me um país

viva quem canta
que quem canta é quem diz
quem diz o que vai no peito
no peito vai-me um país


no Algarve mandei baile
toquei adufes na Beira
em Trás os Montes aprendi
a bombar como um Zé Pereira

Mundo fora dei abraços
nos Açores e na Madeira
deixei amigos do peito
e em casa cantei na eira

viva quem canta
que quem canta é quem diz
quem diz o que vai no peito
no peito vai-me um país

viva quem canta
que quem canta é quem diz
quem diz o que vai no peito
no peito vai-me um país

trago nos dedos malhões
toquei rondas de caminho
no Douro aprendi Janeiras
dancei as chulas no Minho

no Alentejo fica o peito
da planície de cantar
no fado colhi o jeito
de um país por inventar

viva quem canta
que quem canta é quem diz
quem diz o que vai no peito
no peito vai-me um país

viva quem canta
que quem canta é quem diz
quem diz o que vai no peito
no peito vai-me um país

cantei no alto de um monte
num tractor ou num celeiro
para vinte ou vinte mil
e das palavras fiz viveiro

p’ra quem canta por cantar
pouco mais se pediria
mas quem canta para sentir
para explicar-se e para ser
pensem só quanto haveria
ainda por dizer

viva quem canta
que quem canta é quem diz
quem diz o que vai no peito
no peito vai-me um país

viva quem canta
que quem canta é quem diz
quem diz o que vai no peito
no peito vai-me um país


Pedro Barroso - Portugal