Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 1 de junho de 2022

Portugal - Investigadores da Universidade do Porto premiados por estudo na área da Energia do Mar

Novo conceito de fundações para eólicas offshore, desenvolvido por equipa do CIIMAR e da FEUP, já resultou na submissão de um pedido provisório de patente

Uma equipa de investigadores do grupo Marine Energy do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR-UP) e da Secção de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) acaba de ser distinguido com o Haclrow Prize, atribuído pela prestigiada Institution of Civil Engineers (Reino Unido), por um estudo inovador em fundações para estruturas eólicas em alto mar.

Com a ambição de desenvolver um tipo de fundação inovadora para as fundações de eólicas em zonas offshore (alto mar), o grupo de investigadores do CIIMAR e da FEUP, em colaboração com o Indian Institute of Technology Delhi, desenvolveu um sistema que utiliza cabos pré-tensionados para oferecer estabilidade adicional à estrutura, permitindo que seja utilizado até 50 metros de profundidade, numa solução de baixo custo.

A fundação do tipo monopilar que tipicamente é usada nas eólicas offshore apenas permite a sua colocação em zonas com profundidades até 30 metros. Até agora, a única possibilidade de aplicação destas eólicas a profundidades superiores passava pelo aumento do diâmetro das fundações, o que implicava valores que são financeiramente incomportáveis.

Segundo o investigador Tiago Ferradosa, coautor deste estudo, “nestas profundidades, a grande maioria dos conceitos de fundações fixas no fundo do mar ou de fundações flutuantes acabam por ter custos demasiado elevados.”

A solução apresentada pelos investigadores Tiago Ferradosa, Paulo Rosa Santos e Francisco Taveira Pinto no artigo “Bottom-supported tension leg towers with inclined tethers for offshore wind turbines”, publicado em dezembro de 2021, na revista “Maritime Engineering”, da ICE, passa por combinar um sistema de cabos pré-tensionados com a fundação monopilar standard, oferecendo assim estabilidade adicional à fundação da eólica offshore.

Dependendo da geometria e configuração usada, esta adaptação permite que os monopilares convencionais passem a poder ser utilizados até aos 50 m de profundidade, sempre que a profundidade de água não permita a aplicação do monopilar standard e onde as fundações do tipo flutuante não sejam economicamente competitivas.

Testes à escala real

Este tipo de fundação inovador, testado numericamente para diferentes condições de agitação marítima e diferentes configurações geométricas, encontra-se validado numericamente para os 50 metros de profundidade.

Os investigadores pretendem agora avançar para estudos de modelação física que permitam perceber melhor qual a viabilidade da solução à escala real. A equipa vai ainda estudar outros aspetos importantes para o dimensionamento, como é o caso da erosão no sopé da estrutura ou do colapso por fadiga, entre outros fenómenos relevantes que podem determinar a sua utilização caso a caso.

Neste momento já se iniciaram esforços para que o conceito seja testado em modelo físico com diferentes escalas no Laboratório de Hidráulica da FEUP. Mas o impacto no futuro é muito promissor pelo que, este ano, o grupo de trabalho já fez o pedido provisório de patente relativo a este conceito.

“No caminho certo para fazer mais e melhor”

Instituído em 1960, em homenagem a Sir William Halcrow (1883-1958), presidente da Institution of Civil Engineers entre 1946 e 1947, o Halcrow Prize distingue anualmente os melhores artigos publicados nas revistas da ICE  nos domínios das Docas e Portos ou outras obras marinhas, Túneis, e Energia hidroeléctrica ou energia de outras fontes naturais renováveis.

O galardão vem por isso reforçar a importância das linhas de investigação que o Marine Energy Group do CIIMAR tem vindo a desenvolver, nomeadamente, no que respeita à promoção e desenvolvimento das energias renováveis marinhas.

“Além de ser sempre um motivo de alegria e motivação para o grupo, é também um prémio atribuído pelo ICE que é uma instituição de renome em diversos domínios da Engenharia Civil. Estamos muito satisfeitos e convictos que estamos no caminho certo para fazer mais e melhor”, congratula-se Tiago Ferradosa.

Sobre a Institution of Civil Engineers

Fundada em 1818, a Institution of Civil Engineers (ICE) é uma associação profissional independente de engenheiros civis, sediada em Londres.

Com mais de 92000 membros espalhados por cerca de 150 países, a ICE tem como missão apoiar a profissão de engenheiro civil, oferecendo qualificação profissional, promovendo a educação, mantendo a ética profissional, e estabelecendo ligações com a indústria, academia e governo. Eunice Sousa e Mafalda Leite – Portugal in “Universidade do Porto”


quinta-feira, 19 de maio de 2022

Noruega – Pretende ser uma superpotência de energia renovável

A Noruega revelou planos para uma grande expansão de sua produção de energia eólica offshore até 2040, com o objetivo de transformar um país que construiu a sua riqueza em petróleo e gás num exportador de eletricidade renovável.


O governo de centro-esquerda, que foi criticado por ambientalistas por continuar a apoiar a indústria do petróleo e gás, estabeleceu uma meta para desenvolver 30 gigawatts (GW) de capacidade eólica offshore até 2040.

"Isso quase duplicaria a nossa produção de energia", diz o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre.

A Noruega, que diz que o mundo ainda precisa do seu petróleo e gás durante a transição para um futuro de energia mais limpa, acredita que o desenvolvimento da energia eólica offshore permitirá que ela aproveite o know-how da sua indústria de energia existente.

Empresas de petróleo e gás alinharam-se para desenvolver energias renováveis ​​na Noruega

A Noruega reservou duas áreas no Mar do Norte para acomodar até 4,5 gigawatts (GW) de capacidade de turbinas eólicas flutuantes e fixas no fundo, em meio ao forte interesse de empresas de energia.

Uma ampla gama de empresas de serviços públicos, empresas de petróleo e gás e empresas de engenharia alinharam-se para desenvolver projetos de energia offshore na Noruega, incluindo Equinor, Shell, British Petroleum (BP), Orsted da Dinamarca e Eni da Itália.

Passar de um dos maiores produtores de petróleo da Europa a exportador de renováveis

A Noruega precisa de mais energia para consumo doméstico, mas o novo plano excede em muito a procura esperada das famílias e da indústria.

"Parte significativa da eletricidade será exportada para outros países", diz um comunicado do governo.

Até ao momento, a Noruega abriu duas áreas do Mar do Norte para o desenvolvimento de até 4,5 GW de energia eólica offshore fixa e flutuante, com a primeira licitação de 1,5 GW prevista para o final deste ano.

A indústria nacional de energia, que havia criticado o governo por se mover muito devagar, saudou a ambição do projeto.

“Isso estabelecerá as bases para o desenvolvimento eólico oceânico industrial”, disse a Associação Norueguesa de Petróleo e Gás em comunicado. Doloresz Katanich – França in “Euronews.green”

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Moçambique - Petrolífera Total instala operações ‘offshore’ do gás de na capital de Cabo Delgado


A Total vai instalar em Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, a base de operações ‘offshore’ (operações no mar) do megaprojeto de gás do norte de Moçambique, disse a empresa em resposta a questões colocadas pela Lusa.

A petrolífera francesa que lidera o consórcio da Área 1 – Mozambique LNG “irá desenvolver as suas operações ‘offshore’ em Pemba”.

“A Technip FMC – a principal contratada ‘offshore’ do projeto – partilhará as instalações da base logística da Total e do porto dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM)”, anunciou.

Além de Pemba, o projeto Mozambique LNG “está a analisar opções para realizar algumas operações de apoio ‘offshore’ na região para otimizar parte de sua cadeia logística e de planificação, incluindo em Mayotte, através da utilização das infraestruturas existentes”. Mayotte é um arquipélago francês do oceano Índico situado no norte do canal de Moçambique, a cerca de 500 quilómetros da costa de Cabo Delgado.

O megaprojeto da Área 1 vai ter operações em mar alto, uma vez que os 18 furos de onde vai ser extraído o gás natural estão localizados no fundo do oceano, bem como as válvulas e tubagens pressurizadas que o vão conduzir por cerca de 40 quilómetros até à fábrica de liquefação na península de Afungi.

A Technip FMC lidera o consórcio do projeto de engenharia, aquisições, produção e instalação das componentes a instalar no mar.

A Total reafirmou em declarações à Lusa o compromisso do projeto Mozambique LNG de “concretização dos seus objetivos de conteúdo local”, nomeadamente o “ambicioso plano” de adjudicar “2,5 mil milhões de dólares [cerca de dois mil milhões de euros] em contratos com empresas detidas por moçambicanos ou registadas em Moçambique”.

Ao mesmo tempo, a energética francesa referiu que as empresas a contratar também “têm um papel fundamental neste processo”.

“O nosso foco é garantir que cumpram com todas as obrigações legais e contratuais e tomem medidas adequadas para apoiar e desenvolver empresas e força de trabalho locais”, mantendo o avanço do projeto “de acordo com o cronograma e o orçamento”, apontou.

Avaliado em cerca de 20 mil milhões de euros, o megaprojeto de extração de gás da Total é o maior investimento privado em curso em África, suportado por diversas instituições financeiras internacionais e prevê a construção de unidades industriais e uma nova cidade entre Palma e a península de Afungi, em Cabo Delgado.

A primeira exportação de gás liquefeito está prevista para 2024.

A Total mantém a data apesar dos problemas de insegurança na região e que levaram a empresa a reduzir o pessoal no recinto de construção do empreendimento, numa desmobilização em curso desde há um mês.

No final de dezembro, rebeldes que há três anos aterrorizam a província de Cabo Delgado atacaram locais a cinco quilómetros do projeto. Algumas das incursões de insurgentes passaram a ser reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico desde 2019. In “LusoJornal” - França


 

sábado, 28 de novembro de 2020

Brasil - Energia eólica offshore entra no radar do país

 


O potencial do Brasil para a geração de energia com usinas eólicas instaladas no mar, uma tecnologia em ascensão no mundo mas ainda inédita no país, entrou no radar de técnicos do governo e de empresas como a petroleira norueguesa Equinor e a elétrica Neoenergia, do grupo espanhol Iberdrola.

A estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) disse à Reuters que registra sete projetos eólicos offshore em águas nacionais em fase de licenciamento, que somariam capacidade total de até 15 gigawatts (GW) --perto dos 16 GW hoje operacionais em terra.

O porte dessa carteira de projetos ainda em desenvolvimento, 80% concentrada nas duas empresas, evidencia os grandes números envolvidos quando se fala nas possibilidades dessa fonte de energia, que envolve turbinas maiores que as convencionais e consegue aproveitar ventos mais fortes.

A EPE estima que o Brasil poderia implementar 700 GW em eólicas offshore ao explorar profundidades até 50 metros, o que representa quatro vezes a atual capacidade instalada de geração de energia do país. As áreas mais favoráveis à tecnologia se dividem entre zonas na região Sul, Sudeste e, principalmente, Nordeste.

O presidente da Neoenergia, Mario Ruiz-Tagle, disse à Reuters que ainda há um longo caminho até que os primeiros projetos offshore saiam do papel, uma vez que é preciso definir regulamentações para a fonte, enquanto custos elevados também são uma barreira.

“Falta muito tempo, no mínimo dez anos, sendo otimista uns sete. Nosso projeto não é imediato... estamos olhando três regiões. No Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Ceará. É uma tecnologia que tem espaço no Brasil com certeza, o país tem uma costa gigantesca”, afirmou.

A Equinor também afirma que a aposta nas usinas marítimas no Brasil “é um negócio de longo prazo” e depende da regulação, com seus projetos locais em fase inicial de análise.

“O Brasil é muito rico em recursos naturais, com grande potencial em óleo e gás e renováveis. Nós vemos um potencial para eólica offshore no Brasil, um país que consideramos ser uma área central para nossa companhia”, disse, em nota à Reuters.

A Neoenergia, cuja controladora Iberdrola é líder global em geração offshore, tem registrados três projetos eólicos na costa brasileira --Jangada, Maravilha e Águas Claras, cada um com 3 GW em capacidade potencial.

A Equinor está em fase inicial de licenciamento ambiental de dois parques offshore com 2 GW cada, do complexo Aratu.

A EPE ainda registra um projeto de 1,2 GW ligado à BI Energia, da italiana Imprese e Sviluppo, e os complexos Asa Branca, com 400 megawatts, e Caucaia, com 600 megawatts.

A Equinor não comenta valores previstos para suas usinas, assim como a Neoenergia, que ainda não registra desembolsos relevantes ligados ao projeto.

A elétrica da Iberdrola prevê começar medições mais apuradas de vento a partir do próximo ano, com equipamentos movidos a energia colocados sobre as águas. No momento, foca o licenciamento ambiental, também visto como complexo devido ao ineditismo da iniciativa.

No projeto Asa Branca, por exemplo, a consultoria dinamarquesa Ramboll foi contratada como responsável pela gestão ambiental, em trabalho que será realizado em consórcio com a empresa de soluções ambientais e dados hidrográficos e geofísicos Cepemar e a Integratio, de mediação social.

A Petrobras também tem o potencial eólico do Brasil no radar, mas decidiu focar a atuação no segmento por hora em iniciativas de pesquisa e desenvolvimento.

A companhia disse à Reuters que “já realizou o mapeamento eólico (offshore) na região Nordeste e vai mapear o potencial do litoral Sudeste”, enquanto foca os esforços de P&D na busca de sinergias da fonte com operações de óleo e gás.

A estatal ainda tem um memorando de entendimento com a Equinor em eólicas offshore que continua válido e pode render iniciativas na área de pesquisa “no horizonte de longo prazo”.

Custo elevado

O custo das eólicas offshore é hoje, segundo a EPE, cerca de duas vezes maior que projetos onshore, e especialistas dizem que o atual nível de câmbio ainda aumenta essa diferença, mas a estatal diz ver “perspectivas favoráveis”. In “Portos e Navios” – Brasil com “Reuters”