Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Portugal – Universidade do Porto em projeto pioneiro para melhorar alimentação em Angola

Equipa da Universidade esteve envolvida na criação da “Tabela da Composição de Alimentos do Sul de Angola”, a primeira do género a ser desenvolvida para aquele país


Foi apresentada, no passado dia 6 de dezembro, a versão preliminar da nova “Tabela da Composição de Alimentos do Sul de Angola”, a primeira tabela da composição de alimentos a ser desenvolvida naquele país africano e em cuja elaboração estiveram envolvidas docentes da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação (FCNAUP) e da Faculdade de Medicina (FMUP) da Universidade do Porto.

A “Tabela da Composição de Alimentos do Sul de Angola” foi desenvolvida no quadro do programa “FRESAN – Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional em Angola”, dinamizado pela U.Porto em colaboração com o Governo de Angola, com a gestão do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., das agências locais das Nações Unidas, FAO e PNUD, e do Hospital Val D’Hebron, e com financiamento da União Europeia.

O objetivo desta parceria é contribuir para a redução da fome, da pobreza e da vulnerabilidade à insegurança alimentar e nutricional nas províncias do sul do país mais afetadas pelas alterações climáticas – o Cunene, a Huíla e o Namibe.

No caso específico da nova “Tabela”, o objetivo passa por permitir uma melhor compreensão do valor nutricional dos alimentos e das receitas locais. Trata-se, por isso, de um instrumento essencial para a intervenção nutricional e alimentar em Angola, para o desenvolvimento de intervenções e políticas públicas na área alimentar e, em particular, para combater situações de insegurança alimentar que afetam a região.


No âmbito desta parceria internacional, desenvolveu-se ainda um Pacote Pedagógico de Educação Alimentar e Nutricional que prevê a disseminação de materiais a utilizar em ações de sensibilização junto das comunidades rurais, bem como ações de formação para os profissionais de saúde e outros técnicos que intervém juntos das comunidades locais.

Liderada pelos docentes Duarte Torres, da FCNAUP, e Carla Lopes, da FMUP, a equipa técnica da U.Porto teve um papel importante na recolha de dados sobre hábitos alimentares e gastronomia local e na elaboração dos recursos educativos.

Para esse trabalho foram decisivas as visitas realizadas, entre março e  junho de 2022, pelas nutricionistas Rita Pereira Luís e Isa Viana, às províncias de Cunene, Huíla e Namibe, no sul de Angola. Nesta missão, as profissionais tiveram a oportunidade de recolher dados sobre práticas alimentares, gastronomia local e alimentos consumidos e produzidos nas três províncias, bem como de implementar diversas atividades, nomeadamente formações para profissionais de saúde das unidades sanitárias locais.

Aos representantes da Universidade coube ainda apoiar a implementação de ações de formação, nomeadamente os Grupos Temáticos de Nutrição sobre Cestas Alimentares e Demonstrações Culinárias, e a formação em nutrição para a aplicação do Questionário de Linha de Base FRESAN/Camões, I.P., dirigida aos técnicos das organizações da sociedade civil. Universidade do Porto - Portugal




domingo, 4 de dezembro de 2022

Angola - As pinturas rupestres de Tchitundo-Hulo que "caíram do céu" no Namibe

As pinturas rupestres de Tchitundo-Hulo, discretamente desenhadas em grutas remotas do sul de Angola, estão entre os vestígios arqueológicos mais importantes do país, mas a falta de proteção ameaça o valioso património


Diz-se que “caíram do céu” – o significado de Tchitundo-Hulo na língua local – e encontram-se a cerca de 130 quilómetros da sede do município do Virei, província do Namibe, sul de Angola, numa região desértica à qual se acede seguindo uma picada arenosa.

À volta, o cenário é cor de areia e o terreno seco e pedregoso. Alguns cabritos mordiscam arbustos raquíticos e são visíveis os ‘sambos’ (currais circulares fechados com ramos) dos pastores mucabais que ali habitam, invisíveis, mas vigilantes, sempre atentos aos visitantes.

“Aqui, ninguém pense que está sozinho, estão sempre a ver-nos. E ai dos forasteiros que venham visitar as grutas sem se apresentarem. Houve uns turistas que vieram visitar as grutas sem avisar, mas não os deixaram avançar e tiveram de voltar”, diz Paihama Catenga, responsável da área de cultura e turismo da Administração Municipal do Virei, que acompanhou uma equipa da Lusa ao local.

Não se sabe exatamente quem deixou os desenhos, nem porquê. Alguns assemelham-se a formas de animais, adivinhando-se peixes e tartarugas, outros são círculos e formas abstratas que poderão ser representações do céu e dos astros.

Os especialistas estimam que os autores tenham sido khoisan ou cuisses-tua, povos ancestrais que estavam já instalados no sul de Angola antes da chegada dos bantus, o grupo étnico maioritário no país.

O ‘soba’ Ananás, do Virei, diz que foram os seus antepassados, “há milhares de anos”, mas acrescenta que existem outras teorias.

“Alguns mais velhos dizem que não foi feito pelo homem, que é sobrenatural. Quando os brancos vieram até aqui e perguntaram quem fez, eles disseram: encontrámos já assim, veio de Deus, veio do céu”, explica o representante das autoridades tradicionais.

Até porque “as pinturas estavam tapadas e nenhum homem pinta para depois tapar”, argumenta.

O soba garante que antes o local era respeitado, seguindo as regras próprias dos mucubais, “mas a cultura atual já não segue os antigos”, acelerando a degradação pelo efeito combinado dos agentes climatéricos e da ação humana.

Os desenhos pré-históricos, que serão mais de mil, espalhados entre o interior das duas grutas e o morro granítico que constituem o complexo, começaram a ser estudados nos anos 1950 pelo geólogo português Camarate França.

Mas até hoje o seu significado mantém-se um enigma e a decifração pode nunca chegar a acontecer face ao risco de desaparecimento das gravuras, cujo acesso não é controlado e se encontram expostas à intempérie.

A gruta inferior (Casa Maior) é facilmente acessível e chegou a ter uma vedação, entretanto retirada pelas autoridades angolanas, que querem elevar o complexo a Património Histórico da Humanidade, já que a UNESCO exige acesso livre.

A retirada da vedação não agrada a Ildeberto Madeira, sociólogo e membro da Associação dos Naturais e Amigos do Namibe, que alerta para os riscos de destruição da arte milenar, sem uma proteção que as defenda.

“Estas pinturas têm mais de 2000 anos, têm de ser preservadas”, apela, defendendo que o acesso deve ser controlado.

“Os bois chegam a todo o lado, entram por aí dentro, tocam com os chifres e destroem as pinturas. Estamos num sítio onde a vida dos povos são os bois. Andam por aí à vontade, os jovens podem entrar com as manadas em busca de pasto e os chifres estragam”, exemplificou.

Em alguns sítios, as gravuras aparecem já maculadas por inscrições contemporâneas e há também turistas e forasteiros que removem as placas de granito, que se soltam com facilidade, para levarem pinturas consigo.

“Tive informações que dão conta que os turistas partem placas de pedra para retirar as pinturas e levarem consigo, já que se retiram muito facilmente”, lamenta o especialista, já reformado.

Ildeberto Madeira salienta que o acesso à grutas ou património protegido noutros países é muito diferente e sugere que até poderia gerar receitas.

Também o responsável de cultura e turismo do Virei, Paihama Catenga lastima que o património não esteja protegido e concorda com a ideia de vedar o local.

Afirma até que já houve mais gravuras nas grutas, mas a erosão, as infiltrações e a escorrência de água e o desgaste do tempo não perdoam.

“Têm de ser protegidas mesmo”, exorta. In “MadreMedia / Lusa” - Portugal


terça-feira, 24 de maio de 2022

Angola - Novo projecto vai levar água e energia ao sul do país

O memorando foi assinado em Setembro do ano passado, mas o ajuste directo e o empréstimo foram autorizados agora. São quase 2000 mil milhões de dólares para levar água e energia a quatro províncias do sul do país. O empréstimo será disponibilizado pelo ING Bank com apoio do US Exim Bank e de outras instituições financeiras internacionais. Quanto à execução, está a cargo da Omatapalo

No despacho 128/22, o Presidente da República autoriza a despesa e formaliza a abertura do procedimento de contratação simplificada, no valor global de 1,95 mil milhões de dólares norte-americanos para a adjudicação da empreitada de obras públicas para a electrificação de uma das 26 sedes municipais e 56 comunas, nas províncias do Namibe, Kuando Kubango, Huíla e Cunene, através de sistemas híbridos de geração fotovoltaica, programas integrados de abastecimento de água potável.

Autoriza igualmente a empreitada de construção de duas centrais fotovoltaicas nas localidades de Catete e Laúca.

No documento é ainda aprovada a empreitada para a construção de mini-redes solares de produção de energia eléctrica, armazenamento de energia eléctrica, infra-estruturas de ligação, expansão da rede de distribuição de água, nas províncias do Namibe, Kuando Kubango, Huila e Cunene, compreendendo 65 mini-redes solares com uma capacidade de produção de energia de aproximadamente 220,319 MWdc e armazenamento de energia de aproximadamente 287,040 MWh, cabines solares, sistemas de produção de energia doméstica, respectivas infra-estruturas de ligação, expansão da rede de distribuição de energia através de 45.422 novas ligações domiciliárias e sistemas rurais de captação, tratamento e distribuição de água.

Este valor inclui ainda a empreitada para o desenvolvimento, concepção do projecto de engenharia, fornecimento, supervisão, construção e testes de uma central fotovoltaica de grande escala de produção de energia eléctrica na Localidade de Laúca, com uma capacidade de produção de 400 MWdc.

O contrato abrange também a empreitada para o desenvolvimento, concepção do projecto de engenharia, fornecimento, supervisão, construção e teste de uma central fotovoltaica de grande escala de produção de energia eléctrica na localidade de Catete, com uma capacidade de produção de 104 MWdc.

O Ministro da Energia e Águas é autorizado a celebrar os contratos com a Global Sun África LLC, constituído pelas empresas angolanas Omatapalo - Engenharia e Construções e Omatapalo Inc.

Já a ministra das Finanças é autorizada a iniciar a negociação do empréstimo e a assinar os documentos e contratos necessários para o financiamento do projecto liderado pelo ING Bank, com o apoio do US Exim Bank e de outras Instituições Financeiras Internacionais em representação da República de Angola. In “Novo Jornal” - Angola


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Angola – O turismo tem futuro na província do Namibe

As belezas naturais de Angola começam a despertar atenções. São várias as iniciativas empresariais a funcionar nos locais onde o Turismo pode atrair atenções, como os que mostramos, na província do Namibe, onde o deserto se faz ao mar, numa combinação exótica a perder de vista



O habitat natural da única planta carnívora angolana, a famosa Welwitchia Mirábilis é um local de muitas e agradáveis surpresas naturais. Desde as areias movediças, às tempestades, que chegam a cobrir localidades habitadas pelo homem, a fauna adaptada à região como as avestruzes e outras espécies animais, compõem um conjunto de atractivos, que estimulam o empreendedorismo no sector do Turismo na província.

No vídeo a seguir, que circula pela web podemos contemplar locais de grande interesse turístico, que tarde ou cedo devem constar no mapa das opções de férias e lazer no país.

O Turismo é um sector de actividade que em Angola se aproxima dos destinatários, com algumas opções interessantes, dando a entender as aberturas ao investimento que a actividade proporciona, a quem tenha aversão ao risco, na oferta de várias opções disponíveis, tais como aquelas que o próximo vídeo demonstra. In “Novafrica” - Angola



quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Angola – Seca afecta mais de dois milhões de pessoas



Cerca de 2,3 ​​milhões de pessoas em Angola precisam de assistência humanitária devido à seca. Na província de Cunene, pelo menos 80% da população, 860 mil angolanos, necessitam de apoio urgente.

Durante uma missão na região, o coordenador residente da ONU para Angola, Paolo Balladelli, pediu à comunidade internacional que aumente o apoio às pessoas que vivem na linha de frente da crise climática.

Aumento

Balladelli disse que os números de necessitados são "três vezes mais do que no começo do ano" e que o sul do país “está enfrentando as consequências arrasadoras das mudanças climáticas.”

As temperaturas em 2019 foram as mais altas em 45 anos. A seca está aumentando a fome e a desnutrição, especialmente nas províncias de Cunene, Huíla, Bié e Namibe.

O coordenador residente está visitando a região com a chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, na África Austral e Oriental, Gemma Connell.

Objetivos

O objetivo da missão é conhecer melhor a situação no terreno e a resposta das Nações Unidas, incluindo projetos financiados pelo Fundo Central de Emergência da ONU, Cerf.

Graças ao financiamento do fundo, foi possível ajudar mais de 640 mil pessoas com alimentos e serviços de saúde, nutrição, água e higiene nas quatro províncias mais atingidas.

O coordenador disse que o projeto “complementa os esforços do governo para responder a esta situação terrível e salvar vidas”, mas que “é preciso fazer mais e com urgência.”

As necessidades estão crescendo e famílias já foram forçadas a tomar medidas desesperadas para sobreviver, com meninas e mulheres sofrendo o maior impacto da crise.

Visita

Em Caculuvale, os representantes da ONU encontraram famílias que lutam pela sua sobrevivência e crianças com desnutrição aguda grave. Em visitas a centros de saúde, os médicos disseram que estão registando as maiores taxas de admissão em muitos anos.

Gemma Connell contou que “nas áreas rurais, as mulheres têm que caminhar longas distâncias para levar comida e água para casa, expondo-as ao risco de violência.” Por outro lado, “um número crescente de crianças está abandonando a escola, as meninas para ajudar as mães e os meninos para procurar pastagens com os pais.”

Resiliência

A delegação se reuniu com funcionários do governo, incluindo os vice-governadores das províncias de Cunene e Huíla, e elogiou a implementação de medidas sustentáveis ​​para mitigar os efeitos de eventos climáticos.

O coordenador residente disse que a prioridade a curto prazo são recursos para salvar vidas nas populações afetadas pela seca, mas que é “essencial investir na construção da resiliência das comunidades para o futuro.”

Também participam na missão representantes de seis agências da ONU, como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, o Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, o Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, o Programa Mundial de Alimentos, PMA, e a Organização Mundial da Saúde, OMS. ONU News – Nações Unidas



domingo, 1 de setembro de 2019

Angola – ONU vai investir nas províncias do sul de Angola nos próximos 4 anos para combater a seca

Os 465 milhões de dólares que o coordenador residente das Nações Unidas em Angola, Pier Paolo Balladelli, foi dizer ao Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, que estavam disponíveis para combater o flagelo da seca no sul do país, vão ser aplicados em projectos que permitam anular os efeitos cíclicos da falta de chuva prolongada no futuro



O investimento em vários projectos nas províncias da Huíla, Namibe e Cunene, onde, como o NJOnline tem vindo a noticiar  nos últimos anos, resultam da necessidade de combater os efeitos da desflorestação, das alterações climáticas e da escassez de represas que permitam reter a água das chuvas, e surgem numa altura em que a própria ONU admite que já são mais de 1,3 milhões de pessoas a sofrer de forma severa de falta de alimentos e de água potável, sendo que o problema abrange toda a África Austral.

Nos próximos quatro anos, as diversas agências das Nações Unidas vão ter disponíveis, de forma programada para financiar projectos erguidos a partir da colaboração com as autoridades angolanas e em conjunto com os projectos já anunciados pelo Governo, como os de construção de barragens no Cunene, cerca de 465 milhões USD, embora não tenham sido avançados pormenores sobre a origem deste financiamento, e nem sobre o calendário criado para a sua aplicação, no encontro da passada quarta-feira, em Luanda, de Pier Paolo Balladelli com Fernando da Piedade Dias dos Santos. Segundo Balladelli, esta verba não vai ser aplicada apenas em projectos de efeito imediato para combater a falta de água, mas sim de forma abrangente em programas educacionais, na área da saúde, transportes, ambiente... contemplando essencialmente uma dimensão multissectorial com o objectivo de permitir formar as pessoas mais afectadas para lidar com os seus problemas.

Segundo Balladelli, esta verba não vai ser aplicada apenas em projectos de efeito imediato para combater a falta de água, mas sim de forma abrangente em programas educacionais, na área da saúde, transportes, ambiente... contemplando essencialmente uma dimensão multissectorial com o objectivo de permitir formar as pessoas mais afectadas para lidar com os seus problemas.

Na linha da frente das prioridades da ONU estão ainda 14 mil famílias das províncias do Namibe, Cunene, Kuando Kubango e Huíla, que, devido à sua situação dramática, vão ser alvo de um programa de transferência de verbas de carácter social estimado em nove milhões de dólares norte-americanos, financiados pela União Europeia e geridos pelo UNICEF. In “Novo Jornal” – Angola

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Angola - Programa da UE de apoio à agricultura vai ser gerido por Portugal

Portugal vai gerir um programa da União Europeia (UE) dirigido à agricultura em Angola no valor de 48 milhões de euros a investir na Huíla, no Namibe e no Cunene



A informação foi avançada pelo ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural português, Luís Capoulas Santos, que ficou na capital angolana um dia além da visita oficial efectuada pelo primeiro-ministro luso, António Costa.

"Trata-se de um programa que terá um apoio da UE de 60 milhões de euros, em que 48 milhões são destinados à agricultura e que serão centrados em três províncias do sul, Huíla, Namibe e Cunene. Visa apoiar a agricultura familiar, criar condições de vida e sustentabilidade agrícola e, ao mesmo tempo, concorrer para o combate às alterações climáticas, porque, no território angolano, são as zonas mais expostas", disse Capoulas Santos à Lusa.

O programa visa, "por um lado, criar condições de vida aos seus agricultores e à pequena agricultura, em particular, e, por outro lado, aumentar a produção nacional por forma a reduzir as importações e até a gerar excedentes para exportação de alguns produtos para os quais tem capacidades mais do que suficientes", esclareceu, acrescentando que entre os dias 30 de Setembro e 12 de Outubro, estará em Angola uma missão técnica para avaliar, nas três províncias, bem como em Luanda, as prioridades a constar no âmbito do programa e de acordo com a vontade do Governo Angolano.

Segundo o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural português, que deixa Luanda esta noite, Portugal tem sido, até agora, um "grande exportador" para Angola na área da agricultura, destacando o facto de, recentemente, Angola ter começado a exportar produtos agrícolas para Portugal.

"Angola começou há muito pouco tempo a exportar para Portugal. Ao fim de 40 anos, Angola exportou as primeiras bananas para Portugal. A agricultura portuguesa e angolana não são concorrentes, são complementares. Não tencionamos produzir em Portugal café, amendoim ou frutos tropicais, assim como não estou a ver Angola com vocação para plantar oliveiras ou a dedicar-se à produção de vinho", exemplificou.

"A cooperação é boa quando funciona nas duas direcções, quer no investimento quer nas trocas comerciais, e Angola tem um enorme potencial agrícola e Portugal está disposto a receber produtos de Angola que, neste momento, importamos de outras partes do mundo, com quem temos afinidades muito menores", sublinhou. In “Novo Jornal” - Angola

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Multiusos de Luanda

Hoje, 17 de Setembro de 2013, dia em que se comemora o nascimento de António Agostinho Neto, primeiro presidente da República de Angola, inaugura-se na cidade de Luanda, capital de Angola, o Pavilhão Multiusos de Luanda, uma obra moderna que irá criar uma nova centralidade na cidade.

Este magnífico pavilhão, construído pela empresa angolana Omatapalo, num espaço de tempo inferior a um ano, foi construído no bairro da Camama, município de Belas, distrito urbano de Kilamba Kiaxi, perto do Estádio 11 de Novembro.

Pavilhão Multiusos de Luanda


Com capacidade para quase 12 mil lugares, a Arena de Luanda, apresenta um camarote presidencial, 20 camarotes vips, sete salas de imprensa, uma de redacção, duas de conferências, uma sala para controlo anti-doping e outra para recolha de material, além de diversos apoios comerciais.

Os atletas têm à disposição oito balneários, havendo mais dois para os árbitros e um para os cronometristas. O pavilhão está preparado para receber seis bancadas amovíveis onde se podem instalar dois mil espectadores e no tecto do recinto está instalado uma estrutura com quatro enormes mostradores de imagens reais a partir do interior do recinto.

A inauguração do equipamento desportivo será realizada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na presença de diversos elementos do Executivo, dirigentes do Comité Internacional de Rink Hockey (CIRH), da Federação Internacional de Roller Sports (FIRS), corpo diplomático, entre outras entidades convidadas.





O Pavilhão Multiusos de Luanda foi construído para albergar a 41ª edição do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins que irá decorrer de 20 a 28 de Setembro entre esta estrutura e o pavilhão da cidade de Namibe.

Com a presença das selecções da África do Sul, Alemanha, a equipa anfitriã Angola, Argentina, Áustria, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, Estados Unidos da América, França, Itália, Moçambique, Portugal, Suíça e Uruguai, o campeonato do mundo de hóquei em patins tem a presença de quatro equipas lusófonas, situação única em desportos colectivos.

A equipa angolana é orientada pelo técnico Orlando Graça que tem à disposição, os guarda-redes, Tiago Sousa, Pedalé e Mitó, os defesas, Kirro, Mamíkua, André Centeno, Big e Paizinho e os avançados, Márcio Fernandes, João Pinto, Johe, e Martin Payero.



Na primeira fase do torneio, a selecção angolana defronta sucessivamente a África do Sul, Chile e Portugal, no grupo C, onde passam à fase seguinte os dois primeiros classificados que, nos quartos-de-final, jogarão com os dois primeiros classificados do grupo B, Itália, Moçambique, Colômbia e Estados Unidos da América.

No pavilhão de Luanda jogarão os grupos A e C e no pavilhão de Namibe os grupos B e D, realizando-se as meias-finais e final também em Luanda.

Normalmente quando se constrói uma infra-estrutura da qualidade do Pavilhão Multiusos de Luanda, principalmente num país com graves deficiências em apoios sociais e de saneamento básico, põe-se em questão os gastos com obras desta natureza. Contudo, se houver uma boa gestão e o país aproveitar esta estrutura para mostrar ao mundo que um novo país está a emergir, daqui alguns anos as vozes serão unânimes a afirmar que ainda bem que o pavilhão foi construído. Baía da Lusofonia