Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Europa - Pianista Maria João Pires vence Prémio Europeu Helena Vaz da Silva 2025

A pianista Maria João Pires é a vencedora da edição de 2025 do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, anunciou o Centro Nacional de Cultura (CNC), promotor da iniciativa


"Este reconhecimento europeu presta homenagem à excecional contribuição de uma das maiores pianistas do nosso tempo para a promoção do património cultural e dos valores europeus", justifica o CNC, em comunicado.

De acordo com a decisão do júri, presidido por Maria Calado, presidente do CNC, "Maria João Pires é uma das pianistas mais poéticas e influentes da Europa. Além de ser uma extraordinária intérprete, é uma educadora visionária, uma pensadora cultural e uma revolucionária silenciosa no domínio do património musical".

O júri reconhece na carreira da pianista, "profundamente enraizada nos valores da empatia, da inclusão e da excelência artística", a essência da "missão do Prémio Helena Vaz da Silva: sensibilizar o público para o património cultural europeu através de um envolvimento humanista e de impacto".

Maria João Pires, numa reação ao prémio, citada pelo comunicado do CNC, disse: "Ter um prémio corresponde a ter uma honra. Ter uma honra e tomar consciência dela, é lembrar ao pormenor todas as pessoas que deram do seu tempo, colaboraram e ajudaram a que essa honra fosse atribuída. Por isso a minha primeira reação será sempre dizer 'muito obrigado' a todos por esta oportunidade."

A pianista, que nasceu em Lisboa em 1944, tornou-se numa das "artistas mais destacadas internacionalmente", escreve o CNC, recordando o percurso de Maria João Pires desde a sua primeira atuação em público, aos quatro anos, até à consagração nas décadas de 1980-1990.

Após a conquista do primeiro prémio do concurso internacional Beethoven, em 1970, o seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a nível mundial e nos catálogos das maiores editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das "Cenas Infantis", de Schumann; e depois a Deutsche Grammophon, em 1989.

Nesse ano, fundou o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco, projeto educativo, pedagógico e cultural dedicado à música, onde oferece 'workshops' interdisciplinares, concertos e gravações que, no futuro, segundo o CNC, podem vir a ser "partilhados com a comunidade digital".

Em 2012, na Bélgica, iniciou dois projetos complementares: os Partitura Workshops e os Partitura Choirs, destinados a coros infantis de crianças oriundas de ambientes desfavorecidos, como o Hesperos Choir.

De acordo com o CNC, "todos estes projetos têm como objetivo criar uma dinâmica altruísta entre artistas de diferentes gerações, propondo uma alternativa a uma realidade demasiado focada na competitividade".

No passado mês de junho Maria João Pires anunciou um afastamento dos palcos "por algum tempo", devido a um "problema de saúde cerebrovascular". Na altura, cancelou concertos e recitais que tinha agendados para Portugal e para diversas salas europeias e do Japão.

Em agosto, em nova mensagem, mostrou entusiasmo "com a ideia de dar de novo aulas 'online'": "Dar aulas [...] é muito mais do que isso, é uma forma de diálogo através da música, 'um dar e receber', uma troca de impressões, uma aprendizagem partilhada na arte de ouvir, uma procura de equilíbrio... Procurar em conjunto obriga a um acordo na experiência. Um trabalho sobre nós próprios, que nos dará certamente mais lucidez".

Ao longo da carreira, Maria João Pires recebeu o prémio do Conselho Internacional da Música, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, 1970), o Prémio Pessoa (1989), a Medalha de Mérito Cultural do Governo português e o Prémio Personalidade do Ano/Martha de la Cal da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (2019), o Praemium Imperiale (2024), da Associação de Arte do Japão.

A nível discográfico, foi distinguida quatro vezes pela Academia Charles Cross, nomeada regularmente para os Grammy e recebeu um prémio Gramophone, destacando-se as suas interpretações de Sonatas e dos "Impromptus", de Schubert, dos "Nocturnos", de Chopin, e de Concertos de Mozart e Beethoven.

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva foi instituído em 2013 pelo CNC, com a organização Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa, com apoio dos ministérios da Cultura, Juventude e Desporto, e dos Negócios Estrangeiros, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Além de Maria Calado, o júri foi composto por Francisco Pinto Balsemão, fundador do grupo Impresa, Piet Jaspaert, vice-presidente da Europa Nostra, João David Nunes, pelo Clube Português de Imprensa, Guilherme d'Oliveira Martins, administrador da Fundação Gulbenkian, Irina Subotic, presidente da Europa Nostra Sérvia, e Marianne Ytterdal, do Conselho da Europa Nostra.

A entrega do prémio a Maria João Pires realizar-se-á na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, em 01 de novembro, às 17:00.

A primeira edição do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, em 2013, distinguiu o escritor italiano Claudio Magris. No ano passado o vencedor foi o fotógrafo alemão Thomas Struth.

Para além destas duas distinções foram laureados o escritor turco e Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk distinguido em 2014; o músico catalão Jordi Savall foi premiado em 2015; o cartoonista francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o ensaísta português Eduardo Lourenço venceram, ex-aequo, a edição de 2016 do Prémio; em 2017, o cineasta Wim Wenders foi o vencedor; em 2018 a vencedora foi a historiadora inglesa Bettany Hughes, em 2019 foi laureada a física de partículas italiana Fabiola Gianotti, em 2020 foi atribuído ao Cardeal José Tolentino Mendonça e em 2021 a vencedora foi a coreógrafa de Dança Contemporânea belga, Anne Teresa De Keersmaeker, em 2022 o prémio foi atribuído à maestra ucraniana Oksana Lyniv e em 2023 foi distinguido o barítono português Jorge Chaminé. Augusta Gonçalves – Portugal in “Notícias ao Minuto”


quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Japão – Pianista portuguesa Maria João Pires distinguida com Praemium Imperiale na área da Música

A pianista portuguesa Maria João Pires foi distinguida, na área da Música, com o Praemium Imperiale, um prémio internacional atribuído pela Associação de Arte do Japão, anunciou a organização.


O Praemium Imperiale reconhece anualmente o contributo internacional de cinco personalidades nas Artes e na Cultura e, na 35ª. edição, uma das artistas premiadas é a pianista portuguesa Maria João Pires.

Além da intérprete portuguesa, este ano o Praemium Imperiale reconhece o percurso artístico da artista plástica francesa Sophie Calle, da escultora colombiana Doris Salcedo, do arquiteto japonês Shigeru Ban e do realizador taiwanês Ang Lee.

Segundo a organização, o prémio tem um valor monetário de 15 milhões de ienes (cerca de 95.000 euros) e será entregue aos cinco laureados numa cerimónia marcada para 19 de novembro, em Tóquio.

Em 1998, o prémio referente à Arquitetura foi atribuído a Álvaro Siza.

Maria João Pires, que completou 80 anos em julho, é a mais internacional e reputada dos pianistas portugueses, com um percurso artístico que remonta a finais dos anos de 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos quatro anos.

Na próxima semana, prepara-se para iniciar uma digressão pela Coreia do Sul, que se estenderá até ao final de outubro, prosseguindo depois com uma dezena de atuações na Europa.

Entre os prémios conquistados pelo talento artístico contam-se o primeiro prémio do concurso internacional Beethoven (1970), o prémio do Conselho Internacional da Música, pertencente à organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, 1970) e o Prémio Pessoa (1989).

Na década de 1970, o seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a nível mundial e nos catálogos das principais editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das “Cenas Infantis”, de Schumann; e depois a Deutsche Grammophon, a partir de 1989.

Maria João Pires fundou ainda, em 1999, o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco, um projeto educativo, pedagógico e cultural dedicado à música.

O Praemium Imperiale foi criado em 1988 pela Associação de Arte do Japão para reconhecer “o trabalho excecional” em Pintura, Escultura, Arquitetura, Música e Teatro ou Cinema.

“O prémio homenageia personalidades de todo o mundo que transcendem as fronteiras nacionais e étnicas, dando corpo à cultura e às artes do nosso tempo”, lê-se na página oficial do prémio. In “Comunidade Cultura e Arte” – Portugal com “Lusa”