Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Ilha da Madeira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ilha da Madeira. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Angola - Portugal, offshores e "Outros" são os destinos do investimento lá fora

Por cada 100 dólares de dinheiro de residentes em Angola, nacionais e estrangeiros, já investidos no estrangeiro, 43 USD estão em Portugal, onde existe a offshore da Madeira, 12 USD estão nas Maurícias e 6 USD na britânica Ilha de Man. Já 38 USD estão catalogadas apenas como "Outros", impedindo aferir quanto está investido noutros paraísos fiscais



É em Portugal e em paraísos fiscais, também denominados offshores, como as ilhas Maurícias ou a Ilha de Man que estão a maior parte dos investimentos directos lá fora de residentes em Angola, nacionais ou estrangeiros, cujo total no final do III trimestre de 2024 era equivalente a 5321,7 mil milhões USD, de acordo com o relatório do BNA sobre a Balança de Pagamentos e Posição do Investimento Internacional de Angola.

Neste relatório, o banco central continua a apenas identificar cinco locais onde os angolanos têm investido fora do País, nomeadamente Portugal (que tem a offshore da ilha da Madeira), os paraísos fiscais das Maurícias e da Ilha de Man, bem como São Tomé e Cabo Verde, que juntos valem 3299,5 milhões USD, 62% do total do stock de investimento lá fora. Quanto aos restantes 2022,2 milhões USD, o BNA cataloga-o em "Outros", impedindo apurar em que países os angolanos têm os seus investimentos. Será neste "Outros" que estarão paraísos fiscais como o Dubai, Malta, Suíça, que oferecem vantagens fiscais e regulatórias para negócios internacionais, e que têm sido reportados como locais onde os angolanos "endinheirados" têm colocado parte das suas fortunas, parte delas investidas em empresas ali sedeadas.

Num mundo em que o segredo é a alma do negócio, são poucos os dados disponíveis sobre este tipo de investimentos em offshores. Mas, segundo fontes do Expansão, muitas vezes estes paraísos fiscais funcionam como veículos para os angolanos investirem noutros países, sobretudo europeus, como Portugal, país onde vários angolanos, incluindo os denominados PEP (Pessoas Politicamente Expostas), detêm participações em empresas de vários sectores, como banca ou serviços. No entanto, algumas dessas empresas de angolanos instaladas nessas jurisdições onde a lei facilita a aplicação de capitais estrangeiros, com tributação muito baixa ou nula, acabam por depois investir em Angola, sobretudo em sociedades anónimas, com o objectivo de esconder os últimos beneficiários das empresas, muitas vezes empresários com ligações familiares ao poder político que, face às regras internacionais, estão impedidos de participar em determinados negócios, como acontece com a banca. Estes paraísos fiscais permitem esconder os PEP, mas também permitem ocultar a origem do dinheiro.

Desde 2018 que o stock de investimentos de angolanos lá fora tem vindo a cair, passando de 6069,50 milhões USD para os actuais 5321,7 milhões USD. São várias as razões, entre elas a crise que afectou o país e a forte desvalorização cambial desde essa altura, mas também o facto de os bancos estarem mais atentos a questões de compliance, o que dificulta a saída de dinheiro mas também a justificação sobre a sua proveniência. E basta olhar para as estatísticas externas do BNA para perceber que após João Lourenço assumir os destinos do País, em 2017, houve uma alteração substancial nos fluxos anuais de saída de capital de Angola para investimentos no estrangeiro. Longe vão os tempos em que anualmente saiam do País mais de 900 milhões USD (2013) ou cerca de 800 milhões (2014 e 2015) ou até os 1352, 0 milhões de 2017 - neste caso tratou-se de um investimento lá fora no sector petrolífero.

Contas feitas, nos últimos 10 anos os angolanos investiram fora do País 2668,7 milhões USD, apenas 3% do total que os estrangeiros investiram em Angola. Entre 2015 e o III trimestre de 2024, o Investimento Directo Estrangeiro (IDE) em Angola foi de 84.837,0 milhões USD, em que 81.786,2 milhões (96% do total) foram no sector petrolífero e 3050,8 milhões foram no não petrolífero.

O que é o investimento directo?

O investimento directo de Angola no estrangeiro acontece quando um residente em Angola, angolano ou não, compra uma participação de pelo menos 10% do capital de uma empresa no estrangeiro com o objectivo de a controlar ou influenciar a sua gestão. Joaquim Reis – Angola in “Expansão”


quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Portugal – Irmãos levam a cultura lusitana ao redor do mundo através da música

No cenário musical contemporâneo, há artistas que vão além de apenas entreter o público, pois tornam-se verdadeiros porta-vozes culturais ao disseminar tradições e identidades por meio da sua arte. É este o caso da dupla de irmãos lusodescendentes Sandra e Ricardo, naturais da Venezuela, mas que têm as suas raízes vincadas na Ilha da Madeira. Estes artistas têm conquistado destaque internacional ao espalhar a rica cultura lusitana através da música junto dos portugueses espalhados pelo mundo.


Embora tenham residido na Venezuela por cerca de 30 anos, Sandra e Ricardo vivem hoje em Portugal, fruto dos seus laços com o país, numa conexão enraizada nas suas memórias de infância e nas influências transmitidas pelas gerações anteriores. Esta herança cultural, aprendida desde cedo, tornou-se na força motriz por trás da sua música, impulsionando-os a partilhar o amor por Portugal com o mundo. Algumas canções da dupla contam com influências do folclore português e da cultura lusitana.

“Acho que é tão importante criar maneiras de estarmos mais próximos dos nossos e a música tem sido assim, tem sido uma linguagem universal que não interessa em que idioma possa estar a cantar, nós lutamos sempre para que o português esteja sempre presente, e é uma das coisas que nós estamos constantemente a fazer. Vamos pelo mundo levando diferentes géneros musicais, não só versões e adaptações de canções já conhecidas, como também as nossas músicas, as nossas experiências, sobretudo este sentimento de quem deixa a sua terra para ir à procura de novas oportunidades”, contou Sandra.

Através da arte, a dupla tem conquistado admiradores em diversos países, como Estados Unidos, Espanha, Brasil e Suíça, entre outros, o que prova que a música é uma linguagem universal capaz de transcender barreiras geográficas e culturais. As suas apresentações despertam nas pessoas uma conexão emocional com a cultura portuguesa, estilo que é conhecido pelo seu rico legado proveniente do fado, além da música tradicional e contemporânea, que expressa a identidade e a história de um povo. Ao ser cantada em português, esta forma de expressão artística não só preserva a língua nativa, mas também exalta a diversidade e a riqueza cultural do país.

Sandra e Ricardo sabem como explorar esta poderosa ferramenta ao transmitir, com autenticidade e paixão, as tradições e os valores lusitanos. Como verdadeiros embaixadores da cultura portuguesa, Sandra e Ricardo têm conquistado corações e mentes por onde passam, enriquecendo a sociedade global com a herança única e vibrante de Portugal. A sua música serve como um veículo de divulgação ao permitir que pessoas de diferentes origens compreendam e apreciem as nuances e peculiaridades da cultura lusa.

Em entrevista à nossa reportagem no Funchal, a dupla recordou a relevância do trabalho em prol da cultura e do povo português.

“Tocar nas almas dos que assistem aos nossos espetáculos, das pessoas com as que partilhamos, trazer Portugal até aqui e reconhecer a importância que têm os nossos portugueses fora, o papel que tem para a continuidade e manutenção dos costumes e tradições, faz parte dos objetivos dos nossos espetáculos”, destacou a cantora Sandra.

Por sua vez, Ricardo celebrou o facto de haver pessoas e empresários que “apostam nos artistas lusodescendentes, que desenvolvem um trabalho de ‘formiguinha’, com muito amor, dedicação e disciplina, junto das comunidades, pois não é fácil, mas também não é impossível”.

Neste mundo cada vez mais conectado, artistas como Sandra e Ricardo utilizam a música como uma forma de promover a cultura portuguesa e difundir o amor pelo seu país natal. Sandra e Ricardo são hoje respeitados pelas comunidades portuguesas por onde passaram, sendo reconhecidos como verdadeiros representantes da identidade portuguesa ao mostrarem que a música pode proporcionar e transmitir as tradições e valores culturais.

Sandra e Ricardo já atuaram em diversos países como Qatar e África do Sul. Atualmente, estão a apostar em digressões pela Europa, com passagens por Luxemburgo e França. Ainda este ano a dupla pretende apresentar um novo álbum, “Saudade”, cujas canções foram escritas durante a pandemia de Covid-19. Ígor Lopes – Brasil in “Mundo Lusíada”


domingo, 7 de agosto de 2022

Brasil - Livro homenageia o papel dos emigrantes madeirenses

No passado mês de abril, foi lançado o livro “O Regresso dos que nunca partiram: Memórias e histórias da emigração de São Roque do Faial” da autoria de Octávio Carmo e Odília Abreu. O livro reúne fontes documentais e testemunhos de emigrantes oriundos da Madeira (Portugal) que fizeram do Brasil o seu novo lar e enalteceram a sua terra de origem através da transmissão e preservação da cultura madeirense.

O livro editado pela Casa do Povo de S. Roque do Faial, freguesia (vila) do Concelho de Santana, na Região Autónoma da Madeira é considerado um caso de estudo ao estar centrado nas vivências de uma freguesia, cujos fluxos migratórios refletem a realidade da Região.

A publicação reúne fontes documentais, registos de petições de passaportes, entrevistas à especialistas, assim como relatos de vida dos emigrantes e seus descendentes. Este livro quer ser o “regresso” que não foi possível para tantos, que, embora tenham saído dali, foram sempre inteiros no seu amor pela terra. “Nunca partiram” traz a divulgação do livro.

A publicação está dirigida ao público em geral, que tenha interesse pela análise dos movimentos migratórios da Região Autónoma da Madeira, assim como todos os emigrantes e seus descendentes que procuram informação sobre as suas raízes, de forma especial os que partiram de S. Roque do Faial. A publicação incluí capítulos dedicados também a outros destinos como o Havaí, a Venezuela, Trinidad e Tobago, entre outros.

A realidade da emigração em São Roque do Faial, tem estado no centro do projeto “Memórias de S. Roque do Faial - As vozes dos emigrantes”, que nasceu no ano 2013.

A investigação levada a cabo desde então tem dado voz a exemplos concretos de quem viveu na pele as várias etapas do “itinerário migratório”, narrando as contingências que os levaram a deixar a ilha no século XX, devido a escassez de terrenos, as dificuldades econômicas e, nalguns casos, a fome.

Para trás ficavam terras, casas, benfeitorias, às vezes mesmo filhos, quando o dinheiro não chegava para as passagens de todos. Alguns dos testemunhos recolhidos permitem, em particular, evocar uma situação particularmente dolorosa: os que nunca regressaram.

Brasil, o destino esquecido

Falar da emigração para o Brasil é mencionar uma emigração esquecida. Centenas de famílias venderam os seus bens e partiram, sem ter a oportunidade de voltar. Muitos apelidos desapareceram por completo da vila de S. Roque do Faial, na Madeira, mas as suas raízes espalharam-se por território brasileiro e hoje podemos afirmar que existe uma “segunda” freguesia, formada pelos seus emigrantes e descendentes na cidade de Osasco, a 5ª maior do Estado de São Paulo.

Os registos de requerimentos de passaportes para o Brasil de 1872 a 1924 revelam que o país latino-americano foi o principal destino na época citada, com um total 111 requerimentos.

Entre os anos 1950 e 1960 do século XX, com base na informação relativa às fichas consulares do Consulado do Brasil no Funchal e nos registos de estrangeiros no Brasil, rumaram ao país sul-americano aproximadamente 380 pessoas – 114 eram menores de idade.

A influência madeirense está presente ao longo de todo o país: nas padarias; na vida cultural; nas Casas da Madeira, onde se dança o bailinho; no Santuário Nossa Senhora do Rosário de Fátima em S. Paulo; nos clubes de futebol como ‘A Portuguesa’; na mistura de sons e sabores; nas bordadeiras do Morro de S. Bento, que entre linhas e agulhas bordaram uma segunda Madeira, nessas encostas que lembravam as ruas inclinadas da sua terra natal; no sacrifício dos que lavraram as fazendas do café e abriram os seus negócios, guiados pelo espírito empreendedor.

Sobre o livro

“O Regresso dos que nunca partiram: Memórias e histórias da emigração de São Roque do Faial” é fruto de uma investigação sobre os fluxos migratórios de S. Roque do Faial levada a cabo ao longo de sete anos. Através da análise de fontes documentais, de registos de petições de passaportes, de entrevistas à especialistas, assim como de relatos de vida dos emigrantes e seus descendentes, esta publicação é a reconstrução da trajetória de centenas de famílias que partiram rumo ao desconhecido à procura de uma vida melhor.

Esta é uma investigação sobre a vida real, a dor, o amor: recordamos o sentimento de tantas mães e avós que viram partir os seus filhos e netos para terras distantes. Há uma diferença entre ‘estar’ numa terra e ‘ser’ dessa terra. Quem parte nunca deixa de ser e muitos dos que nunca lá estiveram, como os filhos ou netos dos emigrantes, têm-na como referência do que são.

Não é fácil falar do não-regresso, do não-reencontro e como é que estas realidades marcam a vida concreta de quem vive noutro país. Sabemos que há muitos motivos para estes não-regressos, para além da impossibilidade de reunir recursos econômicos para concretizar a visita à terra natal: há quem nunca quis voltar; quem perdeu raízes e deixou de querer reencontrar-se com um passado que lhe passou a parecer vazio; quem se integrou de tal forma no local de destino que passou a ter outra terra como referência identitária; quem não tinha nada para “mostrar” como prova do sucesso da emigração e ficou refém desta vergonha; quem morreu jovem ou vítima de violência e acidentes…

A ilha ficou longe, cheia de imagens, sentimentos e significados- a terra natal, o calor do lar familiar, a lembrança desse ser querido que já partiu, as brincadeiras de criança.

“Eu vou bem graças a Deus, só com muitas saudades que nem tenho tido vontade de escrever, quando começo choro, mas o que se há de fazer, cada um com as suas dores”.

Estes nossos antepassados merecem ser olhados de outra forma, sobretudo aqueles que foram, mais do que emigrantes, construtores de uma sociedade nova num mundo desconhecido, com as ferramentas de que dispunham e procurando replicar as sociabilidades que lhes eram familiares.


Os autores

Octávio Carmo, natural de São Roque do Faial, Madeira, nasceu a 11 de maio de 1976. Jornalista, tem licenciatura em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa (UCP) e pós-graduação em patrimônio religioso, pela mesma instituição. Colaborou com projetos do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja e do Centro de Estudos de História Religiosa da UCP.

Odília Abreu, natural da Venezuela, nasceu em 1979. Licenciada em Comunicação Social pela Universidade do Minho (UM)- Portugal, tem pós-graduação em Informação Internacional e um Mestrado em Comunicação Social pela Universidade Complutense de Madrid- Espanha. Dedica-se à coordenação de projetos de cooperação internacional para o desenvolvimento.

Para mais informação, conheça o Projeto Memórias S. Roque do Faial em:

www.facebook.com/memorias.srf. In “Mundo Lusíada” - Brasil



 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Madeira - Universidade da Madeira acolhe 80 estudantes de São Tomé e Príncipe

A Universidade da Madeira vai acolher já este ano letivo de 2021/2022 cerca de 80 jovens provenientes de São Tomé e Príncipe para os seus cursos de licenciatura e técnicos superiores profissionais

Este acolhimento acontece ao abrigo do protocolo de cooperação para a formação e capacitação da mão-de-obra são-tomense assinado entre o polo universitário madeirense e o Ministério de Turismo e Cultura da República Democrática de São Tomé e Príncipe em abril de 2021.

Conforme informa uma nota enviada à redação, os primeiros 20 jovens chegaram no passado domingo, dia 5 de dezembro, tendo ficado alojados na Residência Universitária dos Serviços de Ação Social da UMa. Os restantes 60 vão chegar durante as próximas semanas. “As formações iniciais serão destinadas aos jovens são-tomenses que queiram graduar-se e/ou pós-graduar-se na UMa. Por sua vez, a capacitação e/ou a pós-graduação destinam-se essencialmente aos funcionários da Direção Geral de Turismo e Hotelaria de São Tomé. Além da componente de formação, este protocolo vai também proporcionar a partilha de conhecimento e a realização de trabalhos de investigação científica”, explica a Universidade.

Este protocolo entre estas duas entidades é válido por um prazo de cinco anos, sendo renovável por períodos de igual duração.

Com esta nova cooperação institucional, a Universidade da Madeira considera ter sido dado mais um passo rumo ao objetivo de consolidar a sua estratégia de internacionalização. In “Milénio Stadium” - Canadá

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

São Tomé e Príncipe e Universidade da Madeira reforçam auxílio na área da formação



São Tomé – São Tomé e Príncipe e a Universidade da Madeira, na Região Autónoma de Portugal reforçam a cooperação na área da formação académica, com vantagens concorrenciais para o País africano.

A STP-Press soube que esta instituição académica lusa colocou à disposição de São Tomé e Príncipe, 40 vagas para jovens são-tomenses, respeitante ao ano lectivo 2001/22 em diversas áreas do saber na perspectiva do desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.

O estreitamento de relações da Universidade Madeirense e São Tomé, resulta de um acordo de cooperação assinado entre o ministro do Turismo e Cultura, Aerton do Rosário e a direcção da Universidade da Madeira, aquando da deslocação do governante São-tomense à Região Autónoma de Portugal.

No âmbito desta cooperação, a qual compreenderá da parte de São Tomé, o aproveitamento destas oportunidades, a parte madeirense, mostrou-se, igualmente, flexível isentando propinas em 50% para os estudantes naturais do arquipélago são-tomense.

As partes desenvolvem há mais de dois anos, uma cooperação na área da formação socioprofissional bastante activa, a qual permitiu à Madeira acolher, actualmente, no seu solo, mais de três dezenas de jovens são-tomenses que estudam em diversas áreas de formação técnico profissional, nomeadamente, em turismo e hotelaria. Manuel Dênde – São Tomé e Príncipe in “STP-Press”



 

domingo, 6 de junho de 2021

Cabo Verde – Cantora Lisandra Gomes troca palcos da Ilha da Madeira pelos do arquipélago


Ribeira Grande — A artista madeirense Lisandra Gomes, descendente de pai cabo-verdiano, trocou os palcos da Ilha da Madeira pelos de Cabo Verde, País onde, disse, “renasceu“ e se sente ela mesma.  

À Inforpress, Lisandra Gomes contou que o seu contacto com a música cabo-verdiana ocorreu em 2018, altura em que esteve de férias no arquipélago e “por um acaso” cantou num bar em São Vicente.  

Mas, Lisandra Gomes afiançou que o seu contacto directo com os palcos de Cabo Verde foi no Summer Jazz, em 2019.  

Tida no meio musical com “dona de um timbre de voz inconfundível”, ela viaja pelos diversos estilos musicais desde o soul music, fado, pop rock e jazz.  

Para o futuro próximo, Lisandra Gomes disse que ainda no princípio deste mês vai iniciar a gravação do seu primeiro CD de originais com o produtor Djo da Silva, e garante que haverá “muitas surpresas”.

“Sempre me senti realizada a nível musical, até porque sempre senti sortuda por fazer aquilo que amo, que é cantar, pois o resto a vida o tempo irá proporcionar” salientou Lisandra Gomes, que enfatizou que “o mais irónico” é que vai realizar um sonho que sempre teve, de lançar um CD em Cabo Verde.  

Lisandra Gomes nasceu no município de Câmara de Lobos (Madeira, Portugal) e começou a dar os primeiros passos na música em 1998 naquela região autónoma portuguesa.  

Obteve uma formação musical durante dois anos no Conservatório — Escola de Artes da Madeira e ainda conclui o curso de Animação Sociocultural, na Escola Profissional Atlântico.  

Vencedora de vários concursos, inclusive de “Revelações do Verão”, promovido pela Junta de Freguesia de Câmara de Lobos, já participou em vários musicais da Câmara de Lobos, nomeadamente “Max”, “Melodias de Sempre” e “Doce”. 

Durante dez anos foi cantora principal em vários hotéis da ilha da Madeira. In “Inforpress” – Cabo Verde 

 

domingo, 27 de dezembro de 2020

São Tomé e Príncipe - Interessado em integrar a região da Macaronésia

 

Funchal – O arquipélago de São Tomé e Príncipe manifestou o interesse de vir a integrar o grupo de Estados e Regiões da Macaronésia.

Este interesse esteve sobre a mesa num encontro realizado na última sexta-feira na cidade de Funchal (capital da região autónoma da Madeira), entre o ministro São-tomense do Turismo e Cultura, Aerton do Rosário e Miguel Albuquerque, presidente do Governo da Ilha da Madeira.

O interesse de São Tomé e Príncipe em solicitar a sua adesão a região de Macaronésia prende-se essencialmente com perspectivas de impulsionar o turismo nesse espaço onde afiguram-se alguns arquipélagos com características comuns nomeadamente, Cabo Verde, Ilhas Canárias (região autónoma da Espanha), Açores, Madeira e as Ilhas Selvagens (todas pertencentes a Portugal).

Ficou assente no encontro entre as duas individualidades que a integração de São Tomé e Príncipe nesse espaço, estará dependente da luz verde dos membros da Macaronésia, ao qual deverá passar por um período com o estatuto de observador.

Aerton do Rosário que acaba de concluir uma visita de cinco dias a Madeira discutiu também com a parte madeirense, oportunidade de formação de quadros São-tomenses em áreas como a museologia, turismo e hotelaria, ao qual ficou plasmado num Acordo subscrito pelas partes.

Ainda na Madeira, o governante avistou-se com mais de quatro dezenas de estudantes São-Tomenses que nesta parcela de território luso fazem a formação em diversas especialidades de turismo e hotelaria. Manuel Dênde – São Tomé e Príncipe in “STP Press”


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

África do Sul – Madeirense navegando em solitário escalou portos sul africanos

 


A 15 de Janeiro de 2019 o velejador português, José Henrique Pereira Afonso, de 58 anos de idade, partiu da ilha da Madeira, onde nasceu e sempre viveu, para dar a volta ao Mundo sozinho no seu veleiro de nove metros de comprimento, apelidado “Sofia do Mar”. Tinha na mente há muito tempo fazer esta viagem de circum-navegação.

A viagem terá a duração de cerca de três anos para este percurso mundial. Henrique Afonso não tem uma data certa para completar a viagem, nem um roteiro definitivo, pois não tem pressa nem compromissos.

O primeiro porto de escala foi em Santa Cruz de Tenerife, de onde saiu rumo à Ilha de São Nicolau, no arquipélago de Cabo Verde, levando uma semana a uma distância de 835 milhas náuticas.

Após escalas nas Canárias e Cabo Verde, seguiu viagem rumo às Caraíbas, Colômbia, Panamá. Cinco meses depois da partida chegou ao litoral do Equador depois de atravessar o Oceano Atlântico e o Canal do Panamá e depois cruzando o Oceano Pacífico até ao Taiti.

De Santa Lúcia nas Caraíbas rumou ao Curaçau onde encontrou-se com alguns familiares porque o seu avô emigrou para aquele local muito novo e deixou na Madeira a mulher e os filhos, tendo regressado muitos anos depois.

Continuou a navegar e chegou a Timor-Leste em Fevereiro de 2020, onde encontrou-se com José Ramos Horta que destacou o exemplo de Henrique Afonso, como muitos outros, que encaram o país como a sua segunda casa.



Devido às restrições da pandemia de Covid-19 permaneceu durante sete meses. Durante a prolongada estadia teve a oportunidade de encontrar muitos portugueses, australianos, chineses, indonésios, japoneses, brasileiros, assim como de outras nacionalidades. O povo de Timor foi muito acolhedor, educado e disciplinado.

Partiu a 1 de Julho 2020 rumo às Ilhas Maurícias mas não foi autorizado a escalar. Continuou viagem com destino à Ilha da Reunião e após navegar durante trinta e seis dias no Oceano Índico, enfrentando uma travessia de 4200 milhas náuticas em condições climatéricas muito adversas desde que saiu do Funchal.

A partir das Ilhas Cocos passou a tormenta de chuva, mar, vento de 20 a 30 nos e ondas de quatro metros por vários dias. Passou pelas Maurícias mas não conseguiu entrar devido ao ‘lockdown’.

Continuou até à Ilha da Reunião com características semelhantes com as da Madeira, ficando com a sensação que estava mesmo em casa. O Oceano Índico não tem fim!!! Na marina onde escalou notou vários barcos à espera de seguir viagem para a África do Sul.

Chegou ao porto de Richards Bay, na República da África do Sul, em fins de Outubro de 2020 onde permaneceu durante uns dias, continuando a navegar com destino à Cidade do Cabo.

Todavia, não foi autorizado a fazer escala na cidade de Durban mas por uma avaria mecânica esteve uns dias no porto de East London, donde partiu no dia 30 de Outubro para Port Elizabeth.

Mencionou que se sente livre quando está sozinho no mar, é a coisa mais bonita do Mundo e também ser capaz de se dissociar da sociedade que vivemos porque às vezes é emocionante.

Quer continuar a aventura que deve findar no Verão de 2021 na freguesia do Paúl do Mar, que está localizado junto ao mar a sudoeste da Madeira, uma tradicional vila de pescadores e outro óptimo ponto favorito de surf.

Com a sua paisagem encantada, onde os penhascos íngremes abrigam plantações de bananas que as estradas cortam em linha recta. Uma bela vista panorâmica das montanhas circundantes, a praia, o som tranquilizante do oceano juntos, levam-nos a uma fascinante e emocional contemplação.

Com o objectivo de atravessar o globo sob o patrocínio da adega Barbeito Madeira, leva no veleiro “Sofia do Mar” dois barris de 200 litros do famoso Vinho da Madeira.

O objectivo é para comprovar a maturação e envelhecimento do vinho nos porões das caravelas portuguesas durante a época dos descobrimentos.

Quando retornavam, os vinhos que não eram consumidos eram provados e exibiam um sabor específico depois de tanto tempo nos porões das naus sendo assim referenciado como o “Vinho da Roda”.

De notar que as duas barricas também contribuem para melhor estabilidade durante as longas travessias. João de Gouveia – África do Sul in “O Século de Janesburgo”

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Jersey - A ilha britânica onde se fala português

A Ilha de Jersey, onde cerca de 20% da população é portuguesa, tem estado a dar conselhos e a comunicar com a população em português no âmbito do plano para evitar a propagação da pandemia covid-19.

Mensagens, folhetos, cartazes e inquéritos estão a ser feitos em português e polaco, idioma das principais comunidades imigrantes, com informações sobre o regime de confinamento e medidas de distanciamento social.

“A comunidade portuguesa tem estado a cumprir e alguns restaurantes já se adaptaram, começando a vender para fora”, afirmou à agência Lusa o enfermeiro português, Duarte Vieira.

Recrutado no âmbito de uma campanha das autoridades para empregar profissionais de saúde bilingues e aproximar-se das principais comunidades imigrantes, Duarte Vieira mudou-se para Jersey em 2012 com a mulher, também enfermeira, e diz ter sido o primeiro de 30 médicos e enfermeiros portugueses atualmente na ilha.

O balanço mais recente, feito pelo Governo de Jersey no domingo ao final do dia, deu conta de 213 pessoas infetadas, mais cinco do que na sexta-feira, e três mortes no total, um número que não muda há mais de uma semana, desde 04 de abril.

“De forma geral, a pandemia está a evoluir da mesma forma que no Reino Unido. Estamos umas 2-3 semanas atrasados. Estima-se que pico será atingido em meados de maio”, indicou Vieira.

O português acredita que o controlo da taxa de contágio na ilha situada no Canal da Mancha foi travado pelo regime de confinamento imposto a 30 de março, e que a maioria das pessoas está a respeitar, adiantou.

Uma semana depois do encerramento das escolas, a 23 de março, o governo decretou uma ordem para a maioria da população ficar em casa, limitando a apenas duas horas diárias o tempo que podem sair, seja para fazer compras ou fazer exercício.

O incumprimento destas regras já resultou em multas de 300 a 500 libras (343 a 572 euros), de acordo com comunicados da polícia local.

Para mitigar o impacto, o governo de Jersey introduziu apoios financeiros para as empresas e para os trabalhadores, garantindo o pagamento de 80% do salário até 2000 libras (2.300 euros).

Para os trabalhadores imigrantes há menos de seis meses, inelegíveis para o sistema de segurança social, existe um subsídio mínimo de manutenção de 70 libras (80 euros) por semana, com a condição de estarem disponíveis para fazer voluntariado em setores com necessidade.

Na semana passada, anunciou o investimento de 14,4 milhões de libras (16,5 milhões de euros) para construir um hospital de campanha com capacidade para 180 camas num parque nos arredores da capital St. Helier e o reforço da capacidade de testes de diagnóstico, que eram feitos no Reino Unido.

Em vez de dois dias, os resultados são obtidos em poucas horas, reduzindo a necessidade de os pacientes com sintomas aguardarem em isolamento para começar a receber tratamento.

Na ilha de Jersey desde 2012, Duarte Vieira, natural de Santa Cruz, na Madeira, garante que a maioria das pessoas “está a respeitar as medidas” e que as autoridades têm feito o esforço de emitir mensagens, folhetos e cartazes em português e polaco, idioma das principais comunidades imigrantes.

Vieira adianta que, atualmente, 20% dos 110 mil habitantes são portugueses, “90% dos quais da Madeira”, e que trabalham sobretudo nas áreas da construção civil, turismo e jardinagem.

Estatisticamente, o último recenseamento, realizado em 2011, indicava que cerca de 7000 portugueses representavam 7% da população de cerca de 98 mil habitantes e os polacos 3%, mas o consulado honorário de Portugal em St. Helier estima que residam em Jersey 15 a 20 mil portugueses.

Jersey faz parte das Ilhas do Canal, territórios dependentes da Coroa Britânica, sujeitos à soberania da rainha Isabel II, mas que não fazem parte do Reino Unido e têm autonomia executiva, legislativa e fiscal.

Do arquipélago faz também Guernsey, que combina várias pequenas ilhas e possui uma população de cerca de 33 mil pessoas, das quais 1300 são de origem portuguesa. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”

domingo, 3 de abril de 2016

Ilha da Madeira – Festival Literário da Madeira


O Festival Literário da Madeira, hoje na sua 6.ª edição, conquistou já um lugar indelével no panorama cultural português. Por aqui passaram autores como Eduardo Lourenço, Alberto Manguel, Helder Macedo, Naomi Wolf, Gonçalo M. Tavares, Zygmunt Bauman, Alessandro Baricco, Irene Pimentel, José Eduardo Agualusa, João de Melo, Patricia Dunker ou Luiz Ruffato.

Falsidade e Verdade na Ficção Literária é o mote deste ano, o ponto de partida para uma semana de encontros, debates, espetáculos, sessões de autógrafos e muitos outros momentos, não só no Funchal mas em vários pontos da ilha, entre os próximos dias 11 e 16 de Abril de 2016.

Mas o Festival Literário da Madeira não se baliza na palavra escrita. Este ano, o ecletismo ramifica para o ecrã, pela primeira vez, com a realização de uma conversa cruzada sobre aquela que é, nas palavras de Godard, a mais bonita fraude do mundo. O cinema tem a palavra, na realização e na representação, para que a mentira possa, também aqui, ser a mais verdadeira forma de arte.

Para conhecer os participantes, o programa e os espectáculos aceda aqui. Festival Literário da Madeira

domingo, 17 de março de 2013

Agrícola

A Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais da Madeira criou um interessante Mercado Agrícola em Linha, onde os produtores madeirenses podem apresentar os seus produtos.
 
Com um simples clique num qualquer computador em qualquer parte do mundo, os potenciais consumidores podem ter acesso aos produtos produzidos na Região Autónoma da Madeira, aumentando assim o leque de possíveis compradores dos produtos madeirenses, permitindo um mais fácil escoamento da sua produção por parte do produtor da ilha da Madeira.
 
Com uma imagem apelativa o Mercado Agrícola em Linha apresenta uma selecção de tipos de produtos, permite seleccionar o concelho pretendido e ainda pode optar pelo preço dos produtos.
 
Está de parabéns a Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais da Madeira por este extraordinário instrumento colocado ao serviço dos produtores madeirenses e cabe à sociedade civil, promover, anunciar, levar a casa de cada cidadão, as informações que possam dar a conhecer as novas ferramentas que se encontram ao seu dispor. Clique aqui para aceder ao Mercado Agrícola em Linha. Baía da Lusofonia