Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Portugal - Tiago Gil Oliveira vence Prémio BIAL de Medicina Clínica 2024 com investigação sobre Alzheimer

Investigador português recebe 100 mil euros por estudo inovador sobre a doença de Alzheimer. Prémio BIAL de Medicina Clínica 2024 reconhece trabalho que identifica regiões cerebrais mais afetadas pela patologia, abrindo caminho para diagnósticos precoces



O médico e investigador Tiago Gil Oliveira foi galardoado com o Prémio BIAL de Medicina Clínica 2024, no valor de 100 mil euros, pela sua obra “Desvendando os mistérios da suscetibilidade regional do cérebro à neurodegeneração na doença de Alzheimer: da neuropatologia à ressonância magnética cerebral”. O estudo premiado revela como diferentes regiões do cérebro são afetadas pelas proteínas tóxicas responsáveis pela doença de Alzheimer, contribuindo para um melhor entendimento dos mecanismos que levam à perda de memória de curto prazo e à desorientação espacial.

A investigação de Tiago Gil Oliveira, professor associado na Escola de Medicina da Universidade do Minho e neurorradiologista no Hospital de Braga, combinou análises post-mortem de pacientes com Alzheimer, exames de ressonância magnética e estudos em modelos de ratinhos. Esta abordagem multifacetada permitiu mapear a composição das regiões cerebrais afetadas e compreender como a manipulação das vias moleculares alteradas afeta a aprendizagem e a memória.

O trabalho premiado é considerado um avanço significativo no campo da neurociência, com potencial para melhorar o diagnóstico precoce e o desenvolvimento de tratamentos mais direcionados para a doença de Alzheimer. Luís Portela, Presidente da Fundação BIAL, destacou a importância desta investigação para abrir novas portas no combate a esta patologia degenerativa, que é a mais prevalente em Portugal e no mundo.

A cerimónia de entrega do Prémio BIAL de Medicina Clínica 2024 decorreu na Aula Magna da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, contando com a presença de personalidades ilustres da medicina e da investigação científica. O evento marcou também o 40º aniversário deste prestigiado prémio, que visa incentivar e distinguir a investigação científica na área da Medicina.

Além do prémio principal, foram atribuídas duas Menções Honrosas, cada uma no valor de 10 mil euros. A primeira foi concedida ao projeto “Centro de Rastreio e Exame Ocular com Recursos de Inteligência Artificial”, liderado por Luís Abegão Pinto, Joana Tavares Ferreira e Quirina Tavares Ferreira. Este projeto inovador utiliza inteligência artificial para rastrear doenças oculares como o glaucoma e a retinopatia diabética, demonstrando uma taxa de eficácia de 90% na deteção precoce.

A segunda Menção Honrosa foi atribuída ao estudo “Degenerescência Macular da Idade – A Primeira Causa de Cegueira Irreversível em Portugal”, realizado por José Paulo Andrade e Ângela Carneiro. Esta investigação destaca o impacto da degenerescência macular da idade na população portuguesa e propõe estratégias para reduzir o número de casos de cegueira irreversível através de hábitos de vida saudáveis e deteção precoce. In “Healthnews” - Portugal


segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Portugal - Investigadora do i3S vence Prémio Maria de Sousa 2022

Projeto de investigação na área do cancro da mama triplo-negativo, liderado por Sandra Tavares, venceu galardão no valor de 30 mil euros


A segunda edição do Prémio Maria de Sousa distinguiu um projeto de investigação na área do cancro da mama triplo-negativo liderado por Sandra Tavares, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S). O prémio, no valor de 30 mil euros, inclui também a realização de um estágio na Universidade de Utrecht, na Holanda.

Denominado «Identificação dos componentes de reciclagem proteica que controlam a formação de metástases cancerígenas», o projeto liderado por Sandra Tavares “foi concebido para ajudar no combate ao Cancro da Mama Triplo-Negativo, pois é um dos tipos de cancro da mama com maior agressividade. Como não existem opções para intervenção terapêutica dirigida, a grande maioria de pacientes sucumbe à doença metastática”.

Por estas razões, sublinha a investigadora, “é urgente compreender os mecanismos que levam à agressividade deste tipo de cancro para resolver este problema de saúde”.

Neste projeto, a investigadora pretende “identificar as proteínas que estimulam a reciclagem proteica das células de cancro da mama triplo-negativo e que potenciam a invasão de outros órgãos e o desenvolvimento de metástases”.

Para isso, Sandra Tavares vai usar “uma combinação de técnicas que permitem avaliar como se expressam os genes e proteínas nas células malignas destes tumores humanos, recorrendo a porções de tumores em laboratório, os chamados organoides. Por se comportarem como os tumores originais, os organoides abrem caminho à identificação de um grupo de proteínas responsáveis pelo comportamento agressivo deste tipo de cancro – e à definição de estratégias de tratamento que permitam controlá-las”.

Atualmente, para além da própria doença, os pacientes têm de lidar também com o elevado peso da terapia disponível, que é ainda altamente tóxica e debilitante. Com este trabalho, Sandra Tavares pretende contribuir com “conhecimento que servirá de alicerce para uma estratégia de personalização da medicina, promovendo uma melhor seleção de tratamentos para maior benefício dos pacientes, ou seja, terapias menos tóxicas e debilitantes”.

Mais quatro investigadoras premiadas

Promovido pela Fundação BIAL e pela Ordem dos Médicos, o Prémio Maria de Sousa presta homenagem à histórica imunologista, professora e investigadora da Universidade do Porto que faleceu em 2020, vítima da Covid-19. O prémio destina-se a investigadores portugueses, com idade igual ou inferior a 35 anos, com projetos de investigação na área das ciências da saúde.

Para além de Sandra Tavares, o Júri da edição deste ano – liderado pelo neurocientista Rui Costa, presidente e diretor executivo do Allen Institute, nos EUA – distinguiu ainda as investigadoras Ana Melo (Associação do Instituto Superior Técnico para a Investigação e Desenvolvimento), Ana Rita Queiroz da Cruz (Fundação Champalimaud), Carina Soares-Cunha (Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde da Universidade do Minho) e Daniela Rodrigues (Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra).

Cada uma das cinco vencedoras vai receber um prémio de 30 mil euros e um estágio num centro internacional de excelência na respetiva área de investigação.

O Prémio Maria de Sousa 2ª edição – 2022 será entregue esta segunda-feira, 14 de novembro, no Teatro Thalia, em Lisboa, numa cerimónia presidida pela Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Recorde-se que a primeira edição (2021) do Prémio Maria de Sousa também distinguiu cinco jovens cientistas, incluindo Andreia Pereira, Daniela Freitas e Mariana Osswald, todas elas investigadoras em ciências da saúde do i3S.

Sobre Sandra Tavares

Licenciada em Bioquímica pela U.Porto (2008), Sandra Tavares dedica-se há vários anos ao estudo da biologia do cancro, área que desenvolveu durante o mestrado em Biomedicina Molecular na Universidade de Aveiro (2011) e o doutoramento no Instituto Gulbenkian de Ciência (2016). Seguiram-se quatro anos de pós-doutoramento no prestigiado UMC Utrecht (Países Baixos), onde teve a oportunidade de investigar os mecanismos envolvidos na migração e metástase no Cancro da Mama Triplo-Negativo.

A investigadora regressou a Portugal em novembro de 2021 para integrar o grupo de investigação «Cytoskeletal Regulation & Cancer» do i3S, na qualidade de Junior Researcher.

Já este ano, foi uma das vencedoras das Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência, com um projeto que visa desenvolver terapias mais eficazes e menos tóxicas para o cancro da mama triplo-negativo. Mais recentemente, foi uma das duas investigadoras do i3S contempladas ao abrigo do Programa Gilead Génese Portugal. Universidade do Porto - Portugal


Portugal - Investigadora da Universidade de Coimbra distinguida com Prémio Maria de Sousa

Daniela Rodrigues, investigadora do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), é hoje distinguida com o Prémio Maria de Sousa, no valor de 30 mil euros, no âmbito do seu projeto UPSEE Health – Experiência sensorial dos espaços urbanos e o impacto na saúde.

Segundo a investigadora, este projeto pretende «expandir a compreensão de como os jovens são expostos, experimentam e interagem com os lugares urbanos, e de como é que essa experiência se associa ao seu estilo de vida e à sua saúde».

Para Daniela Rodrigues, ser uma das premiadas desta segunda edição do Prémio BIAL «significa não só um reconhecimento, por parte de colegas da área da Saúde, do trabalho que tenho desenvolvido nos últimos anos, nomeadamente sobre o papel do estilo de vida (ativo e sedentário) como determinante da obesidade infantil em Portugal, mas serve também como uma chamada de atenção para o papel da atividade física como uma estratégia para a prevenção e promoção de saúde».

Como tal, o UPSEE Health pretende analisar a experiência sensorial dos jovens adultos, por exemplo o bem-estar, felicidade, ansiedade ou stress, mas também os comportamentos de atividade física e sedentarismo dos mesmos ao longo do dia e, ainda, interpretar os padrões de variação na atividade física e sedentária de acordo com o ambiente, nomeadamente a experiência social, física, sensorial e emocional.

Neste novo estudo, Daniela Rodrigues escolheu como foco os jovens adultos, por duas principais razões, nomeadamente porque «estão num período crítico para a fixação de atitudes e comportamentos, que possivelmente estarão presentes na vida adulta», e também por existirem «poucos estudos sobre como os jovens experienciam e interagem com o ambiente ao seu redor».

Para a concretização do UPSEE Health será utilizado um novo método que concilia e analisa diversos fatores, designadamente um «Dispositivo Sensorial Móvel (MSD), que mede sinais vitais, localização, movimento/aceleração; uma aplicação móvel inovadora, que regista a experiência em lugares, local de nascimento, alimentação, exercícios, hábitos de sono; medidas antropométricas, como a estatura, o peso e a circunferência abdominal e ainda, uma análise das características do espaço, por exemplo elementos naturais, mobiliário urbano», explica a investigadora da FCTUC.

No final do projeto, que terá um estágio no Health Research Institute, da Universidade de Limerick, na Irlanda, a investigadora espera, em colaboração com outros colegas da área, «trazer uma reflexão sobre os efeitos dos ambientes urbanos no estilo de vida dos jovens. É fundamental que Portugal adote políticas de saúde mais focadas na promoção da saúde e prevenção da doença», alerta.  

O Prémio Maria de Sousa, promovido pela Ordem dos Médicos e pela Fundação BIAL, visa galardoar e apoiar até cinco jovens investigadores científicos portugueses, com idade igual ou inferior a 35 anos, em projetos de investigação na área das Ciências da Saúde, incluindo obrigatoriamente um estágio num centro internacional de excelência.

Este galardão foi criado com o intuito de homenagear a médica e investigadora Maria de Sousa. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 6 de março de 2020

Portugal - Imunologista português vence primeira edição do BIAL Award in Biomedicine

Um trabalho de investigação liderado pelo imunologista português, Dr. Caetano Reis e Sousa, do Laboratório de Imunobiologia do Francis Crick Institute, em Londres, venceu a primeira edição do BIAL Award in Biomedicine. O prémio instituído pela Fundação BIAL tem um valor de 300 mil euros e visa reconhecer o que de mais notável e relevante tem sido descoberto na área biomédica



O estudo Cyclooxygenase-Dependent Tumor Growth through Evasion of Immunity distinguido com o BIAL Award in Biomedicine, publicado na revista Cell, e que envolveu um total de doze investigadores de várias nacionalidades, insere-se na área da imunologia tumoral, que serve de base para a imunoterapia do cancro, vista atualmente como potencial tratamento de primeira linha para vários tumores e decisiva no tratamento do cancro. Esta estratégia baseia-se na potenciação do sistema imunitário individual de cada paciente para combater as células cancerígenas e transformou, na última década, o tratamento de vários cancros metastáticos resistentes às terapêuticas convencionais, nomeadamente à quimioterapia.

Tendo como ponto de partida o facto de apenas uma minoria dos doentes obter respostas completas e duradouras à imunoterapia, o grupo liderado pelo Dr. Caetano Reis e Sousa analisou as causas de insucesso terapêutico e identificou uma possível explicação para o mecanismo de “fuga” tumoral ao sistema imunitário e consequente resistência à imunoterapia: a enzima ciclooxigenase e um dos seus produtos principais, o lípido inflamatório prostaglandina E2. Estas moléculas são essenciais para que as células cancerígenas consigam escapar ao reconhecimento e eliminação pelo sistema imunitário. Quando manipularam geneticamente a capacidade das células tumorais produzirem estas moléculas, os autores observaram um ataque imunitário maciço aos tumores, que perderam volume até desaparecerem.

A equipa distinguida estudou ainda a capacidade dos inibidores de ciclooxigenase, utilizados nas doenças inflamatórias, caso da aspirina, de aumentar a eficácia da imunoterapia no tratamento de vários cancros, como o melanoma ou os carcinomas do pulmão e do rim. Os resultados mostram um aumento notável de eficácia da combinação da aspirina com a imunoterapia, em relação aos tratamentos individuais, resultando na erradicação dos tumores nos modelos pré-clínicos em estudo.

A vice-presidente do júri do BIAL Award in Biomedicine, Dr.ª Maria do Carmo Fonseca, salienta que “este trabalho pioneiro inspirou novos ensaios clínicos, atualmente em curso à escala mundial, em que a combinação de fármacos anti-inflamatórios como a aspirina com a imunoterapia está a ser testada em vários tipos de cancros, tais como os da mama e do cólon”.

O Dr. Caetano Reis e Sousa confessa que “foi com grande alegria que recebi um telefonema do júri a anunciar que um estudo do meu laboratório tinha sido o vencedor do BIAL Award in Biomedicine 2019. Trata-se de uma investigação pré-clínica sobre um dos mecanismos utilizados pelos cancros para evitar a deteção do sistema imunitário. O estudo foi realizado por uma equipa de talentosos investigadores do nosso laboratório e colaboradores externos e estamos todos muito entusiasmados e honrados por receber este prestigiante prémio. Para mim, como cidadão português, receber o BIAL Award in Biomedicine tem um significado especial. Em nome de todos os que participaram no estudo, agradeço ao júri por escolher o nosso trabalho e à Fundação BIAL que patrocina o prémio.” In “News Farma” - Portugal