Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Portugal - Câmara de Comércio de Pequenas e Médias Empresas Portugal-China quer acompanhar a China no desenvolvimento económico de “ciclo interno”

A Câmara de Comércio de Pequenas e Médias Empresas Portugal-China (CCPC-PME) quer aproveitar o desenvolvimento económico chinês que pretende desenvolver o consumo interno para levar a cabo os seus trabalhos. No plano estratégico para 2021, o organismo assinala que vai continuar a promover o comércio luso-chinês

O plano de estratégia para 2021 da Câmara de Comércio de Pequenas e Médias Empresas Portugal-China (CCPC-PME) diz que o trabalho prioritário é acompanhar a China no desenvolvimento económico de “ciclo interno”, que visa estimular o consumo interno. No documento, divulgado a 27 de Dezembro, a CCPC-PME nota que “A China é o primeiro país do mundo a sair da epidemia e também o único país que obteve um crescimento positivo na economia nacional”.

Além disso, o plano estratégico para este ano sublinha que o objectivo da CCPC-PME é “contruir uma plataforma de rede para os membros”, incluindo a “organização regular de intercâmbios online entre os membros da câmara e a equipa do grupo principal”. “Promoveremos o comércio luso-chinês, fortaleceremos a constituição e expansão da rede de escritórios de representação dos países de língua portuguesa e prepararemos a constituição do fundo agrícola e outros fundos”, refere a organização.

A CCPC-PME propõe-se também a promover os fundos da indústria em quatro áreas específicas: imobiliário, hotelaria, educação e produtos agrícolas. O organismo quer também responder à iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e promover a internacionalização do renmimbi.

A associação, que tem como objectivo construir uma plataforma de comunicação e cooperação entre PME portuguesas e chinesas, tem actualmente 89 membros, incluindo 47 empresas ou indivíduos de Portugal e 42 de Macau, China continental, Hong Kong e Singapura.

“Fizemos um trabalho importante na construção de plataformas de comunicação de informação para as PME em Portugal, na China (incluindo Hong Kong e Macau) e na Europa. No início da nossa fundação, utilizámos ao máximo os recursos e boas relações da Liga dos Chineses em Portugal para construir uma excelente plataforma de informação e rede em toda a Europa e Ásia, que estabeleceu uma boa base para o nosso trabalho futuro”, constata a CCPC-PME.

A CCPC-PME faz ainda um balanço de 2020, que considera ter sido “um ano extraordinário”, já que, “diante de uma epidemia global sem precedentes, a CCPC-PME superou várias dificuldades”, tendo estabelecido 14 escritórios de representação na China e um centro de conflito em Lisboa. Foram ainda organizados 20 eventos, como reuniões de ‘debriefing’ na Assembleia da República, no Ministério da Agricultura e no Gabinete Económico e do Comércio de Macau em Lisboa.

Durante o ano que passou, foram assinados sete protocolos e intenções de cooperação, entre as quais com a Universidade de Coimbra, Universidade do Porto e a Câmara de Comércio e Indústria da Cidade de Barcelos, por exemplo. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

andrevinagre.pontofinal@gmail.com


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

China – Embaixador português afirma que relação bilateral vai para além de Macau

O embaixador de Portugal em Pequim, José Augusto Duarte, afirmou que a relação bilateral entre Portugal e a China vai para além de Macau e que os empresários portugueses não devem ficar na sombra dos antepassados.

“O papel de Macau tem uma ligação incontornável na relação com a China. É um caso de estudo daquilo que deve ser o diálogo entre as nações”, disse o embaixador de Portugal em Pequim, José Augusto Duarte, numa videoconferência organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), lembrando que “a relação com a China é mais vasta do que Macau e não pode ser um livro de nostalgia”.

O diplomata, que falava a uma centena de empresários e gestores sobre “As Relações Bilaterais e a Nova Fase da Parceria Estratégica”, evento que se realizou no âmbito do ciclo “Connecting China to Portugal”, organizado pela CCILCA, desafiou assim os empresários a construírem “um novo legado e um novo futuro”.

José Augusto Duarte admitiu, no entanto, que no quadro do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa há actualmente o desafio de “aliviar as barreiras alfandegárias” nas exportações que passam por Macau para a China continental.

Os países de língua oficial portuguesa, ao exportarem para a China Continental através de Macau, enfrentam uma dupla tributação e novas barreiras alfandegárias. “Temos aqui um desfio e seria bom aliviar as barreiras alfandegárias”, prosseguiu, realçando o papel do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau).

Actualmente, muitos dos países de língua oficial portuguesa exportam para a China sem passarem por Macau, nomeadamente devido a esta situação. O embaixador disse ainda que a China é “um parceiro incontornável em todo o mundo” e que a “aposta e compreensão deste mercado” pelos empresários portugueses “é fundamental”.

Portugal “tem de estar unido e ter uma enorme parceria estratégica entre o Estado e os privados. É uma responsabilidade colectiva”, realçou, desafiando os empresários a exportarem para a China e lembrando que os termos de troca das exportações pelas importações são desfavoráveis a Portugal. Mesmo assim, referiu que no primeiro trimestre deste ano, o peso das exportações de bens agro-alimentares nacionais no total das exportações para a China aumentou 255% face ao período homólogo de 2019.

As empresas portuguesas já se encontram habilitadas a exportar carne de porco, produtos aquáticos, lacticínios, uvas de mesa, bens agro-alimentares de baixo risco como o azeite, vinho ou mel. Adiantou que diversos processos negociais estão em curso entre Portugal e a China para permitir a exportação, nomeadamente de carne bovina, aves, ovinos e de peras e citrinos. “Há que não termos receio e sofrer de timidez para irmos para este mercado [de 1,4 biliões de consumidores]. Há que superar as dificuldades e é desejável e saudável para uma relação equilibrada”, realçou José Augusto Duarte.

A resposta da China face à pandemia da covid-19 torna este país um dos que “mais rapidamente recuperarão”, pelo que se trata de “uma aposta certa”, pois será o que “terá o maior crescimento na próxima década”. Além disso, o embaixador considerou que Portugal tem capacidade para absorver mais capital chinês, um investimento que “cumpre as regras de mercado e respeita a leis portuguesas”.

Sobre as exportações portuguesas, disse este país consome tudo, mas seria interessante exportar produtos transformados com “qualidade e valor acrescentado” para serem competitivos.

José Augusto Duarte defendeu ainda a importância das negociações do acordo bilateral de investimento entre a China e a União Europeia (UE), considerando que deveriam ficar concluídas ainda durante a presidência alemã da UE, que antecede a portuguesa. “Era um passo muito importante devido ao desgaste que a pandemia tem causado e estimularia muito a produtividade e as trocas comerciais”, disse o diplomata, lembrando também que o transporte aéreo regular, de passageiros e mercadorias, é da “maior importância” na conectividade com a China.

Neste domínio, disse que o “ideal era haver todos os dias” ligações aéreas entre os dois países e defendeu que Portugal deve apostar nos turistas chineses, pois são “ordeiros e não conflituosos, gostam de consumir e pertencem ao segmento de turismo de alta gama”. In “Ponto Final” com “Lusa”

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Portugal - Câmara de Comércio Portugal-China criada em Condeixa-a-Nova

As pequenas e médias empresas (PME) portuguesas que pretendam exportar para a China passam a dispor de “um parceiro privilegiado” em território chinês, anunciou hoje Y Ping Chow, presidente da Câmara de Comércio Portugal-China, PME (CCPC-PME). “Vamos constituir uma empresa, na China, para ajudar as PME portuguesas a entrar no mercado”, disse à Lusa Y Ping Chow, em Condeixa (Coimbra), após a cerimónia de tomada de posse dos corpos sociais da recém-constituída Câmara de Comércio

Chow garante que o trabalho da Câmara de Comércio será totalmente orientado para as PME, até porque as grandes empresas têm outros recursos para entrar no vasto mercado chinês. Reconhece que a balança comercial está desequilibrada para o lado chinês, mas acredita que as PME portuguesas têm capacidade para singrar na China, sobretudo na área tecnológica

“Agora vamos pedir apoio político para o nosso trabalho. Não vamos pedir dinheiro, até porque somos uma associação sem fins lucrativos, mas vamos pedir aos políticos que nos apoiem”, avisa Y Ping Chow.

Com sede na vila de Condeixa-a-Nova, a nova estrutura vai dispor de delegações em Lisboa e Porto e nas províncias chinesas de Henan, Hainan e Shangdong.

O Conselho Executivo da nova Câmara, que tomou posse hoje, é presidido por Y Ping Chow (presidente da Liga dos Chineses em Portugal e representante da Comunidade Chinesa no Alto Comissariado da Migração) e o Conselho Estratégico por Bian Fang (CEO do Bison Bank, entidade financeira de capital chinês que opera em Portugal).

Nas estruturas da organização constam nomes como Jorge Costa Oliveira (ex-secretário de Estado da Internacionalização), Jorge Portugal (ex-conselheiro do Presidente da República), António Gameiro (deputado do PS), Afonso Camões (administrador do grupo Global Media), Telmo Pinto (diretor executivo da Comunidade de Tâmega e Sousa), Júlio Pereira (juiz-conselheiro, ex-diretor do SIS), José Cesário (deputado do PSD), Vitalino Canas (advogado e ex-deputado do PS), Montalvão Machado (advogado e ex-secretário de Estado do PSD), Carlos Pinto (empresário e ex-autarca da Covilhã).

Em maio, a CCPC-PME adiantou que está já a trabalhar na criação de fundo de investimento para os setores agroalimentar e do turismo, com um valor inicial de 10 milhões de euros, mas que futuramente pode chegar aos 30 milhões de euros.

A sua criação está, no entanto, dependente da autorização do Banco de Portugal, mas, “se tudo correr dentro do previsto”, o fundo estará constituído até ao final do ano.

Chow explica que Condeixa foi o local escolhido para receber a Câmara devido à sua localização, fora dos grandes centros urbanos, mas perto da principal autoestrada do país, mas sobretudo devido ao apoio, desde a primeira hora, do presidente deste município, Nuno Moita.

“A escolha de Condeixa para sede desta importante organização vinha sendo dialogada entre a Câmara Municipal e os líderes da CCPC-PME, tendo contribuído para a decisão a localização central da vila no todo nacional e as condições proporcionadas para o seu funcionamento”, confirmou a autarquia do distrito de Coimbra. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Suíça – 1º Salão do Imobiliário, Investimento e Turismo Português

A Câmara de Comércio, de Indústria e Serviços Suíça-Portugal (CCISSP) está a organizar, para setembro deste ano, a primeira edição do Salão do Imobiliário, Investimento e Turismo Português na Suíça, que terá lugar no Palais des Expositions et de Congrès (Palexpo), o maior centro de congressos do cantão de Genebra.

De acordo com a presidente daquela associação, Marina Prévost-Mürier, este grande evento “responde a um crescente interesse dos investidores, dos particulares suíços e dos estrangeiros residentes na Suíça que consideram, atualmente, que Portugal e as suas regiões autónomas têm vastas possibilidades para realizar investimentos, estudos e inovações”.

Como tal, a CCISSP incluiu também no seu público alvo investidores, gestores de grandes fortunas, empresários e, claro, “a comunidade portuguesa e lusodescendente que procura descobrir um Portugal moderno, empreendedor e inovador, visando uma razão para regressar”.

“Para já estão confirmadas as presenças de diversas personalidades ligadas às áreas da advocacia, consultoria, turismo, banca e imobiliário, para além de associações empresariais, autarquias, empresas de investimento, ‘start ups’ e associações empresariais já terem demonstrado interesse”, confessou Marina Prévost-Mürier ao nosso jornal.

As inscrições para parceiros e sócios da CCISSP e do ICTP (International Club of Portugal) já estão abertas desde dezembro de 2019 e “as inscrições para os não sócios serão abertas ainda esta semana”, garantiu a única presidente de uma Câmara de Comércio e Indústria bilateral na Suíça na passada segunda-feira.

O custo de entrada para o público em geral ainda não foi revelado, mas as empresas que pretendem dar-se a conhecer através do aluguer de stands poderão fazê-lo a partir de 2500 euros por cada nove metros quadrados (em Early bird antes do dia 31 de janeiro).

O próprio certame terá lugar de 16 a 19 de setembro no Pavilhão 03 do Palexpo, um espaço com cerca de 3500 metros quadrados localizado na Route François-Peyrot 30, junto à fronteira francesa e ao Aeroporto Internacional de Genebra, que conta com mais de 4500 lugares de estacionamento e que é conhecido por hospedar, anualmente, acontecimentos como o Salão Internacional do Automóvel de Genebra e o Salão Internacional de Alta Relojoaria.

No primeiro dia do evento, tal como comunicado no programa disponível em baixo, haverá um Welcome Drink e International Business Networking na cidade helvética pelas 17h30, seguido da montagem de stands, das 9h00 às 19h00 do dia 17 de setembro.

O Salão abrirá oficialmente as portas ao público pelas 10h00 de sexta-feira, um dia “especialmente dedicado à realização de negócios”, adianta a presidente da organização.

O derradeiro dia terá início pelas 08h30 de sábado, 18 de setembro, e Marina Prévost-Mürier espera uma grande afluência não só de empresários como também de portugueses e lusodescendentes que queiram assistir à primeira edição desta iniciativa.

O Bom Dia sabe que o Primeiro Salão do Imobiliário, Investimento e Turismo Português na Suíça terá um investimento a rondar os 300 mil euros, um valor que sustenta a envergadura do “maior evento de promoção de Portugal na Suíça, um mercado com um poder de compra três vezes superior à média dos restantes mercados europeus”.

Mais informações sobre o certame estarão disponíveis no Bom Dia a partir de 24 de janeiro, dia em que está agendada uma conferência de imprensa por parte da Câmara de Comércio de Indústria e Serviços Suíça-Portugal. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Suíça - Fundada uma Câmara de Comércio portuguesa

Por incrível que pareça, não existia em terras helvéticas uma Câmara de Comércio portuguesa. Até há pouco. Como sempre nestas coisas, tudo partiu da teimosia de uma pessoa. Marina Prévost-Mürier viu uma lacuna a preencher, contagiou com esta convicção outras pessoas e, da conjunção destes esforços, nasceu a obra



A Câmara de Comércio, Indústria e Serviços Suíça-Portugal (CCISSP) foi fundada em março de 2017, após alguns meses apenas de preparações e contatos, e regista já uns quantos sucessos notáveis. Em entrevista à swissinfo.ch em Genebra, a empresária e jurista falou com entusiasmo de uma variedade impressionante de projetos em preparação e dos êxitos já alcançados. Frisando sempre que é um trabalho de equipa: "Sou a única portuguesa no comité fundador, todos os restantes membros são suíços. Todos eles conheciam já Portugal muito bem, por isso foi natural que tivessem embarcado nesta aventura."

O primeiro a bordo foi o marido, Jean-François. "Ele admira tudo o que é português", diz a presidente da CCISSP. "Já vivemos em Portugal e ele gostou muito. Regressámos em 2012, porque os clientes do meu marido não conseguiam pagar, em plena crise, e resolvemos voltar para a Suíça. Ele não tem origens portuguesas, mas tem um enorme sentimento por Portugal e continua a dizer que é lá que quer viver."

"Quando cheguei à Suíça registei a minha empresa de consultoria e acontecia frequentemente os clientes pedirem informações sobre como tratar de residência em Portugal ou instalar lá uma empresa", explica Marina. Descobriu então, com grande surpresa, que não existia uma câmara de comércio que pudesse dar resposta a este tipo de questões. Existe a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), um organismo do Estado Português criado para dar apoio à internacionalização da economia portuguesa, mas a entidade tem na Suíça apenas uma pessoa em funções. "A imigração portuguesa tem na Suíça uma história de quase meio século e pareceu-me evidente a necessidade de criar aqui uma câmara de comércio", lembra a jurista. "Comecei sozinha, depois com o meu marido. Decidi ir bater à porta de Michel Rossetti, que foi presidente da câmara de Genebra entre 1993 e 1994, de Peter Hofmann, o presidente da Caisse de Pension Pro e da Swiss Entrepreneur Association, e de Ueli Eicher, um ex-banqueiro, todos eles conhecedores de Portugal."

Sonhar e semear

Em 2016 Marina apresentou o projeto na primeira edição do Encontro de Investidores da Diáspora Portuguesa, em Sintra. O ano da fundação, 2017, foi muito intenso. Em novembro a CCISSP foi apresentada à Secretaria Federal da Economia (SECO) e já está registada no sítio do governo federal. A organização marcou presença no Portugal Exportador, em Lisboa, um dos principais eventos nacionais dedicados à internacionalização empresarial. " Nessa ocasião tive a oportunidade de apresentar o projeto ao presidente Marcelo Rebelo de Sousa", ressalva Marina. "E em janeiro fomos recebidos em Berna pelo embaixador de Portugal na Suíça, António Ricoca Freire, e pelo conselheiro económico da AICEP, Miguel Crespo."

Pelo caminho, foram diligenciados vários encontros com autarcas portugueses, universidades, empresários e representantes de entidades públicas do sector turístico: "Avançámos com contatos que acreditamos permitirão estabelecer pontes para o investimento, como por exemplo a Associação das Termas de Portugal."

"Muito esforço, mas esforço que dá frutos", diz Marina, apontando alguns dos sucessos conseguidos pela CCISSP em poucos meses. No dia 2 de maio, Portugal vai ser representado por estudantes da Universidade da Beira Interior no St. Gallen Symposium, na Universidade de São Galo, consagrado à inovação tecnológica na era digital. Uma estreia.

A Câmara bateu-se igualmente com êxito por voos mais baratos para Portugal: "Quando aconteceu em França o acidente próximo da fronteira no qual morreram portugueses, pensei que este tipo de tragédias poderia ser evitado se os portugueses pudessem viajar a preços acessíveis de avião, no mês de agosto ou nos períodos de festas. Contatei a EasyJet, a Swiss e a TAP, mas não mostraram interesse em aumentar o número de voos ou descer os preços dos bilhetes. Fui então falar com responsáveis de aeroportos pequenos." Marina sugeriu à diretora do aeroporto de Sion, Aline Bovier Gantzer, a criação de uma linha regular para o Porto. Gantzer propôs-lhe levar a ideia a Philippe Varone, o presidente de Sion. Este manifestou algum interesse, mas a batalha não estava ganha. Varone queria saber se há escolas de pilotagem em Portugal, estava convencido de que não. A CCISSP não vacilou: "Enviei-lhe toda a documentação, ficou a saber que há oito no país, frequentadas por nacionais e estrangeiros. Começaram então a pensar mais seriamente no assunto e no dia 23 de dezembro uma operadora low cost da Swiss inaugurou uma linha Sion-Porto. Os preços são próximos dos praticados pela EasyJet." Uma primeira linha que é um ensaio para outras e para outros aeroportos do país.

Favorecer a descentralização

A CCISSP colocou em marcha vários projetos. Um leque variado que inclui a introdução no mercado suíço de produtos de excelência e artigos "gourmet", a criação em Portugal de estruturas habitacionais para reformados suíços e postos de trabalho em empresas suíças para técnicos informáticos residentes em Portugal – uma fórmula que permite a esses empregados qualificados continuar a viver lá e ao empregador não ter de lhes pagar salários "suíços". A responsável da CCISSP sublinha que estes são resultados conseguidos passo a passo, que exigem primeiro a construção de relações de confiança.

A Câmara organiza missões económicas, leva empresários suíços a Portugal, para reuniões sobre áreas específicas, como por exemplo a nano tecnologia. "Consideramos que é importante favorecer a descentralização, e por isso mediamos contatos com as mais diversas regiões do país, não nos limitamos a Lisboa e Porto, porque há numerosas oportunidades de excelente qualidade de norte a sul, sem esquecer a Madeira e os Açores – onde o investimento empresarial pode concorrer a incentivos da União Europeia. Os suíços não dispõem destas informações, somos nós que os ajudamos a descobrir todo um leque de possibilidades que desconhecem."

A CCISSP também já ajudou empresas portuguesas a entrar no mercado suíço com produtos de excelência. Uma empresa dos Açores está já a vender chá aqui, uma jovem empresária da Covilhã lançou no mercado suíço o queijo da Serra e há empresas do ramo do calçado interessadas. Começa a ser explorado o comércio de produtos "gourmet" e há interesse em trazer para cá as chamadas "trufas alentejanas", as túberas.

Desfazer preconceitos

A responsável da CCISSP diz que não faltam ideias e que a entidade tem sido muito contatada, mas que a par do interesse existem também obstáculos a vencer. "Existem entre os suíços convicções muito erradas sobre Portugal, preconceitos enraizados, fruto de desconhecimento. Encontrei pessoas que receavam instalar-se lá porque pensavam que não encontrariam serviços de saúde, que não há médicos." O trabalho da CCISSP tem sido também fornecer a informação que permite ter uma imagem real do país. Marina Prévost-Mürier conta que um empresário suíço que participou numa missão empresarial recente no norte de Portugal estava convencido que não ia conseguir acesso à internet. "As pessoas aqui desconhecem que, em certas áreas, Portugal está até mais avançado: nalguns pontos do país já havia fibra óptica muitos anos antes de existir em Genebra. Também nem todos sabem que temos especialistas de grande qualidade cujos serviços estão a preços várias vezes inferiores aos praticados aqui, por exemplo na área da cirurgia estética ou estomatologia." Nelson Pereira – Suíça in “Swissinfo”

Câmara de Comércio, Indústria e Serviços Suíça-Portugal (CCISSP)

A CCISSP foi fundada em 9 de março de 2017, com o objetivo de dar apoio às pequenas, médias e grandes empresas e promover intercâmbios económicos e comerciais entre os dois países. Faz parte da Rede de Câmaras de Comércio Portuguesas (www.rccp.pt) e é oficialmente reconhecida pela Confederação Helvética. Tem como Presidente Honorário um antigo presidente da Câmara de Genebra, Michel Rossetti, membro do executivo genebrino entre 1987 e 1999.