Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Suíça – 1º Salão do Imobiliário, Investimento e Turismo Português

A Câmara de Comércio, de Indústria e Serviços Suíça-Portugal (CCISSP) está a organizar, para setembro deste ano, a primeira edição do Salão do Imobiliário, Investimento e Turismo Português na Suíça, que terá lugar no Palais des Expositions et de Congrès (Palexpo), o maior centro de congressos do cantão de Genebra.

De acordo com a presidente daquela associação, Marina Prévost-Mürier, este grande evento “responde a um crescente interesse dos investidores, dos particulares suíços e dos estrangeiros residentes na Suíça que consideram, atualmente, que Portugal e as suas regiões autónomas têm vastas possibilidades para realizar investimentos, estudos e inovações”.

Como tal, a CCISSP incluiu também no seu público alvo investidores, gestores de grandes fortunas, empresários e, claro, “a comunidade portuguesa e lusodescendente que procura descobrir um Portugal moderno, empreendedor e inovador, visando uma razão para regressar”.

“Para já estão confirmadas as presenças de diversas personalidades ligadas às áreas da advocacia, consultoria, turismo, banca e imobiliário, para além de associações empresariais, autarquias, empresas de investimento, ‘start ups’ e associações empresariais já terem demonstrado interesse”, confessou Marina Prévost-Mürier ao nosso jornal.

As inscrições para parceiros e sócios da CCISSP e do ICTP (International Club of Portugal) já estão abertas desde dezembro de 2019 e “as inscrições para os não sócios serão abertas ainda esta semana”, garantiu a única presidente de uma Câmara de Comércio e Indústria bilateral na Suíça na passada segunda-feira.

O custo de entrada para o público em geral ainda não foi revelado, mas as empresas que pretendem dar-se a conhecer através do aluguer de stands poderão fazê-lo a partir de 2500 euros por cada nove metros quadrados (em Early bird antes do dia 31 de janeiro).

O próprio certame terá lugar de 16 a 19 de setembro no Pavilhão 03 do Palexpo, um espaço com cerca de 3500 metros quadrados localizado na Route François-Peyrot 30, junto à fronteira francesa e ao Aeroporto Internacional de Genebra, que conta com mais de 4500 lugares de estacionamento e que é conhecido por hospedar, anualmente, acontecimentos como o Salão Internacional do Automóvel de Genebra e o Salão Internacional de Alta Relojoaria.

No primeiro dia do evento, tal como comunicado no programa disponível em baixo, haverá um Welcome Drink e International Business Networking na cidade helvética pelas 17h30, seguido da montagem de stands, das 9h00 às 19h00 do dia 17 de setembro.

O Salão abrirá oficialmente as portas ao público pelas 10h00 de sexta-feira, um dia “especialmente dedicado à realização de negócios”, adianta a presidente da organização.

O derradeiro dia terá início pelas 08h30 de sábado, 18 de setembro, e Marina Prévost-Mürier espera uma grande afluência não só de empresários como também de portugueses e lusodescendentes que queiram assistir à primeira edição desta iniciativa.

O Bom Dia sabe que o Primeiro Salão do Imobiliário, Investimento e Turismo Português na Suíça terá um investimento a rondar os 300 mil euros, um valor que sustenta a envergadura do “maior evento de promoção de Portugal na Suíça, um mercado com um poder de compra três vezes superior à média dos restantes mercados europeus”.

Mais informações sobre o certame estarão disponíveis no Bom Dia a partir de 24 de janeiro, dia em que está agendada uma conferência de imprensa por parte da Câmara de Comércio de Indústria e Serviços Suíça-Portugal. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Suíça – Plataforma Uber com vida difícil no cantão de Genebra

Não é a primeira derrota de Uber no cantão de Genebra, mas a decisão do governo local de obrigá-la a reconhecer os direitos trabalhistas dos seus empregados pode ser um grande desafio para o gigante das caronas. Um precedente ou o fim do aplicativo na Suíça?



Os milhares de diplomatas, homens de negócios e turistas que chegam no aeroporto de Genebra todos os dias provavelmente terão que voltar a utilizar os táxis locais ou utilizar o trem para ir ao centro da cidade. Mas se clicarem no aplicativo Uber para encontrar um motorista, terão dificuldades.

Na semana passada, as autoridades de Genebra determinaram que os motoristas da Uber têm direitos trabalhistas. É o que determina a lei que regula o funcionamento de táxis e transporte no cantão. Isso significa que a empresa americana está obrigada a oferecer todos os benefícios sociais como férias pagas, auxílio-doença e contribuições para previdência social aos seus colaboradores.

Para Roman Künzler, da federação de sindicatos UniaLink externo, a decisão é o fim de uma longa jornada de lutas. "Esperamos melhoras nas condições de trabalho dos motoristas e que a Uber cumpra, enfim, nossas leis", declarou.

Luta contra um gigante

A Uber enfrenta uma longa batalha legal à medida que diferentes governos municipais começam a aplicar leis para regulamentar o setor e garantir direitos trabalhistas aos motoristas autônomos. Em alguns casos, como ocorrido em Londres, a empresa reconheceu algumas normas. Em outros, desistiu por completo de operar em uma cidade.

Na Suíça a empresa sofreu um forte revés na parte francófona do país, desde que começou suas operações no país há cinco anos. Em 2015, a Uber foi proibida temporariamente de oferecer seus serviços em Genebra por violar a Lei dos taxistas. Um ano depois, motoristas e companhias de táxis protestaram nas ruas, acusando a empresa de concorrência desleal e de estar pagando baixos salários. No ano passado, as autoridades de Lausanne consideraram a Uber como um "serviço de call center" e obrigaram os condutores a terem uma licença profissional de taxista.

Até hoje a empresa conseguiu resolver as disputas legais e está mais forte do que nunca. Só na Suíça ela cresceu 30% no ano passado, chegando a atingir 400 mil usuários ativos e ocupar 3200 condutores em quatro cidades suíças (Zurique, Genebra, Basileia e Lausanne).

Porém, apesar do sucesso comercial, a empresa insiste em não assumir responsabilidades trabalhistas. Como argumentos para justificar suas posições, alega que os condutores trabalham de forma autônoma e que a empresa se limita a oferecer uma plataforma tecnológica que combina oferta e demanda por transporte.

A medida que a Uber cresceu, esse argumento foi se tornando menos convincente para muitos governos municipais, dentre eles o de São Francisco (EUA), onde a empresa nasceu. Hoje ela combate um decreto de lei conhecido como Assembly Bill 5, aprovado na Califórnia e que determina que os motoristas sejam contratados pelas empresas dos aplicativos e não ser considerados trabalhadores com vínculo precário. Batalhas semelhantes já estão sendo travadas em outros estados americanos e países da União Europeia.



Em alguns mercados a empresa teve sucessos. No Brasil e na França, juízes decidiram na direção contrária: eles aceitaram os argumentos da Uber de que seus motoristas não são empregados diretos da empresa.

Precedentes

Para Künzler a decisão legal em Genebra foi um passo importante para os trabalhadores da chamada "gig economy", um meio onde trabalhadores vivem de contratos temporários, microempregos ou vivem como autônomos, um fenômeno encontrado em todo o globo. "A decisão atinge diretamente o modelo de negócios da Uber que é transportar pessoas em qualquer parte do mundo sem assumir responsabilidades pelos empregados."

A Uber estima que seus motoristas na Suíça ganham aproximadamente 26,81 francos por hora de trabalho (o que equivale a 27 dólares). Aproximadamente 30% dos condutores utilizam o aplicativo pelo menos 40 horas por semana. Os motoristas utilizam em média o aplicativo por 33 semanas ao ano, de acordo com dados fornecidos pela empresa.

No entanto, Künzler questiona os números, retrucando nunca ter encontrado um motorista que ganhasse esse valor. Entrevistas realizadas pela Unia com diversos condutores mostram que os custos – dos quais se incluem a compra do veículo, manutenção e seguro – já estão computados no salário-hora. Para o sindicalista, o condutor ganha, de fato, apenas entre 10 e 15 francos a hora.

"A Uber economiza 60% dos seus custos ao não empregar os motoristas. As autoridades permitiram que os trabalhadores fossem enganados durante anos e enviaram um sinal a outras plataformas de que esse modelo é aceitável", critica Künzler.

Mas há opiniões diversas. Em algumas cidades os motoristas do Uber consideram que ser empregado comprometeria sua flexibilidade e independência. A Uber cita um estudo de 2018, segundo o qual 75% dos motoristas preferem ser independentes do que estar vinculados à empresa por um contrato de trabalho.

Para Thomas Geiser, professor de direito da Universidade de St. Gallen, a solução ao problema não iria beneficiar completamente os funcionários, pois a empresa teria de recolher encargos sociais. "Esse modelo de negócio poderia funcionar se a empresa aceitasse as regras habituais, o que significa: a Uber teria de manter uma parte maior da tarifa em si e só poderia pagar uma parte menor aos motoristas".

O pior cenário seria a Uber desistir de Genebra. Um porta-voz da empresa declarou à swissinfo.ch: "Se formos classificados como empresa de transporte, não será mais possível continuar a operar em Genebra". Se isso acontecer, Künzler diz, "a empresa enfrentará demissões massivas de motoristas. Vamos lutar para garantir que os trabalhadores sejam protegidos nesse caso".

Em comunicado enviado por e-mail, uma porta-voz da Uber disse que a empresa planeja recorrer da decisão. E que enquanto os tribunais não decidirem (em poucos meses), seus veículos continuam a circular em Genebra.

Como opera

A Uber difere das empresas de táxis tradicionais. Ela não dispõe de uma frota própria de veículos e não contrata os condutores, mas apenas oferece a plataforma online para unir motoristas e passageiros.

A Uber oferece transporte nas tarifas "UberX" e "UberBlack", mas foi obrigada a cessar o UberPop, um serviço que podia ser prestado por motoristas não profissionais e sem licença. As autoridades consideravam que a prestação não cumpria as leis locais.

A empresa planejava expandir seus serviços a outras cidades, mas se limitou a operar em Zurique, Genebra, Basileia e Lausanne.

Diversos sindicatos suíços acusam a empresa de concorrência desleal por oferecer tarifas abaixo das regulamentadas pelo setor e por não empregar motoristas qualificados, além de não controlar o padrão de serviço e qualidade aplicados às empresas de taxi na Suíça. Jessica Plüss – Suíça in “Swissinfo”