Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Portugal - Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental implementa Barreira de Bolhas no estuário do rio Ave

Tecnologia inovadora implementada no âmbito do projeto MAELSTROM permite a retenção de plásticos antes de chegarem ao Oceano


Foi inaugurada no passado dia 25 de novembro, no estuário do rio Ave, em Vila do Conde, uma Barreira de Bolhas que terá como missão a captação e retenção de plásticos antes de chegarem ao Oceano, através de uma cortina de bolhas de ar. A implementação desta tecnologia inovadora resulta de uma parceria entre a equipa do projeto MAELSTROM, do qual o CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto é o representante português.

A Barreira de Bolhas (Bubble Barrier) captura cerca de 86% dos detritos inorgânicos na coluna de água, sem obstruir a passagem de várias espécies aquáticas, ou o tráfego de navios, enquanto possibilita o aumento de oxigénio dissolvido no local, beneficiando o ecossistema aquático em que está inserida.

Esta solução amiga do ambiente, alimentada por energia solar fotovoltaica, produz uma cortina de bolhas de ar que retém o plástico e o lixo, que são recolhidos no sistema de captação e que acabarão por ser transformados em materiais de segunda geração pelos parceiros do projeto.

A projeção e implementação da Bubble Barrier teve a supervisão científica do CIIMAR, que liderou várias missões de avaliação do estado ecológico do estuário do Ave para compreender o impacto ambiental da iniciativa neste ecossistema, desenvolvendo, também, um modelo hidrodinâmico de suporte à tecnologia.

O CIIMAR também coordenou o envolvimento de intervenientes locais, regionais e nacionais, como a Docapesca – Portos e Lotas, S.A., a Agência Portuguesa do Ambiente, a da Autoridade Marítima – Capitania de Vila do Conde, a LIPOR e o Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental de Vila do Conde (CMIA Vila do Conde), que foram fundamentais para o sucesso do design e implementação de todo o sistema.

Para além do CIIMAR, o projeto envolveu ainda envolveu ainda a The Great Bubble Barrier, o Instituto de Energia Sustentável da Universidade de Malta, a Câmara Municipal de Vila do Conde e a Deltares,

A cerimónia de inauguração contou com a presença do Secretário de Estado do Mar,  José Maria Costa, do Vice-Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, do Presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, Vítor Manuel Moreira Costa, da Comandante da Capitania do Porto de Vila do Conde, Mónica Martins, do Administrador da Docapesca – Portos e Lotas, S.A., Nuno Coelho e do Presidente da Comissão Executiva da LIPOR, Fernando Leite.

Como funciona a Barreira de Bolhas?

O sistema é composto por três componentes principais: uma cortina de bolhas, um compressor e um sistema de captação. A cortina de bolhas é criada através do bombeamento de ar por um tubo perfurado, localizado no leito do rio, que cria uma corrente ascendente e traz os resíduos para a superfície. Ao colocar a Barreira de Bolhas na diagonal, o fluxo natural da água direciona os detritos para as margens e para o sistema de captação. Por sua vez, o sistema de captação é esvaziado e os resíduos são encaminhados para processamento e reciclagem.

A tecnologia é sustentada por um sistema de painéis solares, tanto térreos como flutuantes, concebido pelo Instituto de Energia Sustentável da Universidade de Malta, um dos 14 parceiros do projeto MAELSTROM, que tem como missão implementar tecnologias inovadoras para a remoção e reciclagem de lixo marinho.

O sistema de painéis deverá produzir 57300 quilowatt-hora (kWh) de energia renovável durante o primeiro ano de funcionamento, compensando “parte da eletricidade proveniente da rede elétrica convencional” usada inicialmente pela tecnologia.

Sobre o projeto MAELSTROM

Financiado pelo programa Horizonte 2020 da Comissão Europeia, o projeto MAELSTROM – Smart technology for MArinE Litter SusTainable RemOval and Management é coordenado pelo Conselho Nacional de Investigação Italiano (CNR) e reúne 14 parceiros de centros de investigação, empresas de reciclagem, organizações não governamentais, cientistas marinhos e especialistas em robótica de oito países europeus, onde o CIIMAR é o representante português. Universidade do Porto - Portugal


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Internacional - Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto quer remover, reciclar e dar um novo uso aos plásticos no oceano

O Projeto MAELSTROM vai implementar tecnologias inovadoras e ambientalmente sustentáveis ​​para remover e reciclar o lixo marinho



O Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR) é uma das entidades parceiras do projeto MAELSTROM , um consórcio internacional  liderado pelo Instituto de Ciências Marinhas do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR-ISMAR), e que, ao longo dos próximos quatro anos, terá como missão proteger os ecossistemas costeiros removendo, reciclando e devolvendo o lixo marinho à cadeia de mercado.

Financiado no âmbito do Programa Horizonte 2020 da União Europeia, o projeto MAELSTROM, arrancou oficialmente esta quarta-feira e, ao longo dos próximos anos, vai dedicar-se então a encontrar estratégias para reduzir os impactos do lixo marinho nos ecossistemas costeiros, identificando pontos críticos de acumulação de lixo marinho e removendo-o na zona costeira e na coluna de água dos rios antes de chegar ao mar.

Num contexto em que o lixo marinho representa uma importante ameaça à vida aquática e às cadeias alimentares, podendo prejudicar diretamente a espécie humana, os investigadores propõem-se a implementar tecnologias inovadoras e ambientalmente sustentáveis ​​para remover e reciclar o lixo marinho. Estas serão utilizadas para limpar grandes áreas costeiras perto de Veneza, em Itália, e no Porto.

O projeto irá ainda avaliar sustentabilidade das novas tecnologias de remoção numa avaliação ambiental cuidadosa antes e depois da limpeza das zonas em questão.

Tecnologia vs lixo marinho

As tecnologias de remoção a serem implementadas no contexto do projeto MAELSTROM incluem dois sistemas automatizados: barreira de bolhas de ar e uma grande plataforma robótica.

A barreira de bolhas de ar é gerada por um sistema instalado no leito do rio ou instalado em posições estratégicas, por exemplo, em áreas portuárias. A sua utilização tem associadas várias vantagens: se, por um lado, permite a recuperação de resíduos, ao mesmo tempo, contribui para a reoxigenação da água.

Já a grande plataforma robótica removerá automaticamente os resíduos sólidos localizados no fundo do mar e nas camadas inferiores da coluna d’água com alta eficiência.

E o que acontece aos resíduos?

Com a visão de promover uma economia circular, a equipa liderada, no CIIMAR, pela investigadora Isabel Sousa Pinto, não só removerá o lixo marinho, como  também o reciclará, combinando processos e tecnologias inovadoras e abordagens de tratamento físico-químico. Dessa forma, os resíduos transformam-se em novos recursos – precursores químicos, polímeros e materiais – que podem reingressar na cadeia de abastecimento industrial.

As operações de reciclagem também estarão associadas a um protótipo de transformação de resíduos em energia e combustível de segunda geração. Por sua vez, o combustível será utilizado para impulsionar as tecnologias dedicadas à limpeza do fundo do mar dentro do próprio projeto.



O desenho do MAELSTROM baseia-se na Diretiva Quadro da Estratégia Marinha da União Europeia que visa proteger os mares e oceanos, e está em conformidade com o Plano de Ação da Economia Circular.

O projeto também contribuirá para o Objetivo 14 da Agenda das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável: “Conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável”. Universidade do Porto - Portugal