O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou que a língua portuguesa ocupa um “lugar especial” na história da resistência, porque foi através do português que “Timor-Leste falou ao mundo”
“A língua portuguesa ocupa igualmente
um lugar especial na história da nossa resistência. Foi através desta língua
que Timor-Leste falou ao mundo. Foi esta língua que levou a causa timorense às
Nações Unidas, às organizações internacionais e aos países amigos. A língua
portuguesa tornou-se símbolo de identidade, de resistência e de continuidade
histórica do Estado timorense”, disse o primeiro-ministro timorense, no
discurso divulgado à imprensa.
Xanana Gusmão participou ontem na cerimónia de celebração
do 24.º aniversário da restauração da independência, que se assinala na
quarta-feira, no Arquivo e Museu da Resistência Timorense, que inclui a
inauguração de uma exposição e um lançamento de um livro, denominado “Vida da
Resistência”.
“Quando o invasor proibiu o uso do português, o povo
timorense continuou a falar [o português] em segredo. Continuou a resistir em
português. Assim, a língua portuguesa tornou-se uma língua de resistência”,
salientou Xanana Gusmão.
Na sua intervenção na “Casa Sagrada”, o líder timorense
destacou também que o 20 de Maio não é apenas uma data histórica, mas a “prova
de que uma nação, mesmo pequena, pode alcançar grandes vitórias quando luta com
coragem, em plena consciência, com unidade nacional e com um profundo amor à
pátria”. “Hoje, não celebramos apenas a independência de um Estado. Celebramos,
acima de tudo, a sobrevivência de uma nação. Celebramos a vitória da memória
contra o esquecimento. Celebramos a vitória da esperança contra o medo e a
vitória da dignidade humana contra a opressão”, afirmou Xanana Gusmão.
O primeiro-ministro deixou igualmente uma mensagem aos
jovens, que representam a maioria da população do país. “A geração da
resistência entregou-vos a liberdade. Agora cabe-vos defender o futuro desta
nação. A luta da vossa geração já não se trava nas montanhas. A luta de hoje
faz-se através da educação, do conhecimento, da disciplina, da honestidade e do
trabalho”, disse Xanana Gusmão. “Precisamos de jovens preparados para defender
a identidade, a cultura, a memória e os valores da resistência. Precisamos de
jovens capazes de transformar o sofrimento do passado numa força para construir
um futuro melhor”, acrescentou.
As celebrações do 24.º aniversário da restauração da
independência tiveram início no domingo com a inauguração de uma feira de
culinária local em Tasi Tolu e vão incluir também uma missa e a deposição de
uma coroa de flores aos Heróis da Pátria, na terça-feira no cemitério de Santa
Cruz, e a cerimónia de hastear da bandeira nacional, na quarta-feira. In “Ponto
Final” - Macau
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