Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Portugal - Investigador da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto estuda como degradar o plástico com ajuda da inteligência artificial

Alexandre Pinto conquistou uma bolsa da Federação Europeia de Sociedades de Bioquímica para desenvolver ferramentas de design computacional de enzimas.


Anualmente, são produzidas 500 mil milhões de garrafas a partir de um plástico conhecido por PET (polietileno tereftalato), com graves consequências para o meio ambiente e para a saúde humana. Através da bioquímica computacional, é possível criar enzimas capazes de degradar este tipo de plástico. É esta a motivação de Alexandre Pinto, investigador e docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), que conquistou uma bolsa da Federação Europeia de Sociedades de Bioquímica (FEBS) e rumou à Universidade de Girona, em Espanha, para integrar o grupo da cientista Silvia Osuna, uma referência mundial em design computacional de enzimas.

Durante a estadia em Girona, Alexandre, que terminou em 2025 o doutoramento em Química, estará a trabalhar no desenvolvimento de ferramentas de design computacional de proteínas através da inteligência artificial.

“Espero que esta oportunidade ajude a reforçar a nossa capacidade de conceber enzimas mais eficientes para aplicações biotecnológicas na área da reciclagem de plásticos”, salienta o alumnus da FCUP.  O objetivo é aplicar estas novas moléculas, por exemplo, a bioreatores enzimáticos em centros de reciclagem, que terão assim taxas de degradação do plástico superiores e um menor gasto energético.

“A ciência computacional que desenvolvemos é poderosa, mas precisa de chegar a quem trabalha no laboratório e na indústria, e aproximar esses mundos é algo que me motiva cada vez mais”, confessa o jovem cientista, que tem desenvolvido a sua investigação no grupo High Performance Computing in Molecular Modelling, do LAQV/REQUIMTE – Laboratório Associado para a Química Verde, sob orientação da docente Maria João Ramos, especialista em bioquímica computacional.

O foco do seu trabalho é o estudo de enzimas capazes de degradar plásticos como o PET, com recurso a simulações de dinâmica molecular e métodos de mecânica quântica/mecânica molecular. Com todo o percurso académico realizado na FCUP, Alexandre tem como ambição dar uma aplicação prática à sua investigação, “contribuindo efetivamente para soluções sustentáveis no problema global dos plásticos”.

Para o investigador, ter sido selecionado para esta bolsa, um objetivo que surgiu ainda durante o doutoramento, é um “reconhecimento do trabalho desenvolvido e também da visibilidade e relevância internacional da ciência feita em Portugal”.

“É uma oportunidade única de aprender com um dos melhores grupos da área e de construir uma rede de colaborações que certamente marcará a minha carreira”, acrescenta Alexandre Pinto, que estará na Universidade de Girona até meados de junho.

Sobre a bolsa da Federação Europeia de Sociedades de Bioquímica

A Federação Europeia de Sociedades de Bioquímica (FEBS, na sigla em inglês) é uma das organizações científicas mais prestigiadas na Europa na área das ciências bioquímicas.

A FEBS Short-Term Fellowship é uma bolsa da área das ciências biomoleculares (bioquímica, biologia molecular, biotecnologia, biomedicina, etc.) que tem como objetivo fomentar colaborações internacionais intensivas entre grupos de investigação europeus, através do financiamento de estadias curtas.

As bolsas têm uma duração de dois a três meses e destinam-se sobretudo a investigadores em início de carreira. Universidade do Porto - Portugal


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