Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Moçambique - Vence “Somos Imagens da Lusofonia” pelo segundo ano consecutivo

O fotógrafo moçambicano Hamir da Silva é o grande vencedor da sétima edição do concurso “Somos Imagens da Lusofonia”, que distinguiu também dois fotógrafos portugueses. A exposição fotográfica relativa a esta edição terá lugar no dia 29 de Maio, nas Casas da Taipa, com a presença do vencedor e a inclusão de cerca de 40 fotografias


O primeiro lugar do concurso “Somos Imagens da Lusofonia” voltou a ser conquistado por um fotógrafo moçambicano, pelo segundo ano consecutivo. A imagem “Resiliência da Comunicação”, de Hamir da Silva, foi distinguida pelo júri da Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP) com um prémio pecuniário de dez mil patacas e a oferta de uma viagem a Macau.

A sétima edição teve como tema “O Hoje do Passado”, propondo uma homenagem aos elementos “antigos” do mundo lusófono que ainda hoje perduram como testemunhos culturais, apesar do célere desenvolvimento sócio-económico e tecnológico que se observa a nível global. A imagem de Hamir da Silva ecoa esta tema ao representar um homem a sintonizar um rádio antigo, “que resiste ao tempo”, e crianças a brincar com latas unidas por um fio, “numa reinvenção da infância e da cultura de brincar que atravessa gerações”.

De acordo com a apreciação da Somos – ACLP, a fotografia “remete para a intemporalidade” destas actividades e demonstra que “o simples pode ser extraordinário e que a memória tem o poder de unir pessoas”. Para além do prémio numerário, o vencedor terá também direito a viagem e estadia em Macau para garantir a sua presença na cerimónia de inauguração da exposição fotográfica, a decorrer no final do mês.

O pódio de vencedores completa-se com duas imagens de fotógrafos portugueses. O segundo prémio foi conquistado por Adão Salgado, autor da fotografia “O mar como legado vivo”, que representa a arte xávega – uma técnica de pesca artesanal secular que vai sobrevivendo no litoral português, embora cada vez menos visível. “Apoiado pelo esforço dos pescadores, assiste-se à vitalidade de um ofício que resiste à globalização”, escreve a organização, que atribuiu a esta obra um prémio de sete mil patacas.

O terceiro prémio foi para Carlos Júlio Teixeira, com a fotografia “A fé cantada”. Tirada no interior de uma igreja, a imagem retrata um grupo de fiéis que participa numa festa devotada a São Vicente. “São as mulheres que cantam e é na sua voz que permanecem vivas as memórias de um povo que canta para não esquecer”, lê-se no comunicado. Os jurados recompensaram este trabalho com um prémio de cinco mil patacas.

Para além dos três premiados, o júri, composto por fotojornalistas a trabalhar em Macau, Portugal, Brasil e Moçambique, nomeou ainda três menções honrosas através de certificados. Os destaques foram para o português Carlos Costa, com uma representação da tradicional “Festa dos Rapazes” em Trás-os-Montes (“Varge”); a brasileira Clarice Carvalho, com uma imagem sobre a força da escrita a atravessar o tempo (“Presente do passado”); e ainda o moçambicano Marcos Júnior, vencedor da edição anterior, que desta vez apresentou uma fotografia de crianças a brincar à frente de uma casa com um passado colonial (“Crescer entre memórias”).

O fotógrafo Gonçalo Lobo Pinheiro, presidente do júri, refere que esta edição do concurso “voltou a ser um sucesso ao nível da participação”, reunindo “centenas de fotografias” provenientes de diferentes países e regiões do mundo lusófono. A decisão do júri quanto aos premiados foi “unânime”, revela o representante da associação, realçando “a solidez e a clareza dos critérios aplicados”.

A par dos três vencedores e das três menções honrosas, foram ainda escolhidas 34 outras fotografias, “pela sua relevância ou valor para o tema do concurso fotográfico”, para integrar a exposição “Somos – Imagens da Lusofonia 2025/2026: O Hoje do Passado”. A inauguração decorre dia 29 de Maio, nas Casas Museu da Taipa, com curadoria do arquitecto e fotógrafo Francisco Ricarte.

Perspectivando já a próxima edição, a Somos – ACLP diz esperar que “o número de participantes aumente” continuamente e que a iniciativa continue a afirmar-se como “um concurso plural, vivo e representativo da fotografia contemporânea em língua portuguesa”.

No ano passado, recorde-se, o concurso foi subordinado ao tema “O Homem e o Divino”, propondo uma exploração sobre as várias tradições religiosas e filosofias teístas existentes nos países de língua portuguesa. O fotógrafo moçambicano Marcos Júnior arrecadou o primeiro prémio com uma imagem intitulada “Onde há fez, há luz que guia”, tornando-se assim o primeiro fotógrafo deste país a vencer o concurso. Carolina Baltasar – Macau in “Ponto Final”


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