O fotógrafo moçambicano Hamir da Silva é o grande vencedor da sétima edição do concurso “Somos Imagens da Lusofonia”, que distinguiu também dois fotógrafos portugueses. A exposição fotográfica relativa a esta edição terá lugar no dia 29 de Maio, nas Casas da Taipa, com a presença do vencedor e a inclusão de cerca de 40 fotografias
O primeiro lugar do concurso “Somos
Imagens da Lusofonia” voltou a ser conquistado por um fotógrafo moçambicano,
pelo segundo ano consecutivo. A imagem “Resiliência da Comunicação”, de Hamir
da Silva, foi distinguida pelo júri da Somos! – Associação de Comunicação em
Língua Portuguesa (Somos – ACLP) com um prémio pecuniário de dez mil patacas e
a oferta de uma viagem a Macau.
A sétima edição teve como tema “O Hoje do Passado”,
propondo uma homenagem aos elementos “antigos” do mundo lusófono que ainda hoje
perduram como testemunhos culturais, apesar do célere desenvolvimento sócio-económico
e tecnológico que se observa a nível global. A imagem de Hamir da Silva ecoa
esta tema ao representar um homem a sintonizar um rádio antigo, “que resiste ao
tempo”, e crianças a brincar com latas unidas por um fio, “numa reinvenção da
infância e da cultura de brincar que atravessa gerações”.
De acordo com a apreciação da Somos – ACLP, a fotografia
“remete para a intemporalidade” destas actividades e demonstra que “o simples
pode ser extraordinário e que a memória tem o poder de unir pessoas”. Para além
do prémio numerário, o vencedor terá também direito a viagem e estadia em Macau
para garantir a sua presença na cerimónia de inauguração da exposição
fotográfica, a decorrer no final do mês.
O pódio de vencedores completa-se com duas imagens de
fotógrafos portugueses. O segundo prémio foi conquistado por Adão Salgado,
autor da fotografia “O mar como legado vivo”, que representa a arte xávega –
uma técnica de pesca artesanal secular que vai sobrevivendo no litoral
português, embora cada vez menos visível. “Apoiado pelo esforço dos pescadores,
assiste-se à vitalidade de um ofício que resiste à globalização”, escreve a
organização, que atribuiu a esta obra um prémio de sete mil patacas.
O terceiro prémio foi para Carlos Júlio Teixeira, com a
fotografia “A fé cantada”. Tirada no interior de uma igreja, a imagem retrata
um grupo de fiéis que participa numa festa devotada a São Vicente. “São as
mulheres que cantam e é na sua voz que permanecem vivas as memórias de um povo
que canta para não esquecer”, lê-se no comunicado. Os jurados recompensaram
este trabalho com um prémio de cinco mil patacas.
Para além dos três premiados, o júri, composto por
fotojornalistas a trabalhar em Macau, Portugal, Brasil e Moçambique, nomeou
ainda três menções honrosas através de certificados. Os destaques foram para o
português Carlos Costa, com uma representação da tradicional “Festa dos
Rapazes” em Trás-os-Montes (“Varge”); a brasileira Clarice Carvalho, com uma
imagem sobre a força da escrita a atravessar o tempo (“Presente do passado”); e
ainda o moçambicano Marcos Júnior, vencedor da edição anterior, que desta vez
apresentou uma fotografia de crianças a brincar à frente de uma casa com um
passado colonial (“Crescer entre memórias”).
O fotógrafo Gonçalo Lobo Pinheiro, presidente do júri,
refere que esta edição do concurso “voltou a ser um sucesso ao nível da
participação”, reunindo “centenas de fotografias” provenientes de diferentes
países e regiões do mundo lusófono. A decisão do júri quanto aos premiados foi
“unânime”, revela o representante da associação, realçando “a solidez e a
clareza dos critérios aplicados”.
A par dos três vencedores e das três menções honrosas,
foram ainda escolhidas 34 outras fotografias, “pela sua relevância ou valor
para o tema do concurso fotográfico”, para integrar a exposição “Somos –
Imagens da Lusofonia 2025/2026: O Hoje do Passado”. A inauguração decorre dia
29 de Maio, nas Casas Museu da Taipa, com curadoria do arquitecto e fotógrafo
Francisco Ricarte.
Perspectivando já a próxima edição, a Somos – ACLP diz
esperar que “o número de participantes aumente” continuamente e que a
iniciativa continue a afirmar-se como “um concurso plural, vivo e
representativo da fotografia contemporânea em língua portuguesa”.
No ano passado, recorde-se, o concurso foi subordinado ao
tema “O Homem e o Divino”, propondo uma exploração sobre as várias tradições
religiosas e filosofias teístas existentes nos países de língua portuguesa. O
fotógrafo moçambicano Marcos Júnior arrecadou o primeiro prémio com uma imagem
intitulada “Onde há fez, há luz que guia”, tornando-se assim o primeiro
fotógrafo deste país a vencer o concurso. Carolina Baltasar – Macau in “Ponto
Final”
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