Quinze crianças, na maioria chinesas, apresentam este sábado “A Revolta dos Lusecos”, sobre o 25 de abril, numa “lição de cidadania” para os jovens de Macau, “onde as referências históricas são outras”, disse a responsável pela iniciativa.
Uma narradora e 14 atores, dos 4 aos 13 anos e de cinco
escolas diferentes de Macau, dão vida à adaptação para teatro da obra de Carlos
Alberto Silva “A Revolta dos Lusecos”, numa iniciativa da Sílaba – Associação
Educativa e Literária (Sílaba – AEL), que transporta para palco os valores de
Abril, numa abordagem pensada para o público infantojuvenil.
“Quisemos integrar a história dando uma lição de
cidadania e mostrar que as crianças e jovens não estão fora da história, que
podem ter um papel, podem questionar, podem agir. Acreditamos que essa ideia é
importante em Macau, onde as referências históricas são outras, este tipo de
leitura abre espaço para pensar identidade e liberdade”, disse à Lusa a
presidente da Sílaba – AEL, Susana Diniz, responsável pela adaptação do texto.
Entre as crianças – três portuguesas e 12 chinesas – nem
todas têm o português como língua materna. Mas aqui quer-se construir algo
comum: “Há crianças de diferentes origens linguísticas e culturais a
trabalharem em português e a criarem juntas uma peça. Para nós, isso é uma das
maiores conquistas”, afirmou.
O que “dá espessura ao uso da língua”, frisou ainda a
responsável, não é apenas a aprendizagem de gramática ou vocabulário, mas
também da cultura.
Em relação ao trabalho com as crianças, tratou-se de um
processo “gradual e cuidadoso”, que, numa primeira fase, passou pela
contextualização da “história de forma simples”, ao explicar o que foi o Estado
Novo, a falta de liberdades ou a censura.
Num momento seguinte, com a aproximação das crianças às
personagens, ajudou-se a que entendessem o que representava o medo, a esperança
ou a vontade de mudança. Foi “enriquecedor ver como se apropriaram do tema”,
constatou Susana Diniz.
E porquê “A Revolta dos Lusecos”? A obra de Carlos
Alberto Silva foi o primeiro livro divulgado, em 2024, pela Dinis Caixapiz, um
projeto da Sílaba que envolve a subscrição de uma caixa de livros infantis com
uma revista exclusiva.
“Há uma preocupação constante em tornar a aprendizagem
mais concreta, mais viva. Quando trabalhamos um livro pensamos sempre no que
mais pode nascer dali”, acrescentou.
Na obra de Carlos Alberto Silva apresenta-se um país
cinza, dominado pelos “glutões” e onde os “lusecos” vivem oprimidos – até que
um dia soldados decidem organizar uma revolta.
“Por um lado, estamos a trabalhar um momento importante
da história recente de Portugal, a transição para a democracia, de forma
acessível. Por outro, é um tema que cruza o percurso escolar dos alunos e
juntar estas duas dimensões – conteúdo e experiência – fez todo o sentido”,
ainda de acordo com a presidente da Sílaba, que levou a cabo a encenação, com
apoio de outros membros da associação.
A peça, que integra ainda música e imagens projetadas,
sobe ao palco este sábado às 18:00 no auditório Stanley Ho, no edifício do
Consulado-geral de Portugal em Macau. A entrada é gratuita. In “Jornal
Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”
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