Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Suíça - Enfermeiros exaustos deixam os seus empregos a cada mês

Quase 300 enfermeiros na Suíça deixam os seus empregos todos os meses, principalmente devido às difíceis condições de trabalho. Esse fenómeno também afeta os jovens recém-formados e representa um grande desafio para os hospitais suíços

Altas cargas de trabalho, baixa remuneração, dificuldade de conciliar a vida pessoal e profissional: as condições de trabalho dos enfermeiros estão cada vez mais levando-os a deixar os seus empregos. De acordo com o último relatório do Observatoire de la santé, 36% dos jovens enfermeiros com idade entre 20 e 24 anos abandonam a profissão durante os seus primeiros anos de trabalho.

"Nunca adaptamos a carga de trabalho, nunca adicionamos alguém quando o serviço está muito pesado, quando falta alguém, não o substituímos", disse anonimamente uma enfermeira que está no cargo há menos de um ano num grande hospital da Suíça francófona.

"Não consigo imaginar-me neste emprego daqui a cinco anos, neste ritmo", disse ela. "Então, sim, eu penso com frequência em mudar de emprego. Todos os meus colegas estão a pensar em mudar de emprego, e há saídas regulares.

Apoio dos colegas

As condições de trabalho não melhoram. Diante deste êxodo, alguns estabelecimentos estão a tentar encontrar soluções. No CHUV, foi criado um comité de jovens. Esse órgão oferece apoio de colegas aos recém-formados.

"Criamos dois questionários por ano entre os novos funcionários para saber como as pessoas estão se sentindo. A ideia é ter uma rede de segurança em termos de problemas psicológicos ou físicos, ou quaisquer outras questões, para que possamos dar o alarme", explica Wassim Jerbia, enfermeiro do CHUV.

Apesar das dificuldades, a profissão continua a atrair vocações. As matrículas permanecem estáveis, como é o caso da Haute école de santé La Source. "O que me interessa é a função de pessoa capacitada", diz a estudante de enfermagem Lorraine Brandt. "Estou realmente esperançosa com relação à iniciativa para uma assistência de enfermagem forte. As coisas estão no caminho certo para a mudança. De qualquer forma, esperamos vê-las evoluir."

Mais formação

A iniciativa de enfermagem inclui uma ofensiva de formação. Ela deve ser implementada em 2024 e disponibilizará quase mil milhões de dólares para formar mais enfermeiros.

Essa implementação é aguardada com ansiedade pela La Source. "Formamos 300 alunos. Para atender às necessidades do mercado, precisamos formar pelo menos o dobro", calcula Stéphane Cosandey, diretor da La Source.

"A iniciativa aliviará a pressão sobre o sistema agora. O que precisamos fazer com inteligência é garantir que essas medidas sejam sustentáveis. E esse é o trabalho da Confederação e dos cantões, trabalhando com as instituições."

Num momento em que há uma escassez crónica de pessoal de saúde, reter os jovens é um grande desafio. Na Suíça, há quase 7000 vagas de enfermagem a serem preenchidas. In “Swissinfo” - Suíça


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

OIT – Trabalho forçado no Brasil

Centenas de trabalhadores brasileiros foram resgatados pelo menos duas vezes da escravidão nos últimos 15 anos. O Observatório Digital do Trabalho da Escravidão no Brasil, um projeto conjunto da OIT e do Ministério Público do Trabalho, publicou novos dados sobre a escravidão laboral no país



Brasília - No Brasil, mais de 35 mil pessoas foram resgatadas da escravidão laboral nos últimos 15 anos, mas mais de 600 acabaram a trabalhar em condições semelhantes pelo menos por uma segunda vez.

Isto significa que 1,73 por cento dos 35 341 trabalhadores resgatados da escravidão no país entre 2003 e 2017 foram vítimas de escravidão laboral pelo menos uma segunda vez. Destes, 22 foram resgatados três vezes e outros quatro foram resgatados quatro vezes.

Os trabalhadores que têm dificuldades em aceder aos serviços públicos, especialmente à educação, estão mais expostos ao risco de exploração e escravidão. As hipóteses de uma pessoa voltar a trabalhar em condições de escravidão são maiores entre os que têm baixo nível de educação e a taxa entre os trabalhadores analfabetos é duas vezes maior que a daqueles que terminaram a escola primária.

De acordo com o Código Penal brasileiro, a escravidão é caracterizada por condições degradantes, esforço de trabalho, trabalho forçado e servidão por dívidas.

Este problema esteve no centro das atenções nos últimos meses, depois duma diretriz governamental ter sido aprovada em outubro de 2017 como um enfraquecimento da legislação atual, mas foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal na sequência de críticas generalizadas. Em dezembro, o governo emitiu uma nova diretriz mais rigorosa que reintegrou a definição de trabalho forçado no âmbito do Código Penal brasileiro.

O novo documento indica claramente que a escravidão é uma violação dos direitos fundamentais e da dignidade dos trabalhadores. Estabelece que as vítimas devem beneficiar dos serviços públicos, enfatizando os grupos mais vulneráveis, como trabalhadores estrangeiros, trabalhadores domésticos e vítimas de exploração sexual. Organização Internacional do Trabalho