Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Internacional - Educação é fundamental para conhecimento e garantia dos direitos humanos

Segundo Caren Ruotti, vivenciar os direitos humanos na prática é essencial para que crianças e adolescentes consigam transformar os ambientes à sua volta


No dia 10 de dezembro, a Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 75 anos. Na oportunidade, o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP lançou um caderno sobre educação em direitos humanos, resultado de um projeto desenvolvido em escolas desde 2017.

A Declaração é um conjunto de direitos universais, que reconhecem o mesmo valor e dignidade para todas as pessoas. Caren Ruotti, pesquisadora do Projeto Observatório de Educação em Direitos Humanos nas Escolas (PODHE) do Núcleo de Estudos da Violência e autora principal da publicação, explica a importância dos direitos humanos para todos os cidadãos e como isso pode ser aplicado para a educação.

Batalha contínua

A Declaração foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, em 10 de dezembro de 1948, através de uma resolução com uma norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações. Segundo Caren, esse é um documento que surge após a Segunda Guerra Mundial (1937-1945) e que foi criado em cenário de extrema barbárie. “Essa reunião de países serviu para reconhecermos o que foi essa barbárie e o que não podemos repetir daqui para frente”, afirma a pesquisadora.

Na teoria, todos os países signatários da Declaração se comprometeram em aplicá-la, mas ainda existem muitos desafios para a garantia e implementação desses direitos. A pesquisadora aponta que, ao marco legal, a Declaração garante que os indivíduos tenham para onde recorrer, caso seus direitos sejam violados. Entretanto, não existe certeza que essa lei garanta direitos para todos.

Educação e direitos humanos

A pesquisadora ressalta a importância da educação para que os direitos sejam sempre respeitados e que situações de brutalidade não se tornem parte do cotidiano. O projeto Observatório de Direitos Humanos em Escolas faz parte do Núcleo de Estudos da Violência e busca implementar, na prática, os direitos humanos no cotidiano de adolescentes.

“A gente acredita muito na vivência de direitos humanos, então precisamos levar para as escolas que existem esses direitos, que todos precisam conhecê-los, e que eles precisam ser garantidos”, pontua a especialista. A escola é um ambiente que não está alheio às violências sociais e é importante que os direitos também sejam respeitados nesse cotidiano.

O projeto trabalha com duas escolas, localizadas na Brasilândia e no Jardim Ângela, através de oficinas, em conjunto com os professores. O período escolar dos alunos participantes varia entre o sexto ano do ensino fundamental e o primeiro ano do ensino médio, o que Caren classifica como um desafio, por conta das diferentes faixas etárias e vivências. “A gente acredita que, quanto antes levarmos esse conhecimento para as crianças e adolescentes, mais produzimos resultados”, exemplifica.  As oficinas são realizadas semanalmente e os temas trabalhados servem para demonstrar aos participantes a importância dos direitos humanos.

Metodologia

O projeto trabalha com três eixos principais. O primeiro é a sensibilização, momento em que as crianças e adolescentes conhecem o que são os direitos humanos e suas implicações. O segundo eixo diz respeito à vivência e formação, em que os profissionais aprofundam algumas temáticas importantes.

O terceiro é o monitoramento de direitos e transformação, em que os estudantes identificam, em seu cotidiano, possíveis direitos violados e o que pode ser feito para melhorar esse cenário. “A gente não para no reconhecimento do problema; procuramos, junto com esses estudantes e professores, achar meios de transformação dos ambientes dessas pessoas”, acrescenta a pesquisadora.

O caderno lançado pelo Núcleo de Estudos da Violência, segundo Caren, apresenta a trajetória do projeto, fundamenta teoricamente o que é uma educação em direitos humanos, os marcos legais nacionais que garantem e indicam a importância dessa educação, as dificuldades para a implementação da cultura dos direitos humanos e os resultados da ação. In “Jornal da Universidade de São Paulo” - Brasil


segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Venezuela - Recorda papel dos “corajosos portugueses” que ajudaram judeus

Uma exposição sobre o Holocausto na Venezuela tenta sensibilizar novas gerações para os perigos do extremismo e serve de pretexto para recordar “homens corajosos” como diplomatas portugueses que ajudaram judeus a salvar-se


“É importante lembrar aqueles milhões de vítimas do Holocausto, mas às vezes esquecemo-nos dos filhos e dos sobreviventes. E [lembrar] Portugal, através de ações de diplomatas portugueses que lutaram, e que correndo o risco de perder a sua vida, deram o seu apoio”, disse à Lusa o presidente da organização venezuelana Espacio Anna Frank (EAF), Milos Alcalay.

Milos Alcalay falou à Agência Lusa à margem da exposição fotográfica “In Memoriam 2023”, uma de várias iniciativas do EAF para recordar o Holocausto e sensibilizar as novas gerações sobre os perigos da existência de situações que podem levar a conflitos e ao ódio

“É importante recordar a coragem dos diplomatas portugueses, a coragem de homens e mulheres de Portugal que ajudaram, não só através da documentação, mas também albergando crianças cujos pais os avós tinham sido exterminados, e que nas suas casas conseguiram, juntos, com amor, a construção, a sobrevivência”, disse Milos Alcalay.

O antigo representante permanente da Venezuela na ONU apontou que foi “embaixador em Israel” e que uma das coisas que mais o impressionou “foi que no monumento (museu) a Yad Vashem, que é a memória do Holocausto, a entrada principal está orientada para lembrar o testemunho de homens” como os diplomatas Aristides Sousa Mendes ou Carlos Sampaio Garrido.

Por outro lado, expressou a “grande admiração” dos venezuelanos pela imigração portuguesa, sublinhando que “trouxeram à Venezuela toda a esperança de construir um mundo melhor” quando na Europa “as dificuldades económicas, políticas e sociais, procuravam espaços”.

“Muitos países, entre eles a Venezuela, se privilegiaram com a presença portuguesa, que encontrou um espaço, que ajudou muito ao desenvolvimento da Venezuela em esperança. Lamentavelmente, no mundo de hoje, temos tido situações nas quais, às vezes parece que retornamos aos conflitos, ao ódio, ao confronto”, disse o diplomata.

O investigador Nestor Garrido disse à Lusa que “Portugal foi um porto de saída para muitos refugiados que tentavam fugir do nazismo na época do Holocausto”.

“Temos dois embaixadores (portugueses) que fizeram um trabalho de resgate de muitos refugiados: Aristides de Sousa Mendes e Carlos Garrido Sampaio. Eles fizeram um trabalho muito importante para deixar passar as pessoas que fugiam para a América desde os portos portugueses”, disse o professor.

Segundo Nestor Garrido, “alguns refugiados ficaram em Portugal e hoje as comunidades judias de Portugal (Lisboa e Porto), estão constituídas principalmente por pessoas que foram para Portugal na época do nazismo”.

Criticou ainda que se façam “comparações que são más para a divulgação correta da história”, como quando na imprensa se diz que “qualquer coisa é um genocídio, que qualquer coisa é um holocausto e realmente não é”.

Nestor Garrido referiu que a ONU pediu para lembrar as vítimas do Holocausto a cada 27 de janeiro, sublinhando que “quem não lembra também corre o perigo de repetir o que aconteceu”.

“O Holocausto não é apenas um acontecimento histórico, tem também a ver com a vida de nós, porque o que originou, o que gerou o Holocausto ainda está a existir. Os preconceitos e a intolerância são dos maiores perigos que tem a sociedade atual. Cada dia os riscos e os preconceitos mudam, portanto, as pessoas têm de estar muito conscientes do que acontece”, frisou. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Guiné-Bissau - Fundação Catarina Taborda doa jogos de biberões às crianças recém-nascidas na Maternidade do Hospital Simão Mendes

Bissau – A Fundação Catarina Taborda procedeu à entrega de jogos de biberões e outros acessórios para os bebés recém-nascidos na Maternidade do Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau.

Em declarações à imprensa após a entrega do referido donativo, a presidente da referida Fundação na pessoa da própria Catarina Taborda disse que o gesto se enquadra nas acções que estão a levar a cabo no âmbito de sensibilização das mulheres sobre a existência do cancro da mama.

“Na semana passada estivemos no Centro Prisional da Polícia Judiciária de Bandim, onde mantivemos encontro com as nossas irmãs prisioneiras e lhes sensibilizámos sobre a existência e formas de prevenção de cancro da mama. E hoje estamos aqui na Maternidade do Hospital Simão Mendes com o mesmo objectivo”, informou.

Catarina Taborda salientou que a visita que efectuaram à Maternidade não serve apenas para fazer a doação de jogos de biberões aos recém-nascidos, mas também para falar às mães da importância da amamentação.

Aquela responsável disse na ocasião que o leite materno, para além de ser benéfico, reduz a probabilidade de desenvolvimento do cancro da mama. Ou seja, diminui a capacidade de crescimento da célula que origina a doença.

Disse que, em cada dez mulheres em todo o mundo, três desenvolveram o cancro, de acordo com os estudos recentes.

Garantiu que a Fundação vai continuar com acções de sensibilização para alertar as pessoas sobre a existência da doença, frisando que existem formas do seu diagnóstico precoce para o seu tratamento.

Catarina Taborda lamentou a inexistência no país, de um Programa Nacional visando a luta contra o cancro da mama, tendo apelado a uma atenção especial a todas as entidades competentes para dar importância à doença para que as pessoas comecem a ganhar consciência sobre o seu perigo.

A enfermeira-chefe da Maternidade do Hospital Nacional Simão Mendes, Lígia Sampaio Vieira, reconheceu que o cancro da mama é uma patologia que está a causar preocupações às autoridades sanitárias do país, tendo em conta que está a aumentar a cada dia que passa.

“Agradeço a Catarina Taborda pelo gesto da Fundação que dirige e peço-lhe para continuar com o acto, em prol das nossas mulheres e bebés, e para que outras instituições tenham o mesmo gesto”, disse. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

 

quinta-feira, 7 de março de 2019

Moçambique – Água potável um bem escasso

Peças de teatro sensibilizam sobre uso racional da água

A Águas da Região de Maputo (AdeM) está a levar a cabo acções de sensibilização, através do teatro, para o uso racional da água e promoção de boas práticas com vista à gestão eficiente do líquido precioso.

Trata-se de uma medida que visa mitigar a falta de água, derivada da escassez da chuva, que afecta, especificamente, a região sul do País nos últimos anos, o que tem levado a AdeM a apelar para uma melhor gestão no fornecimento e consumo da água a todos os níveis.

A sensibilização, que consiste na encenação de uma curta peça teatral com três personagens, é promovida nas lojas e balcões de atendimento da AdeM nas cidades de Maputo, Matola e no distrito de Boane, e tem como público-alvo clientes, consumidores e a sociedade, no geral.

Através desta iniciativa, conforme explicou Afonso Mahumane, porta-voz da Águas da Região de Maputo, espera-se que as pessoas se consciencializem sobre a necessidade de fazer o uso racional da água.

Mais do que o uso racional, acrescentou, “é necessário que se faça, sempre que possível, o uso repetido da água disponível. Por exemplo, a água que resta depois de lavarmos a roupa pode servir para limpar o chão ou para pôr no autoclismo”, sublinhou o porta-voz, que apontou, igualmente, a conservação e reaproveitamento da água da chuva, como uma forma de evitar o desperdício deste importante recurso.

Para além do teatro, a Águas da Região de Maputo está a disseminar, através de diversas actividades e meios (panfletos, meios de comunicação social, entre outros), informações com vista à criação de uma nova mentalidade na utilização e poupança de água.

De realçar que o fornecimento de água da rede pública está a ser feito em regime de restrições desde 2017, na sequência da seca prolongada que se regista na bacia do Umbelúzi, que abastece as cidades de Maputo e Matola e ainda o distrito de Boane.

Esta acção prolongar-se-á por um período de 30 dias e abrangerá as 22 lojas de atendimento espalhadas pelos três municípios anteriormente mencionados. In “Olá Moçambique” - Moçambique