Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Macau - Natalie Lao apresenta “A Simplicidade na Era da Exuberância”

Um total de 19 pinturas em seda e papel que recriam influências orientais a partir de uma visão contemporânea estarão patentes nas paredes da galeria da Fundação Rui Cunha até dia 28 de Janeiro. Segundo a artista, os “conceitos de design contraditórios sempre foram uma fonte de inspiração para as suas criações”. Ao Ponto Final, confessou-se “nervosa” por mais uma exposição apesar de andar há muitos anos nestas andanças artísticas


A pintora chinesa Natalie Lao, radicada em Macau há mais de 40 anos, inaugurou a exposição de pintura “A Simplicidade na Era da Exuberância” [The Pure in Golden Age] na galeria da Fundação Rui Cunha, onde reúne 19 pinturas em seda e papel, todas produzidas em 2022, que recriam influências orientais a partir de uma visão contemporânea. De acordo com palavras da artista, os “conceitos de design contraditórios sempre foram uma fonte de inspiração para as suas criações”.

A artista, que se apresenta pela segunda vez numa exposição individual apesar de já ter participado em diversas colectivas, confessou ao Ponto Final que, apesar de não ser uma estreia, estes momentos deixam-na sempre “nervosa”. Natalie pretende agora vender o maior número possível de obras que vão desde as 3500 às 42 mil patacas, conforme constatámos na folha de sala disponível durante a cerimónia de inauguração.

Natalie Lao “utiliza diferentes elementos de imagem nas suas obras para expressar opiniões sobre a impermanência e a mudança das coisas no mundo, advertindo-se a si mesma para não ser obstinada e persistente”, revela a sinopse do projecto que estará patente até dia 28 de Janeiro.

A artista explica ainda ao nosso jornal que a pincelada fina usada na sua arte “imita o padrão dos lenços de seda e aplica-os na sua obra”. Já “a sobreposição visual de dois elementos faz com que as pessoas entendam a relação primária e secundária da pintura. Pensando e transmitindo as ideias com perfeição”.

Natalie Lao usa uma espécie de “alucinações visuais” para despertar as pessoas para uma discussão sobre a verdade e a falsidade do que vêem. “Cortinas e tecidos de seda podem desempenhar um papel na cobertura de objectos. Quando ela usa esses símbolos de imagem nas suas obras, é também para expressar a relação contraditória do que vai no seu coração, espera que os outros a leiam e entendam, ao mesmo tempo que teme o impacto de ser notada”, pode ainda ler-se na mesma sinopse.

Natural de Heshan, no sul da província de Guangdong, Natalie Lao formou-se em 2016 na Escola Superior de Belas Artes da Universidade Politécnica de Macau (UPM), completando o programa de licenciatura em Artes Visuais (com especialização em pintura chinesa). Em 2017 avançou para o curso de formação avançada da Academia de Belas Artes de Cantão, em pintura de flores e pássaros. Actualmente, a artista é vice-presidente e directora executiva da Macau Yiyuan Painting and Calligraphy Association, e, igualmente, vice-presidente da Hao Jiang Printing Society. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Alemanha - Fios sintéticos finalmente alcançam a força da seda de aranha



Resistência e tenacidade

Superando o histórico conflito entre alta resistência e tenacidade no design de materiais, pesquisadores alemães conseguiram finalmente fabricar um fio polimérico sintético com propriedades mecânicas raramente vistas fora do mundo natural.

O desenvolvimento promete abrir novos caminhos para o projeto e fabricação de fibras poliméricas biomiméticas fortes e resistentes, úteis em uma ampla variedade de aplicações, incluindo biomedicina, tecnologia espacial e têxtil.

Para a maioria dos materiais sintéticos, existe um equilíbrio excludente entre resistência e tenacidade, uma limitação que representa um desafio tecnológico de longa data, cuja solução promete a criação de novas classes de materiais avançados.

A seda de aranha natural, por exemplo, é tipicamente citada por sua resistência incomparável à deformação (alta resistência) e à fratura (alta tenacidade); no entanto, a capacidade de criar fibras sintéticas que imitem as propriedades mecânicas das fibras naturais das aranhas tem-se mostrado um desafio difícil de superar.

Nanofibras sintéticas individuais, que são simultaneamente fortes e resistentes, já foram criadas a partir de polímeros pelo processo de eletrofiação, mas os fios são extremamente finos e não se mostraram adequados até agora para aplicações no mundo real.



Seda de aranha artificial

Xiaojian Liao e seus colegas da Universidade de Bayreuth resolveram o problema modificando o processo de fabricação baseado na eletrofiação. Em seus experimentos, eles usaram fios de co-metilacrilato de poliacrilonitrila modificados com uma pequena quantidade de poli(bisazida de etileno glicol (PEG-BA)).

A seguir, os fios foram esticados sob calor e deixados esfriar lentamente sob tensão.

Segundo os autores, esse processo de recozimento alinha as pequenas fibras do fio e as interliga através das moléculas PEG-BA, dando ao fio resultante propriedades comparáveis às da seda de aranha natural.

A equipe pretende partir agora para fabricar quantidades maiores do material e testar seu uso em aplicações reais. O desenvolvimento contou com a participação da química brasileira Juliana Martins de Souza, formada pela Unicamp. In “Inovação Tecnológica” - Brasil

Bibliografia:

Artigo: High strength in combination with high toughness in robust and sustainable polymeric materials
Autores: Xiaojian Liao, Martin Dulle, Juliana Martins de Souza e Silva, Ralf B. Wehrspohn, Seema Agarwal, Stephan Förster, Haoqing Hou, Paul Smith, Andreas Greiner
Revista: Science
Vol.: 366 Issue 6471 pp. 1376-1379
DOI: 10.1126/science.aay9033

sábado, 2 de junho de 2018

Azerbaijão – Lenço histórico é ícone da moda



O lenço de seda “kelagayi”, peça de roupa tradicional das mulheres do Azerbaijão, é uma das marcas da identidade nacional, reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade desde 2014.

“O ‘kelagayi’ é um trabalho artesanal único. Em primeiro lugar, porque se distingue pelos materiais da sua confecção, as diferentes variedades de seda fina”, explicou Eldar Mikailzade, pintor, vendedor de tapetes e especialista em arte do Azerbaijão, em declarações à agência EFE.

Segundo Eldar, o lenço produz uma beleza estética ao incluir no seu design elementos ornamentais do Azerbaijão, como a “buta” (lágrima curva), pássaros ou flores. “Todas as regiões do país têm variantes únicas do ‘kelagayi’”, acrescentou.

Além de ser um complemento fundamental no armário das azerbaijanas, este acessório também está a tornar-se cada vez mais popular entre as turistas que visitam o país de maioria muçulmana, banhado pelo mar Cáspio.

“Ao contrário de outros acessórios usados na cabeça, o ‘kelagayi’ cai bem em todas as mulheres, por isso, é muito procurado pelas turistas”, destacou o especialista.

À parte estética junta-se o valor prático dos lenços de seda do Azerbaijão, pois protegem do frio e do calor, dependendo da estação do ano, e têm longa durabilidade. “A seda é caracterizada por ser um material durável, e as donas deste acessório, que combina tradição com moda, podem gabar-se disso por muito tempo”, conclui.

As cores dos lenços também têm um significado: mulheres mais velhas usam o “kelagayi” preto como sinal de luto e, no dia-a-dia, costumam cobrir a cabeça com o branco. Nos casamentos tradicionais, a noiva é coberta com um modelo vermelho. Porém, entre as jovens, também são muito populares as cores azul, roxo e verde.

Antigamente, os lenços tinham forma quadrada e um tamanho padrão de 150 x 150 centímetros, mas hoje essas regras já não são aplicadas com tanto rigor no processo de fabrico.

Na montanhosa aldeia de Basgal, 150 quilómetros a noroeste da capital Baku, situa-se um dos centros de produção dos “kelagayi”, onde cada artesão pode confeccionar cerca de 15 lenços por dia, dependendo da procura.

O artesão Abbasali Talíbov herdou a técnica de fabrico do pai e avô, passando-a agora ao filho de 16 anos. Segundo explicou, para decorar um lenço, é usado um molde especial e o desenho é impresso com cera sobre a seda, sendo o resto do “kelagayi” tingido com a cor principal.

Alguns moldes de aço e madeira foram preservados desde tempos imemoriais e guardam uma mensagem especial. A grande “buta”, por exemplo, simboliza o Sol e a realização dos desejos, e a dupla “buta” amor e fidelidade.

Segundo os artesãos, o mestre expressa geralmente no lenço os desejos para a sua futura mulher, pelo que não há dois “kelagayi” iguais.

Em Basgal, os turistas podem também visitar o museu do lenço do Azerbaijão, para aprender sobre a sua história e até assistir ao processo de fabrico.

Segundo a chefe do Departamento de Género e Psicologia Aplicada da Universidade Estadual de Baku, o “kelagayi” simboliza “a honra das mulheres do Azerbaijão, a paz e o bem-estar”. Rena Ibraguimbekova lembra que estudos realizados no final dos anos 90 concluíram que a arte do “kelagayi” estava a perder-se, porém, com o apoio das autoridades, a antiga peça voltou a ganhar vida.

A inscrição na lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO representou o estímulo definitivo que devolveu o lenço de seda ao quotidiano da sociedade azerbaijana. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau