Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Macau - Cáritas pede mais atenção à saúde mental da população que não fala chinês

A Cáritas alertou para o bem-estar mental da população que não fala chinês, após um aumento de 86% nos pedidos de ajuda ‘online’ em 2025. Nesse ano, o serviço recebeu 138 pedidos de ajuda ‘online’ através do serviço em inglês, mais 86%. Os pedidos de assistência telefónica também cresceram, atingindo 98, um aumento de 17%


A Cáritas Macau pediu maior atenção para o bem-estar mental da população que não fala chinês, após um aumento de 86% nos pedidos de ajuda ‘online’ em 2025. Os Serviços de Prevenção do Suicídio da Cáritas operam uma linha de apoio em cantonês, mandarim, português e inglês.

No ano passado, o serviço recebeu 138 pedidos de ajuda ‘online’ através do serviço em inglês, mais 86%. Os pedidos de assistência telefónica também cresceram, atingindo 98, um aumento de 17%. “A maioria dos não falantes de chinês sente-se sozinha em Macau. Devemos preocupar-nos mais com eles”, disse Benedict Lok, conselheiro do serviço.

Os pedidos de ajuda vieram de pessoas com origens diversas, incluindo Países Baixos, Filipinas, Canadá, Estados Unidos, Índia e da comunidade macaense. Os macaenses são uma comunidade euro-asiática, a maioria dos quais lusodescendentes, com raízes no território. Lok indicou que 30% dos pedidos estavam relacionados com o acesso a recursos comunitários, 14% envolviam temas ligados ao suicídio, e 2% eram de indivíduos “que simplesmente se sentiam sozinhos e procuravam alguém com quem conversar”. “Normalmente, à noite, as pessoas sentem-se mais emocionais. Mais de metade dos pedidos acontecem entre as 16:00 e a meia-noite”, notou Lok. “Alguns deles só querem falar em inglês, sentindo que se podem expressar melhor,” explicou.

Dados oficiais indicam que existem 57.688 habitantes cuja nacionalidade não é nem chinesa nem portuguesa, representando 8,5% da população. Os censos de 2021 indicam mais de 2200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

O director da Cáritas Macau, Paul Pun, explicou que a população que nasceu fora da China geralmente prefere consultas presenciais. “Até agora, os nossos voluntários que sabem línguas estrangeiras também sabem chinês, o que é suficiente para ajudar a maioria deles. Mas, claro, quanto mais [voluntários], melhor”, disse à Lusa.

Os Serviços de Prevenção do Suicídio da instituição são apoiados por mais de 90 voluntários e dez funcionários a tempo inteiro. Dentro deste grupo, 20 voluntários e três trabalhadores a tempo inteiro são proficientes em línguas estrangeiras. Pun expressou o desejo de expandir a equipa.

Na primeira metade de 2025 houve pelo menos 101 tentativas de suicídio, incluindo 14 crianças dos 5 aos 14 anos, o dobro do registado no mesmo período de 2024, avançou em Outubro a emissora pública do território. Ainda de acordo com o canal de língua portuguesa da TDM – Teledifusão de Macau, desde que saíram, no final de maio, os dados sobre suicídios entre janeiro e março, os Serviços de Saúde não voltaram a divulgar esta estatística, habitualmente publicada de forma trimestral. No mais recente balanço, Macau registou 18 mortes por suicídio, menos quatro do que nos primeiros três meses de 2024. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


domingo, 23 de fevereiro de 2025

Canadá - Comunidade portuguesa une-se por causa solidária

A comunidade portuguesa no Canadá está a unir esforços para um torneio de ténis de mesa dedicado à saúde mental, um evento solidário que decorrerá em 6 de março, em Toronto



“Sabemos que os problemas de saúde mental afetam toda a sociedade, incluindo a comunidade portuguesa no Canadá. Todos conhecemos alguém que lida com depressão, ansiedade ou isolamento. O torneio nasceu da necessidade de criar um espaço onde pudéssemos sensibilizar, angariar fundos e, ao mesmo tempo, proporcionar um momento de convívio,” afirmou Wilson Teixeira, membro do Conselho da Diáspora Portuguesa e um dos organizadores do evento.

“Queremos que esta iniciativa seja mais do que um torneio de ténis de mesa. O nosso objetivo é envolver a comunidade e demonstrar que a saúde mental deve ser uma prioridade. Além disso, esta é uma forma de mostrar a força da comunidade portuguesa no Canadá e a sua capacidade de se unir por causas importantes,” acrescentou Teixeira.

Entre os organizadores encontram-se também Andrew Oliveira, Christianne Teixeira, Erika Melo, Jason Prazeres, Michael Mancinelli, Saverio Repole e Victoria Mancinelli.

O ‘Paddle Battle’ conta ainda com o apoio de diversas empresas ligadas à comunidade portuguesa, incluindo a LiUNA Local 183, o maior sindicato da construção civil na América do Norte.

A iniciativa solidária teve a sua primeira edição em 2016, com uma segunda edição em 2017.

Após uma pausa devido à pandemia, a organização decidiu retomar a iniciativa, reconhecendo os desafios acrescidos que a covid-19 trouxe para a saúde mental.

Os fundos angariados serão destinados a quatro instituições: Kids Help Phone, Canadian Mental Health Association, Jack.org e Luso Canadian Charitable Society.

“A Kids Help Phone presta apoio a jovens que enfrentam dificuldades emocionais, a Canadian Mental Health Association oferece assistência a pessoas de todas as idades, a Jack.org aposta na formação de jovens para identificar sinais de alerta entre os seus pares, e a Luso Charities trabalha diretamente com a comunidade portuguesa, apoiando famílias e cuidadores que lidam diariamente com desafios emocionais,” explicou Teixeira.

O torneio terá ainda uma componente festiva, com prémios para as equipas vencedoras, os maiores angariadores de fundos e os participantes com os melhores trajes, num espírito de Carnaval.

“A nossa ideia é que as equipas escolham um tema e se apresentem com trajes alusivos. Mais do que a competição, queremos que os participantes se divirtam e criem laços com a comunidade,” disse Teixeira.

A organização já ultrapassou a meta inicial de aproximadamente 160 mil dólares canadianos (150 mil euros), e espera-se que o valor final supere os 180 mil dólares canadianos (170 mil euros).

As inscrições para o torneio e as doações podem ser feitas através do sítio oficial, paddlebattle.ca.

“O envolvimento da comunidade portuguesa tem sido essencial para o sucesso deste torneio. Queremos que esta iniciativa continue a crescer e, no futuro, possa expandir-se para outras cidades da América do Norte,” concluiu Teixeira. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 3 de abril de 2024

Macau - Festival Letras & Companhia regressa com foco na saúde mental

O festival literário e cultural Letras & Companhia está de volta e esta edição terá como tema a saúde mental. A iniciativa, organizada pelo Instituto Português do Oriente – IPOR, vai decorrer entre os dias 15 de Abril e 7 de Maio


“GentilMente” é o título da edição deste ano do festival literário e cultural Letras & Companhia, que regressa entre os dias 15 de Abril e 7 de Maio, e que tem como tema principal a saúde mental. Esta é a quarta edição desta iniciativa organizada pelo Instituto Português do Oriente – IPOR, em parceria com o Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e com o apoio da Fundação Galaxy Entertainment Group.

Tendo as crianças e os jovens em idade escolar como destinatários prioritários, este festival multidisciplinar “procura mobilizar e convocar eficazmente todas as faixas etárias da comunidade, das escolas e seus actores”.

Assim, o Letras & Companhia deste ano centra-se no conceito dos “Três L’s” – língua, livro e leitura. Haverá um programa aberto e outro direccionado às escolas, com actividades que vão desde a música às artes performativas, passando pelas oficinas para pais e filhos, sessões de leitura, lançamento de livros, entre outras.

A saúde mental é, então, o tema principal da edição deste ano do festival e a organização explica: “Mais do que um cenário de ausência de problemas, a saúde mental é entendida como um estado onde o indivíduo está bem o suficiente para lidar com situações, tão diversas quanto imprevisíveis, do dia-a-dia”. “Afinal, viver no mundo contemporâneo implica lidar diariamente com as complicações causadas pelo intenso ritmo da vida e pela aparente fragilidade de algumas relações, contratempos que podem prejudicar as nossas relações sociais a médio e longo prazo”, acrescenta o comunicado de imprensa.

A arte, diz a organização do festival, é uma forma adequada para ajudar a compreender e comunicar conceitos e emoções. Estudos da Organização Mundial da Saúde dizem mesmo que ouvir música, dançar, ir ao teatro ou a um museu “pode trazer benefícios duradouros à saúde emocional, além de gerar impactos positivos na autoestima”, cita a organização do Letras & Companhia.

Para a edição deste ano, o IPOR convidou a autora e ilustradora Marina Palácio para apresentar em Macau dois livros da sua autoria. Durante a sua passagem pelo território, Marina Palácio irá promover um conjunto de oficinas nas escolas e uma aberta ao público, assim como uma formação para professores.

Fará também parte do programa a apresentação do segundo volume da colecção “Contos do País do Arco-íris”, da autoria de Mário Lúcio, e “Uma Menina Chamada Nuvem”, livro editado pelo IPOR em português e chinês com ilustrações do próprio autor. Com base na história do conto, a companhia de dança Raiz di Polon, também de Cabo Verde, encenou um espectáculo com estreia em Macau. Do mesmo autor e para celebrar os seus 60 anos, Mário Lúcio realizará também um concerto com um repertório íntimo e alegre, que reúne as suas composições mais conhecidas e que retrata o seu percurso de vida.

O programa contará ainda com a participação de projectos desenvolvidos e dinamizados por Rita Gonçalves, Sandi Manhão, Andreia Martins e as psicólogas Bárbara Mota e Goreti Lima, que desenvolverão oficinas de ioga, de aromaterapia, de gestão de emoções, de arte associada à terapia emocional, entre outras. À imagem da edição de 2022, este ano será também realizada uma exposição, intitulada “O que senti durante a pandemia”, que contará com obras das escolas locais e a participação especial da designer Clara Brito com uma peça feita para a ocasião.

Ainda incluído no programa dirigido a escolas e universidades, a companhia de dança Raiz di Polon irá realizar um conjunto de oficinas de dança e expressão corporal. As psicólogas Bárbara Mota e Goreti Lima dinamizarão sessões de gestão de emoções e ioga do riso, e o escritor Mário Lúcio visitará a Escola Portuguesa de Macau para um encontro com os mais pequenos.

Serão ainda apresentados dois livros de autores locais: a versão em português do livro de Christopher Chu e Maggie Hoi intitulado “Macau’s Historical Witnesses” e a edição de autor infantojuvenil “I Want to be Happy” de Mikel Ko. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Finlândia - Viagens regulares ao parque podem reduzir a dependência de antidepressivos


Visitar espaços verdes pode reduzir drasticamente o uso de drogas para a saúde mental, descobriu uma pesquisa.

Ir a um parque, jardim comunitário ou outro espaço verde urbano entre três e quatro vezes por semana pode reduzir em um terço as possibilidades de as pessoas tomarem remédios para ansiedade ou depressão.

O impacto positivo - documentado por investigadores do Instituto Finlandês de Saúde e Bem-Estar - também se estende à saúde física.

Visitar espaços verdes reduz em um terço e um quarto as possibilidades de um morador da cidade tomar remédios para asma ou pressão alta, respectivamente.

“Acumular evidências científicas que apoiem os benefícios para a saúde da exposição à natureza provavelmente aumentará a oferta de espaços verdes de alta qualidade em ambientes urbanos e promoverá o seu uso ativo”, escrevem os investigadores.

Por que os espaços verdes são bons para a saúde mental?

Mais da metade da população mundial vive em cidades. Até 2030, estima a ONU, esse número aumentará para 60% da população mundial - e uma em cada três pessoas viverá numa cidade com mais de meio milhão de habitantes.

Mas um aumento de dados de investigação sugere que a falta de acesso à natureza tem um impacto negativo na saúde física e mental.

Os investigadores finlandeses entrevistaram 16000 residentes de Helsínquia e arredores.

Os entrevistados foram questionados sobre a frequência com que visitavam espaços verdes – incluindo não apenas florestas e parques, mas pântanos, cemitérios e jardins zoológicos – e “áreas azuis” como lagos.

Os investigadores também coletaram informações dos entrevistados sobre quantos medicamentos prescritos eles tomaram. Isso foi usado como uma indicação geral de saúde mental e física.

A correlação entre o tempo na natureza e o uso de drogas era gritante. Um residente que visita um espaço verde três ou quatro vezes por semana tem 33% menos probabilidade de usar medicamentos para saúde mental e 26% menos probabilidade de usar medicamentos para asma.

Os impactos não foram uniformemente distribuídos. O impacto das visitas aos espaços verdes foi mais pronunciado em áreas socioeconómicas mais baixas - embora as pessoas com rendimento mais baixo tendam a ter menos acesso a esses espaços.

Os espaços verdes são bons para o planeta?

Os espaços verdes são bons para a saúde. Eles também são ótimos para o planeta e ajudam as cidades a se adaptarem ao aumento das temperaturas.

Áreas urbanas - onde o cimento e asfalto absorvem os raios solares - agem como 'ilhas de calor' durante o verão. Durante as ondas de calor, a temperatura em Paris pode subir até 10 graus acima do que nas áreas rurais circundantes.

As árvores em espaços verdes fornecem sombra e libertam humidade refrescante no ar. In Euronews.green


 

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Internacional - Estudo revela que o medo da compaixão ampliou o impacto nocivo da Covid-19 na saúde mental

O medo da compaixão ampliou o impacto prejudicial da Covid-19 na saúde mental, aumentando os níveis de depressão, ansiedade e stress, revela um estudo realizado no âmbito de um projeto internacional pioneiro sobre resiliência psicológica durante a pandemia, liderado por Marcela Matos, da Universidade de Coimbra (UC).

Este consórcio, que explora a compaixão, a conexão social e a resiliência ao trauma durante a pandemia de Covid-19, ou seja, os fatores que podem aumentar ou atenuar o risco de problemas de saúde mental neste contexto, conta com a participação de cientistas de 21 países da Europa, Médio Oriente, América do Norte, América do Sul, Ásia e Oceânia.

Neste estudo em particular, já publicado na revista científica “Clinical Psychology and Psychotherapy”, o universo da amostra foi constituído por 4057 indivíduos de ambos os sexos da população geral, recrutados nos 21 países participantes.

De acordo com a coordenadora, Marcela Matos, os resultados obtidos mostram que «o medo da autocompaixão, medo da compaixão em relação aos outros e medo de receber compaixão dos outros estão associados a maiores níveis de depressão, ansiedade e stress e menor sensação de segurança e ligação aos outros», isto é, clarifica, «pessoas que têm mais medo e resistências em relação a serem sensíveis ao seu próprio sofrimento e ao dos outros e a tentarem aliviar ou prevenir sofrimento e que estão menos disponíveis para receber suporte e compaixão por parte de outras pessoas tendem a apresentar mais sintomas depressivos, de ansiedade e de stress e a sentir-se menos seguras e conectadas/ligadas às outras pessoas».

A investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) explica que, embora a compaixão possa ser um fator protetor, em oposição, «o medo da compaixão aumenta a vulnerabilidade ao sofrimento psicossocial e pode ampliar o impacto da pandemia na saúde mental».

Outra conclusão do estudo «extremamente relevante», segundo Marcela Matos, é o facto de «estes medos da compaixão e da autocompaixão amplificarem o efeito nefasto da pandemia nos níveis de depressão, ansiedade e stress. Isto significa que quanto mais medo as pessoas tiverem de ser compassivas em relação a elas mesmas e em relação aos outros e mais resistências tiverem em receber compaixão por parte dos outros, maior é o impacto do medo do vírus na sua saúde mental».

Por outro lado, acrescenta, «percebemos também que o medo de receber compaixão por parte de outras pessoas, isto é, estar menos disponível/recetivo para receber suporte, ajuda e compaixão de outras pessoas na nossa vida, é um importante fator de risco que agrava o impacto nefasto da pandemia/medo do vírus na sensação de segurança e ligação aos outros».

Face aos resultados obtidos, que são transversais aos 21 países que participaram no estudo, a investigadora defende que as autoridades de saúde pública «devem adotar intervenções e comunicações focadas na promoção da compaixão e da ligação aos outros para reduzir os medos da compaixão e, assim, promover a resiliência e o bem-estar mental durante e após a pandemia COVID-19».

A especialista do CINEICC recomenda ainda que «intervenções psicológicas de promoção/tratamento da saúde mental focadas na compaixão e baseadas em evidência empírica (como a terapia focada na compaixão ou o treino da mente compassiva), em formato individual, grupal ou na comunidade, sejam usadas para reduzir o medo da compaixão e promover a motivação e as competências compassivas e, portanto, ajudar a proteger contra dificuldades de saúde mental durante e após a pandemia». Universidade de Coimbra - Portugal

 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Portugal - Estudo conclui que a pandemia teve impacto negativo na saúde mental dos jovens

A pandemia de Covid-19 teve um significativo impacto negativo na saúde mental dos jovens portugueses, especialmente nos níveis de depressão e de ansiedade, conclui um estudo longitudinal realizado por uma equipa da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), liderada por Ana Paula Matos.

Os resultados preliminares do estudo, que conta com a colaboração de investigadores da Universidade Emory, nos Estados Unidos da América, e da Universidade da Islândia, mostram que 14% dos adolescentes, com idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos e uma média de idades de 14 anos, apresentam sintomatologia depressiva elevada (acima do percentil 90) durante a pandemia de Covid-19, uma percentagem superior à encontrada num estudo conduzido pela mesma equipa de investigadores durante a crise financeira portuguesa de 2009-2014, que era de 8%.

A equipa verificou também um aumento de emoções negativas, «como tristeza, medo e raiva, e de sintomas de ansiedade e uma descida da felicidade», sublinha Ana Paula Matos, esclarecendo que as raparigas «estiveram sempre em desvantagem, apresentando níveis de medo, tristeza e raiva significativamente mais elevados do que os rapazes».

Neste estudo longitudinal, os investigadores começaram por comparar os níveis de emocionalidade negativa e positiva vivenciados pelos jovens, antes e depois da pandemia de Covid-19, numa amostra constituída por 206 adolescentes a frequentar o 9º ano de escolaridade (51% raparigas). Verificou-se um aumento significativo da tristeza, do medo e da raiva e uma descida da felicidade.

Posteriormente, na segunda vaga da pandemia em Portugal, em novembro/dezembro, em que se verificou um aumento de casos na população mais jovem, parte da amostra (122 adolescentes) foi reavaliada, «tendo-se verificado nova subida dos níveis de medo, assim como um aumento significativo de sintomas de ansiedade, comparando os dois momentos da pandemia (1ª vaga e 2ª vaga). As raparigas apresentaram níveis significativamente mais elevados do que os rapazes, de medo, tristeza e raiva, quer antes do surto pandémico de Covid-19, quer nas duas vagas da pandemia», indica a docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC).

A equipa analisou ainda os fatores de proteção e de risco para o desenvolvimento da depressão, concluindo que «competências de autocompaixão e de mindfulness (atenção plena), uma visão mais positiva de si próprio/a e a realização de mais atividades de lazer são fatores de proteção, isto é, fatores que previnem a depressão. Pelo contrário, a sintomatologia de ansiedade constitui um fator de risco e um preditor de depressão», relata Ana Paula Matos.

Este estudo sobre o efeito da pandemia na saúde mental dos jovens integra-se no projeto SMS (“Sucesso, Mente e Saúde”), financiado pelo programa Portugal Inovação Social e pelo Município da Figueira da Foz, que tem como grande objetivo a promoção da saúde mental e o combate ao estigma social e ao insucesso escolar associados à doença mental.

Os resultados obtidos neste estudo, conclui Ana Paula Matos, «salientam a necessidade de se dotarem os jovens de mecanismos de proteção para a depressão, promovendo competências de autocompaixão e mindfulness e uma perceção mais positiva de si próprio/a. Estes são alguns dos objetivos do projeto SMS cujos resultados preliminares indicam uma redução de sintomatologia depressiva e tristeza, bem como um aumento de mecanismos de autorregulação emocional». Universidade de Coimbra - Portugal


domingo, 20 de setembro de 2020

Luxemburgo - Novo curso de ‘primeiros socorros mentais’ arranca em outubro com lotação esgotada

Promovido pela Liga Luxemburguesa de Higiene Mental o curso vai ensinar a identificar transtornos mentais, sinais de problemas psicológicos ou tendências suicidas


Os primeiros socorros não são só para vítimas de um ataque cardíaco ou engasgamento. A Liga Luxemburguesa de Higiene Mental promove em outubro um curso de ‘primeiros socorros mentais’.

É a primeira formação do género no país e as vagas esgotaram no espaço de apenas alguns dias. Há 120 pessoas inscritas e 380 em lista de espera para as próximas sessões, com data ainda por definir.

Ouvida pela Rádio Latina, Barbara Bucki, psicóloga da Liga, explicou que o curso permite aprender a identificar transtornos mentais e a reagir perante casos de depressão, ansiedade, psicose, abuso de substâncias e distúrbios alimentares, entre outros.

Os temas serão abordados por módulos, num total de 12 horas de formação, repartidas por quatro dias. Sobre qual a atitude a adotar perante um próximo com tendências suicidas, por exemplo, o curso ensina que a primeira coisa a fazer é “abordar o assunto com a pessoa em questão”. Depois, partilhar isso com alguém. Bárbara Bucki sublinha que é importante “não guardar essa informação só para si”.

O curso de primeiros socorros é baseado num conceito australiano, que já chegou acerca de duas dezenas de países. A psicóloga da Liga Luxemburguesa de Higiene Mental frisa que se trata de uma ideia inovadora, esperando que a formação ajude a acabar com o estigma que existe em torno das doenças mentais.

A primeira edição da iniciativa acontece no âmbito da Semana de Saúde Mental, que decorre entre os dias 3 e 9 de outubro. Para assinalar o seu lançamento, será gratuita. Segundo Barbara Bucki, o grande objetivo da Liga é formar 10% da população nos próximos cinco anos. Diana Alves – Luxemburgo in “Contacto”

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Macau - Mais de 30% dos cuidadores informais com “elevados níveis de sintomas depressivos”

Mais de 30% dos cuidadores informais chineses, a maioria mães, disse sentir “elevados níveis de sintomas depressivos”, esta é uma das conclusões do estudo “Carga prestada aos cuidadores de familiares com deficiência intelectual ou mental em Macau, China” conduzido pela Universidade de Macau. Encomendado pela Associação de Reabilitação Fu Hong, o estudo foi recentemente aprovado para publicação no Reino Unido. Fátima Santos Ferreira considera que a investigação pode servir de directriz para o serviço que é actualmente prestado, ao mesmo tempo que dá a conhecer à população “as necessidades reais” dos cuidadores informais

Foi aprovado para publicação o estudo “Carga prestada aos cuidadores de familiares com deficiência intelectual ou mental em Macau, China”, encomendado pela Associação de Reabilitação Fu Hong à Universidade de Macau, numa colaboração com o professor Brian Hall, do Departamento de Psicologia. “Actualmente, as investigações são limitadas em relação aos desafios enfrentados pelo cuidador na sociedade chinesa”, afirmou a presidente da associação, Fátima Santos Ferreira, ao Jornal Tribuna de Macau.

O estudo, que será publicado no Reino Unido, tem como objectivo preencher as lacunas existentes neste campo, por forma a “compreender melhor os desafios e encargos na prestação de cuidados enfrentados pelos cuidadores informais a pessoas com deficiência mental”.

O estudo baseou-se nos testemunhos de 234 entrevistados e chegou à conclusão de que, entre os cuidadores informais chineses que cuidam de um membro da família com deficiência intelectual ou mental, 31,7% disse sentir “elevados níveis de sintomas depressivos moderados e graves e 46,6% relataram sintomas de ansiedade moderados e graves”. A falta de recursos financeiros e dificuldades em cuidar destas pessoas são factores-chave que estão relacionados com estes distúrbios.

Dos entrevistados, 183 eram mulheres e 51 eram homens, sendo que a maioria é casado e tem 65 anos ou mais. Estas pessoas cuidam de familiares com deficiência intelectual ou mental, dos quais 104 homens e 130 mulheres, com uma média de idade de cerca de 32 anos. Destes, 149 (63,68%) tinham diagnóstico de deficiência intelectual, 57 (24,36%) de doença mental e 28 (11,97%) de ambas as doenças. A recolha de dados foi feita nos cinco centros que pertencem à Fu Hong.

Sublinhando que a carga e as dificuldades dos cuidadores têm um efeito “significativo” no seu bem-estar psicológico, Fátima Santos Ferreira explicou que a equipa de investigação utilizou o Caregiver Burden Inventory (CBI) para medir a carga de prestação de cuidados.

“Os resultados mostraram que os cuidadores que prestaram assistência a tempo inteiro a pessoas com deficiência relataram que a carga física e dependente do tempo os colocam sob maior pressão, [em linha com] os níveis de stress e ansiedade, que são significativamente maiores [do que os dos cuidadores a tempo parcial]”, frisou Fátima Santos Ferreira.

Por outro lado, “a maioria considera que os actuais subsídios atribuídos” por parte do Governo “desempenham um papel importante” no que respeita à redução da pressão económica e financeira e à pobreza. “Se o Governo pudesse considerar as necessidades reais dos cuidadores de pessoas com deficiências e oferecer-lhes quantias apropriadas de apoio social, a carga e dificuldades poderiam ser atenuadas”, indicou.

Fátima Santos Ferreira espera que o Governo de Ho Iat Seng possa cumprir com a promessa de implementar este ano o projecto-piloto de atribuição de subsídio a cuidadores, de forma experimental. “As Linhas de Acção Governativa para 2020 demonstraram a filosofia do novo Governo, orientada para as pessoas. Por isso, estou confiante de que implementará o programa de subsídio para cuidadores este ano (…) Acredito que entenderá as reais necessidades dos cuidadores no futuro e terá a responsabilidade de enfrentar os problemas”, defendeu.

Na sua perspectiva, o estudo actua como “directriz para o nosso serviço actual, podendo optimizar e aprimorar os serviços futuros”, ao mesmo tempo que dá a conhecer à população “as necessidades reais” dos cuidadores informais.

Governo deve tornar dados “transparentes”

Actualmente não há dados claros nem sobre o número de pessoas com deficiência nem sobre o número de cuidadores informais no território. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 15% da população mundial (estimativa da população global de 2010) vive com algum tipo de deficiência. Quanto a Macau, com base nos mais recentes dados, a população é de cerca de 700 mil pessoas, sendo que destes mais de 100.000 sofrem algum tipo de deficiência.

De acordo com os Serviços de Saúde de Macau, em 2018 houve cerca de 80 mil pessoas a dirigir-se ao departamento de Psiquiatria do hospital, incluindo internamento, consulta de acompanhamento, diagnóstico inicial, avaliação, tratamento e medicação. Apesar disso, de acordo com o Instituto de Acção Social, em Março de 2020, apenas 14.100 pessoas possuíam o “Certificado de Registo de Avaliação de Deficiência”.

“É impossível obter subsídios por invalidez ou certos serviços de assistência social sem possuir esse certificado. Ainda há um grande número de pessoas que não foi diagnosticada com doença mental em Macau”, observou, acrescentando que muitas destas pessoas podem receber cuidados informais em casa e quem deles cuida pode não perceber quais são efectivamente as suas necessidades, nem ter os devidos apoios, resultando “numa maior sobrecarga”.

“Espera-se que o Governo possa tornar os dados transparentes e promover activamente os serviços de apoio dos cuidadores para permitir que mais pessoas entendam os benefícios do serviço existente e estejam atentos às necessidades das pessoas com deficiência e também dos cuidadores”, concluiu. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”