Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 21 de abril de 2022

Angola - Guia de sobrevivência português pode salvar vidas de pessoas mordidas por serpentes

Angola tem mais de 140 tipos de serpentes, um terço das quais com venenos perigosos, o que preocupa quem vive e trabalha neste país e motivou dois investigadores portugueses a escreverem um livro sobre estas espécies

“Serpentes venenosas de Angola – Guia de identificação e primeiros socorros” é o nome do primeiro guia de campo inteiramente dedicado às serpentes venenosas de Angola, elaborado pelos biólogos Luís Ceríaco e Mariana Marques e publicado pela Universidade do Porto.

A obra será lançada na sexta-feira, durante a cerimónia de comemoração dos 120 anos do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade NOVA de Lisboa.

Com fichas detalhadas e ilustradas, o livro permite uma identificação relativamente rápida de todas as espécies de serpentes venenosas em Angola, apresenta recomendações e indica primeiros socorros para mordidas e acidentes.

Os autores recordam que “os envenenamentos por mordida de serpente afetam mundialmente mais pessoas de que as outras doenças tropicais negligenciadas (como a leishmaniose visceral, a lepra, a bouba, a doença das chagas, a doença do sono e a úlcera de Buruli) juntas”.

Em janeiro do ano passado, aos Médicos Sem Fronteiras (MSF) divulgaram um relatório, segundo o qual a cada hora que passa cerca de 15 pessoas morrem no mundo devido ao envenenamento por mordida de cobra, a mais mortífera das doenças tropicais negligenciadas.

Citando dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), esta organização indicou que, todos os anos, mais de cinco milhões de pessoas são mordidas por cobras e, destas, entre 81.000 e 138.000 acabam por morrer por envenenamento.

Deficiências como a cegueira, dificuldades de locomoção e amputação são outras das consequências da mordida de cobra que também pode levar ao desenvolvimento de perturbações psicológicas significativas, que vão desde os pesadelos ao transtorno de stress pós-traumático.

O guia refere que as serpentes “podem ser encontradas em praticamente todos os tipos de habitats” de Angola.

“Embora também presentes no centro das cidades, incluindo as áreas metropolitanas de grandes cidades como Luanda, Benguela, Huambo ou Lubango, a probabilidade de encontrarmos serpentes é muito maior quando saímos dos centros urbanos”, lê-se na obra.

Em muitos casos, escrevem os autores, os encontros entre as serpentes e o homem “podem dar-se dentro das próprias habitações”, já que “é comum serpentes entrarem dentro das casas, à procura de abrigo, calor ou alimentação”.

Os biólogos deixam alguns conselhos preventivos, como colocar redes mosquiteiras que impeçam a entrada das serpentes pela janela, proteções de qualquer tipo de fenda ou buraco nas paredes ou tetos, evitar acumulação de lixo doméstico, que atrai ratos e ratazanas e os seus predadores, entre os quais as serpentes. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

domingo, 20 de setembro de 2020

Luxemburgo - Novo curso de ‘primeiros socorros mentais’ arranca em outubro com lotação esgotada

Promovido pela Liga Luxemburguesa de Higiene Mental o curso vai ensinar a identificar transtornos mentais, sinais de problemas psicológicos ou tendências suicidas


Os primeiros socorros não são só para vítimas de um ataque cardíaco ou engasgamento. A Liga Luxemburguesa de Higiene Mental promove em outubro um curso de ‘primeiros socorros mentais’.

É a primeira formação do género no país e as vagas esgotaram no espaço de apenas alguns dias. Há 120 pessoas inscritas e 380 em lista de espera para as próximas sessões, com data ainda por definir.

Ouvida pela Rádio Latina, Barbara Bucki, psicóloga da Liga, explicou que o curso permite aprender a identificar transtornos mentais e a reagir perante casos de depressão, ansiedade, psicose, abuso de substâncias e distúrbios alimentares, entre outros.

Os temas serão abordados por módulos, num total de 12 horas de formação, repartidas por quatro dias. Sobre qual a atitude a adotar perante um próximo com tendências suicidas, por exemplo, o curso ensina que a primeira coisa a fazer é “abordar o assunto com a pessoa em questão”. Depois, partilhar isso com alguém. Bárbara Bucki sublinha que é importante “não guardar essa informação só para si”.

O curso de primeiros socorros é baseado num conceito australiano, que já chegou acerca de duas dezenas de países. A psicóloga da Liga Luxemburguesa de Higiene Mental frisa que se trata de uma ideia inovadora, esperando que a formação ajude a acabar com o estigma que existe em torno das doenças mentais.

A primeira edição da iniciativa acontece no âmbito da Semana de Saúde Mental, que decorre entre os dias 3 e 9 de outubro. Para assinalar o seu lançamento, será gratuita. Segundo Barbara Bucki, o grande objetivo da Liga é formar 10% da população nos próximos cinco anos. Diana Alves – Luxemburgo in “Contacto”