Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Brasil - Privatização do porto: que modelo?

São Paulo – Para o primeiro semestre de 2022 está marcado o leilão que transferirá para a iniciativa privada a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), que será feito em duas frentes, com a adoção de um modelo híbrido. Ou seja, será vendido o controle da empresa (privatização) e será concedida a exploração dos portos de Vitória e Barra do Riacho por 35 anos (concessão). Para a Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários (SNPTA), esse tipo de gestão deverá funcionar como modelo para os demais portos do País.

A princípio, nada contra, mas o que causa estranheza é que se vai adotar como modelo um porto como o de Vitória, que ocupa o 10º lugar no ranking dos principais portos brasileiros, tendo representado em 2020 apenas 1,57% da movimentação total de cargas no País, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Nesse período, aquele porto movimentou cerca de 3,57 milhões de toneladas de cargas. Já o porto de Santos, que sempre liderou a lista de maiores movimentações de cargas do País, só no primeiro semestre de 2020, segundo a Antaq, movimentou 65,9 milhões de toneladas de mercadorias, mais que o dobro que o segundo colocado (Paranaguá-PR), representando 29,8% da movimentação total.

Obviamente, os problemas que ocorrem num porto de poucas dimensões como o de Vitória em nada se comparam com aqueles que existem num porto como o de Santos. Isso significa que a adoção de um modelo que possa vir a obter êxito em Vitória não tem de necessariamente dar certo num porto como o de Santos, o mais importante da América Latina e que já atua como hub port (concentrador de cargas e de linhas de navegação).

Por isso, é com bastante preocupação que empresários e trabalhadores que tradicionalmente atuam em Santos veem a movimentação em favor da privatização da Santos Port Authority, o novo nome da antiga Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Até porque a desestatização não constitui uma panaceia para todos os males. E, se não for bem executada, pode gerar problemas ainda maiores que aqueles enfrentados até agora com a gestão estatal.

Um desses problemas é a possibilidade de que as empresas vencedoras do leilão e das concessões venham a ser tornar grandes players, ou seja, atuem de forma tão relevante no mercado em que estão inseridas que ocupem todos os espaços, condenando ao desaparecimento empresas de menor porte, o que, com certeza, significaria também a redução de empregos. Nesse caso, para piorar, os prejudicados não teriam a quem recorrer, já que, com a desestatização, o poder público há de ficar obrigatoriamente afastado e, em consequência, não haverá mecanismos de controle para evitar ou combater possíveis monopólios.

Outro problema que, aparentemente, o processo de desestatização não está levando em conta é a alta incidência de tributos que mercadorias que passam pelo porto de Santos acabam por receber. Até porque essa questão não faz parte da privatização. Mas, nesse caso, é preciso que haja ação governamental, pois essa alta incidência tributária está levando muitos importadores a optar pela importação por portos como os de Paranaguá, Itajaí e Rio Grande, na região Sul, ou ainda do Nordeste, onde os tributos não são tão escorchantes. Se essa descentralização não deixa de ser benéfica, para a economia da Baixada Santista constitui uma espécie de “bomba-relógio”.

Portanto, em nome de uma política econômica equânime, deveria haver, antes de tudo, um amplo acordo nacional para se dar fim à chamada “guerra fiscal”, que ocorre não somente entre Estados como entre municípios, utilizando-se, na maior parte das vezes, benefícios relativos ao Imposto sobre Serviços (ISS). Embora à primeira vista essa prática favoreça o contribuinte, na prática, a “guerra fiscal” entre os Estados provoca distorções na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), pois os Estados exportadores, indiretamente, transferem parte do ônus dos incentivos praticados para os Estados importadores dos produtos e serviços tributados. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Relações Institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Brasil – Delegação chinesa visita Porto de Vitória

Presidente da Codesa, Clovis Lascosque, mostrou as potencialidades de negócios do porto capixaba e apresentou projetos que ampliarão capacidade do porto

A visita do cônsul chinês Song Yang ao Porto de Vitória na última sexta-feira, 28 de Agosto de 2015, foi importante para que ele pudesse constatar que a localização estratégica do terminal poderá fortalecer as relações comerciais entre Brasil e China.

Na visita realizada ao complexo portuário, o presidente da Codesa, Clovis Lascosque, mostrou as potencialidades de negócios do porto capixaba. Ele apresentou os projetos que visam à expansão e aumento da capacidade do porto e a busca por parcerias.

Além do diplomata chinês que tem a jurisdição no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, a comitiva chinesa contou com a participação do cônsul Econômico e Comercial, Sr. Bai Chunhui, do representante do China Development Bank, Sr. Su Bin, entre outros.

Entre os executivos do Porto de Vitória, também participaram o diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Codesa, Danilo Queiroz, o superintendente Marcus Breciani; a subsecretária de Estado de Estrutura Logística, Mayhara Monteiro Pereira Chaves e o diretor-executivo da Câmara de Comércio Brasil-China no Espírito Santo, Carlos Eiras.

Pela primeira vez no Espírito Santo, o cônsul se mostrou impressionado com a estrutura portuária capixaba. "A localização do Espírito Santo é estratégica para o fortalecimento das relações bilaterais com o Brasil. Hoje a China busca investir em setores como energia, ciência e tecnologia, infraestrutura, entre outras. Nossa meta é, em 10 anos, triplicarmos ou quadruplicarmos o comércio entre os dois países. Temos que aumentar a nossa capacidade em todas as áreas de infraestrutura”, avaliou Song Yang.

E Lascoque não poupou elogios ao complexo capixaba. Segundo ele, a perspectiva de projetos é boa.

“O Espírito Santo possui o maior complexo portuário da América Latina, em uma posição privilegiada, movimentando em média 170 milhões de toneladas em cargas por ano, capitaneadas pelo minério de ferro. Temos uma carteira de projetos e promessas de investimentos que estão acontecendo ou já estão em estudo para acontecer”, salientou o presidente da Codesa.

No mês passado o superintendente da Codesa, Marcus Breciani, visitou a China, o que facilitou na avaliação sobre a possibilidade de parceria entre os dois países.

“Temos uma linha dedicada de navegação entre o Porto de Vitória e a cidade chinesa de Zhuhai, além do acordo de renovação da cooperação econômica entre as duas cidades”.

E acrescentou: “O Porto de Vitória está localizado estrategicamente entre os grandes centros consumidores do país e realiza projetos visando aumentar sua competitividade, como as obras de dragagem do canal, que vão possibilitar a navegação de embarcações maiores, melhorando o fluxo de importações e exportações pelo Porto de Vitória”. In “Folha Vitória” - Brasil

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Brasil – Porto de Vitória tem crescimento de 22,5% nas cargas

O volume de cargas nos terminais do Porto de Vitória registraram crescimento de 22,5% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2013. Foram 3,4 milhões de toneladas em 2014 contra 2,7 milhões no semestre anterior.

Entre as principais cargas movimentadas estão veículos, rochas ornamentais e graneis sólidos. Segundo o substituto da Superintendência Geral, Enildo Moreira, o incremento computado superou as expectativas da companhia. “A projeção da Codesa é fechar o ano com movimentação de volume superior a seis milhões de toneladas”, diz. Para 2015, a projeção é de um crescimento de 10% na movimentação de cargas. “Com a finalização das obras de dragagem e derrocagem, previstas para dezembro deste ano, o porto passará a receber navios com carga completa, eliminando um dos gargalos do Porto de Vitória”, acrescentou.

Por conta da conclusão das obras de contenção e ampliação do Cais Comercial de Vitória no ano passado, houve um aumento considerável de embarque e desembarque de cargas nos Berços 101 e 102. Além disso, o Cais passou a contar com uma considerável área de estocagem de mercadoria.

Além do aumento do volume de cargas nos terminais do porto e a partir do incremento da exploração de petróleo e gás na costa do sudeste, também houve aumento na utilização dos berços do porto pelas embarcações de apoio offshore, que fazem o transporte de carga e pessoal até as plataformas marítimas. Atualmente, 60% da movimentação de navios (cerca de 2.500 embarcações-ano) que operam no porto capixaba estão voltados para a indústria do petróleo. In “Guia Marítimo” - Brasil