Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 2 de novembro de 2025

Índia - Camões – Centro Cultural Português em Nova Deli promove leitura de “Amor de Perdição”

No âmbito das comemorações do bicentenário do nascimento de Camilo Castelo Branco, o Camões – Centro Cultural Português em Nova Deli dedica o IV Grupo de Leitura de Autores de Língua Portuguesa à leitura integral do clássico “Amor de Perdição”


O IV Portuguese Book Club decorrerá ao longo de um mês, com encontros semanais online às quartas-feiras, nos dias 5, 12, 19 e 26 de novembro, entre as 18h00 e as 20h00 (hora local).

A participação é livre mas sujeita a inscrição obrigatória, através de um formulário online. A iniciativa está aberta a leitores da Índia e de outros países, com ou sem domínio da língua portuguesa. Os participantes poderão optar por ler o romance na sua versão original ou na tradução inglesa de Alice R. Clemente.

As sessões semanais, que servirão para discutir e refletir sobre as leituras individuais, serão dinamizadas em inglês por João Ribeirete, Diretor do Camões – Centro Cultural Português em Nova Deli. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 23 de maio de 2022

Macau - Poemas seleccionados de José Craveirinha editados em livro

Grupo informal de investigação ECOAdOR (Estudos de Culturas Ocidentais, Africanas e do Oriente), em parceria com a Praia Grande Edições, aposta forte num dos nomes mais importantes da literatura moçambicana, no ano em que se comemora o centenário do seu nascimento. O autor de “Karingana ua Karingana” tornou-se o primeiro africano galardoado com o Prémio Camões, em 1991

O centenário do nascimento de José Craveirinha será celebrado em Macau, no próximo sábado, dia 28 de Maio, pelas 17h30, na Livraria Portuguesa, com o lançamento de um livro, com tradução para língua chinesa, de poesia seleccionada escolhida pelo Grupo informal de investigação ECOAdOR (Estudos de Culturas Ocidentais, Africanas e do Oriente) e com chancela da Praia Grande Edições. “Vai ser possível lançar este livro precisamente no dia em que faz 100 anos que nasceu o poeta moçambicano”, começou por dizer ao Ponto Final a professora universitária da Universidade Politécnica de Macau (UPM) Lola Geraldes Xavier.

A iniciativa de traduzir o poeta maior de Moçambique para chinês surgiu de forma natural, como nos confidenciou a mentora do projecto, Lola G. Xavier, que também coordena, desde o ano passado, o grupo informal de investigação ECOAdOR. “Temos alguns projectos no grupo que se prendem precisamente com essa divulgação e diálogo entre a língua portuguesa e a língua chinesa. Coordeno este sobre o Craveirinha, mas outros membros do grupo estão a trabalhar noutros projectos”, referiu a académica, revelando que o ECOAdOR está a preparar uma publicação já para o próximo ano que tem mais directamente a ver com Macau.

Mas, tratando-se de um grupo informal, conforme a académica reiterou, qual projecto que ali nasça tem de ser financiado à posteriori. “Foi aí que entrou a Praia Grande, na pessoa do Ricardo Pinto, a quem agradeço imenso, pois percebeu a nossa ideia e abraçou-a de imediato”, afirmou Lola G. Xavier, que explicou ainda que os grandes objectivos do grupo informal que coordena passam por “contribuir para a promoção e para a difusão das literaturas em língua portuguesa e colaborar para uma comunicação efetiva entre as culturas e literaturas em língua portuguesa e a língua chinesa”.

Durante este último ano, explicou ao Ponto Final, o ECOAdOR quis homenagear José Craveirinha, preparando um livro de ensaios. “A sair no segundo semestre por uma editora brasileira” e “a tradução de poemas seleccionados para chinês por dois estudantes do doutoramento em Português da UPM: Lu Jing e Wu Hui”. “Sem o interesse, motivação e perseverança deles, esta publicação não seria possível”, considera Lola G. Xavier, fazendo notar que sempre fez sentido “publicar em Macau, dando razão às directrizes governamentais de Macau enquanto plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Durante esta semana, revelou ainda a professora, “haverá várias homenagens feitas ao poeta, com colóquios, palestras, etc., sobretudo em Moçambique e em Portugal”, por isso a ECOAdOR vai juntar-se às celebrações “com o lançamento desta tradução, a primeira para chinês deste poeta”.

No evento na Livraria Portuguesa, que para além de presencial será transmitido online, via Zoom (https://zoom.us/j/95792888265), o proprietário da Praia Grande Edições, Ricardo Pinto, iniciará o evento com um discurso de boas-vindas. Em seguida, pelas 17h45, Lola G. Xavier fará a apresentação do projecto e agradecimentos. Quinze minutos depois, Wu Hui e Lu Jing falarão da sua experiência enquanto tradutores de Craveirinha. Pelas 18h15, Wang Yuan, da Universidade de Pequim, fará alusão à história da tradução de autores moçambicanos na China. O brasileiro Giorgio Sinedino, tradutor-intérprete, explicará como é traduzir, poeticamente falando, obras literárias do português para o chinês. Pelas 18h45, o professor Pires Laranjeira, da Universidade de Coimbra, vai abordar o tema “Craveirinha, uma óptima escolha para começar” e, antes de uma discussão final com perguntas e respostas, moderada por Lola G. Xavier, o filho do poeta, o artista plástico Zeca Craveirinha, dedicará algumas palavras ao pai.

José Craveirinha nasceu em Maputo, Moçambique, a 28 de Maio de 1922, e morreu em Joanesburgo, na África do Sul, a 6 de Fevereiro de 2003. É considerado o maior poeta da literatura moçambicana e, em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. “Karingana ua Karingana”, o seu segundo livro, datado de 1963, mas só publicado em 1974, é considerada a sua obra-prima. Trata-se de um livro que transmite, de forma poética, o dia-a-dia dos moçambicanos, numa época marcada pela luta contra a ocupação colonial. Em sua homenagem, a Associação dos Escritores Moçambicanos instituiu em 2003, o Prémio José Craveirinha de Literatura. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


domingo, 12 de abril de 2020

Portugal - Nasceram as primeiras crias de lince ibérico em 2020

Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, nasceram as primeiras crias de lince deste ano, duas delas «aparentemente saudáveis» e uma terceira que «acabou por não resistir após o parto»



As duas primeiras crias de lince ibérico de 2020 nasceram na passada segunda-feira, no Centro Nacional de Reprodução de Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves, foi anunciado.

Segundo uma nota do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a fêmea Jabaluna teve três crias, duas delas “aparentemente saudáveis” e uma terceira que “acabaria por não vingar após o parto”.

Este é o primeiro parto deste ano, e o terceiro desta fêmea, com oito anos de idade, e que chegou ao CNRLI proveniente do Centro de Cría El Acebuche, em Doñana, Espanha.

Jabaluna teve duas gestações anteriores no CNRLI, tendo gerado, no total, sete crias, das quais apenas três sobreviveram.

As duas novas crias resultam “do seu emparelhamento com o macho Hermes”, que nasceu no Centro de Cría de La Olivilla, em Jaén, Espanha, e já foi pai de três ninhadas no CNRLI, das quais sobreviveram sete crias, tendo quatro sido reintroduzidas na natureza.

O CNRLI adianta que se aguardam “para os próximos dias os partos das fêmeas Fresa, Juncia e Juromenha”. In “Revista Port. Com“ - Portugal

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Macau - Centenário de Fernando Namora: Reavivar a memória de um autor esquecido

A propósito da comemoração dos 100 anos do nascimento de Fernando Namora, a Associação dos Amigos do Livro de Macau organizou uma sessão onde se recordou o autor. Fernando Namora, um escritor que “está um bocado esquecido”, mas cuja “marca continua” 100 anos depois, descreve Shee Va, membro da associação e um dos organizadores do evento



Fernando Namora faria ontem (15 de abril) 100 anos. Como forma de celebrar o centenário, a Associação dos Amigos do Livro de Macau organizou uma tertúlia na Livraria Portuguesa onde se falou do escritor. Nos livros de Fernando Namora, “conseguimos detectar o povo português e a cultura portuguesa”, descreve Shee Va, um dos organizadores da sessão. Ainda assim, é um autor “um bocado esquecido”, lamenta.

“Nós resolvemos festejar Fernando Namora porque achamos que ele é um escritor muito importante dentro da literatura portuguesa, foi dos escritores mais lidos e traduzidos nas décadas de 70 e 80, e, tanto que consegui descobrir, ele tem traduções em 14 línguas, entre o romeno, eslavo, esperanto, francês, inglês e descobri também em chinês”, justificou o também escritor e médico Shee Va. Assim, “sendo um escritor tão lido e tão conhecido por todo o mundo, achámos que ele está um bocado esquecido, então, nestes 100 anos, resolvemos reavivar a memória das pessoas”.

Fernando Namora ficou esquecido na sombra de Saramago, entende Shee Va: “Ele é do neo-realismo e depois apareceu um Saramago, que é Prémio Nobel. As pessoas vão ler um Nobel e não vão ler Fernando Namora, se bem que, em 1981, ele foi proposto para Nobel da Literatura”.

“É um autor que tem uma grande representatividade em termos de cultura portuguesa pelos seus romances, pelos personagens que criou e pela época em que actuou”, explica, passando a citar o homenageado: “Fernando Namora diz: ‘inserir-me no neo-realismo é curto’. Ele achava que aquilo que fez foi caracterizar muito bem a população portuguesa”. “Nós, através dos livros, conseguimos detectar o povo português e a cultura portuguesa e inseri-la dentro de uma época”, refere o médico. Para Shee Va, “a marca dele continua”.

Do neo-realismo ao individual, Shee Va traça o caminho da obra de Fernando Namora: “Quando começa a escrever, ele é muito conotado com aquilo que é o neo-realismo, que é dizer as coisas tal como são, sem grandes floreados. Ele depois foge disso, no amadurecimento ele foge dessa realidade e torna-se muito individual, muito cosmopolita, fala de muita coisa sem ser o neo-realismo”. “Tem uma fase de juventude, uma fase rural em que ele, como médico, vai trabalhar para as províncias e, por isso, os contos são muito relacionados com a província”. Depois, em Lisboa, há a fase citadina e, mais tarde, a cosmopolita, sobre as suas viagens. “Numa fase final, no livro ‘O Rio Triste’, vê-se o amadurecimento de Fernando Namora, já não é o neo-realista, já é muito mais cosmopolita e individual”, descreve.

Tal como Fernando Namora, também Shee Va, para além de ser escritor, é médico. A ligação entre as duas actividades está no processo: “Nós, no curso de Medicina, aprendemos a ouvir, a auscultar, palpar, e só depois pensar. Isso transfere-se para quando ouvimos a sociedade, as pessoas, os nossos amigos”. Shee Va indica que esta é uma forma de intervir na sociedade, “essa intervenção é o espírito de insubmissão”. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”