Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Portugal - Concertos para Bebés levam 34 concertos a 5 cidades portuguesas em 2023

O projeto Concertos para Bebés vai apresentar onze novos programas em 2023, ano em que assinala 25 anos de existência, chegando a cinco cidades nacionais com 34 espetáculos, anunciou a companhia Musicalmente.


Pensado e criado pela Musicalmente para bebés dos zero aos três anos, Concertos para Bebés é uma proposta para toda a família que em 2023 terá apresentações em Leiria – onde a companhia tem sede – e ainda na Marinha Grande, também no distrito de Leiria, em Coimbra, Sintra, no distrito de Lisboa, e Loulé, no distrito de Faro.

Os onze novos programas contam com instrumentistas, bailarinos e criadores de outras áreas como convidados e têm estreia no início de cada mês no Teatro Miguel Franco, em Leiria.

Depois, os espetáculos dos Concertos para Bebés seguem para o Convento São Francisco, em Coimbra, Teatro Stephens, na Marinha Grande, Centro Olga Cadaval, em Sintra, e Cine-Teatro Louletano, em Loulé.

Na nova temporada, os Concertos para Bebés festejam 25 anos de existência. Entre as comemorações, está previsto um espetáculo inclusivo para bebés com necessidades especiais, a realizar em dezembro, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

A programação de 2023 tem início em janeiro, no dia 8, com “4 cordas, tantos colos”, em Leiria, com a violinista Ana Pereira como convidada. O programa é também apresentado em Coimbra no dia 15.

Em fevereiro os Concertos para Bebés estreiam “Tantas cordas, quanta história”, com harpa e teorba como instrumentos convidados, na interpretação de Ana Castanhito e Helena Raposo. Há quatro espetáculos agendados para Leiria (dia 5), Coimbra (12), Marinha Grande (18) e Sintra (19).

Surma volta a atuar nos Concertos para Bebés em março, com um toque de eletrónica em “História de hoje, futuros de sempre”, no dia 5 em Leiria e no dia 12 em Coimbra.

O fado e a guitarra portuguesa são apresentados em abril aos bebés e às famílias em “Fados futuros, guitarras dolentes”, com Vânia Conde e Ricardo Parreira, em Leiria (dia 2), Marinha Grande (15), Sintra (16) e Coimbra (23).

Um programa visual é a proposta para maio, com uma criação de Inesa Markava e Ana Luísa Cunha, “Duendes em risco, salpicar de bebé”. Há apresentações agendadas para Leiria (dia 7), Coimbra (14), Sintra (21) e Loulé (28).

O tubista Gil Gonçalves é o convidado confirmado para junho, em “Bebé maroto, brincalhão gigante”, em Leiria (dia 4), Coimbra (11) e Marinha Grande (17).

“Gigante loucura, solista endiabrado” junta cordas e dispositivos eletrónicos de Hugo Correia à equipa Musicalmente em julho, para concertos em Leiria (dia 2), Coimbra (9) e Sintra (16).

Após a pausa de agosto, os Concertos para Bebés regressam em setembro com “Novos solistas, lábios que dança”, com protagonismo para Gonçalo de Sousa, que toca harmónica de boca, no dia 3 em Leiria, dia 16 na Marinha Grande, dia 17 em Sintra e dia 24 em Loulé.

Luísa Sobral é já presença regular nos Concertos para Bebés e regressa em outubro com “Dançam palavras, nascem bebés”, em Leiria (dia 1), Sintra (15) e Marinha Grande (21).

Os solistas da Musicalmente saltam para o primeiro plano em novembro com “Bebés somos nós, 25 anos”, no dia 5 em Leiria e dia 19 em Loulé.

A fechar o ano, os Concertos para Bebés põem “25 anjos a cantar o Natal”, convidando o coro Schola no Coração para espetáculos em Leiria (dia 3), Marinha Grande (16) e Sintra (17). In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Musicalmente


“Chico César define-se como artista militante e a sensibilidade político-social dele emerge em cada conversa, em cada cançom. É natural, ele nom nasceu rico, como a maior parte dos artistas brasileiros que conhecemos, e só com oito anos já conseguiu o primeiro emprego num dos estados mais pequenos do Brasil, a Paraíba, ainda que já se saiba que quem di pequeno no Brasil quer dizer de tamanho médio deste lado do Atlántico: ocupa tanto como duas Galizas. O seu êxito internacional chegou pola mao de temas que logo se tornárom verdadeiros hinos afroamericanos como ‘Mama África’ ou ‘Respeitem meus cabelos, brancos’. Na nossa terra, umha música composta por ele (‘Pensar em você’) tem soado mais na voz de Daniela Mercury ou de Uxía Senlle, com quem o Chico vinhera pola primeira vez à Galiza na ediçom inaugural de Cantos na Maré. A este festival voltou agora para comemorar o décimo aniversário do encontro lusófono. Desta vez compartilhou cartaz com o portuense Rui Veloso, o moçambicano Cheny Wa Gune e a galega Sés, mas estivo acompanhado por muitos outros músicos em Ponte Vedra: Dani Black (Brasil), Paulo Borges (Açores), Berg (Portugal), Sérgio Tannus (Brasil) ou a própria Uxía Senlle. Nós fomos buscá-lo à Casa das Crechas, onde já é tradicional que uns dias antes da festa se faga um encontro de artistas lusófonos. Falou-nos nom apenas como músico, também como político brasileiro, pois agora detém um cargo cultural no seu estado natal.

Como vias a Galiza primeiro e como vês agora que sabes dela?

Ao conhecer um lugar da Espanha que nom falava espanhol, que falava português, fiquei muito curioso e quando cheguei entendim: eles nom som espanhóis, som galegos. Tenhem umha língua: dançam nessa língua, cantam nessa língua, vivem nessa língua. Confirmou para mim que a Espanha é umha abstraçom autoritária e sentim-me mui próximo dos galegos, porque a língua que falam é umha língua muito próxima da língua que falam os velhos do interior falam, que meu pai fala: é umha língua que troca o jota pelo xis, por exemplo.

Para um artista com sensibilidade político-social como tu, a que continente achas que é preciso estarmos mais atentos?

É importante estarmos atentos à Europa. admitirmos que o capitalismo faliu, o capitalismo resultou mal, nom pode produzir tantas coisas inúteis para tanta gente útil. as pessoas precisam de coisas para o dia-a-dia e o capitalismo produz mercadorias e mais mercadorias. os trabalhadores nom possuem tanto como para comprar tanto produto e tu nom podes comprar todos os anos um automóvel, umha máquina de lavar, uns sapatos; nós nom precisamos disso. Precisamos de comer, amar, dormir e isso nom é o capitalismo; o capitalismo é só consumir. Entom, nós devemos olhar para a Europa e ver que isso deu errado: o capitalismo falhou.

Entre a socialdemocracia europeia, a evoluçom do Brasil goza de grande admiraçom. Tu achas que se está a tornar um país mais justo desde o governo de Lula?

Um pouco, mas precisa muito mais. Porém, os movimentos sociais nom podem entregar o seu destino a governos. devem apenas formatar cousas que já nom estám na rua, que já nom dá para serem seguradas por mais tempo. os movimentos sociais existem para conquistar novas cousas. o Brasil ainda nom fijo umha reforma agrária decente: muitos camponeses brasileiros vivem sem terra.

Antes comentaste-nos que o Brasil é um país muito autossuficiente musicalmente. Achas que a Lusofonia em geral e a Galiza em particular tenhem cabimento nesse continente musical?

Os ícones da música brasileira, Chico Buarque, Gilberto Gil... devem levar a lusofonia para o Brasil. Eles podem dizer: “a lusofonia é importante”, nom apenas como umha referência a um pouco de Cesárea Évora, um pouco de...

Como se chama esta cantora de fado portuguesa?

Amália Rodrigues. ...

um pouco de Amália. Nom! É importante levar Cabo verde e também a Guiné Bissau, mas nom só como umha idealizaçom, senom como algo concreto.

O que representa para ti a Cantos na Maré no âmbito da Lusofonia?

Cantos na Maré é a lusofonia tornada realidade: Moçambique, Cheny Wa Gune, Angola, Portugal, Rui veloso, a Galiza, Uxía, é a realidade do que se canta lusofonicamente no mundo, e isso interessa-me muito.” Eduardo Maragoto - Galiza in “Novas da Galiza”