Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 29 de setembro de 2019

Cabo Verde – Parceria na área da Medicina Tradicional Chinesa com a China e Macau


Cabo Verde está empenhado no investimento na área da Medicina Tradicional Chinesa e a RAEM tem-se afigurado como um apoio ao desenvolvimento deste sector através do Parque Científico e Industrial em Hengqin. Em entrevista ao Jornal Tribuna de Macau, o Ministro da Saúde e Segurança Social do país africano assegurou que irão continuar a ser dados passos “seguros” para uma parceria “mutuamente vantajosa” entre Cabo Verde, a China e Macau

O Ministro da Saúde e Segurança Social Cabo Verde veio à RAEM para participar no Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional 2019 da China (Macau), uma das áreas que o país pretende desenvolver.

“Este ano tive o gosto de vir [ao Fórum] na medida em que estamos a começar a implementar um projecto de medicina tradicional chinesa em Cabo Verde, em conjunto com o Parque Científico e Industrial de Macau. Nesse sentido, temos todo o interesse, por um lado, em aprofundar o que já é o nosso conhecimento da medicina tradicional, mas também de conversar e reunir com as entidades não só do Parque, mas também aqui de Macau”, frisou Arlindo Nascimento do Rosário em entrevista ao Jornal Tribuna de Macau.

Questionado sobre a importância de Macau no contacto com a China, o governante frisou que o território “serve de facto como plataforma entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa e é nessa base que, com Macau, podemos desenvolver projectos com a China, mas também de ligação directa entre a RAEM e Cabo Verde”. “É nessa linha que entra Macau”.

Ao mesmo tempo, através do Parque Industrial, Macau “tem sido um dos motores para o desenvolvimento” da Medicina Tradicional Chinesa no país.

“Estamos no bom caminho. Acredito que, com toda a abertura que tem havido da parte das entidades governamentais de Macau e da China, iremos continuar a dar passos que queremos que sejam seguros para que seja uma parceria mutuamente vantajosa entre Cabo Verde, a China e Macau”, destacou.

Arlindo Nascimento do Rosário fez questão ainda de mencionar que Macau inaugurou recentemente a Licenciatura em Medicina na Universidade de Ciência e Tecnologia que conta com uma estudante de Cabo Verde.

No entanto, a relação com a China não fica por aqui. “Temos uma relação muito forte com a China como um todo em várias áreas, por exemplo, também a questão da segurança das cidades e da videovigilância”.

Arlindo Nascimento do Rosário voltou ainda a falar da intenção de criar um centro africano de Medicina Tradicional Chinesa. “Cabo Verde, pela sua posição geoestratégica e estabilidade política, é um país que oferece óptimas condições. É nesse sentido que mostrámos a nossa disponibilidade para trabalhar na eventual possibilidade de se instalar um centro de medicina tradicional. É uma proposta que ainda terá de ser aprofundada, discutida e aprovada pelas partes”, disse.

A cooperação com a China na área da saúde envolve também infra-estruturas. “A China desde há muitos anos tem enviado equipas médicas, sobretudo na área da cirurgia, ginecologia, obstetrícia para Cabo Verde, mas também ajuda nas infra-estruturas, na construção de um bloco moderno pediátrico de um dos principais hospitais de Cabo Verde”, explicou Arlindo Nascimento do Rosário. “Digamos que tem sido uma cooperação muito forte no que diz respeito às infra-estruturas, recursos humanos, e é algo que queremos aprofundar cada vez mais” sem perder de vista as necessidades da medicina convencional.

Relativamente ao que Cabo Verde oferece no âmbito desta cooperação, Arlindo Nascimento do Rosário indicou que a relação com a China não se baseia no “eu dou-te isto e tu dás-me aquilo”. “Tem sido uma relação baseada naquilo que a China propõe como país que tem vindo a desenvolver-se. Acho que está dentro da sua política apoiar e ajudar os países com maiores dificuldades. É evidente que se pergunta o que é que Cabo Verde, um país tão pequeno, pode dar”, admitiu.

Porém, destaca: “somos um país pequeno, evidentemente, mas oferecemos à China a possibilidade de desenvolver outras relações e de mostrar ao mundo que há outros interesses que não são apenas em termos económicos”.

Sistema de saúde universal

Outra vertente em que o governo de Cabo Verde tem trabalhado tem a ver com melhorar o índice de cobertura do sistema de saúde, actualmente em 63%. “Cabo Verde tem dado passos importantes ao nível da cobertura universal. Entendemos essa questão não só como a qualidade de acesso mas a universalidade e facilidade de acesso. Cabo Verde tem um sistema de saúde com uma rede de infra-estruturas muito importantes distribuídas em todas as ilhas. Estamos a aumentar também a prestação de cuidados em termos de trabalhadores”, salientou.

Além disso, apontou Arlindo Nascimento do Rosário, o serviço nacional de saúde em Cabo Verde é “tendencialmente gratuito”. “Ninguém fica sem cuidado por questões económicas”, assegurou. De qualquer modo, há problemas a resolver. “Temos de continuar a aumentar o número de trabalhadores, o rácio de médicos por habitante, de enfermeiros por habitante. Também precisamos de continuar a consolidar a resposta às situações que ainda carecem de evacuação, como cancros”, reconheceu.

“Estamos num país que está a passar por um processo de transição. Com o aumento da esperança média de vida, também o volume de doenças tem tendência a aumentar, não só do foro oncológico mas cardiovascular, metabólico como a diabetes. Tudo isso traz desafios importantes que estamos a enfrentar”, sublinhou Arlindo Nascimento do Rosário.

No âmbito da ampliação da cobertura do sistema nacional de saúde, o principal desafio tem a ver com a própria condição do país. “Cabo Verde é um país constituído por ilhas que tem desafios importantes. Não conseguimos ter hospitais em todas as ilhas. Temos um serviço diferenciado de prestação de cuidados, com a sua complexidade, que termina nos dois hospitais centrais. Um grande desafio porque é resultante da própria condição arquipelágica de Cabo Verde são as evacuações inter-ilhas”.

Outra questão premente está relacionada com as doenças crónicas como insuficiências renais terminais e situações de hemodiálise. “O nosso grande desafio são as doenças crónicas que têm vindo a aumentar”.

Arlindo Nascimento do Rosário pretende também desenvolver a indústria farmacêutica ligada à produção de medicamentos convencionais, não só para abastecimento da demanda interna mas também “como forma de expandir para outros países”. “Existe um mercado potencial que poderá ser explorado”, defendeu. Inês Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Macau - Países lusófonos focados na medicina tradicional chinesa



Representantes dos governos de Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe querem dar mais destaque à medicina tradicional chinesa. Vários membros de países lusófonos encontram-se em Macau por ocasião do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional Chinesa, que arrancou ontem e que reúne mais de 700 participantes do território.

O ministro da Saúde e da Segurança Social de Cabo Verde, Arlindo do Nascimento do Rosário, afirmou que a criação de um centro africano de medicina tradicional chinesa seria “uma mais-valia para o país, não apenas no sector da saúde, mas também (…) em relação ao turismo”. As declarações do governante foram realizadas à margem do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional Chinesa que começou ontem em Macau e que reúne mais de 700 participantes do território, do interior da China, da Ásia, Europa e de países lusófonos.

“Será, de facto, uma mais-valia, não só para Cabo Verde, mas também para a própria China e para Macau, ter um ponto em África, num país que é estável, um país que oferece condições para que seja (…) uma plataforma de entrada para o continente africano e para a costa ocidental africana”, sublinhou, lembrando que está em causa um mercado de pelo menos 200 milhões de pessoas. “Tal como em Portugal que se construiu também um centro de Medicina Tradicional Chinesa, em Lisboa, para a Europa, porque não em Cabo verde, para África?”, argumentou o ministro.

Arlindo do Nascimento Rosário frisou que em Cabo Verde a indústria farmacêutica já produz cerca de 40% dos medicamentos da medicina convencional consumidos no país. “É uma indústria em expansão, que está a desenvolver-se, também virada para a região africana, para os países africanos de língua oficial portuguesa”, salientou. “Razão pela qual a aposta nesta área é também “uma oportunidade que se oferece a Cabo Verde para o seu sector farmacêutico, não só a nível da medicina convencional, mas tradicional também”, concluiu.

A criação de legislação para regulamentar a actividade, em 2020, é uma das prioridades, declarou à Lusa a assessora para a implementação da medicina tradicional em Cabo Verde, Leila Rocha. Outro dos objectivos imediatos passa por “começar a trabalhar num estudo sobre plantas medicinais autóctones, de forma a introduzi-las no mercado”, acrescentou.

A intenção é, por um lado, “recuperar a medicina tradicional cabo-verdiana” e, por outro, “introduzir a Medicina Tradicional Chinesa”, explicou. A 19 de Maio, Cabo Verde assinou um acordo com o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa Guangdong-Macau, com o objectivo de aprofundar a cooperação com a China. A parte chinesa é responsável pela consultoria técnica e política, formação profissional e apoio no controlo da qualidade. Já Cabo Verde está encarregue de ajudar o Parque na promoção do registo, comércio, formação e cooperação sobre os projectos da indústria dos medicamentos tradicionais e suplementos alimentares.

Medicina tradicional a potenciar turismo de saúde em São Tomé e Príncipe

São Tomé e Príncipe quer reforçar o desenvolvimento da medicina tradicional para potenciar o turismo de saúde, algo que será reflectido no Orçamento Geral de 2020, disse o ministro da Saúde, Edgar Neves, à margem do fórum. O governante valorizou a relação entre a medicina tradicional e a economia, nomeadamente o turismo, “uma das fontes futuras do desenvolvimento” do país, que pode ser potenciada através da cooperação chinesa.

Esta aposta vai estar reflectida na preparação do Orçamento Geral do Estado para 2020 e “será uma rubrica importante para (…) alavancar definitivamente a medicina tradicional em São Tomé e Príncipe”, afirmou. “As oportunidades não se deixam escapar”, destacou, explicando por que razão é também um desafio para o país: “porque encaramos este processo como muito importante para o serviço nacional de saúde”.

O mercado regional de 200 milhões de pessoas, sustentou, justifica o desenvolvimento do turismo de saúde em São Tomé e Príncipe, potenciado pela medicina tradicional, “que pode e deve jogar um papel de plataforma de ‘venda de serviços’ para essa região”. “A nossa agenda deve aproveitar a nossa posição estratégica. E [justifica] que nos comportemos como um mercado de turismo de saúde”, considerou Edgar Neves.

Contudo, apesar das “boas condições” que o país oferece, “importa agora é ter as infra-estruturas e ter a funcionalidade e assistência necessária para garantir serviços de qualidade”, ressalvou o ministro.

Angola, por sua vez, mostrou vontade em juntar médicos e farmacêuticos para apostar na medicina tradicional africana. O secretário para a Saúde Pública de Angola, José Manuel Vieira Dias da Cunha, disse que pretende juntar médicos e farmacêuticos para se definir um plano de acção que promova o desenvolvimento da medicina tradicional africana no país.

O governante afirmou que, depois do que viu em Macau, nomeadamente o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa, está a pensar em juntar “a Ordem dos Médicos com a associação dos médicos tradicionais (…), e mesmo a Ordem dos Farmacêuticos”. “Poderíamos tentar elaborar um plano de acção, com um cronograma bem definido, das acções que vamos de ter de realizar no sentido de desenvolvermos a medicina tradicional angolana e ver que tipo de cooperação podemos vir a ter com a medicina tradicional chinesa”, explicou o secretário de Estado.

O secretário de Estado sublinhou a importância de se apostar num maior aproveitamento das plantas autóctones para se desenvolver a medicina tradicional africana e para se produzir medicamentos de forma industrializada. “Se formos bem sucedidos a esse nível e se se provar a eficácia dos medicamentos, isso abre obviamente uma porta muito grande para a exportação”, argumentou. “Está elaborado o plano estratégico de medicina tradicional e, provavelmente ainda antes deste ano acabar, será aprovado. (…) A partir daí vamos dar o pontapé de saída e todo o salto para o desenvolvimento da medicina tradicional no nosso país”, concluiu.

Moçambique precisa de regular urgentemente medicina tradicional para controlar privados

Uma dirigente do Ministério da Saúde de Moçambique disse ontem que o país precisa urgentemente de regulamentar as actividades da medicina tradicional para responder e controlar a crescente oferta privada. As declarações da directora nacional da Medicina Tradicional e Alternativa do Ministério da Saúde, Felisbela Gaspar, foram também à margem do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional Chinesa, que arrancou ontem na RAEM. “Para o sector privado, precisamos de regulamentação urgente para o podermos controlar melhor, para fazer um registo nacional desta actividade”, afirmou a dirigente.

“Temos muitos pedidos de entidades privadas que querem desenvolver esta área da medicina tradicional, alternativa e complementar e nós não estamos a dar resposta. (…) Precisamos de regulamentação que controle esta actividade no país”, reforçou.

Moçambique é o país africano lusófono com o qual a China, através de Macau, tem garantido um maior desenvolvimento da cooperação na área da Medicina Tradicional Chinesa. Até ao momento, 300 técnicos moçambicanos já receberam formação na área, mas muita da atenção chinesa prende-se com a obtenção de licenças de comercialização de medicamentos. In “Ponto Final” - Macau

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Moçambique - Registo de dois produtos de medicina tradicional chinesa

As autoridades moçambicanas deram luz verde ao registo de dois produtos de medicina tradicional chinesa, um dos quais produzido por uma empresa de Macau. A entrada no mercado moçambicano deve permitir a criação de uma base para a concretização da plataforma de registo de produtos de medicina tradicional chinesa no estrangeiro.

Dois produtos de medicina tradicional chinesa, um dos quais comercializado no território há cerca de 30 anos, foram registados no mês passado em Moçambique, foi na sexta-feira anunciado.

Os dois produtos, de duas empresas chinesas, uma das quais com sede em Macau, foram seleccionados tendo em conta as necessidades do mercado e os factores de eficácia e segurança, no âmbito da cooperação entre o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação Guangdong-Macau, situado na ilha da Montanha (Hengqin), adjacente ao território, e o Ministério da Saúde de Moçambique, de acordo com um comunicado.

Para a conclusão do registo, o Parque teve de ultrapassar divergências entre legislações, realizar ajustamentos do projecto técnico e normalizar documentos, num processo que vai criar uma base para a concretização da plataforma dos serviços públicos de registo dos produtos de medicina tradicional chinesa no estrangeiro, concedida pela Administração Estatal de Medicina Tradicional Chinesa.

Desde 2015 que o Parque já realizou vários cursos de formação profissional de técnicas de medicina chinesa para médicos e fisioterapeutas do sistema de hospitais públicos moçambicano, numa estratégia de divulgação inicial da medicina para incentivar o uso dos medicamentos.

Na abertura do fórum de cooperação de Medicina Tradicional Chinesa, que decorreu na semana passada, no território, o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, considerou fundamental a certificação e regulamentação da medicina tradicional chinesa e o reforço da promoção da actividade no mundo.

Macau, como plataforma para a promoção da medicina tradicional chinesa nos países de língua portuguesa, reuniu neste fórum representantes de Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

A Organização Mundial de Saúde criou em 2015, em Macau, o centro de cooperação de medicina tradicional chinesa, uma plataforma para a região se afirmar na formação de especialistas e na cooperação internacional.

A produção de medicamentos chineses em Macau registou um crescimento pelo terceiro ano consecutivo, com receitas no valor de 48,70 milhões de patacas, de acordo com dados oficiais de 2016.

Na China, no ano passado, o valor da produção industrial de medicina tradicional foi de 865 mil milhões de yuan, com a sua difusão em 183 países e regiões.

Em 2016, o comité central do Partido Comunista Chinês (PCC) e o Conselho de Estado lançaram um plano estratégico de saúde de longo prazo (2016-2030), alicerçado em torno da medicina tradicional chinesa, numa estratégia que dá igual relevo ao desenvolvimento da medicina tradicional da medicina ocidental.

O Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação Guangdong-Macau promove a cooperação na área com os países lusófonos, no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, em 2013. In “Ponto Final” - Macau