Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Portugal – Lançamento de “Os papéis do Leste”, de Mário Pinto de Andrade

Em 1971, o intelectual e homem político angolano Mário Pinto de Andrade foi convidado pelos seus companheiros do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) a visitar uma das frentes onde o movimento conduzia operações militares contra o exército colonial português.


Em junho deste mesmo ano, deslocou-se para a 3.ª Região Político-Militar do MPLA, na fronteira entre Zâmbia e Angola, parte daquela que era conhecida como a Frente Leste. Ao longo dos meses que passou na frente, para além das suas funções de “colaborador para fins de informação política e social”, realizou uma investigação aprofundada para compreender a realidade das populações da região e o impacto da guerra de libertação na sua sociedade.

Este livro recolhe os documentos produzidos por Mário Pinto de Andrade durante e em consequência desta experiência. Guardados durante décadas no seu arquivo, estão agora à disposição de todos aqueles que se interessam pela história de Angola e da sua luta de libertação.

O lançamento realiza-se no domingo, 05 de julho, pelas 19 horas, na Casa do Comum, na rua Rosa Araújo, 285, ao Bairro Alto na cidade de Lisboa.

Intervêm os organizadores do livro, Elisa Scaraggi e Nelson Pestana, em diálogo com Leopoldina Fekayamãle, da BUALA. In “Casa do Comum” - Portugal


segunda-feira, 27 de maio de 2019

UCCLA - Debate “As mudanças sociopolíticas em curso em Angola”



No dia 29 de maio, a partir das 18 horas, a Mercado de Letras Editores e a UCCLA, a propósito da publicação da 2.ªedição da obra “Guerrilhas e Lutas Sociais. O MPLA perante si próprio (1960-1977)” da autoria de Jean-Michel Mabeko-Tali, promovem o debate “Conversa a três” sobre o tema “As mudanças sociopolíticas em curso em Angola”, na UCCLA.

O debate, moderado por Alberto Oliveira Pinto, contará com a presença de Adolfo Maria, Manuel Videira e Jean-Michel Mabeko-Tali.

Biografia:

Jean-Michel Mabeko Tali é originário da República do Congo-Brazzaville. Após receber um ‘Baccalauréat’ em Letras e Ciências Sociais, instalou-se em Angola em 1976, onde lecionou em várias instituições de ensino médio de Luanda e do Lubango.

Em 1983, partiu para França com o objetivo de prosseguir os seus estudos universitários. Obteve a sua Licenciatura em História pela Universidade de Saint-Etienne, e um Master em Estudos Africanos conjuntamente pelo Instituto de História da Universidade Bordeaux III e pelo Instituto de Estudos Políticos - IEP - da Universidade de Bordeaux I. Em 1996, doutorou-se em História pela Universidade Paris VII-Denis Diderot. De regresso a Angola, foi Professor Associado de História no Instituto Superior de Ciências da Educação.

Desde 2002, instalou-se nos Estados Unidos da América, onde concorreu com sucesso para Professor da Universidade Howard, em Washington, DC, instituição onde, atualmente, é Professor Titular da Cátedra de História de África. Tem sido Professor Visitante em diversas universidades francesas e brasileiras. Foi membro do Comité Internacional da UNESCO para o Uso Pedagógico da História Geral de África encarregado, entre 2009 e 2017, da elaboração de manuais de História de África para todos os níveis de ensino no continente. É também membro e contribuidor da subcomissão para o Tomo III do Comité Internacional da UNESCO responsável pela redação do IX Volume da História Geral de África.

Como estudioso da História política e social de Angola e do Congo, publicou vários trabalhos, entre artigos, contribuições a obras conjuntas, prefácios e críticas de obras. Publicou uma versão inicial e parcial da presente obra sob título de Dissidências e Poder de Estado, o MPLA perante si próprio, 1962-1977, Luanda, Nzila 2001, e um estudo comparativo das transições políticas e os debates identitários em Angola e no Congo nos anos 1990-2000, sob o título Barbares et Citoyens. L’identité nationale à l’épreuve des Transitions africaines: Congo-Brazzaville, Angola. Paris, L’Harmattan, 2005. Como romancista, publicou L’Exil et l’Interdit, Paris L’Harmattan, 2001 et Le Musée de la Honte, Paris, L’Harmattan, 2002.

sábado, 27 de agosto de 2016

Angola - Partidos políticos portugueses no VII Congresso do MPLA: ideologias ou interesses?

Muito se falou e ainda se fala sobre este facto. No meu ponto de vista as questões ideológicas da equação, nas relações Angola Portugal, no plano partidário, há muito se perderam, especialmente, com a queda do Muro de Berlim. Aliás, em África – podemos visualizá-lo agora melhor – essas questões só serviam para encobrir a defesa de interesses geo-estratégicos.

Neste âmbito, achei completamente sem sentido e mesmo lamentáveis as declarações que se atribuem ao representante do Partido Comunista Português (PCP), que o expuseram como imaturo ou ignorante, já que o oportunismo, numa vertente tão descarada, não costuma caracterizar tanto o PCP. Entendo que o PCP possa invocar razões de soberania, como o tem feito, no caso da rejeição de projectos parlamentares do Bloco de Esquerda (BE), de condenação à repressão contra as liberdades em Angola, mesmo quando inclua vítimas luso-angolanas. Na mesma medida não posso entender que o PCP destrate, com invocações passadistas, um partido político angolano – a UNITA – agora apenas adversário político do MPLA, depois de se ter estabelecido um pacto que constitui a trave mestra daquilo por que o povo angolano – e por contaminação, o povo português, tendo em conta os laços – aspirou durante tantos anos – o silêncio das armas. Ideologias não salvam vidas nem estabilizam estados, particularmente, em África.

De resto, equivocam-se os que falam da aproximação ideológica do MPLA de hoje, mesmo com os partidos comunistas de Cuba, China ou Coreia do Norte, muito menos com partidos comunistas, socialistas e social-democratas europeus. A vida ensina-nos, hoje por hoje, que vale o que se faz e não o que se escreve ou se diz. O MPLA, hoje, não tem outra ideologia que não a de submeter-se a José Eduardo dos Santos, apoiá-lo a troco de alguns favores, para deixá-lo apossar-se, à vontade, de enormes recursos do país e manter o poder definitivamente, com o apoio do exterior, que se defende com a falácia do respeito à soberania, onde o interesse de indivíduos é confundido com os interesses públicos.

Neste âmbito, na sequência de um certo descaramento que Paulo Portas (PP) vem imprimindo às práticas do CDS, em relação a Angola, as declarações do deputado luso-angolano Hélder Amaral não ultrapassaram quaisquer limites. Na verdade o que houve foi certa franqueza na declaração da ideia da necessidade de participação na espoliação do povo angolano, que não tem nem tribunal nem parlamento que se debruce sobre abusos contra si, porque foi proibida a “judiciarizção” da lavagem do dinheiro angolano em Portugal (segundo PP), enquanto em Angola a Assembleia Nacional não pode criar comissões de inquérito contra práticas irregulares do executivo e de parentes do Presidente.
Difícil corrigir os erros da colonização/descolonização a favor dos dois povos, porque gerações sucessivas de líderes oportunistas ou apenas sem visão vão puxando a brasa para a sua estreita sardinha, em Angola e em Portugal.

Não há mal nenhum que partidos de um e de outro lado se convidem mutuamente para determinados eventos. Mas é fácil intuir o motivo do destaque que se deu aos partidos portugueses no VII Congresso do MPLA: salvar a imagem afundada do líder incontestável, impressionando os angolanos que deverão continuar a pensar que eternizar-se no poder para enriquecer, de tal monta, a família e amigos, dentro e fora do país, traz um enorme prestígio, pelo menos, na nossa antiga metrópole. Marcolino Moco - Angola

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Parceria

“A parceria entre o povo da Guiné-Bissau e da Angola, remonta ao período em que o Amílcar Cabral e o Agostinho Neto conviviam na casa dos estudantes do império, em Lisboa, na década de quarenta do século passado. Ou seja, todas as confabulações e riscos inerentes aos pensamentos independentistas que os dois jovens estudantes corriam, já desenhavam o futuro dos dois países e dos seus respectivos povos. Isso é parceria. Existem relatos históricos que asseguram a participação do Amílcar Cabral na fundação do MPLA-Movimento Popular de Libertação de Angola.
Com o desencadeamento da luta na então Guiné Portuguesa e em Angola, o Cabral foi o grande interlocutor para angariação do apoio que o movimento libertador daquele país recebia do bloco comunista. Quando o PAIGC foi alçado à condição de porta-voz dos povos em luta em África, os nossos combatentes de liberdade da pátria falaram em diversos fóruns internacionais, não só em nome dos povos da Guiné e Cabo-Verde, mas também em nome dos demais povos em África, que lutavam contra o regime de Salazar e Marcelo Caetano, dentre os quis o povo angolano.
Quando em 1970, o Papa Paulo VI recebeu em audiência privada, o Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos, foi o patrono da nossa independência quem falou em nome da delegação e inteirou ao sumo pontífice do andamento das lutas contra o regime colonial português em África, o que foi avaliado pelos analistas de então como uma grande vitória diplomática a favor da descolonização dos nossos países.”  Alberto Indequi – Guiné-Bissau in “Ditadura do Consenso”