Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Internacional - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde e Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência integram projeto europeu para combater as doenças cardiovasculares

Ao longo dos próximos cinco anos, o projeto «CARE-IN-HEALTH», vai desenvolver e testar ferramentas tecnológicas para prevenção, diagnóstico e monitorização de doenças cardiovasculares


O projeto europeu «CARE-IN-HEALTH», que tem como parceiros portugueses o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) e o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), foi recentemente financiado com sete milhões de euros pelo Programa Horizon Europe da Comissão Europeia. O projeto, que terá a duração de cinco anos e envolve dez parceiros europeus, tem como objetivo desenvolver e testar ferramentas tecnológicas para prevenção, diagnóstico e monitorização de doenças cardiovasculares.

Coordenado pelo Instituto francês de Saúde e Investigação Médica – Institut National De La Sante Et De La Recherche Medicale (INSERM), o CARE-IN-HEALTH foca-se numa das principais causas de morte e morbilidade a nível mundial: as doenças cardiovasculares (DCV). Só na Europa, as DCV são responsáveis por 1,9 milhões de mortes/ano e estima-se que os custos associados ao tratamento destas doenças sejam de 200 mil milhões de euros.

“Trata-se de um problema de saúde pública que tem sido muito difícil de controlar e, principalmente, de prevenir, não só devido aos hábitos de vida pouco saudáveis, mas também porque as terapias de redução de risco cardiovascular, que têm como objetivo evitar a formação de placas de gordura nas artérias, comprometem seriamente o sistema imunitário», explicam os investigadores dos dois institutos nacionais.

Tendo em conta que níveis elevados de lípidos no sangue estão diretamente associados à transição saúde-doença cardiovascular, porque desencadeiam a inflamação crónica que aumenta o risco de diversas doenças cardiovasculares, incluindo o enfarte do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC), o CARE-IN-HEALTH propõe-se desenvolver novas estratégias de prevenção baseadas precisamente na redução desta inflamação.

O papel do i3S e do INESC TEC

A equipa do i3S, que irá receber 788 mil euros de financiamento, é coordenada pela investigadora Inês Mendes Pinto e conta com a participação dos investigadores João Relvas, Miguel Neves e Paulo Aguiar.

A missão do i3S neste projeto passará por ” desenvolver uma tecnologia portátil (CARE-IN-HEALTH BIOSENSOR) para monitorizar a resolução da inflamação de forma minimamente invasiva (através de um pequeno volume de sangue)”, explica Inês Mendes Pinto, que é também professora da Faculdade de medicina da U.Porto (FMUP).

Já a equipa do INESC TEC, coordenada pelo investigador João Paulo Cunha, com a participação do investigador Duarte Dias, trará para o projeto a sua longa experiência em processamento avançado de biosinais e desenvolvimento de dispositivos médicos portáteis. Ao INESC TEC, o projeto destina cerca de 340 mil euros e os investigadores irão, assim, apoiar a interligação do referido biossensor numa aplicação móvel e num sistema na cloud com vista a monitorizar biomarcadores inflamatórios e integrar esta informação com outros parâmetros clínicos de forma a avaliar o risco de doença.

“Este projeto será uma excelente oportunidade para colocarmos o nosso conhecimento avançado em conceção e desenvolvimento de dispositivos médicos portáteis ao serviço de uma tecnologia de biossensores com um potencial de disrupção no futuro da gestão das doenças cardiovasculares”, adianta João Paulo Cunha, que é também docente na Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP).

Um modelo personalizado contra as doenças cardiovasculares

No âmbito do CARE-IN-HEALTH será igualmente feita uma recolha de dados epidemiológicos, multieconómicos e imunológicos que serão compilados numa plataforma, que estará disponível para toda a comunidade científica e profissionais de saúde. Estes dados permitirão não só identificar e validar as vias imunitárias críticas de um indivíduo, usando ferramentas de Inteligência Artificial e tradução clínica, mas também, e mais importante, permitirá desenhar um modelo personalizado para tratar a inflamação de cada cidadão.

Para aplicar estas inovações, será desenvolvido um sistema digital multicritério de apoio à decisão médica, para orientar os profissionais de saúde na conceção de estratégias personalizadas de prevenção da doença cardiovascular.

Todas estas ferramentas, incluindo o biossensor portátil, serão testadas em cenários reais através de dois ensaios clínicos de prova de conceito, que serão feitos no Instituto Karolinska, na Suécia, uma das principais universidades médicas do mundo. Universidade do Porto - Portugal


sábado, 25 de junho de 2022

Suécia - Potencial tratamento da diabetes regenera as células produtoras de insulina

Uma possível forma de tratar a diabetes é reparar ou substituir as células do corpo que produzem naturalmente insulina


Investigadores suecos identificaram agora uma molécula que ajuda a estimular o crescimento de novas células produtoras de insulina, e descobriram como funciona, abrindo a possibilidade de novos tratamentos para a diabetes.

A diabetes é caracterizada por problemas com insulina, a hormona que regula os níveis de glicose no sangue e permite que as células do corpo tenham acesso a ela através de energia.

Na diabetes tipo 1, as células beta do pâncreas, que normalmente produzem insulina, não conseguem produzir o suficiente para satisfazer as necessidades do organismo — muitas vezes porque foram destruídas pelo sistema imunitário.

O único tratamento eficaz, atualmente, depende da administração periódica de injeções de insulina para manter os seus níveis normais no organismo.

Um novo estudo, publicado a 13 de junho na Nature Chemical Biology, procura agora formas de repor a produção de insulina dessas células beta.

Os avanços anteriores incluíram a criação de células beta artificiais, capazes de preencher a sua falta, ou a utilização de células estaminais para cultivar novas células.

No novo estudo, investigadores do Instituto Karolinska, na Suécia, examinaram uma pequena molécula que pode ajudar a regenerar as células beta.




A molécula, chamada CID661578, foi identificada em investigações anteriores, mas ainda não tinha sido descoberta a forma como atuava, explica a New Atlas.

Para descobrir, a equipa examinou as suas interações moleculares em células de levedura, e descobriu que se liga a uma proteína chamada MNK2.

Ao fazê-lo, permite que duas outras proteínas interajam a níveis mais elevados, o que acaba por levar a uma maior regeneração das células beta.

A equipa testou a sua molécula, e descobriu que esta baixava os níveis de glucose no sangue quando comparada com um grupo de controlo.

Nas células do pâncreas de porco cultivadas em laboratório, a molécula demonstrou desencadear a formação de novas células beta, enquanto os organóides do pâncreas humano, com a molécula, produziam mais insulina.

“Os nossos resultados indicam um novo alvo potencial para o tratamento da diabetes, na medida em que demonstramos uma forma possível de estimular a formação de novas células produtoras de insulina”, explica Olov Andersson, autor do estudo.

“Vamos agora estudar o efeito desta e de moléculas semelhantes em tecido humano e analisar a proteína-alvo da molécula, MNK2, em tecido de dadores saudáveis e dadores com diabetes”, conclui Andersson. In “Zap.aeiou” - Portugal