Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 11 de fevereiro de 2023

Cabo Verde - Filha do último diretor de jornal Notícias de Cabo Verde oferece coleção única ao país

Mais de um quarto de século da história cabo-verdiana é contada nos 323 números do jornal Notícias de Cabo Verde, que estavam em Lisboa e regressam agora ao arquipélago, oferecidos pela filha do último diretor


Em 1931, o primeiro exemplar do jornal privado Notícias de Cabo Verde noticiava, com destaque e uma fotografia, a chegada do novo governador Amadeu Gomes Figueiredo ao território.

O jornal custava um escudo e foi fundado por Manuel Ribeiro de Almeida, empresário de sucesso na ilha cabo-verdiana de São Vicente, com uma particular paixão pelas artes e ideias.

O número um explicava, no editorial, o programa do Notícias de Cabo Verde: “Fazer a propaganda e a defesa da nossa terra e lutar pelo seu progresso material e moral”.

A publicação durou 31 anos, com uma periodicidade instável, e relatou nas suas edições a história de um Cabo Verde que lutava contra a fome, num mundo atravessado por uma guerra mundial, e ilustrado com muitas fotografias das principais figuras de um Portugal que ainda queria ser imperial.

Como a edição de 23 de Junho de 1939, com uma primeira página preenchida com a fotografia de Óscar Carmona, a propósito da visita do chefe de Estado português ao arquipélago cabo-verdiano.

O Notícias de Cabo Verde foi o primeiro a relatar alguns acontecimentos marcantes da história deste país africano, como a revolta de Nhô Ambrôze, uma manifestação em 1934 de um grupo que percorreu várias ruas da cidade do Mindelo, ostentando um pano preto a servir de bandeira, contra a miséria e a fome.

Também noticiou o “Desastre da Assistência” na cidade da Praia, em Santiago, uma catástrofe que ocorreu em 1949, quando a parede dos Serviços Cabo-verdianos da Assistência ruiu, matando 232 pessoas, sobretudo mulheres e crianças, que ali acorriam por terem fome.

Em mais de um quarto de século, as edições deste jornal deram conta do início e fim da Segunda Guerra Mundial, a luta do arquipélago contra a malária, escreveram sobre as figuras nacionais e locais, com destaque para a cidade do Mindelo, em São Vicente, onde era feito, sublinhando as visitas das mais altas personalidades ao território.

Ao longo destas edições, que estão reunidas em três volumes A3, de capa rija e cor verde com letras douradas, encontram-se textos e poemas de nomes sonantes da literatura cabo-verdiana, como Osvaldo Osório, Armando Vieira, Jorge Miranda Alfama e Mário Fonseca.

A publicidade dava igualmente conta de produtos e negócios no território e na metrópole, assinalava efemérides, como o primeiro centenário do Mindelo (1838 — 1938), com direito a primeira página e edição especial, ao nível do conteúdo e do papel.

O jornal foi impresso na sociedade de Tipografia e Publicidade, fundada por Manuel Ribeiro de Almeida, na qual foram impressas publicações emblemáticas, como a revista Claridade (1936), no âmago de um movimento de emancipação cultural, social e política da sociedade cabo-verdiana.

A última edição do Notícias de Cabo Verde foi à estampa em 28 de Agosto de 1962, sob a direcção de Raul Ribeiro, irmão de Manuel Ribeiro de Almeida, e a principal notícia era a visita a Cabo Verde do então ministro do Ultramar, Adriano Moreira.

A filha de Raul Ribeiro, Helena Neto, proprietária da inédita colecção de jornais, tem a ambição de que estes exemplares sejam vistos pelo maior número de pessoas e desloca-se esta semana ao Mindelo, onde vai oferecer a coleção à biblioteca municipal.

“A ideia é permitir que as obras sejam consultadas, porque não sou eterna, já tenho esta idade” (87 anos), disse à agência Lusa Helena Neto, conhecida como Milene Neto, e que gostaria que os jornais fossem microfilmados para poderem estar disponíveis para todos e para sempre.

Helena Neto, conhecida como Milena, vive em Portugal desde os 10 anos. Cresceu a ver um álbum “muito especial” elaborado pelo pai, Raul Ribeiro, que foi o último diretor do jornal Notícias de Cabo Verde (1931 – 1962) e era um apaixonado pela fotografia.


As fotos inéditas de Gago Coutinho e Sacadura Cabral: “O meu pai foi o primeiro a abrir a porta do avião”

Fotografias inéditas de Gago Coutinho e Sacadura Cabral na ilha cabo-verdiana de São Vicente, tiradas há mais de cem anos por Raul Ribeiro e também na posse da filha vão igualmente ser oferecidas ao arquipélago.

O álbum que Milena Neto guardou até hoje é de cartão e cada página apresenta três a quatro fotografias da aventura dos dois portugueses que, em 1922, realizaram com sucesso a primeira travessia aérea do Atlântico Sul.

A ilha de São Vicente, onde Milena Neto nasceu, foi a segunda paragem da viagem de Gago Coutinho (cartógrafo/navegador) e Sacadura Cabral (piloto), que saíram de Lisboa em 30 de março de 1922, com destino às Canárias, tendo como meta final o Brasil.

Voaram 800 milhas desde as Canárias até São Vicente (Cabo Verde), onde os esperavam uma comissão de honra, de que fazia parte o pai de Milena Neto.

“O meu pai foi o primeiro a abrir a porta do avião”, contou a filha de Raul Ribeiro, o autor da reportagem fotográfica, com as imagens devidamente legendadas.

As fotografias relatam a passagem e estadia dos dois aviadores no Mindelo, onde repararam o hidroavião “Lusitânia”, mostrando imagens do aparelho, populares a observar os aventureiros e marinheiros da Armada a guardarem o avião.

Uma das fotografias mostra Gago Coutinho e Sacadura Cabral a regressarem de uma sessão solene na Câmara Municipal e a entrarem no Palácio do Governo, onde ficaram hospedados.

Outras imagens retratam a dupla a sair do Palácio para um chá em casa do cônsul inglês, bem como Sacadura Cabral à conversa com um mecânico e pessoal da aviação marítima.

Helena Neto gostaria que o álbum tivesse sido entregue antes, nomeadamente no ano passado, que assinalou os cem anos após o feito, muito comemorado em Cabo Verde, mas só agora conseguiu este propósito.

 Recorda que achava graça estudar esta travessia na escola, pois tinha em casa um relato muito especial da viagem, que irá entregar ao presidente da Câmara Municipal do Mindelo na próxima semana, tendo o objetivo de o mesmo ser exposto na Biblioteca Municipal. In “Balai Cabo Verde” – Cabo Verde e MadreMedia / Lusa - Portugal




 


segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Portugal – Universidade do Porto presta homenagem a Sacadura Cabral e Gago Coutinho

Os dois aviadores e Honoris Causa da Universidade vão ser homenageados a 5 e 7 de dezembro, no âmbito das Comemorações do Centenário da Travessia Aérea do Atlântico Sul


Corria a tarde de 5 de dezembro de 1922 quando a “sala nobre” da Universidade, por proposta da Faculdade Técnica, atual Faculdade de Engenharia (FEUP), se “engalanou” para homenagear os aviadores Sacadura Cabral e Gago Coutinho que, meses antes, haviam protagonizado a primeira ligação aérea entre a Europa e a América do Sul. Um momento que, precisamente 100 anos depois, será recordado numa das várias iniciativas que integram as comemorações do Centenário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul (100TAAS), promovidas pela Marinha e pela Força Aérea Portuguesa.

A primeira ligação aérea entre a Europa e a América do Sul, que partiu de Lisboa a 30 de março de 1922 e terminou no Rio de Janeiro a 17 de junho, recorreu a métodos inovadores para a navegação aérea astronómica. Desenvolvido por portugueses, este conjunto de inovações transformou-se num marco que trouxe visibilidade ao País.

Foi precisamente o valor científico dos instrumentos e métodos criados por Artur de Sacadura Freire Cabral e Carlos Viegas Gago Coutinho que levou a Universidade do Porto a conceder-lhes, a 5 de dezembro de 1922, o grau de doutores Honoris Causa. Prestava-se assim a “primeira homenagem científica” aos dois marinheiros aviadores, como recordaria no dia seguinte O Primeiro de Janeiro.

É então este o momento – que pode ser revisitado na recentemente inaugurada Galeria de Retratos de Doutores Honoris Causa da U.Porto – que vai ser assinalado este dia 5 de dezembro com uma tertúlia na Casa Comum (à Reitoria) da U.Porto, marcada para as 18h00.

Nesta sessão, Henrique Henriques-Mateus, historiador da aeronáutica e membro da Comissão Histórico-Cultural da Força Aérea Portuguesa; Mário Correia, piloto aviador, conservador e autor do livro A Grande Aventura (2022) e Isabel Morujão, professora de literatura da Faculdade de Letras da U.Porto (FLUP), sentam-se à mesma mesa para uma conversa moderada por António Mimoso e Carvalho, piloto aviador e membro da Comissão Histórico-Cultural da Força Aérea Portuguesa.

Dois dias depois, dia 7 de dezembro, pelas 15h00, a homenagem faz-se no Salão Nobre da Reitoria, a U.Porto. Após a abertura, Henrique Henriques-Mateus fará o elogio dos doutorados (Honoris causa), a que se seguirá uma conferência sobre A Travessia Aérea do Atlântico Sul, pelo Comandante Costa Canas e uma intervenção do Tenente-General Rafael Martins (Presidente da Comissão Histórico-Cultural da Força Aérea). O encerramento da cerimónia caberá ao Reitor da U.Porto.

Às 17h00, será inaugurada nas arcadas do edifício da Reitoria a exposição Cem Anos da Travessia Aérea do Atlântico Sul, com apresentação e visita orientada pelo Coronel Mouta Raposo, diretor do Museu do Ar. Trata-se de uma exposição itinerante, composta por 18 painéis em estrutura de alumínio que ocupam cerca de 20 metros. Ficará patente ao público durante uma semana.

No mesmo dia, mas às 21h30, o Auditório da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto acolhe um concerto da Banda de Música da Força Aérea. A entrada é livre. Universidade do Porto - Portugal


sábado, 18 de junho de 2022

100 anos: Gago Coutinho e Sacadura Cabral, símbolos da audácia portuguesa


Neste 17 de junho, o Presidente de Portugal evocou os aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral, “símbolos de determinação, coragem, audácia e engenho do povo português”, por ocasião do centenário da primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul.

Em nota da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa recordou que “há precisamente 100 anos concluía-se, na cidade do Rio de Janeiro, a heroica e atribulada Travessia Aérea do Atlântico Sul”.

Gago Coutinho e Sacadura Cabral, os protagonistas de uma “odisseia”, assim descreveu o chefe de Estado, “são e serão heróis” da História de Portugal e são “símbolos de determinação, coragem, audácia e engenho do povo português”.

Em 17 de junho de 1922 os dois aviadores concluíram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, que tinha começado em Belém (Lisboa) no dia 30 de março desse ano.

Das três aeronaves utilizadas pelos aviadores, apenas o “Santa Cruz” – construído em madeira e forrado a tela – sobreviveu, estando exposto no Museu da Marinha. Os seus antecessores estão no fundo do Oceano Atlântico.

No Brasil

A Embaixada de Portugal em Brasília também recordou os portugueses na data de 17 de Junho de 1922, a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, lembrando que eventos irão celebrar o feito.

“Portugal e o Brasil ficaram também, a partir desse dia, ligados por um abraço aéreo. A inédita travessia, uma notável e percursora proeza de navegação aérea, foi uma homenagem ao primeiro Centenário da Independência do Brasil. 100 anos depois, quando o Brasil celebra o Bi-centenário da sua Independência, os dois navegadores aéreos portugueses serão devidamente homenageados no Rio de Janeiro, em ações de grande visibilidade promovidas pelas autoridades brasileiras e portuguesas” informou a Embaixada.

Em julho, o presidente de Portugal passará por SP, Rio de Janeiro e Brasília. No Rio de Janeiro, Marcelo Rebelo de Sousa vai participar nas comemorações do centenário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul, em agenda ainda a ser divulgada.


História

Um marco para a navegação aérea mundial completa 100 anos em 2022. De 30 de março a 17 de junho de 1922, os aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral empreenderam a Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul. Partindo do Rio Tejo, em Lisboa, a aeronave batizada por Lusitânia, um hidroavião monomotor especialmente concebido para a ocasião, realizou o primeiro voo ligando Portugal ao Brasil, repetindo, assim, pelo ar, a viagem marítima do navegador português Pedro Álvares Cabral, alguns séculos antes.

Ao todo, a missão aérea durou 62 horas e 26 minutos, percorrendo cerca de 8300 quilômetros, fazendo escalas em Las Palmas, Gando, São Vicente, São Tiago, Penedos de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha, Recife, Salvador, Porto Seguro, Vitória e, por fim, Rio de Janeiro, que na época era a capital brasileira.

A viagem representou uma inestimável contribuição para a aviação, já que até então viagens de longas distâncias dificultava a manutenção do rumo. Para vencer o obstáculo, a dupla encontrou, com genialidade, uma solução inédita. Após intensos estudos e seus conhecimentos em geografia e cartografia, o Almirante Gago Coutinho aperfeiçoou o sextante náutico, adaptando-o à aviação. Em parceria com Sacadura Cabral, desenvolveu um equipamento denominado “Corretor de Rumos”, que permitia plotar a deriva do avião e calcular o rumo verdadeiro, com excelente precisão.

O início do projeto da Travessia Aérea do Atlântico Sul teve lugar em 1919, por ocasião da visita do Presidente do Brasil a Portugal, quando Sacadura Cabral lançou a ideia de comemorar o primeiro centenário da independência do Brasil.

No ano seguinte, em 1920, Sacadura Cabral encontrava-se na Inglaterra, adquirindo material para a Aviação Naval portuguesa e relacionando os tipos de aeronaves consideradas ideais para a realização da travessia do Atlântico. Desta maneira, sua escolha apontou o fabricante inglês Fairey, construtor do avião F III-D.

A empresa Fairey, inclusive, já dispunha do projeto de um hidroavião com características semelhantes a que Sacadura Cabral procurava, ou seja, o F III-D, modificado, adaptado a uma viagem transoceânica, com a envergadura das asas aumentada e depósitos suplementares de combustível nos flutuadores principais. Sacadura Cabral acompanhou a construção e modificação do avião, que, após difíceis experiências e reajustamentos, ficou pronto quase no final do ano de 1921. As informações são da Força Aérea Brasileira. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

quarta-feira, 30 de março de 2022

Projectos cabo-verdiano e português divulgam Travessia Aérea Atlântico Sul de há 100 anos


Lisboa – O projecto “Travessia 100”, de Cabo Verde, e o projecto “Lusitânia 100”, de Portugal, têm trabalhado de forma coordenada para a divulgação da Travessia Aérea do Atlântico Sul, que completa hoje, 30 de Março, 100 anos. 

Para celebrar o centenário da Travessia Aérea do Atlântico Sul, que se iniciou a 30 de Março de 1922, entre Portugal, passando por Cabo Verde, até o Brasil, o projecto de Cabo Verde, coordenado pelo jornalista, empreendedor e investigador sociocultural, Ildo Fortes, e de Portugal, coordenado pela Associação Lusitânia 100, prestou uma homenagem aos dois pilotos que efectuaram a travessia, hoje, no Monumento da Travessia em Belém, Lisboa. 

A viagem, efectuada há um século pelos oficiais da Marinha Portuguesa, o comandante Artur Sacadura Freire Cabral e o almirante Carlos Viegas Gago Coutinho, teve início a 30 de Março e terminou a 17 de Junho de 1922, no Rio de Janeiro (Brasil).

Em declarações à Inforpress, Ildo Fortes explicou que objectivos comuns dos dois projectos são a divulgação da travessia de 1922, dos seus intervenientes e dos “profundos impactos” sobre os respectivos países”.

O coordenador do projecto lembrou que em 2021 foram também organizadas, conjuntamente, cerimónias públicas evocativas do 99º aniversário da partida de Lisboa (30 de Março), e da chegada a Cabo Verde, 05 de Abril, em São Vicente, e 17 de Abril, em Santiago (Calheta de São Martinho), para, no dia e 18 de Abril, partirem para o Brasil, numa “etapa mais difícil”.

“No quadro da divulgação da travessia teremos ainda aulas abertas nas universidades, escolas secundárias e básicas para explicar aos mais jovens a importância desse acontecimento histórico para Cabo Verde”, contou Ildo Fortes.

A mesma fonte indicou que deve começar no dia 05 de Abril um programa semanal, na Rádio de Cabo Verde (RCV), fruto de parceria com a empresa RTC para a divulgação da parceria. 

Por ter sido a primeira ligação aérea entre a Europa e a América do Sul, tendo os aviadores passado por Cabo Verde, Canárias (Espanha) e Brasil, ficou sempre imortalizada, também pela utilização de um método inovador de navegação aérea desenvolvido pelos portugueses. 

“Tratando-se de um acontecimento marcante para Cabo Verde, os órgãos públicos da comunicação social, a RTC e a Agência Inforpress, têm sido parceiras importantes, a Embaixada de Cabo Verde, em Lisboa, e o gabinete do secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, que têm dado um grande apoio institucional para implementação do projecto junto das autoridades portuguesas e cabo-verdianas”, frisou.   

As actividades comemorativas promovidas pela Marinha e a Força Aérea portuguesas da viagem a bordo do hidroavião Fairey III, batizado “Lusitânia”, e que percorreu 4.527 milhas em 62 horas e 26 minutos sobre o Oceano, começaram desde Janeiro e abarcam exposição itinerante, cerimónia militar, desfile aeronaval, palestras, conferências, teatro e concertos.

Para hoje, dia em que se assinala os 100 anos da primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul levada a cabo por Sacadura Cabral e Gago Coutinho, houve uma largada simbólica junto à Torre de Belém e ao Monumento Lusitânia e, no Centro Cultural de Belém, realizou-se um concerto pela banda de música da Força Aérea portuguesa. 

No dia 31 Março, no Museu do Ar, em Pêro Pinheiro, está programada a entrega aos capitães dos veleiros de uma moeda comemorativa, cunhada pela Casa da Moeda de Portugal, bem como o lançamento de uma emissão filatélica e de um livro institucional sobre a primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul. 

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) inscreveu o Relatório da 1ª Travessia Aérea do Atlântico Sul, no Registo da Memória do Mundo, a 27 de Julho de 2011, que a partir desta data é considerado Património da Humanidade. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

domingo, 10 de outubro de 2021

Portugal - Autoria do logotipo da Travessia Aérea do Atlântico Sul é de um português residente em Inglaterra

Um enfermeiro português que trabalha em Inglaterra, apaixonado por feitos aéreos e com gosto pelo design, venceu o concurso para o logotipo do centenário da primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul, promovido pela Força Aérea e a Marinha portuguesas


O logotipo inclui os dois componentes deste feito: O marítimo, representado pelo mar, e o aéreo, presente através da imagem de uma das aeronaves que, em 30 de março de 1922, levou Sacadura Cabral (piloto) e Gago Coutinho (navegador) a percorrerem o Atlântico e a atingirem o Brasil, depois de passarem pelas Canárias e Cabo Verde.

Sacadura Cabral e Gago Coutinho percorreram 4527 milhas náuticas (8484 quilómetros), em 62 horas e 26 minutos, um “feito memorável”, na opinião de Rafael Filipe Fernandes, 31 anos, a exercer enfermagem em Inglaterra, que ao apresentar a sua proposta de logótipo a concurso pretendeu “contribuir, ainda que de forma simbólica, para essas comemorações”.

O júri desta iniciativa da Comissão Aeronaval Conjunta para as celebrações dos 100 anos da primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul (TAAS), composta pela Marinha e a Força Aérea Portuguesa (FAP), escolheu por unanimidade o trabalho de Rafael Filipe Fernandes, entre as nove propostas apreciadas.

“Desde sempre tive um particular interesse pelas missões da Força Aérea Portuguesa e segui atentamente as suas diversas iniciativas. Tomei conhecimento destas comemorações que, além de terem uma componente entre vários países – Portugal, [Cabo Verde] e Brasil – também há aqui uma partilha entre diferentes instituições: A FAP e a Marinha”, disse à agência Lusa.

Para Rafael Filipe Fernandes, esta foi “uma oportunidade de poder de certa forma contribuir, ainda que de forma simbólica, para essas comemorações”.

Este enfermeiro, que desenvolve ainda um especial gosto pelo design gráfico, o qual contribuiu para a elaboração deste logótipo, considera o feito de Sacadura Cabral e Gago Coutinho “um feito memorável”, equiparado a todos os feitos de Portugal no passado e ao nível das conquistas marítimas.

Contudo, lamentou que o acontecimento tenha acabado por “não ter tanta significância por parte” da população portuguesa e do país em si.

Um menor reconhecimento nacional que acaba por ter repercussões a nível internacional, segundo Rafael Filipe Fernandes, para quem é sempre possível inverter a situação.

“Acho que, de uma forma inicial, temos de começar a olhar para nós internamente e começar a partir daí. Passa muito pela significância que damos a nível nacional e isso reflete-se a nível internacional”, defendeu.

E espera, por isso, que as comemorações do centenário possam “trazer outra vez algum relevo a este feito”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 26 de setembro de 2021

Portugal - Apaixonados pela aviação aquecem motores para o centenário da 1.ª travessia do Atlântico Sul


Lisboa – Um grupo de apaixonados pela aviação e gratos a Sacadura Cabral e Gago Coutinho pela primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul vai aproveitar o centenário do acontecimento para o divulgar pelo mundo e promover o seu estudo nas escolas.

A primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul (TAAS) começou às 06:45 de 30 de Março de 1922, a partir da rampa do Centro de Aviação Naval, na Doca do Bom Sucesso, em Lisboa.

Os dois aventureiros, que já tinham trabalhado juntos em África, destacando-se no seu trabalho que perdura até hoje, utilizaram três aviões e pararam em Las Palmas (Canárias) e São Vicente (Cabo Verde), antes de atingirem o Brasil no chamado “grande salto” que durou 11 horas e 21 minutos.

Ao todo, Sacadura Cabral (piloto) e Gago Coutinho (navegador) percorreram 4527 milhas náuticas (8484 quilómetros), em 62 horas e 26 minutos.

“Além da navegação astronómica de precisão, muito mais importante do que isso é a questão do sonho. Foi um sonho de Sacadura Cabral, que só foi possível com o apoio técnico e inquestionável de Gago Coutinho”, disse em entrevista à agência Lusa o presidente da associação Lusitânia100, João Moura Ferreira.

O líder deste grupo, com o nome do primeiro hidroavião (“Lusitânia”) que descolou frente à Torre de Belém, e a referência ao centenário que se assinala em 2022, considera que a grandiosidade do feito não é devidamente reconhecida em Portugal, o que impede a sua divulgação a nível internacional.

A associação quer contribuir para preencher esse vazio e desde que foi criada, há nove anos, que trabalha na elaboração de um ambicioso programa que tem como objectivo invocar esta primeira travessia como um feito de desenvolvimento tecnológico e de união entre os povos.

Frente ao Santa Cruz, o último hidroavião utilizado nesta viagem e que está visitável no Museu da Marinha, em Lisboa, João Moura Ferreira não esconde o entusiasmo ao falar destes dois pioneiros que atingiram o seu sonho graças à confiança que depositaram um no outro.

“A cumplicidade pessoal entre eles, a absoluta confiança, o trabalho de equipa que eles tiveram, a confiança que tinham nas decisões tomadas são um exemplo para toda a gente, em qualquer época e em qualquer lugar do mundo”, contou.

A estes predicados, juntou-se a sabedoria, principalmente a adquirida durante décadas a desenhar as fronteiras em África e o conhecimento dos instrumentos, como o sextante de horizonte artificial criado por Gago Coutinho.

Para o sucesso do feito contribuiu também o treino que a dureza das condições a que o seu trabalho em África os obrigara, nomeadamente de acomodamento na selva.

Nos aviões que usaram, dispunham de duas cabinas abertas em que estavam literalmente encaixados parcialmente, sem capacidade de mobilidade.

O feito aconteceu no ano em que se comemorava o centenário da independência do Brasil e durante décadas fez parte da matéria escolar, o que actualmente praticamente não acontece, uma situação que a associação pretende alterar.

“Todos nós [gerações com mais idade] ouvimos falar do feito. Depois disso, saiu dos programas da História em Portugal”, lamentou.

E prosseguiu: “Hoje em dia dá-se muito pouca visibilidade a esses feitos, dá-se muito pouca visibilidade aos trabalhos que foram feitos em África e que ficaram como herança científica e nacional. Gostaria que se desse um pouco mais de atenção, mas naturalmente os programas não dependem de nós.

Ainda assim, a associação disponibiliza na sua página da internet “um repositório de dados culturais e científicos para quem quiser ver e aprofundar melhor, o qual tem claramente como destinatários os jovens e os professores das escolas”.

Segundo João Moura Ferreira, engenheiro electrotécnico de formação, são várias as disciplinas em que esta viagem poderá ser abordada, particularmente geografia e matemática, “muita matemática”.

Eles só ficaram vivos porque “acreditaram na matemática e confiaram na matemática. Se não fosse isso, tinham-se perdido e tinham desaparecido sem deixar qualquer rastro”, indicou.

E lembrou o “extraordinário” que a viagem foi numa altura em que “ninguém se atrevia a atravessar o Atlântico e ir aterrar numa pequena ilha”, pois todas as travessias tinham sido feitas tinham sido contra um continente ou uma ilha do tamanho da Irlanda”.

Para João Moura Ferreira, uma das razões para o feito não ser mais conhecido a nível internacional – embora seja considerado um acontecimento científico e humano tremendos – é a pouca divulgação do único relatório da travessia, que foi editado em inglês há 49 anos.

O documento “Relatórios da primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul” foi inscrito pela Unesco no Registo da Memória do Mundo, a 27 de Julho de 2011, e desde então é considerado Património da Humanidade.

Cópias do relatório estão à venda na loja do Museu da Marinha, em Lisboa, mas a associação vai fazer uma reedição em português e inglês, ainda este ano.

No âmbito das celebrações deste centenário, a Lustitânia100 está a organizar um repositório de dados culturais e científicos sobre a travessia.

Sempre com o objectivo de preservar a memória, a associação gostaria de contribuir para o fortalecimento dos “laços internacionais, nomeadamente nos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e em toda a comunidade portuguesa” através da divulgação desta travessia que será assinalada em Portugal, Cabo Verde e Brasil. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”


 

domingo, 25 de abril de 2021

Cabo Verde - São Vicente recorda os “aviadores” que há cem anos iam a caminho do Brasil

O hidroavião “Lusitânia”, de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, fez história em abril de 1922 ao ligar o Atlântico, mas a passagem dos “aviadores” por São Vicente permanece na memória daquela ilha cabo-verdiana, que prepara as comemorações do centenário


“Foi o primeiro voo que Cabo Verde recebeu”, começou por contar à Lusa o engenheiro civil cabo-verdiano Carlos Monteiro, responsável em São Vicente pelas comemorações do centenário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul, preparadas em conjunto com a associação Lusitânia 100, fundada em Portugal em 2013 com a finalidade de divulgar aquela viagem histórica.

No final do dia 05 de abril de 1922, o hidroavião Fairey III D Mkll – o primeiro de três usados naquela histórica travessia - amarou na baía do Mindelo, ilha de São Vicente, depois de uma viagem de 10 horas e 43 minutos para percorrer 1572 quilómetros, desde as Canárias, que tinham sido a primeira paragem após a saída de Belém, Lisboa, em 30 de março.

Aos comandos seguiam Gago Coutinho, experiente cartógrafo da Marinha, e Sacadura Cabral, piloto com larga experiência, conhecimentos complementares e tidos como decisivos para o sucesso da viagem.

“Vendo esse circuito, os quilómetros que foram feitos - no total cerca de 8300 -, a uma velocidade média de 143 quilómetros por hora, dá uma ideia das dificuldades”, recordou Carlos Monteiro.

Segundo os relatos da altura, os dois aviadores portugueses foram recebidos, triunfantes, pela população de São Vicente.

As autoridades municipais do Mindelo mandaram mesmo construir no local onde aportaram um padrão – destruído na década de 1980 e edificado outro cerca de dez anos depois – e a poucas dezenas de metros um obelisco numa praça, a que deram o nome de Gago Coutinho, o qual ficou conhecido como “O Pássaro”, ainda hoje ponto obrigatório de passagem de quem chega a São Vicente.

“Muita gente apareceu aqui para ver. Foi algo de extrema importância (…) Está na memória coletiva de São Vicente e de Cabo Verde em geral”, explicou, apontando ao local onde São Vicente entrou para a história da aviação.

Com o imponente obelisco de fundo, aquela área, junto à baía do Mindelo ficou mesmo conhecida como a “avenida dos aviadores”, tal foi a importância do feito dos dois, recebidos em 06 de abril de 1922 na Câmara Municipal da cidade, que se reuniu em sessão solene para os homenagear publicamente.

Em São Vicente, Gago Coutinho e Sacadura Cabral permaneceram mais de dez dias, em reparações do hidroavião "Lusitânia". A etapa seguinte foi curta, até à Praia, ilha de Santiago, e aconteceu em 17 de abril, com 315 quilómetros percorridos em pouco mais de duas horas. Pouco mais do dobro do tempo das ligações aéreas atuais, praticamente cem anos depois.

“O avião esteve cá, aportou nesta zona, e ainda tentaram ir a Santo Antão [ilha vizinha de São Vicente]. Foram de barco analisar e chegaram à conclusão que não. Foram para a Praia”, recordou Carlos Monteiro que, aos 65 anos, já reformado, se tornou num entusiasta desta aventura. A mesma que conheceu pela primeira vez, na escola, sem então lhe passar pela cabeça que estaria na organização do centenário da viagem, quase seis décadas depois.

“Não imaginava. De facto, na escola, estudei, como todos nós, e na altura já achava um feito interessante, um feito único, que acabou por levar Cabo Verde à história, ao pontapé de saída da aviação. E agora estou cá, deste lado, abraçando este projeto”, brincou.

O 99.º aniversário da chegada dos aviadores ao Mindelo já foi assinalado na cidade em 05 de abril - e na Praia em 17 de abril – com a colocação de uma coroa de flores com as cores das bandeiras dos quatro países ligados pela viagem (Portugal, Espanha, Cabo Verde e Brasil) junto ao padrão na baía.

Contudo, foi apenas o “pontapé de saída” para a preparação das comemorações do centenário, em abril de 2022.

“Estamos a congregar esforços para fazer algo conjunto, Portugal e Cabo Verde, logicamente envolvendo as Canárias, Espanha, e o Brasil (…) Em Cabo Verde queremos envolver a população, a ideia é desenvolver várias atividades, essencialmente ao nível do mar, dos desportos náuticos, alguns espetáculos e cultura”, explicou Carlos Monteiro, que foi diretor de aviação na vertente de abastecimento, pelo que sempre se teve o “bichinho” dos aviões.

No arquipélago, o programa das comemorações do centenário, no Mindelo e na Praia, foi batizado de “Cabo Verde: Os caminhos da História” e tem três vertentes: Educação, cultura e cidadania, envolvendo entidades públicas e privadas locais, incluindo conferências internacionais a dinamizar conjuntamente com as universidades cabo-verdianas.

Os dois aviadores deixaram a ilha de Santiago em 18 de abril de 1922 para a o troço mais longo da viagem. Levaram 11 horas e 21 minutos para percorrer os 1682 quilómetros até amarar no arquipélago de São Pedro e São Paulo, um conjunto de pequenos ilhéus rochosos do estado brasileiro de Pernambuco, mas ainda a quase 1000 quilómetros da costa continental.

Ali trocaram para o Fairey N.º 16, batizado de “Pátria”, mas este sofreu uma avaria no motor em 04 de maio, na viagem a caminho do arquipélago de Fernão de Noronha, e os aviadores foram forçados a amarar de emergência.

Já no terceiro hidroavião, o Fairey N.º 17, batizado "Santa Cruz", Gago Coutinho e Sacadura Cabral chegaram ao Rio de Janeiro em 17 de junho de 1922, o destino final.

“Teve grande impacto não só em termos de Portugal, mas também no mundo e logicamente em Cabo Verde (…) Acabou por nos introduzir no seio da aviação civil, teve uma grande importância para Cabo Verde”, reconheceu Carlos Monteiro. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”