Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 20 de maio de 2025

Namíbia - Primeiro Dia da Memória do Genocídio será comemorado nos Jardins do Parlamento com feriado público

O diretor executivo do Ministério da Tecnologia da Informação e Comunicação, Audrin Mathe, diz que a Namíbia celebrará o primeiro Dia da Memória do Genocídio nos Jardins do Parlamento

O dia será comemorado em memória das atrocidades cometidas pela Alemanha contra os Nama e Ovaherero há mais de 100 anos.

Em declarações à Desert FM nesta terça-feira, Mathe disse que o evento será oficialmente reconhecido como feriado público, nas proximidades do Alte Feste, um dos locais onde essas atrocidades foram cometidas.

"A Alte Feste, como vocês devem se lembrar, é bem perto dos Jardins do Parlamento. Como este é um evento inaugural, o evento acontecerá lá e então tomaremos decisões sobre onde serão os próximos eventos", disse ele.

Segundo Mathe, o planeamento para este evento inaugural está em andamento há semanas, se não meses. Ele afirmou que há planos para falar diretamente com as comunidades afetadas.

Ele disse que o governo tem conversado com os líderes tradicionais dessas comunidades para que o evento se torne inclusivo e reconheça as atrocidades cometidas.

“Mas, à medida que nos aproximamos do final da semana, início da próxima, devemos estar em condições de divulgar mais detalhes, especificamente sobre a programação e quem falará. Por enquanto, basta dizer que a nossa liderança nacional estará presente. Os líderes das comunidades afetadas também estarão presentes”, disse Mathe.

Ele acrescentou que o Dia da Memória do Genocídio percorreu um longo caminho desde as discussões em torno dele em 2016, levando o governo a anunciar em 2024 que o dia seria reconhecido e comemorado em 28 de maio de 2025 pela primeira vez.

"Quase 80% do povo Nama foi exterminado durante aquele genocídio, e os Ovaherero foram reduzidos a 50% da população. Não foi apenas o massacre, mas também a distribuição de terras que criou a pobreza nacional entre a população", disse Mathe.

Ele acrescentou que as pessoas foram retiradas de suas terras, presas e levadas para o deserto para morrer.

Mathe encorajou as pessoas a encontrarem maneiras apropriadas de reconhecer a importância do Dia da Memória do Genocídio, incentivando ainda os cidadãos a aproveitarem a oportunidade para refletir sobre o fato de que já se passaram 35 anos desde a independência e nem todos têm acesso à terra.

“Desde 1990, o governo tenta comprar terras e ajudar os afetados, mas os preços frequentemente triplicam quando vendidos ao estado. Terrenos no valor de N$ 4 milhões de repente custam N$ 12 milhões. Precisamos de um diálogo honesto sobre como o governo pode adquirir e distribuir terras de forma acessível”, disse Mathe. Feni Hiveluah – Namíbia in “The Namibian”


quarta-feira, 30 de março de 2022

Projectos cabo-verdiano e português divulgam Travessia Aérea Atlântico Sul de há 100 anos


Lisboa – O projecto “Travessia 100”, de Cabo Verde, e o projecto “Lusitânia 100”, de Portugal, têm trabalhado de forma coordenada para a divulgação da Travessia Aérea do Atlântico Sul, que completa hoje, 30 de Março, 100 anos. 

Para celebrar o centenário da Travessia Aérea do Atlântico Sul, que se iniciou a 30 de Março de 1922, entre Portugal, passando por Cabo Verde, até o Brasil, o projecto de Cabo Verde, coordenado pelo jornalista, empreendedor e investigador sociocultural, Ildo Fortes, e de Portugal, coordenado pela Associação Lusitânia 100, prestou uma homenagem aos dois pilotos que efectuaram a travessia, hoje, no Monumento da Travessia em Belém, Lisboa. 

A viagem, efectuada há um século pelos oficiais da Marinha Portuguesa, o comandante Artur Sacadura Freire Cabral e o almirante Carlos Viegas Gago Coutinho, teve início a 30 de Março e terminou a 17 de Junho de 1922, no Rio de Janeiro (Brasil).

Em declarações à Inforpress, Ildo Fortes explicou que objectivos comuns dos dois projectos são a divulgação da travessia de 1922, dos seus intervenientes e dos “profundos impactos” sobre os respectivos países”.

O coordenador do projecto lembrou que em 2021 foram também organizadas, conjuntamente, cerimónias públicas evocativas do 99º aniversário da partida de Lisboa (30 de Março), e da chegada a Cabo Verde, 05 de Abril, em São Vicente, e 17 de Abril, em Santiago (Calheta de São Martinho), para, no dia e 18 de Abril, partirem para o Brasil, numa “etapa mais difícil”.

“No quadro da divulgação da travessia teremos ainda aulas abertas nas universidades, escolas secundárias e básicas para explicar aos mais jovens a importância desse acontecimento histórico para Cabo Verde”, contou Ildo Fortes.

A mesma fonte indicou que deve começar no dia 05 de Abril um programa semanal, na Rádio de Cabo Verde (RCV), fruto de parceria com a empresa RTC para a divulgação da parceria. 

Por ter sido a primeira ligação aérea entre a Europa e a América do Sul, tendo os aviadores passado por Cabo Verde, Canárias (Espanha) e Brasil, ficou sempre imortalizada, também pela utilização de um método inovador de navegação aérea desenvolvido pelos portugueses. 

“Tratando-se de um acontecimento marcante para Cabo Verde, os órgãos públicos da comunicação social, a RTC e a Agência Inforpress, têm sido parceiras importantes, a Embaixada de Cabo Verde, em Lisboa, e o gabinete do secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, que têm dado um grande apoio institucional para implementação do projecto junto das autoridades portuguesas e cabo-verdianas”, frisou.   

As actividades comemorativas promovidas pela Marinha e a Força Aérea portuguesas da viagem a bordo do hidroavião Fairey III, batizado “Lusitânia”, e que percorreu 4.527 milhas em 62 horas e 26 minutos sobre o Oceano, começaram desde Janeiro e abarcam exposição itinerante, cerimónia militar, desfile aeronaval, palestras, conferências, teatro e concertos.

Para hoje, dia em que se assinala os 100 anos da primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul levada a cabo por Sacadura Cabral e Gago Coutinho, houve uma largada simbólica junto à Torre de Belém e ao Monumento Lusitânia e, no Centro Cultural de Belém, realizou-se um concerto pela banda de música da Força Aérea portuguesa. 

No dia 31 Março, no Museu do Ar, em Pêro Pinheiro, está programada a entrega aos capitães dos veleiros de uma moeda comemorativa, cunhada pela Casa da Moeda de Portugal, bem como o lançamento de uma emissão filatélica e de um livro institucional sobre a primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul. 

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) inscreveu o Relatório da 1ª Travessia Aérea do Atlântico Sul, no Registo da Memória do Mundo, a 27 de Julho de 2011, que a partir desta data é considerado Património da Humanidade. In “Inforpress” – Cabo Verde