Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 2 de maio de 2026

Cabo Verde - Festival Kontornu regressa ao país para a sua 4.ª edição com programação internacional de dança e artes performativas

A 4.ª edição do Festival Kontornu – Festival Internacional de Dança e Artes Performativas de Cabo Verde acontece de 11 a 16 de maio de 2026, afirmando-se como um dos principais encontros artísticos do país e um dos principais festivais de dança do continente africano da atualidade.


A programação estará centrada na cidade da Praia, com uma extensão especial na Cidade Velha e o seu já emblemático encerramento no Tarrafal de Santiago, reforçando a dimensão territorial e descentralizada do festival.

O Festival Kontornu reúne nesta edição cerca de 80 participantes provenientes de vários países, entre artistas, programadores, investigadores e profissionais das artes performativas (Portugal, Brasil, Grécia, Suíça, República Dominicana, Espanha, Senegal, França, Itália)

Mais do que um festival, o Kontornu posiciona-se como uma plataforma de criação, intercâmbio e pensamento crítico, cruzando linguagens como dança contemporânea, danças urbanas, performance, circo, teatro e práticas híbridas. O seu foco passa por estimular redes internacionais, promover e contribuir para a construção de novas narrativas no campo das artes performativas e tornar Cabo Verde um epicentro das artes performativas do mundo.

Ação social: “Menos Álcool, Mais Vida” celebra 10 anos

Nesta edição, o festival associa-se à campanha “Menos Álcool, Mais Vida”, que celebra 10 anos de existência.

Esta parceria reforça o compromisso do Kontornu com a responsabilidade social e a promoção de estilos de vida saudáveis, especialmente junto da juventude. A campanha tem sido fundamental na sensibilização para os impactos do consumo excessivo de álcool, incentivando escolhas conscientes e o bem-estar coletivo, alinhando-se com os valores educativos e comunitários do festival.

Kopano – Encontro Internacional de Programadores

O festival volta a acolher o Kopano – Encontro Internacional de Programadores, um espaço de reflexão, networking e cooperação entre profissionais das artes.

Esta iniciativa é realizada em parceria com o Restaurante Batuku e a Câmara Municipal da Cidade Velha, criando um ambiente de diálogo entre agentes culturais locais e internacionais. O Kopano tem como objetivo fortalecer circuitos de circulação artística, estimular coproduções e posicionar Cabo Verde no mapa global das artes performativas.

Homenagem a Marlene Monteiro Freitas

A 4.ª edição presta homenagem à coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas, uma das mais reconhecidas artistas da cena contemporânea internacional. Esta homenagem celebra o seu percurso singular e o impacto da sua obra, que tem contribuído para redefinir a presença da criação cabo-verdiana nos grandes palcos do mundo. A sua abordagem radical, inventiva e profundamente autoral inspira novas gerações de artistas e reforça a importância da experimentação estética.

Kontornu Dance Camp – Nova geração em residência

Como novidade desta edição, surge o Kontornu Dance Camp, uma residência artística que reúne jovens bailarinos de diferentes partes do mundo.

Durante o festival, os participantes estarão em residência no Estádio Nacional, desenvolvendo práticas intensivas de formação, criação e intercâmbio. Esta iniciativa visa investir na próxima geração de artistas, promovendo o encontro entre culturas, linguagens e experiências.

Kontornu Dance Battle – Encerramento no Tarrafal

O festival encerra com o Kontornu Dance Battle, uma grande celebração das danças urbanas, que terá lugar no Tarrafal.

Esta atividade é realizada em parceria com o Festival IUFA (Açores), reforçando pontes entre territórios insulares e comunidades artísticas. A batalha promete reunir bailarinos, público e energia coletiva num momento de partilha, competição saudável e celebração da cultura urbana.

Sobre o Festival Kontornu

O Festival Kontornu é um evento dedicado à dança e às artes performativas, que promove a criação contemporânea, o intercâmbio internacional e a valorização das práticas artísticas africanas e da diáspora. Festival Kontornu - Cabo Verde




segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Cabo Verde - Abertura de candidaturas – Festival Kontornu 2026

O Festival Internacional de Dança & Artes Performativas Kontornu anuncia oficialmente a abertura do seu Open Call para a 4ª edição, que terá lugar de 9 a 16 de maio de 2026, na Ilha de Santiago – Praia, Cidade Velha e Tarrafal

4ª Edição Festival Kontornu com candidaturas abertas até 31 de Agosto


Depois de uma terceira edição memorável, com mais de 20 espetáculos, workshops, conversas, residências e 9 países participantes, o Kontornu anuncia a agenda de 2026. Reconhecido pelo seu impacto cultural, social e artístico, o festival posiciona-se como um dos eventos mais relevantes das artes performativas da lusofonia da atualidade unindo territórios, corpos e saberes em Cabo-Verde.

A 4ª edição tem como tema “Movimento e Pensamento”, apostando num programa que conecta corpo e reflexão, criando espaços de intercâmbio artístico, pensamento crítico e diálogo entre artistas, públicos e comunidades.

Quem pode candidatar-se?

O Open Call é dirigido a artistas e companhias nacionais com propostas nas áreas de:

  • Dança contemporânea e teatro físico
  • Performances e espetáculos de rua
  • Circo e espetáculos infantis
  • Instalações e projetos site-specific
  • Conferências-performances

O festival valoriza fortemente projetos que ocupem espaços não convencionais, aproximando a arte de praças, escolas e comunidades e reforçando a descentralização cultural.

Destaques da 4ª Edição

  • Simpósio Internacional: na Cidade Velha, reunindo curadores e programadores internacionais para discutir “O futuro da programação em dança e artes performativas”, com enfoque nos contextos do Sul Global.
  • Lançamento da Rede de Dança da CPLP: criando as primeiras conexões entre artistas e instituições dos países membros.
  • Kontornu Dance Camp: residência intensiva com 10 bailarinos nacionais e 10 internacionais, promovendo formação, criação e intercâmbio artístico.
  • Programas Comunitários e Juvenis: ocupação de bairros periféricos com espetáculos e oficinas, 50% da programação dedicada à infância e juventude, aulas abertas de dança nas praias com o Kebra Moves, e ações que democratizam o acesso à arte.

Prazo e envio de propostas

As candidaturas já estão abertas e devem ser submetidas através do formulário oficial disponível nos canais do festival.

Festival Kontornu 2026

Datas: 9 a 16 de Maio de 2026

Locais: Praia, Cidade Velha e Tarrafal – Ilha de Santiago

O Festival Kontornu acredita na arte como motor de transformação, na dança como linguagem de resistência e na criação como prática política. A 4ª edição reafirma o compromisso com inclusão, pensamento crítico, descentralização cultural, memória e futuro, colocando Cabo Verde no mapa global das artes performativas. Kontornu Festival – Cabo Verde


quarta-feira, 14 de maio de 2025

Cabo Verde - Encerramento da 3.ª Edição do Festival Kontornu: um marco cultural no país

O Festival Kontornu concluiu a sua terceira edição a 10 de maio de 2025, no Tarrafal de Santiago, após uma semana de intensa programação iniciada a 3 de maio na Cidade da Praia. Este evento consolidou-se como um dos maiores festivais de dança nos países de língua portuguesa, reunindo artistas de diversas nacionalidades, incluindo Portugal, Ucrânia, Polónia, República Checa, Brasil, Moçambique, Itália, Espanha e República Dominicana. A programação diversificada incluiu workshops, espetáculos, conversas, exposições de artes plásticas e desempenhos de rua, proporcionando uma plataforma rica para o intercâmbio cultural e artístico.



Formação de Públicos e Inclusão Social: o papel da programação infantil

Uma das mais nobres e estratégicas vertentes do Festival Kontornu residiu na sua aposta na programação voltada para o público infantil. Esta escolha, longe de ser um simples gesto de inclusão simbólica, representa uma visão esclarecida sobre a importância da iniciação cultural desde os primeiros anos de vida. Ao acolher crianças oriundas de escolas de diversos bairros da Cidade da Praia — muitos deles marcados por desafios sociais e económicos — o festival criou condições para que estas tivessem o seu primeiro contacto com a arte performativa em contextos formais e institucionais de cultura, como teatros e centros culturais.

Os espetáculos dedicados à infância, cuidadosamente desenhados para dialogar com o universo sensorial, emocional e cognitivo das crianças, tiveram um impacto profundo. Por um lado, permitiram a fruição estética e artística por parte dos mais novos; por outro, contribuíram para a formação de públicos críticos e conscientes. Crianças expostas desde cedo à diversidade de linguagens artísticas desenvolvem maior sensibilidade, criatividade e capacidade de análise. Neste sentido, o Festival Kontornu não só promoveu o entretenimento educativo, como também semeou noções de cidadania cultural e pertença social.

Adicionalmente, esta iniciativa teve um papel relevante na promoção da equidade no acesso à cultura. Em contextos marcados por desigualdade, como os de muitos bairros periféricos da capital cabo-verdiana, a participação em eventos culturais é frequentemente limitada por barreiras económicas, geográficas e simbólicas. Ao garantir o acesso gratuito e organizado de centenas de crianças aos espetáculos, o festival combateu essas barreiras, operando como um agente de inclusão social efetiva. Criou-se, assim, um espaço de convívio e partilha intergeracional, onde a arte serviu de ponte entre diferentes mundos e realidades.

Mais do que uma atividade paralela, a programação infantil do Festival Kontornu mostrou-se um eixo central de ação cultural com implicações duradouras. Investir na formação de públicos não é apenas preparar o futuro da arte — é também, e sobretudo, investir na formação de cidadãos mais livres, conscientes e preparados para pensar criticamente o mundo que habitam.

Parcerias Estratégicas: a colaboração com a Bienal de Dança do Ceará

O festival contou com uma parceria especial com a XV edição da Bienal de Dança do Ceará, que trouxe cerca de 10 espetáculos para Cabo Verde. Esta colaboração internacional reforçou a qualidade e diversidade da programação, promovendo o intercâmbio artístico entre os países lusófonos e ampliando as oportunidades de formação e exposição para os artistas locais.

Acesso Gratuito e Mobilização Comunitária: democratização da cultura

Com uma programação completamente gratuita, o Festival Kontornu investiu na mobilização de associações comunitárias e grupos juvenis, facilitando o acesso aos teatros e espetáculos. Esta abordagem inclusiva democratiza o acesso à cultura, promove a coesão social e fortalece os laços comunitários, contribuindo para uma sociedade mais equitativa e culturalmente rica.

Apesar do evidente sucesso artístico e da resposta calorosa do público, a terceira edição do Festival Kontornu operou sob um cenário profundamente precário, resultado direto da fragilidade do apoio institucional e da insuficiência orçamental. Esta realidade não só revela as dificuldades estruturais que enfrentam as iniciativas culturais no arquipélago, como também expõe um certo desinteresse — ou no mínimo negligência — por parte das entidades responsáveis pela promoção e valorização da cultura em Cabo Verde.

O festival, que se afirma hoje como uma referência nos circuitos das artes performativas dos PALOP, não contou com a presença de representantes das estruturas culturais estatais durante os dias do evento. Esta ausência, para além de simbólica, é também política: ela comunica uma hierarquização clara das práticas culturais apoiadas, onde certas expressões artísticas — muitas vezes com menor potencial crítico ou transformador — recebem grande visibilidade e financiamento, enquanto outras, como a dança contemporânea e a performance, continuam a ser marginalizadas.

A omissão dos parceiros culturais na divulgação do festival através dos seus canais oficiais é também reveladora. Num país onde os meios de comunicação institucional são ainda centrais para a circulação da informação, o silêncio dos organismos públicos equivale a uma forma de apagamento simbólico. Tal atitude não só compromete a sustentabilidade de projetos independentes como o Kontornu, como perpetua uma lógica elitista e excludente na definição daquilo que é — ou não é — cultura “merecedora” de atenção e investimento.

O subfinanciamento do festival traduziu-se, de forma concreta, na sobrecarga da equipa organizadora, que teve de operar com um número muito reduzido de produtores e técnicos. Esta escassez de recursos humanos e logísticos fragilizou não só a operacionalização do evento, mas também o bem-estar e a saúde dos profissionais envolvidos, muitos dos quais trabalham já em condições de enorme instabilidade. É fundamental compreender que sem investimento justo e contínuo, a produção cultural transforma-se num exercício de resistência, onde o entusiasmo artístico é frequentemente minado pela exaustão e pelo abandono institucional.

A crítica que aqui se impõe não é apenas à ausência pontual de apoio, mas a um modelo estrutural de desvalorização das artes performativas, que tende a priorizar eventos de cariz mais comercial ou turístico, em detrimento de projetos que investem na formação, na inclusão e na experimentação artística. Esta política cultural desequilibrada compromete a diversidade e a vitalidade do ecossistema artístico cabo-verdiano.

Perspetivas Futuras: Festival incerto e a necessidade de compromisso institucional

O futuro do Festival Kontornu depende do envolvimento e financiamento efetivo das estruturas culturais. Esta dependência não se baseia apenas numa expectativa moral ou ética: trata-se de uma exigência legal e constitucional. A Constituição da República de Cabo Verde estabelece, no seu artigo 78.º, que "todos têm direito à fruição e criação cultural" e que incumbe ao Estado "promover a democratização do acesso à cultura e incentivar a participação de todos na vida cultural". Assim, as autoridades nacionais e autárquicas têm o dever constitucional de garantir não apenas o acesso à cultura, mas também os meios concretos para a sua produção e difusão.

Neste contexto, o apoio à continuidade de eventos como o Festival Kontornu não deve ser encarado como um ato de benevolência governamental, mas como o cumprimento de uma obrigação pública perante os cidadãos. Quando o financiamento de atividades culturais é concentrado em eventos com forte mediatismo ou viés comercial, relegando para segundo plano iniciativas comprometidas com a formação crítica, a inclusão e a valorização da diversidade artística, perpetua-se uma desigualdade de oportunidades que fere o princípio de justiça cultural.

O Festival Kontornu demonstrou, ao longo das suas edições, ser muito mais do que um evento artístico: é uma plataforma de encontro, de intercâmbio, de reflexão e de projeção internacional. Abre portas para artistas emergentes, fomenta o pensamento crítico, dinamiza o setor criativo e projeta Cabo Verde no circuito global da dança contemporânea. Contudo, sem o apoio estrutural e consistente do poder público, festivais com este perfil são constantemente ameaçados pela descontinuidade, pela precariedade e pelo esgotamento das suas equipas produtoras.

O Estado e os municípios devem, portanto, rever as suas prioridades orçamentais e reconhecer que investir na cultura não é um luxo, mas uma alavanca fundamental para o desenvolvimento sustentável. O impacto de um festival como o Kontornu estende-se para além das salas de espetáculo: ele movimenta o turismo cultural, estimula a economia local (através do alojamento, da restauração e do comércio), promove a educação artística nas escolas, gera emprego e fortalece a identidade cabo-verdiana perante o mundo.

Em sociedades marcadas por profundas desigualdades sociais e territoriais, o investimento em cultura assume um valor estratégico. Ele contribui para a coesão social, reduz distâncias simbólicas e reais entre os cidadãos, e oferece ferramentas para a transformação social. O Festival Kontornu é um exemplo claro de como a arte pode transformar vidas e territórios. O seu desaparecimento, por falta de compromisso institucional, não seria apenas uma perda para a classe artística — seria uma derrota para o próprio projeto de país que se pretende democrático, inclusivo e culturalmente vibrante.

Portanto, não avançaremos mais com o festival, se não houver um aporte financeiro que dignifique os profissionais que trabalham para que ele possa acontecer. Djam Neguin – Cabo Verde Festival Kontornu