Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Brasil - Clubes jovens fortalecem autonomia feminina para jovens e mulheres

Proposta é mudar contextos dominados por homens, oportunidades de misoginia e ensinar jovens a defender-se na esfera digital. A ONG Girls Up nasceu nos EUA e alastra-se a outros países. A socióloga Munah Munek disse à ONU News que debate entre meninas e meninos é essencial para construção de uma nova realidade


Quem ouve as jovens? Uma jovem brasileira que lidera clubes para jovens defende que elas precisam ocupar espaços de destaque, desde a própria comunidade até os grandes centros de poder.

Já uma socióloga participante na 70.ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, CSW, considera urgente conquistar o direito e a legitimidade de falar de igual para igual.

Impacto na Sociedade

Neste mês de março, o Mês da Mulher, levou milhares de vozes femininas a Nova Iorque. Na sede da ONU, a 70.ª CSW teve brasileiras da iniciativa global Girl Up promovendo um evento especial com foco na saúde menstrual de adolescentes e principais perguntas de milhares de jovens.

Em 2026, os debates foram guiados pelo lema: “Justiça. Ação. Para todas as Mulheres e Meninas”. Em pauta: o direito à liderança, o acesso aos espaços de decisão e a luta ativa contra a desigualdade e a violência.

A ONU News conversou com Lucília, representante da ONG Girls Up. Ela atua diretamente com clubes locais que ajudam a quebrar as barreiras impostas às mulheres, na expectativa de mudar a trajetória e o futuro dessas jovens.

“O que acontece muito é que, às vezes, nós não temos voz, nós meninas mais jovens, acabamos não tendo tanta voz nos debates e existem muitas questões que as meninas precisam que sejam ditas. Então, um dos tópicos que a gente vem falando muito sobre ultimamente é a dignidade menstrual, como as necessidades que certas meninas têm com relação à sua saúde menstrual. Elas precisam ser ouvidas, quais as adaptações que precisam ser feitas, mas essa voz muitas vezes não ecoa onde ela precisa ecoar. Então, nós viemos aqui como uma forma de trazer essa mensagem, que essas meninas precisam que cheguem mais longe para que elas sejam atendidas.”

Expor o que jovens passam e precisam

Quem também participou da conversa foi a socióloga Munah Munek. Na conversa com a ONU News, ela ressalta que abrir espaço para a juventude debater e expor as suas necessidades é essencial, seja para meninos ou meninas.

Segundo a especialista, nada supera a sensação de saber que a sua voz tem valor.

“É um sentimento muito bom de abertura, realmente, porque, como eu falei, às vezes esse espaço não é aberto. Então, quando nós conseguimos abrir esse espaço e esses jovens e essas jovens, meninos, meninas, quando todos conseguem sentir que o espaço foi aberto para que o debate aconteça, para que nós consigamos trazer as nossas perguntas, é uma coisa muito boa, porque não existe nada melhor do que sentir que você está sendo ouvido. Então, é uma coisa realmente muito gratificante ver essas meninas, esses jovens, podendo trazer a sua realidade, falar, é isso aqui que acontece na minha região, na minha casa foi desse jeito, e essas pessoas sentem que, finalmente, estão podendo expor aquilo que elas passam e que elas precisam.”

Estratégias de segurança digital

A presença da Girl Up vai muito além do Brasil: trata-se de uma força global. Nascida nos Estados Unidos, a ONG atua em nações como México, Chile, Argentina e Índia, moldando as suas ações de acordo com as necessidades específicas de cada região.

A apresentação mostrou estratégias que as jovens usam para reivindicar direitos e engajar outras meninas de forma presencial ou virtual. Além disso, destacou a necessidade de fortalecer a conexão com jovens de outros continentes.

“Na Girls Up Brasil, a gente tem algumas parcerias para esse projeto, em especial, sobre saúde menstrual, que a gente vai falar hoje, nós temos a parceria do Instituto Alana, que é um instituto também que trabalha para promover a igualdade, o crescimento, o desenvolvimento de crianças no Brasil, e a Girls Up Brasil também se organiza em diversas frentes, além de menstruação. Nós trabalhamos também com democracia, com política, encorajando meninas a não só se candidatarem, serem lideranças, mas também trabalharem para promover o voto jovem, para consciencialização política pela democracia, trabalhamos também com as áreas de tecnologias, meninas nas ciências, estamos muito enfocadas também em seguranças e estratégias de segurança digital, e com o nosso pilar de saúde, onde está a saúde menstrual, a saúde mental, também trabalhando esses eixos.”

No diálogo, Munah Munek destacou ainda um avanço recente e importante para meninas na busca por equidade: a segurança digital dos menores, agora garantida por lei modernizada no Brasil.

Em vigor desde 17 de março, o chamado ECA Digital atualiza o Estatuto da Criança e do Adolescente e moderniza a proteção dos jovens na internet.

“ECA é o Estatuto da Criança e do Adolescente, que é uma lei que nós temos no Brasil, se eu não me engano é desde 1992, é uma lei extremamente sofisticada no que tange à proteção dos direitos de crianças e adolescentes, desde garantir a eles o acesso à vida comunitária, o direito à saúde, educação, lazer, ao brincar, colocando crianças e adolescentes como prioridade absoluta em todos os temas que tangenciam as nossas vidas. O que a gente faz na Guerra UP é aumentar, extrapolar essa questão da segurança, também dando para essas jovens que trabalham, que estão dentro da nossa rede, conectadas dentro da nossa comunidade, a possibilidade de exercerem as suas lideranças”.

Para Munah, atualizar as ferramentas de segurança digital, criar um senso de comunidade e formar líderes são passos que transformam a realidade de milhares de meninas.

Maior projeção

Lucília, por sua vez, faz um alerta: é urgente que as meninas sejam ouvidas em todos os níveis de decisão. Ela acredita que, ao dar espaço para essas vozes, as jovens passarão a ocupar lugares de destaque, desde o dia a dia na comunidade até os grandes centros de poder.

"A primeira coisa que todas nós queremos é que o mundo esteja aberto a nos escutar, não só sobre a nossa saúde, mas, como a Munah falou, a Girl Up atua em diversos temas e nós queremos fazer parte de todos esses temas. Isso não significa necessariamente estar na ONU ou estar no Congresso Nacional, óbvio que estar nesses lugares é uma coisa maravilhosa, a Girl Up Brasil já esteve nos dois, então é claro que nós queremos essas oportunidades também, mas se nós pudermos ser ouvidas nas nossas casas, nas nossas ruas, bairros, cidades, onde tudo começa, exatamente, dos lugares menores aos de maior projeção, se nós pudermos ser escutadas em todos os temas que têm algo a ver com a nossa existência, aí eu acredito que as meninas vão ter o  direito e a propriedade para lidar com o mundo da forma que nós queremos”

Potencializado pela atuação dos clubes, o novo mecanismo para garantir um ambiente digital seguro e a proteção integral da infância exigirá uma responsabilidade compartilhada entre famílias, plataformas e o Estado. A medida também requer ferramentas rigorosas de verificação de idade e controlo parental.

O trabalho da Girl Up aborda, ainda, o combate à exploração sexual e os desafios impostos pelas plataformas digitais, que afetam as meninas de forma desproporcional. Eleutério Guevane – Brasil ONU News


sexta-feira, 13 de março de 2026

Moçambique propõe rede global de justiça social para fim da violência contra mulher

A Ministra do Trabalho, Género e Ação Social apresentou proposta em evento paralelo da 70.ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, em Nova Iorque. Moçambique aposta no empoderamento económico como caminho para reduzir agressões, em nível nacional iniciativas reforçam rede de atendimento a vítimas e envolvem influenciadores digitais na sensibilização da população


Para acabar com a violência de género é preciso eliminar a pobreza feminina. Essa é a mensagem que Moçambique quer marcar na 70.ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, que acontece na sede da ONU, em Nova Iorque, até 19 de março.

Em entrevista para a ONU News, a ministra do Trabalho, Género e Ação Social de Moçambique, Ivete Alane, revelou que o país está a propor a criação de uma articulação internacional para proteger as mulheres com abordagens que passam pelo empoderamento económico.

Relação entre pobreza e violência de género

“Assumimos dois compromissos, que é a zero violência e a eliminação da pobreza feminina. E nós viemos para esta sessão da CSW com um evento paralelo com a intenção de criarmos uma rede global de justiça social para o fim da violência baseada no género e a eliminação da pobreza feminina. E foi um evento bastante importante que nós realizamos à margem da CSW, em que tivemos diversos países que partilham dos mesmos objetivos e opiniões que nós temos, que assumem que existe uma ligação intrínseca, difícil de separar, entre a pobreza e a violência baseada no género”.

A ministra disse que o evento paralelo também serviu para colher experiências de outros países e definir novas parcerias para avançar em ações de igualdade de género.

Expansão do atendimento às vítimas

A nível nacional, ela destacou o lançamento recente do programa “Empodera”, que é focado na prevenção da violência baseada no género por meio de estratégias de sensibilização e reforço da rede de cuidados para sobreviventes.

“Vai ser um programa que prevê a expansão dos centros de atendimento integrados. Portanto, são centros que atendem vítimas da violência, onde as vítimas encontram no mesmo local todos os serviços que elas precisam para poderem ser devidamente atendidas sem ter de passar por várias portas de entrada, temos uma única porta de entrada. Aí a vítima evita passar por uma questão de revitimização. Não tem de contar a história várias vezes sobre o que aconteceu”.

Ivete Alane explicou que, nesses centros, as vítimas que forem vítimas atendidas poderão ter acesso a pacotes de empoderamento económico da mulher.

Influenciadores digitais apoiam combate ao feminicídio

A ministra destacou a importância do envolvimento de diversos setores da sociedade no combate à violência de género, inclusive celebridades e influenciadores das redes sociais.

“Nós estamos agora a iniciar uma campanha de combate ao feminicídio, que é uma das formas mais agressivas da violência baseada no género. E estamos a envolver os influenciadores, estamos neste momento a produzir um vídeo, spots de divulgação, uma campanha, e ainda ontem recebi com muita satisfação um vídeo produzido pela sociedade civil, porque as sociedades civis também são parceiros importantes, complementam a ação do governo. E a sociedade civil fez um vídeo muito recente com vários influenciadores em que eles falam da importância do combate à violência baseada no género, em que eles assumem o papel, e eles como homens devem sensibilizar outros homens”.

Ela ressaltou a importância de criar peças de comunicação que abordem o papel do homem na mobilização pelos direitos das mulheres.

“Estamos agora também a desenvolver e a desenhar a estratégia do engajamento masculino. Portanto, estamos a trabalhar com influenciadores masculinos, pois sentimos que é preciso trazer o homem para o barco. A mulher não pode ser a única que deve lutar ou promover a igualdade de género e combater a violência baseada no género. Se nos referimos à violência baseada no género, nós estamos a falar de duas pessoas: homem e mulher. Então precisamos de ter o homem. Precisamos de engajar o homem nesta luta”.

Uma luta de toda a sociedade

A representante moçambicana também mencionou o papel da primeira-dama do país, Gueta Chapo, que foi convidada para ser patrona da iniciativa “Empodera”.

O objetivo é fazer com que a mensagem chegue para diversas comunidades sobre a importância de prevenir a violência baseada no género, a exemplo de uma intervenção feita no lançamento do Mês da Mulher, na província de Cabo Delgado.

A ministra relatou que Gueta Chapo conseguiu transmitir para as comunidades mensagens sobre a necessidade de deixar as meninas estudarem e de pôr fim às agressões praticadas por homens.

A ministra enfatizou que os influenciadores, os membros do governo e todos os estratos da sociedade moçambicana devem reforçar a luta por igualdade e justiça para a população feminina. Felipe de Carvalho ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 12 de março de 2024

Comunidade dos Países de Língua Portuguesa reforça compromisso com igualdade de género

A ministra das Mulheres do Brasil, Cida Gonçalves, discursou representando as nove nações do bloco lusófono na 68ª Sessão da CSW, destacou o combate à pobreza e à fome como desafios urgentes e a importância do investimento na igualdade de género para o desenvolvimento sustentável


A ministra das Mulheres do Brasil, Cida Gonçalves, esteve na abertura da 68ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW, e falou em nome dos nove países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP.

No seu discurso, a representante reiterou o seu compromisso com a promoção da igualdade de género e o empoderamento das mulheres. Juntos, os Estados-membros da CPLP reúnem uma população de mais de 260 milhões de pessoas.

Combater a pobreza e a fome

Cida Gonçalves enfatizou que o combate à pobreza e à fome, bem como o fortalecimento das instituições, são desafios urgentes enfrentados por todos os países-membros da comunidade lusófona. A pobreza foi identificada como um obstáculo significativo para o desenvolvimento e uma fonte de desigualdade de género, afetando especialmente as mulheres em todo o mundo.

Ela ainda endossou as recomendações do secretário-geral da ONU para ações coletivas mais vigorosas na eliminação da pobreza e da fome entre mulheres e meninas. A ministra brasileira também enfatizou a importância de criar um ambiente favorável ao financiamento de iniciativas relacionadas à igualdade de género.

Investimento na igualdade de género

Investir na igualdade de género foi destacado como uma ferramenta essencial para promover o desenvolvimento sustentável, a recuperação económica e a prevenção de conflitos.

Cida Gonçalves ressaltou o papel das mulheres do Sul Global na defesa da igualdade desde os primórdios das Nações Unidas. Ela citou a brasileira Bertha Lutz, que foi uma entre as seis delegadas enviadas à Conferência de São Francisco, em 1945. Defendeu a inclusão da igualdade entre homens e mulheres na Carta da ONU.

Segundo Cida Gonçalves, a igualdade de género foi reconhecida como um princípio estatutário da CPLP, com um compromisso firme com a implementação do Plano Estratégico de Igualdade de Género e o Empoderamento das Mulheres e Meninas. A transversalização da perspectiva de género em políticas e projetos de cooperação foi destacada como uma prioridade.

Além disso, a ministra destacou a importância da prevenção e combate a todas as formas de violência e discriminação contra mulheres e meninas, assim como a proteção das vítimas. Para ela, a participação das mulheres em todos os espaços da vida económica, social e política é crucial para alcançar a igualdade de género.

Cida Gonçalves concluiu reafirmando o compromisso da CPLP em contribuir para os esforços coletivos de promoção da igualdade de género e empoderamento das mulheres, visando à plena implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. ONU News – Nações Unidas