Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Angola - Academia de Letras e Universidade Roma Tre assinam protocolo de cooperação cultural

A Academia Angolana de Letras (AAL) e a Cátedra Agostinho Neto da Universidade Roma Tre formalizam em Itália, um protocolo de cooperação estratégica para consolidar os laços culturais e académicos entre as duas instituições


O documento vai ser rubricado em Roma, capital daquele país europeu, pelo presidente da AAL, Paulo de Carvalho, e pelo director da cátedra, o professor italiano Giorgio de Marchis, tendo como objectivo central a promoção do estudo da língua, literatura e cultura angolana, bem como a valorização da vida e obra de António Agostinho Neto.

Segundo a nota enviada à imprensa, a parceria estabelece uma base para o intercâmbio de conhecimentos, a realização de conferências internacionais, publicações conjuntas e programas de mobilidade para investigadores e escritores.

Como primeira materialização deste protocolo, está agendado, no mesmo dia, a realização de um Colóquio Internacional, intitulado “Angola Perante a África e o Mundo”, um evento de elevada relevância diplomática e académica que assinala a celebração dos 50 anos da proclamação da Independência de Angola e o 50.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Angola e a Itália.

O colóquio, que vai decorrer na Sala Ignazio Ambrogio, em Roma, vai contar com comunicações de destacados especialistas e académicos angolanos e italianos, abordando temas como a diversidade cultural angolana, o poder simbólico da língua e a análise de obras literárias contemporâneas.

O programa inclui ainda uma romagem ao busto de Agostinho Neto, no Largo Beato Placido Riccardi, simbolizando o compromisso contínuo com a preservação da memória histórica e o fortalecimento da cooperação angolana-italiana no domínio das Letras e das Ciências Sociais.

Com uma validade inicial de três anos, renovável por acordo entre as partes, este compromisso visa não apenas a valorização da História e do património angolano, mas também o incentivo à inovação nos domínios da Educação, Ciência e Cultura. Por meio de acções coordenadas, as instituições pretendem elevar o estudo da cultura angolana num contexto global, honrando o legado de Agostinho Neto e criando oportunidades de investigação que consolidem, de forma duradoura, a cooperação científica entre Luanda e Roma. In “Jornal de Angola” - Angola


sexta-feira, 8 de maio de 2026

Projecto Angola 50 Anos, 50 Autores apresentado em Luanda

O "Projecto Angola 50 Anos, 50 Autores" foi apresentado, na tarde desta sexta-feira, em Luanda, numa cerimónia presidida pelo ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio Manuel da Fonseca, soube o Jornal de Angola Online de fonte oficial


A cerimónia de lançamento reservou vários momentos designadamente, a apresentação da colectânea do livro, entrega simbólica da colectânea autografada, recital de poemas e exibição do vídeo sobre as celebrações dos 50 Anos de Independência Nacional.

O Projecto “Angola 50 anos, 50 Autores” enquadra-se nas comemorações dos 50 anos da Independência Nacional, assinalado a 11 de Novembro de 2025, e visa exaltar o contributo dos principais autores da história literária da luta pela independência e da conquista do desenvolvimento do País, bem como celebrar o meio século de história, identidade e pensamento angolano através da literatura.

O Projecto foi coordenado por um Conselho Editorial composto por quadros seniores da União dos Escritores Angolanos e da Academia Angolana de Letras. Comporta 25 000 exemplares correspondendo a 500 exemplares por título, concebida exclusivamente para o fortalecimento de redes institucionais dedicada à leitura crítica, investigação literária e formação cidadã. In “Jornal de Angola” - Angola


domingo, 9 de fevereiro de 2025

Angola – Escritor Pepetela é leitura obrigatória no ensino superior no Brasil

O romance intitulado “O quase fim do mundo”, de autoria do escritor angolano Pepetela, foi recentemente indicado para integrar o currículo do ensino no Brasil, sendo leitura obrigatória para a prova de língua portuguesa do exame discursivo do vestibular daquele país, para o acesso à universidade



Trata-se de uma distinção digna de realce, visto que somente quatro autores integram a selectiva lista do currículo obrigatório, nomeadamente os brasileiros Clarice Lipesctor, com o conto “Amor”, e José de Alencar, com o romance “Senhora”. A estes junta-se o célebre William Shakespeare com a aclamada peça de teatro “Hamlet”.

De acordo com o crítico literário brasileiro Marcelo Miranda, citado numa nota endereçada pela Academia Angolana de Letras, o romance futurista “O quase fim do mundo”, do escritor angolano Pepetela, membro fundador da referida agremiação, editado no Brasil pela Kapulana, é uma “ficção pós-apocalíptica, com muitas discussões sociais sobre vários grupos presentes no continente africano.

Em comunicado de imprensa, a Academia Angolana de Letras felicita o detentor da sua Cadeira nº 2 por esta distinção, augurando ainda maiores sucessos na sua carreira literária.

Este reconhecimento da qualidade literária de Pepetela foi acolhido com grande satisfação junto da comunidade literária do país, que viu como um inequívoco exemplo da internacionalização da cultura angolana através da literatura.

Para o escritor Lucas Cassule, que se assume como “um discípulo de Pepetela”, o destaque deste “mestre da escrita angolana” é motivo de grande felicidade. Para si, é importante perceber que a grandeza deste vulto da cultura angolana tem eco muito aquém das fronteiras país, o que constitui claramente um ganho para a literatura angolana, significando que mais leitores a nível do mundo vão poder olhar para ela com maior interesse.

“É preciso destacar a importância que o Brasil tem no mundo a nível da produção literária, o que significa que este marco de Pepetela vem ainda mais solidificar o caminho que ele já tem feito há mais de 50 anos de dedicação à literatura. Sobre Pepetela eu acho que sou muito suspeito a falar, basta ler romances como “Yaka”, “Mayombe”, “A Geração da Utopia” e outros mais recentes para perceber a grandeza deste escritor”, sugeriu.  

Lucas Cassule foi mais longe e considerou real a possibilidade de ser um dia indicado para o Prémio Nobel, vai ser por puro merecimento. “Bem-haja ao Pepetela e por tudo que ele tem feito para o engrandecimento da literatura angolana”,   

Para o escritor Moniz Mário, vencedor da edição de 2011 do prémio de literatura infantil Quem Me Dera Ser Onda, é um indicador da qualidade cultural e literária do país e da relevância de Pepetela na lusofonia. O escritor, actualmente a frequentar o mestrado em Portugal, disse que esse facto acrescenta valor e destaca a universalidade da literatura do país, mas também sinaliza a grande diversidade de vozes do cânone literário, que ainda é bastante dominado por autores de língua inglesa, concretamente americanos e europeus.

“A indicação desta obra sugere mais do que a escolha de uma estética, mas sim a consciência crítica e inclusiva de autores africanos. É um gesto que amplia o diálogo junto dos leitores, assumindo o carácter da literatura em transcender de forma rica e crítica fronteiras espaciais”, observou.

Já o poeta e crítico literário Hélder Simbad considera que Pepetela é indubitavelmente o maior escritor angolano vivo e uma das vozes que mais ecoa pela lusofonia e mundo afora. Na sua opinião, as traduções das suas obras para outras línguas revelam por si só a sua grandeza.

“Por consequência disso, acho normal que o Brasil, um país que respira letra e muito faz pela língua portuguesa, coloque mais uma vez no vestibular um dos maiores cultores da palavra em prosa escrita em língua portuguesa. O reconhecimento de Pepetela é o reconhecimento de Angola como uma nação literária forte”, defendeu. Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos “Pepetela” nasceu em Benguela, em 1941. Actualmente com 83 anos, é autor de mais de 25 livros e conquistou diversos prémios literários, com destaque para o Prémio Camões, em 1997, o maior reconhecimento literário da língua portuguesa. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


sexta-feira, 19 de abril de 2024

Angola - “Letras sobre as Línguas de Angola” com poema de Deolinda Rodrigues

A Academia Angolana de Letras lança, amanhã, às 15h00, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, a obra “Letras sobre as Línguas de Angola”. Trata-se de um conjunto de ensaios organizados por Paulo de Carvalho e António Quino, membros da direcção da Academia Angolana de Letras. Patrocinada pela Fundação Bornito de Sousa, a obra reúne textos de eminentes intelectuais da academia angolana


Em declarações ao Jornal de Angola, António Quino avançou que a obra traz textos da renomada linguista Amélia Mingas, falecida em 2019, do psicólogo Aníbal Simões, do jurista Bornito de Sousa, do pedagogo Filipe Zau, do linguista Mbiavanga Fernando, do crítico literário Manuel Muanza, do linguista Márcio Undolo e do antropólogo Virgílio Coelho. A obra traz, igualmente, para além dos textos dos organizadores, respectivamente o sociólogo Paulo de Carvalho e o docente António Quino, um texto da escritora e heroína nacional Deolinda Rodrigues "Languidila”, falecida a 2 de Março de 1967.

"Publicamos um poema inédito em kimbundu, magistralmente traduzido para português pelo também escritor Jofre Rocha, irmão de Deolinda Rodrigues”, revelou António Quino.

António Quino explicou que a obra traz uma abordagem pluridisciplinar a respeito das línguas da República de Angola, sem qualquer tipo de discriminação ou limitação na abordagem.

O escritor e ensaísta António Quino adiantou que, além de ser publicada na obra a Declaração da Academia Angolana de Letras sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, resultado de uma mesa-redonda a respeito do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90), o livro também transporta a visão de antropólogos, críticos literários, escritores, juristas, linguistas, pedagogos, psicólogos sociais e sociólogos, cada um deles a tratar a questão linguística sem tabus de qualquer espécie.

"Lembramos que na sua declaração, a Academia Angolana de Letras considera desfavorável a adesão de Angola ao Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90) por se tratar de um instrumento que não promove a unificação da grafia do idioma e por não convergir para a promoção e difusão da língua no país”, sublinhou.

"Letras sobre as Línguas de Angola” é o primeiro livro a ser publicado sob a égide da Academia Angolana de Letras desde a sua fundação, em 2016. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


sábado, 16 de setembro de 2023

Angola - Destacado o papel do Poeta Maior na relação com o Brasil

A Academia Angolana de Letras realizou, na última quinta-feira, a segunda conferência do ciclo do mês de Setembro da série Conversas da Academia à quinta-feira, para saudar o 101° aniversário do nascimento de Agostinho Neto, tendo como conferencista o escritor e jornalista Tom Farias, que dissertou sobre “Agostinho Neto e o Brasil”


Sob a moderação do escritor António Quino e na presença de investigadores de Angola, Arábia Saudita, Bélgica, Brasil e Portugal, o conferencista desta semana falou acerca dos laços históricos que ligam Angola ao Brasil, seja durante o tráfico negreiro, seja no decurso do período colonial, em que se intensificaram os laços artísticos e literários entre os dois países. O imediato reconhecimento da independência de Angola, pelo Brasil, é prova disso.

Membro da Academia Carioca de Letras, Tom Uelinton Farias destacou o papel de Agostinho Neto na relação entre Angola e o Brasil, tendo afirmado que "Agostinho Neto cumpriu na década de 1980 um papel fundamental no ideário de uma juventude brasileira que queria militar na poesia, mas cujas referências eram então muito poucas”.

A poética de Neto, que era até então desconhecida, acabou por encantar e influenciar nos jovens brasileiros, o modo de pensar África e, sobretudo, o modo de pensar Angola. "Havia uma certa comunhão de ideias entre angolanos e brasileiros, militantes das causas de liberdade, uma ligação de destinos que Agostinho Neto estabeleceu entre o Brasil e Angola, através da sua poesia”, tal como afirmou o palestrante desta Conversa à Quinta-feira.

O escritor Tom Farias destacou o facto de o Brasil conhecer muito pouco sobre a natureza e a riqueza dos países africanos. Mas Agostinho Neto "tornou-se no Brasil um poeta que simboliza a luta negra e a luta de libertação empreendida pelos movimentos negros - libertação, porque os negros brasileiros estavam também exilados dentro da sua própria pátria”. Mais que isso: Agostinho Neto "acabou dando esperança e luzes para que os militantes dos movimentos negros no Brasil pudessem sonhar” - disse o conferencista.

O autor de "Carolina - uma biografia” concluiu afirmando que "para a militância poética no Brasil, algumas palavras-chave da poesia de Agostinho Neto foram sendo inseridas no discurso militante, para falar de luta, para falar de libertação. Isso porque o significado poético das palavras ganhou sentido de militância por um desejo de reconhecimento e de liberdade dos negros no Brasil”.

A próxima Conversa da Academia à Quinta-feira está agendada para o dia 21 deste mês, a partir das 19h00. Sob a moderação do antropólogo Francisco Vieira, o filósofo Francisco Sá Moreira, da Universidade Federal Fluminense, falará sobre "Anton Wilhelm Amo, um filósofo africano na diáspora”. Como tem sido hábito, a participação via Zoom será livre. In “Jornal de Angola” - Angola


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Lusofonia - Academias de Letras e Ciências celebram 5 de Maio

A Academia das Ciências de Lisboa promove uma cerimónia de celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, a 5 de maio de 2022, em colaboração com Academias de Ciências e de Letras de Países de Língua Portuguesa.

A sessão vai iniciar-se com uma intervenção de António Sampaio da Nóvoa, subordinada ao tema "Quantos mundos cabem na Língua Portuguesa", seguindo-se um painel com intervenções de representantes da Academia Angolana de Letras, Academia Brasileira de Letras, Academia Moçambicana de Letras e Academia de Letras de São Tomé e Príncipe.

A sessão contempla, ainda, uma Mesa Redonda dedicada ao tema “A Língua Portuguesa no mundo – realidades e desafios”, com a participação do Diretor-Geral da CPLP, Armindo de Brito Fernandes, da Ministra da Educação de Angola, Luísa Maria Alves Grilo, e do Presidente do Camões, Instituto de Cooperação e da Língua, João Ribeiro de Almeida.

Esta sessão conjunta decorrerá de forma presencial, no salão Nobre da Academia das Ciências de Lisboa, e através de videoconferência. Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Zoom:

https://videoconf-colibri.zoom.us/j/87271313750?pwd=Wk1lcnRpWFkrWmFLemVWZm5zM3FUUT09

ID da reunião: 872 7131 3750

Senha de acesso: 123456

 

sábado, 18 de setembro de 2021

CPLP - Embaixador da boa vontade da língua portuguesa apresentado em Lisboa

Lisboa – O professor universitário Filipe Zau, também membro da direção da Academia Angolana de Letras, apresentou-se em Lisboa, como novo embaixador da boa vontade da língua portuguesa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

“O professor Filipe Zau foi apresentado em Lisboa, na sede do secretário executivo da CPLP, como novo embaixador da boa vontade da língua portuguesa desta organização”, anunciou, em comunicado, a embaixada de Angola em Portugal, representação diplomática do país que tem, desde 17 julho, a presidência rotativa da comunidade.

Acompanhado pelo embaixador de Angola em Portugal, Carlos Alberto Fonseca, Filipe Zau foi recebido pelo novo secretário executivo da CPLP, o timorense Zacarias Albano da Costa, “com quem manteve uma primeira reunião para troca de cumprimentos”, adianta a nota.

“Professor universitário e destacado homem da cultura, Filipe Zau, de 71 anos, faz parte da direção da Academia Angolana de Letras, tendo desempenhado, entre outros cargos, o de adido de Cultura na embaixada de Angola em Portugal”, refere o comunicado.

Na anterior cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que decorreu em 17 de julho, em Luanda, foi a aprovada uma resolução com os nomes dos novos embaixadores de boa vontade da organização.

Assim, entre os nomeados, para um mandato de quatro anos, suscetível de renovação por iguais períodos, encontram-se o antigo ministro das Relações Exteriores de Moçambique Leonardo Santos Simão, para a área da concertação político-diplomática, e Filipe Silvino de Pina Zau, para a área da língua portuguesa.

Os atletas do triplo salto Nelson Évora e Patrícia Mamona são os embaixadores nomeados para as áreas da juventude, do desporto e da igualdade de género.

A figura de “embaixador de boa vontade da CPLP”, visa “promover amplamente os objetivos e difundir as atividades da CPLP”.

A XIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP na qual Angola assumiu a presidência ficou marcada pela assinatura do Acordo de Mobilidade e uma nova prioridade: o reforço das relações económicas entre os seus Estados-membros.

A Conferência de Chefes de Estado e de Governo é o órgão máximo da CPLP, que se reúne ordinariamente de dois em dois anos e ao qual compete definir e orientar a política geral e as estratégias da organização.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os nove Estados-membros da CPLP, que celebrou 25 anos no mesmo dia da cimeira. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Angola – Faleceu o poeta, nacionalista e professor universitário Arlindo Barbeitos


Arlindo do Carmo Pires Barbeitos nasceu a 24 de Dezembro de 1940, em Catete, município de Icolo e Bengo, província de Luanda. Passou a infância entre Catete e o Dondo, no Cuanza-Norte, fez os estudos primários e secundários em Luanda. Aos 17 anos foi para Portugal, de onde saiu com 21 anos por motivos políticos, indo para França e Alemanha, onde fez estudos de Sociologia, Antropologia, além de Filosofia, Economia e Estatística na Universidade de Frankfurt.

Em 1971 aderiu ao MPLA, regressando a Angola integrado nas suas fileiras, dando aulas na Frente Leste. Em 1972, vítima de doença, vai tratar-se na Europa, onde volta a estudar, iniciando uma tese de doutoramento em Etnologia sobre “As realezas sagradas”. Na sequência do 25 de Abril, regressa ao país em 1975. Foi professor no ISCED (Lubango) e adido cultural na Argélia. A esposa, a escritora Maria Alexandre Dáskalos, faleceu no dia 20 de Março, em Luanda.

Academia Angolana de Letras lamenta

A Academia Angolana de Letras (AAL) lamentou a morte de Arlindo Barbeitos, que considera “figura ímpar da nossa intelectualidade” e que “deixou as suas impressões na vanguarda do nacionalismo angolano, destacando-se como incansável defensor da Cultura africana”.

Numa mensagem, a AAL lembra, ainda, que Arlindo Barbeitos foi primeiro tradutor do Presidente Agostinho Neto. Membro fundador da União dos Escritores Angolanos, deixa uma vasta obra literária, com realce para Angola, Angolê, Angolema (1976), Nzoji (1979), o Rio, Estórias de Regresso (1985) e Fiapos de Sonho (1992). A Academia Angolana de Letras expressa, em nome de cada um dos seus académicos, a sua solidariedade à família e sentimentos de pesar.

Ministro Jomo Fortunato consternado

O ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Jomo Fortunato, também se manifestou profundamente consternado com a morte do poeta, professor e investigador angolano, Arlindo Barbeitos, a quem considera um “intelectual de dimensão enciclopédica”. Benjamin Armindo – Angola in “Nova África” com “Jornal de Angola”


A literatura angolana sofreu uma enorme perda com a morte, por doença, da poetisa Maria Alexandre Dáskalos, ocorrida no dia 20 de Março, em Luanda.

Em 1993, aquando de mais uma edição do poemário "O Jardim das Delícias”, o poeta, ensaísta e crítico literário David Mestre escreveu: "… Pode a poesia angolana regozijar-se de abrir a presente década com uma nova voz ao nível do nosso melhor cancioneiro. (…) Tanto pelo tom helénico que a percorre como pela estratégia iniciática que a determina, encontra [a poesia de Maria Alexandre Dáskalos] lugar cativo na mais escolhida vertente da lírica local.”

Filha do poeta Alexandre Dáskalos -, "um dos grandes poetas da angolanidade revolucionária” (Alfredo Margarido) -, Maria Alexandre Dáskalos nasceu no Huambo em 1957. Formada em Letras, em 1992, com o retomar da guerra, foi viver em Portugal, onde trabalhou como jornalista na RDP África e fez o mestrado em História Contemporânea.

Publicou os livros de poesia "O Jardim das Delícias”, 1991; "Do Tempo Suspenso” (1998) e "Lágrimas e Laranjas”, 2001. Publicou também o livro, resultante da sua dissertação de mestrado, "A Política de Norton de Matos Para Angola (1912-1915)”.  Maria Alexandre Dáskalos era membro da União dos Escritores Angolanos.

Talvez o nosso corpo

seja pequeno

para ser a casa

do amor

 

que não guarde só indícios

e não troque só sinais

 e entregas

que não seja tranquilo

nem fiel à rosa

e ao fio da navalha

 

 

Regressámos ao anonimato

mais leves

Mas é minha a muda inquietação

esse temor

da armadilha do cinismo

 

A noite contempla-nos

despojados de sonhos

e, tu disseste

- tão próximas as estrelas –

tão longo o caminho para chegar a elas.

 

cheguei às portas secretas

atravessei as passagens

interditas

e no labirinto que negou os meus passos

vi tesouros que não eram meus

 

Não adianta chorar

as andorinhas

abalaram de vez.

 

Farão elas a arqueologia

dos seus ninhos?

 

 

Os anjos choram

 

Uma cidade caiu

e os homens perderam-se nos trilhos

das casas agora desabadas.

As mulheres de joelhos em cima do nada

 

já não sabem rezar.

 

Os anjos choram

e o bálsamo de todas as

feridas

não chega até nós.

 

O garoto corria corria

não podia saber

da diferença entre as flores.

O garoto corria corria

não podia saber

que na sua terra há

morangos doces

e perfumados,

o garoto corria corria

fugia.

 

Ninguém lhe pegou ao colo

ninguém lhe parou a morte.

 

In “Jornal de Angola” - Angola




 

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Angola - Academia Angolana de Letras contra ratificação do acordo ortográfico

Academia Angolana de Letras (AAL) pediu esta quarta-feira ao Governo de Angola que não ratifique o Acordo Ortográfico (AO) de 1990, perante os “vários constrangimentos identificados” no documento, que necessita de uma revisão.

A decisão foi apresentada pelo reitor da Universidade Independente de Angola e membro da AAL, Filipe Zau, numa conferência de imprensa em que, pela primeira vez, a academia, criada oficialmente em Setembro de 2016 e que conta com 43 membros, tomou uma posição pública sobre o acordo ortográfico, apresentado em 1990.

“Recomendamos a todos os Estados [membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP] e ao Estado angolano que é necessário rectificar para que se possa ratificar”, disse à agência Lusa Filipe Zau.

Segundo o docente, a academia, que tem como patrono e ocupante da “cadeira número um” o primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto (1922-1979), decidiu tomar posição após auscultar os seus membros. “Não estamos contra o acordo ortográfico em si, estamos contra este acordo”, sublinhou.

“Um número elevado de excepções”

No comunicado, a AAL apresenta um conjunto de razões para justificar a tomada de posição, destacando que, no âmbito dos pressupostos do Acordo Ortográfico de 1990, existe “um número elevado de excepções à regra” que, acrescenta-se, “não concorre para a unificação da grafia do idioma [português], não facilita a alfabetização e nem converge para a sua promoção e difusão” em Angola.

Por outro lado, a AAL lembra que o acordo “diverge, em determinados casos”, de normas da Organização Internacional para a Padronização (ISSO) sobre o conceito ligado à ortografia, além de “não reflectir” os princípios da UNESCO nem os da Academia Africana de Letras (Acalan) sobre a “cooperação linguístico-cultural com vista à promoção do conhecimento enciclopédico e de paz”.

“Face aos constrangimentos identificados e ao facto de não ser possível a verificação científica dos postulados de todas as bases do AO, factor determinante para a garantia da sua utilização adequada, a AAL é desfavorável à ratificação por parte do Estado angolano”, lê-se no documento.

A AAL sublinha que, tendo em conta a contribuição de étimos de línguas bantu na edificação do português, o AO não considera a importância das línguas nacionais angolanas como factor de identidade nacional.

“A escrita de vocábulos, cujo étimos provenham de línguas bantu, deve ser feita em conformidade com as normas da ortografia dessas línguas, mesmo quando o texto está escrito em português”, defende a AAL, entidade presidida pelo escritor Boaventura Cardoso e que tem Pepetela como presidente da mesa da assembleia geral.

A academia, sublinha-se no documento, constatou a necessidade de o AO ter de ser objecto de “ampla discussão” entre os vários Estados-membros da CPLP, considerando “indispensável” que se estabeleça um “período determinado para a análise, discussão e concertação de ideias” à volta do assunto.

“Tem de se encontrar um denominador comum que permita harmonizar a aplicação do AO de 1990 em todo o espaço comunitário”, refere a AAL, recomendando “maior investimento” dos Estados num “ensino de qualidade”, quer em português, quer nas línguas nacionais, “como contribuição para a preservação” dos vários idiomas.

“Trouxe uma deriva arriscada”

Na conferência de imprensa, o presidente da AAL, Boaventura Cardoso, lembrou que, em Angola, a língua portuguesa é a oficial e é falada “mais ou menos em todo o país”, tendo-se tornado “materna” para grande parte dos angolanos, uma vez que 65% da população utiliza-a na comunicação diária, tal como revelou o último censo populacional de 2016.

Para Boaventura Cardoso, muitos dos problemas que se levantam e que constituem erros passam sobretudo pela ausência do AO de 1990 dos sons pré-nasais, duplos plurais e de respeito pelos radicais das palavras que emigram das línguas nacionais para o português.

“Impõe-se, pois, rever esta situação e, no nosso caso particular, rever a questão da escrita da toponímia angolana, reassumindo os ‘k’, ‘y’ e ‘w’ na grafia da língua portuguesa”, sublinhou, exemplificando ainda com dois casos de sons pré-nasais. “‘Ngola’ ou ‘Gola’. No primeiro caso, ‘Ngola’, trata-se do título do titular máximo do poder no contexto da língua nacional kimbundu. Sem o som pré-nasal, significa a parte superior de uma peça de vestuário. O mesmo se passa com ‘Mfumu’ e ‘Fumo’: ‘Mfumu’ significa ‘chefe’ nas várias hierarquias. Fumo significa o que de tal termo se conhece na Língua Portuguesa”, exemplificou.

Para Boaventura Cardoso, o AO de 1990 “trouxe mais problemas do que resolveu”: “Trouxe o iminente risco de uma deriva arriscada que pode levar à desvirtualização da Língua Portuguesa.”

Dos nove países da CPLP, apenas quatro Estados ratificaram o acordo: Cabo Verde, Brasil, São Tomé e Príncipe e Portugal. In "Público" - Portugal