Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Portugal - Autarquia de Viana do Castelo celebra centenário de António Manuel Couto Viana

O poeta, encenador e contista, nascido naquela cidade minhota, passou por Macau nos anos de 1980 onde foi quadro do Instituto Cultural. A sua poesia já foi traduzida para chinês e a sua obra poética já foi estudada por conhecidos de Macau, como José Carlos Seabra Pereira ou Beatriz Basto da Silva. Foi amigo próximo dos consagrados David Mourão-Ferreira e Sebastião da Gama. António Manuel Couto Viana chegou a receber o Prémio Camilo Pessanha da Fundação Oriente. Ao Ponto Final, o arquitecto Carlos Marreiros recorda uma pessoa “alegre” e “bem-disposta”, que deixou marca no território


O Município de Viana do Castelo deu início, na semana passada, às comemorações do centenário do nascimento do poeta, contista, dramaturgo e ensaísta António Manuel Couto Viana, nascido naquela cidade minhota em 24 de Janeiro de 1923. “Queremos materializar um conjunto de acções durante este ano para continuarmos a projectar uma personalidade que marcou a arte e a literatura não só de Viana, mas também do país e até do mundo pela relevância que assumiu em alguns espaços, como Macau”, afirmou Luís Nobre, edil vianense, numa nota de imprensa citada pelo município.

Couto Viana integrou os quadros do Instituto Cultural (IC) entre 1986 e 1988, tendo exercido as funções de professor no território, então administrado por Portugal. Colaborou na criação de um Conservatório de Música, Dança e Teatro e ministrou um curso intensivo de arte dramática. “Não nos podemos esquecer do nosso passado, nos nossos melhores e de quem nos influenciou e continua a influenciar para cuidarmos no nosso colectivo e António Manuel Couto Viana marcou Viana do Castelo e o país”, acrescentou o presidente do Município minhoto.

Ao Ponto Final, Carlos Marreiros, que foi cenógrafo de Couto Viana, recorda um homem “alegre” e “bem-disposto”. “Fez muito por Macau e pela cultura de Macau em apenas três anos”, notou o arquitecto macaense que, na altura, estava na Revista da Cultura e havia fundado o Círculo dos Amigos da Cultura de Macau. Posteriormente, Marreiros foi presidente do IC, de 1989 a 1992.

O artista plástico fala ainda num homem que “toda a gente gostava” e que também era um “sincero apreciador das tascas chinesas”. “Gostava de uma boa conversa e de rir. Era uma pessoa muito alegre e pouco introvertida”.

Em Macau, António Manuel Couto Viana foi ainda próximo do padre Manuel Teixeira. Ambos trocaram poemas sobre o Natal no antigo jornal Gazeta Macaense. O religioso “foi determinante para a integração e ambientação de António Manuel Couto Viana a Macau”, conforme escreveu o também poeta e professor António Aresta na revista Oriente Ocidente do Instituto Internacional de Macau (IIM), em 2017.

Lápide e conferência

Agora, os vianenses prestam homenagem a um homem da terra com a aposição de lápide comemorativa na casa onde António Manuel Couto Viana nasceu, tendo sido ainda promovida, na biblioteca municipal, uma conferência evocativa dedicada ao autor, com a presença de Artur Anselmo, presidente da Academia das Ciências de Lisboa. “Comemoramos 100 anos do seu nascimento e parece-me ser o momento certo para darmos continuidade a um reconhecimento que tem sido materializado no tempo”, notou ainda Luís Nobre na ocasião.

Após a sua morte, em 2010, a Câmara Municipal de Viana do Castelo criou o Prémio Escolar António Manuel Couto Viana que já vai em 12 edições, às quais concorreram 544 trabalhos, tendo sido agraciados 155 autores. Os vencedores da 13.ª edição, a decorrer este ano lectivo, deverão ser conhecidos a 8 de Junho, dia em que faleceu o escritor, aos 87 anos.

António Manuel Couto Viana nasceu em Viana do Castelo a 24 de Janeiro de 1923 e morreu em Lisboa a 8 de Junho de 2010. O autor vianense viveu sempre ligado às artes e às letras. Poeta, dramaturgo, contista, ensaísta ou autor de livros para crianças, entre outras valências, publicou meia centena de livros de poesia e cerca de oitenta títulos de outros géneros literários, com relevo para os livros de ensaios e memórias.

Quando se mudou para Lisboa, aos 23 anos, criou amizades duradouras com escritores de renome como David Mourão-Ferreira ou Sebastião da Gama, entre outros.

Paralelamente à sua vida académica e de docente, demonstrou sempre interesse no mundo da representação, tendo sido actor e encenador em diversos teatros como o Teatro Estúdio do Salitre, o Teatro de Ensaio do Teatro Monumental e o Teatro do Gerifalto. Participou ainda em espectáculos infantis e também da Companhia Nacional de Teatro.

Diplomou-se em Teatro, em Veneza, na Itália, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, corria o ano de 1966. A sua actividade artística mereceu-lhe o Prémio Nacional António Pinheiro por duas vezes e o Prémio da Crítica.

Foi ainda orientador artístico da Oficina de Teatro da Universidade de Coimbra, Mestre de Arte de Cena do Teatro Nacional de São Carlos e as de colaborador da Ópera de Câmara do Real Theatro de Queluz. Participou ainda em diversas séries televisivas e filmes.

A sua estreia literária aconteceu em 1948 com o livro de poemas “O avestruz lírico”. Com David Mourão-Ferreira e Luiz de Macedo dirigiu as folhas de poesia “Távola Redonda”, a revista de cultura Graal, fazendo ainda parte do conselho de redacção da revista Tempo Presente.

A obra poética de António Manuel Couto Viana figura em antologias de língua portuguesa, e os seus poemas já foram traduzidos para castelhano, inglês, francês, alemão, russo e chinês. A sua poesia foi já estudada por David Mourão-Ferreira, Artur Anselmo, Tomaz de Figueiredo, Eduíno de Jesus, Rodrigo Emílio, João Maia, Franco Nogueira, João Bigotte Chorão, José Carlos Seabra Pereira, Beatriz Basto da Silva, Mário Saraiva e Joaquim Manuel Magalhães.

Foi galardoado com o Prémio Antero de Quental por duas vezes, o Prémio Luso-Galaico Valle-Inclan, o Prémio Nacional de Poesia, o Prémio da Academia de Ciências, o Prémio de Literatura da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e o Prémio Camilo Pessanha da Fundação Oriente.

Foi agraciado com a Banda da Cruz de Mérito, Grã-Cruz da Falange Galega e Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique. Viana do Castelo atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural e dedicou-lhe, a si e à sua família, uma sala na nova biblioteca municipal. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Portugal - Politécnico de Viana cria modelos matemáticos para prevenir surtos de mosquitos

Projeto termina em março de 2022 e já estão a ser realizados testes na Itália e na Croácia


Sofia Rodrigues, docente e investigadora da Escola Superior de Ciências Empresariais (ESCE) do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), tem em mãos a criação de novos modelos matemáticos para prever e combater surtos de mosquitos.

Acresce dizer que novos têxteis com repelentes e um software para prevenir e combater doenças provocadas por mosquitos estão a ser criados no âmbito da rede CostActions – Investigation and Mathematical Analysis of Avant-garde Disease Control via Mosquito Nano-Tech-Repellents.

Este projeto, financiado pela União Europeia, reúne especialistas em epidemiologia, bioestatística, matemática, biologia, nanotecnologia, engenharia química e têxtil para implementar novas técnicas de combate às doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, Zika, chikungunya e febre-amarela.

“Pretende-se estudar o efeito de medidas de controlo de vanguarda, nomeadamente as que envolvem novas tecnologias em produtos têxteis e tintas à base de nanopartículas e micropartículas que liberam repelentes ou pesticidas”, explica Sofia Rodrigues, citada em comunicado enviado a O Minho.

O projeto, que termina em março de 2022, envolve investigadores de vários países, que partilham ideias e trabalho desde 2017.

“Nós, matemáticos, estamos a trabalhar a parte da epidemiologia para perceber quando chegam os surtos. Já a parte dos têxteis, por exemplo, está a trabalhar na criação de têxteis com repelentes”, refere a investigadora.

Os novos produtos já estão a ser testados na Itália e na Croácia.

“Para testar se os tecidos são bons ou não, os investigadores colocam-se numa zona com mosquitos durante um determinado período de tempo. Uns vestem roupas sem repelentes e outros investigadores vestem roupas com repelentes e, no final, contam quantas picadas têm cada um”, conta a investigadora da ESCE-IPVC.

O passo seguinte, depois do projeto terminar, é a produção de têxteis com repelentes. “Os produtos têxteis podem ser, por exemplo, t-shirts para o cidadão comum utilizar”, esclarece Sofia Rodrigues, recordando que, a nível militar, as tropas norte-americanas e europeias já usam camuflados impregnados com repelentes quando vão para países mais tropicais.

Cost financia atividades de colaboração transnacional

Desde 1971 que a Cost financia atividades de colaboração transnacional num sistema de redes de investigadores com livre acesso e bottom-up, em todos os domínios científicos e tecnológicos.

Estas redes, denominadas Cost Actions, possibilitam avanços no desenvolvimento do conhecimento científico, contribuindo para o fortalecimento da Europa como líder em I&DT.

Através da sua política inclusiva e dando especial relevância aos jovens investigadores, a Cost constitui um meio único para que os investigadores, de uma forma livre, aberta e em conjunto, desenvolvam as suas ideias e iniciativas.

A Cost promove a integração e enriquecimento das diversas comunidades científicas, proporciona a maximização do investimento nacional em I&DT e contribui decisivamente para a desfragmentação de conhecimento na Europa. In “O Minho” - Portugal


quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Portugal - Parque flutuante de Viana do Castelo abasteceu 60 mil pessoas ao longo do último ano


O diretor de projeto do WindFloat Atlantic, situado ao largo de Viana do Castelo, disse que o crescimento da energia eólica flutuante depende de o Governo decidir incluir aquela tecnologia em próximos leilões de energias renováveis.

“Em Portugal há condições ambientais. Falta, obviamente, uma parte importante que tem a ver condições regulatórias. Noutros países, há já exemplos da vontade em que esta se torne em mais uma fileira tecnológica dentro das fontes renováveis”, afirmou José Pinheiro.

Segundo o responsável, que falava à agência Lusa no final de uma visita de barco ao primeiro parque eólico flutuante da Europa, instalado a 20 quilómetros ao largo de Viana do Castelo, para assinalar um ano de atividade daquele parque ‘offshore’, em Portugal, “não está previsto nenhum leilão de energias renováveis”.

Já Espanha, adiantou, terminou recentemente um procedimento idêntico que vem dar “um bom sinal de que a regulação está a ponto de ser uma realidade”.

“Está comprovado que a tecnologia funciona, com os maiores aerogeradores comercialmente disponíveis no mercado e, portanto, atingida a maturidade tecnológica [Technology Readiness Level (TRL)], faz sentido falar da ambição de continuar a desenvolver projetos, mas agora comerciais, no país e no estrangeiro”, reforçou.

Para o responsável “existem condições muitos interessantes para se fazer esse leilão” por ser uma área com “muito potencial por explorar, com vários ‘players’ internacionais interessados, mas que precisam de ambiente regulatório definido”.

José Pinheiro explicou estar prevista a ampliação do parque eólico flutuante instalado ao largo de Viana do Castelo, que está dependente dos leilões para a energia eólica.

“Internamente estamos a desenvolver projetos de ampliação, mas falta o ambiente regulatório para que as tecnologias possam competir e sejam adjudicados os megawatts necessários para desenvolver projetos maiores. A área que está delimitada no Plano de Situação de Ordenamento Marítimo (PSOM) para Viana do Castelo pode acumular entre 15 e 20 aerogeradores, mas só quando houver regulação, eventualmente um leilão para tecnologia flutuante”, especificou.

Para o responsável, apenas “a industrialização, que vem quando o mercado pede, permitirá que a tecnologia fique mais barata, para que os custos acompanhem a tendência normal da estandardização da tecnologia”.

60 000 pessoas abastecidas

O parque com tecnologia Windfloat é composto por três plataformas flutuantes que sustentam turbinas com capacidade instalada de 25 megawatt (MW), ligado a um cabo de 18 quilómetros, instalado a 100 metros de profundidade no fundo do mar, com capacidade para receber 200 MW de energia renovável, e que, neste momento, produz 25 MW.

Entre julho de 2020 e o mesmo mês deste ano, o Windfloat Atlantic produziu, em 3800 horas, 75 Gigawatt-hora (GWh), o suficiente para abastecer 60000 pessoas.

Segundo dados revelados por José Pinheiro, “a remuneração fixa da energia produzida apresenta um valor dinâmico, mas estimou uma média de 140 euros por MWh.

Junho de 2021 foi o mês em que o parque flutuante mais energia produziu, num total de 8,6 GWh, sendo que em agosto bateu um recorde com quatro dias consecutivos com um fator de carga de 48%”.

O projeto do consórcio Ocean Winds foi coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis, e integra o parceiro tecnológico Principle Power e a Repsol.

“A Ocean Winds, da qual a EDP Renováveis é acionista, tem a ambição, após percorrer um caminho de vários anos de desenvolvimento da tecnologia flutuante eólica, de continuar com projetos comerciais de larga escala”, admitiu José Pinheiro.

“O percurso tem de ser feito à base de leilões, onde, de facto, o mercado concorre”, destacou.

Durante a visita ao parque flutuante, o diretor de projeto do WindFloat Atlantic adiantou que o consórcio está a “desenvolver projetos na Califórnia, Estados Unidos, na Coreia do Sul, para três parques flutuantes, em França, no Golfo de Lyon, este com início de operação previsto para final de 2022”.

“É um projeto muito semelhante ao de Viana do Castelo, é quase o irmão gémeo, com três unidades de 10 MW”, afirmou.

O WindFloat Atlantic é apoiado por entidades públicas e privadas e é financiado pela Comissão Europeia, pelo Governo português e pelo Banco Europeu de Investimento (BEI).

“O que este projeto pretende mostrar é que os países podem ter ‘offshore’. Este projeto veio mostrar que é possível explorar recursos em locais, até agora, inacessíveis”, referiu durante a viagem de barco, que se prolongou durante cerca de 60 minutos.

Para José Pinheiro, a tecnologia WindFloat apresenta mais vantagens do que a convencional, por ser “menos intrusiva”, por utilizar “um sistema de ancoragem”.

Outra vantagem, em relação aos parques eólicos em terra, é a de “poderem ser instalados em grandes centros eletroprodutores fora das comunidades, com capacidade energética muito mais alta do que o “’offshore’ convencional”.

“A tecnologia flutuante é menos intrusiva nos leitos marinhos, por não implicar penetração física de grandes estruturas”, referiu.

O “projeto português” é composto por “duas plataformas produzidas na Lisnave, em Setúbal”, sendo que um terceiro aerogerador foi produzido em Ferrol, na Galiza.

A manutenção “é feita uma vez por ano e é semelhante à realizada em parques eólicos em terra”, sendo que no último ano de funcionamento foram efetuadas 513 horas de trabalho em alto mar.

“Do ponto de vista da engenharia, o projeto foi desenvolvido para ter uma vida útil de 25 anos, mas tal como o eólico em terra, quando atingir os 20 anos será avaliado o estado de desgaste do equipamento”, observou José Pinheiro. In “O Minho” - Portugal


 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Portugal – Projeto de energias das ondas em Viana do Castelo financiado pela União Europeia

A construção de um centro de Investigação e Desenvolvimento (I&D) em Viana do Castelo para a produção de conversores da energia das ondas garantiu um financiamento de 7,3 milhões de euros, informou a entidade gestora do Norte 2020



Em comunicado, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) explicou a empresa tecnológica sueca CorPower Ocean está a investir 16 milhões de euros na criação daquele centro, no porto de mar da capital do Alto Minho, resultado de um acordo estabelecido com Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL).

O presidente da CCDR-N, a autoridade administrativa do Norte 2020, António Cunha, citado na nota, disse ser “gratificante constatar que o projeto contou com um apoio da União Europeia de 7,3 milhões de euros”.

“Os próximos anos serão cruciais na aplicação das energias limpas, que permitirão apostar numa economia mais verde. Este desafio é ainda mais importante quando estamos num país onde o mar representa um elemento essencial da economia, da sociedade e até da cultura. Com144 quilómetros de costa, a região Norte é, sem dúvida, o melhor lugar para um projeto deste tipo”, referiu António Cunha.

Para o presidente da CCDR-N, “projetos deste tipo são essenciais para o investimento na região Norte”.

“Através da CorPower, mais especificamente do projeto HiWave, será possível destacar o papel do Norte na vanguarda e na inovação em matéria de energias alternativas”, destacou.

Também a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) “saudou” o financiamento comunitário do projeto da empresa sueca, referindo que “Portugal tem conseguido atrair investimentos de empresas internacionais com projetos inovadores, graças às suas vantagens competitivas, com ênfase no talento”.

“O projeto HiWave-5 da CorPower, em Viana do Castelo, um investimento global de 16,3 milhões de euros, é um passo firme para a consolidação de Portugal na vanguarda mundial da inovação e das energias alternativas, concretamente na energia oceânica”, observou.

Para o administrador da CorPower Ocean, Patrik Möller, “a decisão de financiamento comunitário reafirma o empenho de Portugal no sector da energia oceânica”.

“Temos o prazer de anunciar este desenvolvimento positivo, que nos permitirá intensificar ainda mais as operações em Portugal. Estamos a ganhar um grande impulso com o nosso novo Centro de Investigação e Desenvolvimento, que se encontra em fase de conclusão, e uma equipa em rápida expansão”, afirmou o administrador citado no documento.

Patrik Möller acrescentou que, “embora Portugal ofereça condições naturais ideais para o projeto de demonstração, fundamentalmente também partilha da paixão e visão” da empresa “pela energia oceânica”.

“Existe uma vontade política firme de manter a posição de liderança em energias limpas, que se reflete neste recente investimento na CorPower. O nosso trabalho encontra-se bem alinhado com a Estratégia Industrial Portuguesa para as Energias Renováveis Oceânicas, que visa criar um cluster de exportação industrial competitivo e inovador”.

Em outubro de 2020, o representante em Portugal da tecnológica sueca, Miguel Silva Miguel Silva disse que no centro de Investigação e Desenvolvimento (I&D), que empregará 15 trabalhadores “altamente qualificados”, será produzido, em 2021, “o primeiro equipamento em escala real, capaz de produzir 300 kilowatts de energia”, a ser “instalado na Aguçadoura, ao largo da Póvoa de Varzim, para a realização de testes”.

Na altura, numa sessão de apresentação do projeto em Viana do Castelo, adiantou que naquele centro “vão ser desenvolvidos e produzidos todos os componentes necessários à produção do equipamento”, servindo ainda para centralizar “todas as operações marítimas de colocação, manutenção, observação e recolha de dados” que os mesmos irão produzir.

Na ocasião, apontou para 2024 o início da comercialização dos primeiros conversores de energia das ondas produzidos em Viana do Castelo, culminando um projeto iniciado em 2012 num investimento global de 52 milhões de euros. In “Rádio Alto Minho” - Portugal


segunda-feira, 27 de julho de 2020

Portugal - Parque eólico flutuante está operacional e a fornecer energia limpa à rede elétrica

A ligação da última das três plataformas foi completada com sucesso e assinala a conclusão da construção do parque eólico na costa portuguesa



O WindFloat Atlantic o primeiro parque eólico flutuante semi-submersível do mundo e a EDP acaba de confirmar que já está plenamente operacional e a fornecer energia limpa à rede elétrica de Portugal.  O projeto pertence à Windplus, que é propriedade conjunta da EDP Renováveis, que detém 54,4%, a ENGIE (25%), Repsol (19,4%) e Principle Power Inc (1,2%).

A ligação da última das três plataformas ao cabo de alimentação que percorre os 20 quilómetros de distância que separam o parque eólico da estação instalada em Viana do Castelo, assinala a conclusão da construção do parque. O WindFloat Atlantic, tem uma capacidade total instalada de 25 MW e deverá gerar energia suficiente para abastecer o equivalente a 60 000 utilizadores por ano, poupando quase 1,1 milhões de toneladas de CO2.

Segundo a EDP, a última plataforma do WindFloat Atlantic foi ligada à rede e o parque já entrou em pleno funcionamento. As três unidades começam agora a injetar na rede elétrica de Portugal a energia produzida pelas suas turbinas de 8,4 MW, as maiores do mundo jamais instaladas numa plataforma flutuante.

10 anos de projeto

O projeto foi iniciado pelo consórcio Windplus há já uma década, garantindo o acesso aos melhores recursos eólicos em mar alto, que até agora eram inacessíveis. O Windplus instalou e ligou três plataformas com êxito — com 30 metros de altura e uma distância de 50 metros entre cada uma das suas colunas — e que permitem albergar turbinas de 8,4 MW, as maiores do mundo jamais instaladas numa plataforma flutuante.

A tecnologia utilizada é chave para o êxito do projeto, destacando-se a ancoragem, que permite a sua instalação em águas de mais de 100 metros de profundidade, e o seu design, orientado para a estabilidade em condições climatéricas e marítimas adversas. O projeto beneficiou ainda da tecnologia de montagem: a assemblagem foi feita em doca seca, o que permitiu importantes poupanças logísticas e económicas e possibilitou o reboque das plataformas por rebocadores normais.

As plataformas foram construídas pelos dois países da Península Ibérica: duas delas nos estaleiros de Setúbal (Portugal) e a terceira nos estaleiros de Avilés e Fene (Espanha).

A tecnologia aplicada e o modelo desenvolvido para o WindFloat Atlantic pode agora ser reproduzido noutras geografias com mares profundos e outras condições marítimas adversas para a tecnologia eólica offshore tradicional.

As fundações WindFloat também permitem albergar os maiores aerogeradores do mundo, o que contribui para o aumento da produção de energia, fomentando uma redução considerável dos custos associados ao ciclo de vida. In “Sapo Tek” - Portugal

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Portugal - Viana do Castelo recebe centro europeu de robótica



Um investimento de 8,5 milhões de euros, em três anos, vai criar em Viana do Castelo o primeiro centro europeu para testar robôs em parques eólicos flutuantes, informou o consórcio internacional responsável pelo projeto Atlantis.

O “primeiro centro europeu de teste de robôs marítimos em ambiente real” será criado no Windfloat Atlantic, o primeiro parque eólico flutuante da Europa continental, que começou a ser instalado, em outubro, a 20 quilómetros ao largo de Viana do Castelo pelo consórcio Windplus.

O novo centro “vai possibilitar a validação de soluções robóticas nas condições climatéricas mais extremas do Oceano Atlântico, em especial nos trabalhos de inspeção e manutenção das infraestruturas eólicas ‘offshore'”.

Em nota enviada à imprensa, o consórcio constituído pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), a EDP (NEW – Centre For New Energy Technologies) e mais oito parceiros, de cinco países, adiantou que o Atlantis “permitirá quantificar o valor acrescentado de nova tecnologia robótica e acelerar a sua integração no setor da energia eólica marítima”.

“O projeto assenta numa verdadeira simbiose entre as indústrias da energia e da robótica marinha. Este centro de inovação terá uma importância estratégica para o roteiro científico da robótica em toda a Europa”, destacou Andry Maykol Pinto, coordenador do projeto e investigador no INESC TEC, citado na nota.

A atividade do Atlantis estará centrada “na inspeção, manutenção e reparação de infraestruturas eólicas ‘offshore’, onde diversos robôs autónomos (subaquáticos, de superfície e aéreos) serão desenvolvidos e testados em diversos cenários industriais, como, por exemplo, na inspeção de cabos de amarração, monitorização de estruturas subaquáticas ou na limpeza de turbinas”.

A “utilização de soluções robóticas neste setor pretende mitigar riscos e diminuir os custos de operação e manutenção dos parques eólicos ‘offshore’, nomeadamente em águas profundas, contribuindo também para a redução do custo normalizado de energia (Levelized Cost of Energy)”.

O centro a criar “utilizará o parque WindFloat Atlantic para validar e demonstrar aplicações robóticas, desenvolvidas por centros de investigação ou por empresas tecnológicas, membros do consórcio, que contribuam para a sustentabilidade do setor”.

“O Atlantis Test Center será uma excelente oportunidade para as pequenas e médias empresas (PME) que desenvolvam tecnologias capazes de reforçar a sustentabilidade do setor eólico marítimo, pois terão a possibilidade de avaliarem experimentalmente os seus produtos, e adequarem a sua oferta às necessidades e expectativas de um mercado emergente”, acrescentou Andry Maykol Pinto.

Em causa está o Windfloat Atlantic (WFA), um projeto de uma central eólica ‘offshore’ (no mar), em Viana do Castelo, orçado em 125 milhões de euros, coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis, e que integra o parceiro tecnológico Principle Power, a Repsol, a capital de risco Portugal Ventures e a metalúrgica A. Silva Matos.

As três turbinas que compõem o parque eólico, sendo que duas já estão montadas em plataformas flutuantes ancoradas no leito do mar, terão no seu conjunto uma capacidade instalada de 25 MW (megawatts), o equivalente à energia consumida por 60 mil habitações por ano.

Para o diretor de I&D da EDP, João Maciel, também citado naquela nota, referiu que aquele parque eólico flutuante “é um passo de gigante na criação de novos mercados para as energias renováveis e, em particular, para o setor eólico”.

“O projeto Atlantis é estratégico para a empresa porque aposta num dos vetores centrais que contribuirá decisivamente para aumentar a competitividade do eólico offshore flutuante: a operação e manutenção inovadoras, criando novas opções viáveis para a descarbonização do sistema energético e da sociedade”, reforçou João Maciel.

O projeto é financiado pelo H2020 – Programa Quadro para a Investigação e Inovação.

O consórcio envolvido no projeto inclui, além do INESC TEC e da EDP NEW Center For New EnergyTechnologies, a Teknologian Tutkimuskeskus VTT e ABB OY (Finlândia), Principle Power France e ECA Robotics(França), Space Application Services NV (Bélgica), IQUA Robotics e Universitat de Girona (Espanha) e RINA Consulting SPA (Itália). In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Portugal – Peça de teatro inspirada num texto francês tem estreia nacional em Viana do Castelo

A peça com dramaturgia de João Mota, inspirada na “Farsa do Mestre Pathelin”, texto anónimo francês do século XV, estreou-se domingo, na abertura da terceira edição do festival de teatro de Viana do Castelo



“A dramaturgia do João Mota assenta numa companhia de circo que conta a história divertida de um advogado que vai a tribunal livrar o seu cliente, que é culpado, de ser condenado. É um texto charneira que muitos advogados conhecem por tratar a profissão de forma muito graciosa e hilariante”, disse o diretor artístico do Teatro do Noroeste-CDV, Ricardo Simões.

A peça “O Circo Rataplan Apresenta: A Farsa do Mestre Pathelin”, uma cocriação do Teatro do Noroeste com a Comuna, estreou-se no domingo, na sala principal do Teatro Municipal Sá de Miranda, em Viana do Castelo.

O espetáculo, a primeira cocriação entre o Teatro do Noroeste – CDV, companhia profissional de Viana do Castelo, e A Comuna – Teatro de Pesquisa, de Lisboa, tem dramaturgia e encenação de João Mota e interpretação de Alexandre Calçada, Carlos Paulo, Elisabete Pinto, Hugo Franco, Maria Ana Filipe, Miguel Sermão e Tiago Fernandes.

O encenador, João Mota, referiu ainda que “os atores estão em palco como se estivessem no circo, com uma grande cumplicidade entre eles, em que os ensaios são um recreio”.

“A gente vai brincado e o teatro não é mais do isso. Jogar. Em francês ‘jouer’, em inglês ‘play’. Esquecemos muito isso hoje, porque queremos agradar a uns senhores que não vêm ao teatro. Este é um espetáculo popular, para todos. E popular investigando. A dificuldade é fazer teatro popular, investigando ao mesmo tempo”, referiu.

O espetáculo “O Circo Rataplan Apresenta: A Farsa do Mestre Pathelin” abriu a terceira edição do festival de Teatro de Viana do Castelo que decorre até dia 18, com “17 representações de 14 diferentes espetáculos de Portugal e de Espanha”.

O festival é organizado pelo Teatro do Noroeste – CDV, com o apoio da Câmara local e da Direção-Geral das Artes (DGArtes). In “Lusojornal” – França


O Teatro Municipal Sá de Miranda foi inaugurado no dia 29 de abril de 1885. Completou, em 2019, 134 anos.

A sua construção deveu-se ao esforço de um conjunto de personalidades vianenses que constituiu, em 1879, a Companhia Fomentadora Vianense, com o objetivo de construir “um edifício civilizador” para a cidade e para a região.

Teatro “à italiana”, projetado por José Geraldo da Silva Sardinha, com plateia em forma de ferradura e três ordens de camarotes, com capacidade (atualmente) para 378 lugares. O pano de boca original foi desenhado por Luigi Manini e pintado por Hercole Lambertini, cenógrafos do Teatro S. Carlos e o teto, uma imagem do céu em trompe l´oeil, com retratos de dramaturgos, foi pintado por João Baptista do Rio.

A Câmara Municipal de Viana do Castelo adquiriu o edifício em 1985, numa altura em que a sua degradação se acentuava.

O Teatro do Noroeste - Centro Dramático de Viana é fundado em 1991, com o apoio da autarquia e, desde logo, é-lhe concedido o estatuto de companhia residente do Teatro Municipal Sá de Miranda, perspetivando a recuperação e redinamização deste magnífico teatro centenário, assim como a qualificação da oferta cultural da cidade e da região, desenvolvida a partir do seu mais emblemático equipamento cultural.

Desde então, a atividade do Teatro do Noroste - CDV e a iniciativa da Câmara Municipal de Viana do Castelo têm propiciado a promoção de obras de beneficiação, primeiro, em 1993, dando segurança e comodidade ao público e, numa segunda fase, no limiar do ano 2000, dotando a caixa de palco dos mais modernos equipamentos cénicos, que permitem pôr em cena os mais exigentes espetáculos.

Em 2015, a Câmara Municipal de Viana do Castelo, com a participação do Teatro do Noroeste – CDV, assinalou os 130 anos de existência do Teatro Municipal Sá de Miranda, com uma sessão evocativa da sua inauguração que contemplou um ato formal que teve lugar no átrio do teatro, a leitura de poesia, uma visita por espaços menos conhecidos do edifício e a exposição de um exemplar original do jornal “A Aurora do Lima”, do dia 29 de abril de 1885, exibindo a notícia da inauguração do Teatro Municipal Sá de Miranda, em Viana do Castelo, o primeiro edifício do género a ser construído no Alto Minho.

Estima-se que o Teatro Municipal Sá de Miranda, situado em Viana do Castelo, seja o quinto mais antigo teatro português em atividade, mantendo ainda a arquitetura original da sua construção. Teatro do Noroeste - Centro Dramático de Viana 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Comissão Europeia - Autoriza entrada da francesa Engie na Windplus

A Comissão Europeia entendeu que o controlo conjunto da Winsplus pela Engie, Repeol e EDP Renováveis não viola as regras europeias sobre concentrações de empresas



A Comissão Europeia (CE) autorizou “a aquisição do controlo conjunto da empresa comum Windplus S.A. de Portugal, pela Engie S.A. de França («Engie»), EDP Renewables, SGPS, S.A. de Portugal (EDPR) e pela Repsol Nuevas Energías S.A. de Espanha («Repsol»)”, segundo nota enviada ontem à imprensa.

Como a Windplus já é controlada pela EDPR e pela REPSOL, na prática, a decisão significa a permissão de entrada da Engie no capital do consórcio, que já tinha sido solicitada à CE em Novembro por envolvimento de fundos comunitários no projecto do parque eólico que o consórcio promove (Windfloat).

De acordo com o Jornal de Negócios, essa entrada “deverá ser feita através da compra de parte da participação da EDP Renováveis, que lidera o consórcio com uma fatia de 79,4%”, mas ainda são desconhecidos detalhes da divisão do capital.

Na sua decisão, a CE “concluiu que a concentração em causa não levanta problemas de concorrência dadas as actividades actuais e futuras muito limitadas da Windplus no Espaço Económico Europeu”, refere o comunicado, sublinhando que a Windplus “desenvolverá um projecto eólico offshore e será activa na produção e oferta de electricidade a granel a Portugal”.

Recorde-se que em Outubro o Banco Europeu de Investimento (BEI) emprestou 60 milhões de euros ao consórcio para o funcionamento do primeiro parque eólico flutuante no mar, em Viana do Castelo. Nesta fase, o investimento previsto de 125 milhões de euros contempla também 29,9 milhões de euros do programa comunitário NER300, 6 milhões de euros do Fundo de Carbono Português e apoio de accionistas, segundo recorda o Observador. Até 2019, segundo lembra o Jornal de Negócios, o parque eólico terá de estar a produzir energia, sob pena de perder o financiamento comunitário. In “Jornal Economia do Mar” - Portugal

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Portugal – Vai avançar plataforma marítima de produção de electricidade

O Conselho de Ministro de Portugal aprovou no passado dia 24 de Novembro de 2016, uma resolução que conclui os procedimentos de instalação de plataforma marítima de produção de electricidade, ao largo de Viana do Castelo.

Segundo comunicado do Executivo, “pretende-se, assim, concretizar o projecto de produção de electricidade em fase pré-comercial, denominado Windfloat, através da criação de condições para assegurar a sua ligação à rede eléctrica pública e o licenciamento, até 18 de Dezembro de 2016, bem como promover a alteração da localização da zona piloto das ondas situada ao largo de São Pedro de Moel para Viana do Castelo, com vista à sua revitalização”.

Plataforma flutuante

O projecto WindFloat é conduzido pela EDP Inovação em parceria com a EDP Renováveis. Com este projecto, a EDP desenvolve uma tecnologia que vai permitir a exploração do potencial eólico no mar, em profundidades superiores a 40 metros. O foco de inovação do projecto baseia-se no desenvolvimento de uma plataforma flutuante, partindo das experiências da indústria de extracção de petróleo e de gás, onde irá assentar uma turbina eólica com vários MW de capacidade de produção.

A plataforma flutuante é semissubmersível e fica ancorada ao leito do mar. A sua estabilidade é conseguida através de um sistema de comportas que se enchem de água na base dos três pilares, associadas a um sistema de lastro estático e dinâmico. O sistema WindFloat adapta-se a qualquer tipo de turbina eólica offshore. Este sistema é totalmente construído em terra, incluindo a montagem das turbinas – evitando assim difíceis e dispendiosos trabalhos em alto mar.

O projeto WindFloat engloba a concepção e construção de um prototipo onde é montada uma turbina eólica de 2 MW. O protótipo foi instalado ao largo da costa portuguesa, perto de Aguçadoura, e ligado à rede eléctrica em finais de Dezembro de 2011. Trata-se do primeiro projecto de instalação de turbinas eólicas offshore em todo o mundo que não implicou a utilização de pesados sistemas de construção e montagem no mar. Carlos Caldeira – Portugal in  “Agricultura e Mar Actual”

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Portugal – Convento de São Francisco do Monte em Viana do Castelo ao abandono

Situado na encosta do Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, o Convento de São Francisco do Monte data dos finais do século XIV e pertenceu à Ordem Franciscana, tendo sido o terceiro desta congregação em Portugal.

Atualmente encontra-se em estado de completo abandono e degradação, sujeito a toda a espécie de pilhagens e até utilizações menos próprias do local como a prática de “cultos” estranhos que podem inclusivamente colocar em risco a segurança da área florestal envolvente. E, a sua sorte parece indiferente a todas as entidades que superintendem a preservação do património histórico e artístico…

Em 2002 foi iniciado o processo de classificação como monumento nacional e foi preciso esperar mais de uma década para a Direcção-Geral do património Cultural chegar à conclusão de que o imóvel não reúne “as condições necessárias a uma distinção de âmbito nacional”, tendo mandado arquivar o processo.

Na sequência da extinção das Ordens Religiosas decretada por Mouzinho da Silveira em 1834, o antigo Convento de São Francisco do Monte foi adquirido em hasta pública pelo Visconde de Carreira, o qual criou uma exploração agrícola na área da cerca conventual. Porém, a partir de meados do século passado, o edifício começou a ficar degradado e, em 1987, foi pelo seu proprietário à época, Rui Feijó, doado à Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo. Em 2001, esta entidade procedeu à sua venda ao Instituto Politécnico de Viana do Castelo, pela quantia de 250 mil euros.

Perante o estado de degradação e abandono a que chegou o Convento de São francisco do Monte, em Viana do Castelo, não deixam de ser irónicas as palavras que constaram do relatório enviado ao rei D. Pedro IV por altura da extinção das Ordens Religiosas: "Senhor: Está hoje extinto o prejuízo que durou séculos, de que a existência das Ordens Regulares é indispensável à Religião Católica e útil ao Estado, e a opinião dominante é que a Religião nada lucra com elas, e que a sua conservação não é compatível com a civilização e luzes do século, e com a organização política que convém aos povos".

O Convento de São Francisco do Monte é um monumento histórico que faz parte do nosso património e a sua recuperação interessa a Viana do Castelo e ao próprio país em geral pelo que, perante a inércia dos poderes públicos, deve a sociedade agir em defesa dos seus interesses e do património histórico e artístico que nos foi legado. Carlos Gomes – Portugal in “Blogue do Minho”