Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 23 de junho de 2024

Península Ibérica - Lince ibérico classificado como espécie “vulnerável”

O número de linces ibéricos adultos multiplicou-se por dez neste século e o animal deixará de ser classificado como “em risco” passando a espécie “vulnerável” na Lista Vermelha elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN)


A organização internacional vai atualizar a sua lista vermelha de espécies ameaçadas no próximo dia 27, mas anunciou em comunicado que uma das novidades é a melhoria do estatuto de conservação deste mamífero endémico da Península Ibérica, que chegou a ser a espécie de felino mais ameaçada de extinção no planeta.

“Os esforços de conservação permitiram recuperar esta espécie depois de estar perto da extinção, com um aumento exponencial da sua população que passou de 62 espécimes adultos em 2001 para 648 em 2022”, precisou a UICN.

“Quando a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN celebra o seu 60º aniversário, a sua importância não pode ser exagerada como a mais completa fonte de informação sobre o estado da biodiversidade mundial. É uma ferramenta essencial que mede o progresso no sentido de travar a perda e alcançar os objetivos globais de biodiversidade para 2030. A melhoria do estatuto do lince ibérico (…) mostra que a conservação bem-sucedida funciona tanto para a vida selvagem como para as comunidades”, refere Grethel Aguilar, diretora-geral da UICN, citada no comunicado.

Segundo a organização, a população total do lince ibérico (Lynx pardinus), incluindo jovens e adultos, é estimada em mais de 2000 exemplares.

Desde 2010, mais de 400 linces ibéricos foram reintroduzidos em partes de Portugal e Espanha e o animal ocupa agora pelo menos 3320 quilómetros quadrados, contra 449 quilómetros quadrados em 2005. De acordo com o Censo 2023 do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), existem em Portugal 191 exemplares de lince ibérico.

“Os esforços de conservação da espécie têm-se centrado no aumento da sua presa, o ameaçado coelho europeu (Oryctolagus cuniculus), na proteção e restauração do ‘habitat’ mediterrânico e florestal e na redução das mortes causadas pela atividade humana”, refere o comunicado.

Criada em 1964, a Lista Vermelha classifica as espécies em três níveis (“baixo risco”, “ameaçadas” e “extintas”), com subníveis em cada um destes grupos.

No caso das espécies ameaçadas existem três subníveis, que do menor ao maior grau de severidade são “vulneráveis” (a classificação que o lince ibérico passará a ter), “em risco” e “criticamente ameaçadas”, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Uma espécie vulnerável tem menor risco de extinção do que uma ameaçada, mas o perigo mantém-se devido a problemas como a perda de ‘habitat’, alterações climáticas, acidentes rodoviários ou a caça furtiva, pelo que a UICN recomenda que os animais continuem a ser monitorizados até que a sua capacidade reprodutiva e capacidade de sobrevivência melhorem.

A organização alerta ainda para as doenças que os gatos podem transmitir ao lince e para as oscilações que outras epidemias podem causar na população de coelhos, o seu alimento básico.

A Lista Vermelha da IUCN inclui 44 000 espécies animais e vegetais (28% do total), sendo que mais de um quarto dos mamíferos corre algum risco de extinção.

Entre os que correm maior perigo estão o camelo selvagem (Camelus ferus), o vison europeu (Mustela lutreola), o gorila nas suas subespécies oriental e ocidental (Gorila beringei e Gorila gorila), o rinoceronte de Java (Rhinoceros sondaicus) e o orangotango de Sumatra (Pongo abelil). In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




domingo, 3 de dezembro de 2023

África do Sul - Redescoberta espécie de toupeira-dourada que se pensava extinta

Desde 1936 que a toupeira da espécie Cryptochloris wintoni, conhecida pelo seu pêlo que emite um brilho áureo, por ser totalmente cega e por parecer ‘nadar’ pelas dunas arenosas, não era avistada.


Contudo, uma investigação de conservacionistas e geneticistas da organização não-governamental Endangered Wildlife Trust (EWT) e da Universidade de Pretória voltaram a descobrir, na África do Sul, esta espécie classificada como ‘Criticamente em Perigo’ pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN).

Num artigo publicado na revista ‘Biodiversity and Conservation’, é revelado que a presença desta espécie e de alguns indivíduos foram detetados graças à utilização de técnicas de análise de ADN ambiental recolhido do solo e de um cão Border Collie que ajudou os investigadores a seguirem as pistas odoríferas deixadas por este animal críptico.

De acordo com os cientistas, esta toupeira, também vulgarmente conhecida como toupeira-dourada de De Winton, foi vista pela última vez, há mais de 80 anos, na localidade costeira sul-africana de Port Nolloth, uma região que tem sido alvo de uma “transformação radical dos habitats” devido à exploração de diamantes, algo que “representa uma ameaça significativa” para esta espécie.

É um animal que não é facilmente observado. Além de viver em tocas subterrâneas, tem uma audição extremamente apurada e é capaz de detetar vibrações produzidas por movimento à superfície, que os investigadores dizem ajudar essas toupeiras a manterem-se escondidas de potenciais predadores.

“Além disso, também raramente deixam para trás túneis que sejam visíveis desde a superfície à medida que se movem pela areia”, explicam em comunicado.

Através da recolha de mais de 100 amostras de solo em junho de 2021, em praias e dunas na costa noroeste de África do Sul, incluindo Port Nolloth, e da sua análise genética, a equipa confirmou a presença da espécie que estaria extinta, bem como de outras espécies de toupeiras-douradas, como a Chrysochloris asiatica, a Eremitalpa granti e a Cryptochloris zyli, sendo essa última também ameaçada de extinção.

“Embora muitos duvidassem que a toupeira-dourada de De Winton ainda andasse por aí, eu acreditava que a espécie ainda não se tinha extinguido”, admite Cobus Theron, gestor de conservação da EWT e um dos autores do artigo.

Para o especialista, era uma questão de tempo e de usar o método de deteção certo até que se voltasse a registar a presença desse animal esquivo, e o ADN ambienta provou ser a melhor abordagem, uma vez que é amplamente usada para descobrir vestígios de espécies que normalmente são difíceis de observar em contexto selvagem.

Embora a toupeira-dourada de De Winton tenha uma área de distribuição mais ampla do que se pensava, os cientistas dizem que não é uma espécie que se possa considerar ser abundante. Como tal, esperam que os resultados do trabalho possam evidenciar a necessidade e até urgência de criar e implementar medidas que ajudem a proteger esta espécie, uma vez que parece apenas ocorrer numa região fortemente pressionada pelas atividades humanas, para que não desapareça de vez. Filipe Rações – Portugal in “Green Savers”


 

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Austrália - Zoo celebra nascimento de 13 crias de numbat, espécie ameaçada de extinção

O parque zoológico de Perth, na Austrália, divulgou esta quinta-feira imagens das crias recém-nascidas de numbat (Myrmecobius fasciatus), uma espécie de marsupial nativa desse país que está ameaçada de extinção. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), está classificada como ‘Em Perigo’ e as populações continuam em declínio.

De acordo com o zoo, os pequenos numbats, de diferentes progenitoras, estão de boa saúde, mas três das crias estão ao cuidado de tratadores, pois uma das mães não lhes está a prestar os cuidados devidos.

O ano de 1993 ficou marcado pela primeira reprodução em cativeiro bem-sucedida de numbats na Austrália, e desde então terão já sido libertados em habitats naturais 294 nascidos em cativeiro um pouco por todo o país. O zoo de Perth espera poder libertar as crias no final deste ano.

Estima-se que existam menos de dois mil destes animais a viver em liberdade, pelo que “cada indivíduo nascido faz uma diferença importante para a espécie”, salienta a instituição.

Ao contrário de outros marsupiais que ocorrem na Austrália, os numbats estão ativos durante o dia. Com hábitos de alimentação carnívoros, as térmitas são a sua presa de eleição, usando uma longa língua para chegarem a esses insetos nas suas galerias subterrâneas.

E têm um apetite voraz, pois num só dia um numbat é capaz de ingerir entre 15 mil e 20 mil térmitas.

Em tempos, foram abundantes nas regiões áridas e semiáridas australianas, mas na década de 1970 tinham já desaparecido de 99% da sua distribuição histórica, estando hoje confinados a pequenas áreas no sudoeste do país.

A perda de habitat causada pela desflorestação, os incêndios e a predação por espécies exóticas invasoras, como a raposa-vermelha e gatos assilvestrados, são as principais ameaças à sobrevivência dos numbats, e persistem mesmo nos últimos baluartes da espécie na Austrália. Filipe Rações – Portugal in “Green Savers”


sexta-feira, 23 de julho de 2021

Internacional - Cientistas defendem a inclusão de todos os fungos nas metas globais para a conservação da biodiversidade

Uma carta publicada hoje na prestigiada revista científica Science apela para que todos os fungos sejam incluídos nas metas globais para a conservação da biodiversidade, que vão ser aprovadas na Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15), que irá decorrer em Kunming, China, de 11 a 24 outubro.

A missiva é liderada pela investigadora Susana C. Gonçalves, do Centre for Functional Ecology da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e dirige-se sobretudo às partes da Convenção sobre a Diversidade Biológica (https://www.cbd.int/) reunidas na COP15.

«Pretende-se que incluam explicitamente o Reino Fungi nos alvos designados através da inclusão do termo funga, substituindo em todos os documentos a expressão “fauna e flora” por “fauna, flora e funga”», sublinha Susana C. Gonçalves, explicando que esta carta surge como resposta a uma carta anterior, também publicada na Science, que defendia «a inclusão dos chamados “macrofungos” (fungos cujas estruturas reprodutoras são visíveis a olho nu, por exemplo cogumelos e trufas) nas metas globais de biodiversidade pós-2020. Na nossa carta, enfatizamos a necessidade de incluir todos os fungos e providenciamos evidências de que os “microfungos” merecem igual consideração».

«É chocante que apenas umas escassas 425 espécies, dos milhões de espécies de fungos que habitam o planeta, tenham sido avaliadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) para a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas», pode ler-se na carta hoje publicada, que é assinada por mais três investigadores (da Bélgica, do Chile e dos EUA).

Os cientistas notam que, embora as pessoas associem os fungos aos cogumelos, na realidade, «a maioria dos fungos não produz estruturas reprodutivas visíveis a olho nu. Por exemplo, os fungos micorrízicos arbusculares são extremamente importantes: colonizam as raízes de 80% de todas as plantas, uma simbiose que ajudou as plantas a conquistarem a terra. Os bolores, tais como aqueles dos quais a penicilina foi isolada, são também microfungos. As leveduras Saccharomyces, que nos dão o pão, a cerveja e o vinho, são fungos unicelulares».

Os autores avisam ainda que a falta de conhecimento sobre «quais os fungos com maior risco de extinção dificulta a nossa capacidade de informar as ações de conservação para apoiar essas espécies e, em última análise, fornecer soluções baseadas nos fungos para enfrentar os prementes desafios globais».

«Os fungos suportam toda a vida na Terra. Não podemos permitir-nos negligenciá-los nos nossos esforços para travar a perda de biodiversidade», lê-se no final da carta.

«A Science tem um enorme alcance. Por isso, esperamos que a publicação da carta faça com que muitas mais pessoas e organizações juntem a sua voz à nossa», conclui a investigadora da FCTUC.

A carta pode ser consultada aqui. Universidade de Coimbra - Portugal