Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 25 de março de 2026

Novo livro aborda quatro décadas da administração portuguesa

O livro “O Poder entre Lisboa e o Oriente – Persistência e Mudanças na Administração do Ultimato ao Ato Colonial” da historiadora Célia Reis foi recentemente publicado pela Fundação Macau e o Centro Científico e Cultural de Macau. A obra incide sobre a evolução dos sistemas administrativos ultramarinos em Macau, em Timor e na Índia, entre os séculos XIX e XX

A Fundação Macau (FM) e o Centro Científico e Cultural de Macau publicaram recentemente o livro O Poder entre Lisboa e o Oriente – Persistência e Mudanças na Administração do Ultimato ao Ato Colonial, de Célia Reis. Inserido na colecção “Estudos de Macau”, a obra de Célia Reis descreve a evolução e as práticas dos sistemas administrativos portugueses em Macau, em Timor e na Índia, entre os finais do século XIX até à primeira metade do século XX, enquadrados no modelo de administração ultramarina de Portugal, refere uma nota de imprensa.

Segundo a FM, “as formas de administração ultramarina constituíram um dos tópicos centrais nos debates e práticas coloniais que se desenvolveram sobretudo a partir da segunda metade do século XIX”. Mais especificamente, o livro foca-se no período compreendido entre o “Ultimatum” britânico de 1890 e a promulgação do Ato Colonial, em 1930.

Nessas quatro décadas, Portugal modernizou-se, tendo passado de um regime monárquico para uma República, o que alterou a forma de administração ultramarina e introduziu novas formas de controlo financeiro nalguns territórios administrados pelos portugueses. Essas transformações forçaram Portugal a adaptar a sua forma de governação ultramarina, refere a nota.

A FM defende que a publicação desta obra “vem colmatar a lacuna em estudos sobre a administração portuguesa no Oriente”, com grande significado académico para a investigação da história administrativa contemporânea de Macau.

Doutorada em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Célia Reis é também professora em Torres Vedras e investigadora no Centro de Ecologia Funcional. As suas áreas essenciais de estudo são a História Colonial, o final da Monarquia, a Primeira República e a oposição à Ditadura Militar.

A sua tese de doutoramento, na qual se baseou a obra agora publicada, recebeu o Prémio Fundação Oriente – Embaixador João de Deus Ramos, atribuído pela Academia de Marinha. O livro está disponível na Livraria Portuguesa e na Livraria Plaza Cultural de Macau, por 280 patacas. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 4 de julho de 2016

AULP - Cooperação com Timor reforçada em encontro das universidades de língua portuguesa












Foi com a doação de 3600 publicações e de vários equipamentos desportivos à Universidade Nacional de Timor Lorosa’e que o Reitor da Universidade do Porto, Sebastião Feyo de Azevedo, encerrou a sua participação no 26.º Encontro da Associação de Universidades de Língua Portuguesa (AULP) que decorreu em Díli, de 29 de junho a 1 de julho de 2016.

A oferta, possível graças ao espírito solidário das diferentes faculdades da Universidade do Porto e, em particular da Faculdade de Desporto, é apenas um exemplo das relações de cooperação entre as universidades do Porto e de Timor Lorosa’e que, nas palavras de Sebastião Feyo de Azevedo, “envolve naturalmente uma dimensão de solidariedade para com uma nação que está desenvolvimento e para com um povo muito fustigado pela história recente”.

Reunindo mais de 200 líderes e docentes universitários dos vários países de língua portuguesa, o 26.º Encontro da AULP realizou-se sob o propósito da “Mobilidade académica e globalização no espaço da CPLP e Macau”. Ao Reitor da Universidade do Porto coube a presidência da sessão de debate dedicado ao “Ciências: Difusão e Desenvolvimento(s) em Língua Portuguesa” e a intervenção na sessão de encerramento do encontro.

O encontro terminou precisamente com a assinatura formal do Memorando de Entendimento entre a Universidade Nacional de Timor Lorosa’e e 29 universidades da AULP – U.Porto incluída –, um acordo que pretende promover da cooperação lusófona, difusão da língua portuguesa e mobilidade académica com a mais recente nação da CPLP.

De facto, este que foi o primeiro encontro da AULP realizado em território timorense em mais de 30 anos de atividade, foi uma oportunidade de reafirmar a língua portuguesa em Timor Lorosa’e, país que se comprometeu a impulsionar a promoção da língua portuguesa através da formação inicial e contínua de professores e ainda da expansão do ensino da língua às escolas privadas.

E se dúvidas houvesse quanto à ligação umbilical que Timor ainda mantém com Portugal, elas ficariam totalmente dissipadas em plena madrugada do dia 1 de julho quando, aos delegados da AULP ali presentes, se juntou uma pequena multidão de timorenses com bandeiras portuguesas para, às seis da manhã (hora local), festejar nas ruas a vitória da seleção portuguesa de futebol sobre a sua congénere polaca, que ditou a passagem de Portugal às meias-finais do Euro 2016. Raúl Santos – Portugal in “Universidade do Porto”

domingo, 7 de julho de 2013

Benevolência

“Ninguém é seu proprietário, pois ela não é objecto, mas cada falante é seu guardião, podia dizer-se a sua vestal, tão frágil coisa é, na perspectiva do tempo, a misteriosa chama de uma língua.”

“A celebrada alma portuguesa pelo mundo repartida, de camoniana evocação, foi, sobretudo, língua deixada pelo mundo. Por benfazejo acaso, os portugueses, mesmo na sua hora imperial, eram demasiado fracos para “imporem”, em sentido próprio, a sua língua. Que ela seja hoje a fala de uma país-continente como o Brasil e a língua oficial de futuras nações como Angola e Moçambique, que em insólitas paragens onde comerciantes e missionários da grande época puseram os pés, de Goa a Malaca ou a Timor, que a língua portuguesa tenha deixado ecos de sua existência, foi mais benevolência dos deuses e obra do tempo do que resultado de concertada política cultural. Sob essa forma, um tal projecto seria mesmo anacrónico. Nenhum autor português, nem nenhum estrangeiro, escreveu acerca de nossa acção uma obra como “a conquista espiritual do México”, pois não tivemos nenhum México para conquistar e hispanizar. O derramamento, a expansão, a crioulização da nossa língua foram, tal como as nossas “conquistas”, obra intermitente de ganância (da terra e do céu), mais do que premeditada “lusitanização” como nós imaginamos – porventura enganados – que terá sido a romanização do mundo antigo ou a francização e anglicização dos impérios francês e britânico. Quiseram também as circunstâncias – na sua origem pouco recomendáveis – que a nossa língua europeia, em contacto com a africana escrava, se adoçasse, mais do que já é na sua versão caseira, para se tomar esse ritmo aberto e sensual, indolente, do português do Brasil ou o tom nostálgico de Cabo Verde.

A miragem imperial dissolveu-se há muito. Da nossa presença no mundo só a língua do velho recanto galaico-português ficou como elo essencial entre nós, como povo e como cultura, e as novas nações que do Brasil a Moçambique se falam e mutuamente se compreendem entre as demais. Uma língua não tem outro sujeito senão aqueles que a falam, nela se falando. Ninguém é seu “proprietário”, pois ela não é objecto, mas cada falante é seu guardião, podia dizer-se a sua vestal, tão frágil coisa é, na perspectiva do tempo, a misteriosa chama de uma língua.” Eduardo Lourenço - Portugal