Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 18 de julho de 2023

Portugal - Projeto da UC aposta no desenvolvimento de ferramentas de corte com refrigeração interna inovadora

Com o objetivo de otimizar as ferramentas de corte para que tenham um desempenho adequado sem perderem propriedades, um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver um sistema de refrigeração interna inovador, baseado no sistema de arrefecimento dos catos.

A inovação está a ser desenvolvida no âmbito de um projeto em copromoção da Agência de Inovação designado “3DCompCer - Manufatura Aditiva de Compósitos de base Cerâmica para componentes Mecânicos”, financiado com quase um milhão de euros.

As operações de maquinação exigem a utilização de ferramentas com elevada dureza, em particular a temperaturas elevadas (existente no contacto da apara com a ferramenta), boa resistência ao desgaste, estabilidade química e resistência à oxidação. Os compósitos cerâmicos cumprem esses requisitos e, desta forma, são os materiais selecionados para estas aplicações.

No entanto, começa por explicar Teresa Vieira, professora catedrática do Departamento de Engenharia Mecânica da FCTUC, «com o passar dos tempos os materiais a maquinar alteraram-se e as condições de corte tornaram-se cada vez mais desafiantes, levando os sistemas de arrefecimento externo a ficarem inoperacionais». Assim, prossegue, «obrigaram à necessidade de criar novos sistemas de arrefecimento interno eficazes, mas tal só é possível através da fabricação aditiva, em que as geometrias não têm “limite operacional”».

De acordo com a também investigadora do Centro Engenharia Mecânica, Materiais e Processos (CEMMPRE), «o desenvolvimento de novas ferramentas diferenciadas das existentes apresenta a possibilidade de alargar o campo de aplicação das ferramentas de maquinagem de base cerâmica, possibilitando condições de trabalho mais exigentes e tempos de vida útil superiores. Paralelamente, a otimização da geometria das ferramentas, através da introdução de novos sistemas de canais internos de refrigeração, permitirá reduzir significativamente o peso das ferramentas e concomitantemente diminuir o consumo de matérias-primas normalmente de custo elevado, como o carboneto de tungsténio e carbonitreto de titânio», considera.

A aplicação de técnicas de fabrico aditivo, isto é, impressão 3D, pode permitir o processamento de geometrias complexas, ferramentas de corte com canais internos de refrigeração. Sendo que «a otimização deste processo em materiais de base cerâmica para aplicação em ferramentas de maquinação é inovadora e disruptiva, trazendo benefícios ao nível do desempenho das ferramentas, redução de material e celeridade no processamento, tudo de grande importância para uma indústria sustentável», observa Teresa Vieira.

«O aumento de desempenho, a funcionalidade e o tempo de vida das ferramentas é de extrema importância para toda a indústria metalomecânica onde o corte é essencial para o fabrico de componentes/sistemas para todas as indústrias, destacando-se as associadas à mobilidade e a bens comuns», conclui.

No projeto 3DCompCer, liderado pela empresa Palbit, fornecedora mundial de ferramentas de corte de alta qualidade, as instituições envolvidas são a Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade de Aveiro (UA). Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Portugal - Equipa da Universidade de Coimbra desenvolve projeto que contribui para autorreparação de materiais metálicos

Com o intuito de diminuir os danos ocorridos por fadiga em materiais metálicos e evitar o colapso do sistema em que estão inseridos, uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu, ao longo dos últimos quatro anos, um projeto que visa contribuir para a autorreparação de materiais metálicos.

O projeto “CrackFree - Para materiais metálicos autorreparáveis”, liderado por Ana Sofia Ramos, investigadora do Centro de Engenharia Mecânica, Materiais e Processos (CEMMPRE), centrou-se na elaboração de um sistema de autorreparação em materiais metálicos para aplicação em áreas como aeroespacial, aeronáutica ou biomédica.


«A autorreparação em metais é complexa, tornando a sua investigação um desafio. Por isso, foi explorada uma nova abordagem para detetar (micro)fissuras em materiais metálicos - sensor e, posteriormente, induzir a sua reparação (autorreparação) – atuador, abordando diferentes técnicas para a produção de cada componente», revela a investigadora, acrescentando que este sistema é composto por um material matriz, nomeadamente liga aeronáutica de alumínio ou aço inoxidável austenítico, um sensor e um atuador.

«Neste projeto, por forma a incorporar sensores e atuadores, a matriz metálica é produzida pelo processo aditivo de extrusão de material (MEX, na sigla inglesa), um processo desenvolvido desde a otimização de feedstocks e produção de filamentos até à peça final. O sensor tem como elemento principal ligas com memória de forma capazes de detetar a presença de fissuras. Por sua vez, o atuador tem como destaque multicamadas reativas (MRs) depositadas por pulverização catódica (sputtering), que são capazes de reagir de forma autopropagável libertando calor, de modo a fundir um material reparador com vista a impedir a propagação de fissuras e promovendo, assim, a “cicatrização” dos componentes mecânicos», explica a também professora do DEM.

Assim, a liga aeronáutica de alumínio e o aço inoxidável austenítico foram usados para produzir provetes do material matriz utilizando a técnica MEX, de forma a permitir a introdução do sensor sob a forma de fio. «O primeiro desafio consistiu na deteção de fissuras utilizando fios de ligas com memória de forma, nomeadamente fios de NiTi - Sensor. A transformação martensítica do NiTi induzida por tensão e a diferente resistência elétrica da austenite, (fase mãe), e da martensite, são o cerne do sensor de fissuras», descreve a equipa do projeto.

Paralelamente, outro dos objetivos do projeto CrackFree «consistiu na deposição de nanocamadas alternadas de metais que reagem exotermicamente entre si (MRs), sobre a superfície de fios de tungsténio – Atuador. Na etapa de reparação, recorreu-se ao caráter exotérmico das MRs. Após a deteção, o fecho da fissura é promovido pela fusão de um material reparador por efeito do calor libertado. O material fundido ao fluir pode preencher a fissura ou pelo menos impedir a sua propagação. Para avaliar a estratégia de autorreparação proposta, foi estudada a propagação de fissuras em materiais metálicos com sensores incorporados, tanto numérica como experimentalmente», refere Ana Sofia Ramos.

De acordo com a equipa da FCTUC, o uso deste sistema pode ser aplicado, por exemplo, em satélites, uma vez que a manutenção é extremamente difícil e realizada de forma remota, bem como em amortecedores de carros, componentes que sofrem maior colapso ao longo do tempo.

«O nosso estudo é o começo de uma longa caminhada com desafios reais a serem ultrapassados. Os mecanismos e princípios básicos da autorreparação em metais ainda são desconhecidos e os nossos resultados são claramente considerados uma mais-valia», conclui a equipa do projeto, constituída por oito investigadores do CEMMPRE.  O projeto CrackFree recebeu um financiamento na ordem dos 214 mil euros por parte da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Universidade de Coimbra - Portugal