Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 19 de abril de 2022

Internacional - Experiência liderada pela Universidade de Coimbra vai para o espaço no primeiro veículo reutilizável da ESA

A experiência científica “TGF Monitor”, um sistema de deteção de telureto de cádmio (CdTe) pixelizado para raios gama e com capacidades polarimétricas, que abrirá novos horizontes tecnológicos e científicos, liderada pela Universidade de Coimbra (UC), acaba de ser selecionada para ir para o espaço a bordo do Space Rider, o primeiro veículo espacial reutilizável da Agência Espacial Europeia (ESA).

A equipa é coordenada por Rui Curado Silva, docente do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), e tem a participação do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), da Universidade da Beira Interior (UBI) e das empresas Active Space Technologies (Coimbra) e Advacam (Praga, República Checa).

Segundo Rui Curado Silva, a experiência “TGF Monitor”, se for bem sucedida, irá contribuir para «estabelecer os detetores de CdTe como uma tecnologia com aplicações que vão da astrofísica à segurança da aviação; e realizará novas medições científicas, em particular as relacionadas com flashes de raios gama terrestres (Terrestrial gamma-ray flashes, TGF)». Os TGF, explica, «são emitidos por nuvens cumulonimbus (nuvens com grande desenvolvimento vertical associadas a sistemas de trovoadas) e são uma preocupação para a saúde e a segurança de tripulações e passageiros de aeronaves».


A experiência abrange diversos tópicos, tais como efeitos da radiação orbital em detetores de CdTe, «que poderão ser usados como plano de deteção de telescópios para astrofísica de altas energias; observação de emissões gama, nomeadamente da Nebulosa de Caranguejo, com um detetor de CdTe com capacidades polarimétricas; medições científicas das emissões de TGF, em particular, a possibilidade de medir a polarização linear pode contribuir para responder a questões em aberto sobre os processos físicos geradores de TGF», detalha Rui Curado Silva.

A experiência compreende ainda a monitoração das emissões de TGF e avaliação do potencial dos detetores de CdTe pixelizados como monitores de TGF a bordo de aeronaves. «A sua utilização como alerta e para a caracterização da magnitude da emissão poderia ser uma valiosa contribuição para a segurança da aviação», afirma o investigador e docente da FCTUC.

O Space Rider será lançado de Kourou (Guiana Francesa) em 2024 a bordo de um foguetão Vega. Estará em órbita dois meses numa órbita terrestre baixa equatorial. A experiência TGF Monitor será instalada no Space Rider, «onde ficará exposta ao ambiente de radiação espacial. Apontará para o espaço, permitindo registar as emissões de raios gama, por exemplo da Nebulosa do Caranguejo, e também para a Terra, registando TGF», explica Rui Curado Silva. No final da missão, o Space Rider vai aterrar em Kourou ou no aeroporto da ilha de Santa Maria, nos Açores. A experiência será então recuperada e analisada.


Além de Rui Curado Silva, a equipa é constituída pelos investigadores Jorge M. Maia, José Sousa, Joana Mingacho, Pedro Póvoa, Joana Gonçalves, Gabriel Falcão, Gabriel Salgado e Miguel Moita. Da parte das empresas, a equipa é composta por Filipe Castanheira, Frederico Teixeira, Henrique Neves e Sara Freitas, da Active Space Technologies, Carlos Granja, Jiri Sestak e Jan Jakubek (Advacam). Universidade de Coimbra - Portugal






quinta-feira, 8 de julho de 2021

Internacional - Tecnologia na base da “nova era dourada” da exploração científica


No espaço ou nos oceanos, a tecnologia atual pode significar “uma nova era dourada” na exploração científica, afirmou o presidente do Clube dos Exploradores na abertura da Cimeira Global da Exploração, em Lisboa.

Neste dia 06, Richard Garriott afirmou que “é comum as pessoas que não estão envolvidas na exploração pensarem que tudo já foi explorado”, mas defendeu que “o crescimento exponencial da tecnologia”, sobretudo em áreas como a exploração oceânica ou a espacial significa uma “nova era dourada” comparável à que, há 500 anos, marcou viagens como a circum-navegação do português Fernão de Magalhães.

Numa altura de pandemia, assiste-se a “uma pressa de voltar ao terreno mais depressa, porque se esteve tanto tempo à espera” de algum alívio nas restrições que permitisse recuperar o tempo perdido.

“Quando a pandemia se manifestou e tudo encerrou, os exploradores tentaram ser bons cidadãos e não se tornarem parte do problema, portanto muita da atividade foi interrompida rapidamente”, referiu Richard Garriott.

Depois, “também rapidamente, os exploradores compreenderam os mecanismos da pandemia e como continuar a sua atividade de forma segura”, adiantou.

“É por isso que muito trabalho de campo recomeçou, mas com protocolos para que todos estejam seguros antes de participar, garantindo que não transportam a doença (covid-19) e, simultaneamente, não a levam no regresso às suas comunidades. Ainda não estamos de volta ao ritmo total”, afirmou o presidente do Clube dos Exploradores.

Ligado por videoconferência à cimeira, que junta exploradores de mais de 30 países, o cineasta James Cameron apontou as ligações entre a exploração das profundezas oceânicas e o espaço, referindo que a tecnologia desenvolvida para um fim pode ser essencial para o outro.

Cameron, que em 2012 fez o mergulho mais profundo até então realizado num submersível, descendo a 11 quilômetros de profundidade, referiu que os aparelhos usados para suportar as pressões das zonas mais profundas dos oceanos podem servir para explorar mundos como Europa, a lua de Júpiter coberta de oceanos gelados.

O realizador de filmes como “Aliens – O recontro final”, “O Abismo”, “Titanic” ou “Avatar” considera que “levará décadas” até ser possível montar uma missão de exploração de Europa, onde considera que “será mais provável encontrar vida do que em Marte”.

Entretanto, defende que na Terra se adiante trabalho, construindo aparelhos de exploração pequenos, “enxames de veículos robóticos” capazes de trabalhar autonomamente, aplicando inteligência artificial, capazes de reunir dados em massa sobre os oceanos, onde as mudanças “levam muito tempo para compreender”.

Richard Garriott frisou que “os exploradores estão a desempenhar um papel essencial na proteção e preservação da vida”, porque “compreender o mundo em que se vive” é o primeiro passo para “proteger a vida na Terra, alimentar os sete mil milhões de habitantes ou prevenir que pandemias se espalhem pelo mundo”.

Acrescentou que estão “habituados a enfrentar uma grande variedade de dificuldades e a chegarem a extremos para se prepararem para elas”.

O presidente do clube fundado nos Estados Unidos em 1904, filho de astronauta da NASA e que se tornou “turista espacial” depois de fazer fortuna nos jogos de computador, afirmou acreditar que “a humanidade terá que se tornar uma espécie multiplanetária”.

“Temos que progredir em termos científicos, econômicos e até populacionais se queremos desenvolver a tecnologia que permita à humanidade povoar o Universo”, referiu, indicando que, se não for “um meteorito ou qualquer ação humana que destrua a vida na Terra, dentro de alguns milhares de milhões de anos, o Sol expandir-se-á e destruirá o planeta”.

A Cimeira Global da Exploração decorre até sexta-feira, repartida entre a Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa e o Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, com transmissão virtual das sessões no sítio da organização.

Nação espacial

Já nesta quarta-feira, o presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde, afirmou a ambição de tornar Portugal “numa nação espacial em 2030”, durante a Glex Summit, em Lisboa.

Na cimeira, que integra as comemorações do quinto centenário da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães que se assinalou em 2019, Ricardo Conde disse que Portugal é “uma nação de exploradores” que quer continuar essa ambição “da profundeza dos oceanos para o espaço”.

“Temos todas as condições para isso: somos uma nação atlântica, rica em termos territoriais. Mesmo que a maior parte seja oceano, devemos tirar proveito dessa matéria-prima”, frisou.

Para atingir esse objetivo, a Agência Espacial Portuguesa pretende, com a ajuda da Europa, desenvolver novas políticas de dados, expandir a capacidade dos teleportos, aceder a programas científicos europeus e construir uma constelação atlântica de satélites de modo a obter conhecimentos e criar novas aplicações de segurança para as comunicações.

“Queremos [nos Açores] um projeto ecológico de acesso ao espaço, é uma ambição que espero que possamos iniciar ainda este ano” através do desenvolvimento dos “novos veículos, os Space Riders, que vão permitir experiências vivas no espaço e que vão permitir alcançar os nossos sonhos”, expôs Ricardo Conde.

O Space Rider surge no contexto de um “ecossistema” que está a ser criado na ilha açoriana de Santa Maria, que conta já com estruturas como o teleporto e onde foi inaugurada no dia 27 de abril uma antena de 15 metros dedicada à recolha de dados científicos que vão permitir perceber as alterações climáticas.

Está previsto que o contrato para a instalação e funcionamento do Porto Espacial de Santa Maria vá a concurso ainda este ano, para que a obra possa ser iniciada em 2022, estando o voo inaugural previsto para 2023, disse Ricardo Conde à Lusa em abril.

Na Glex Summit, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, declarou que o “espaço transforma a economia” e que “fornece um enquadramento único para novas ideias, novas formas de produzir materiais avançados e desenvolver novos produtos”.

Portugal está a “facilitar o acesso a todos os que queiram ir para o espaço para criar novas ideias com impacto nas pessoas e nas nossas vidas diárias, desde a agricultura de precisão, às pescas, ao controlo dos mares”, disse Manuel Heitor.

“Não há limites para a exploração espacial, para observar a terra e olhar para o espaço exterior, fazer dele um laboratório”, concluiu. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”