Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Poesia de exaltação à vida cotidiana

Em nova obra, Salomão Sousa reúne poemas líricos que evocam o seu passado rural      

                                                                         

                                                                                           I

Depois de publicar Certezas para as madressilvas (Brasília, edição do autor, 2024), que reúne poemas escritos à época do isolamento forçado pela epidemia de covid-19 (2020-2022), e Poesia e alteridade (Brasília, edição do autor, 2024), que abriga artigos sobre Literatura e Psicologia Social, o poeta Salomão Sousa chega ao seu 19º livro, A selva escura dos cristais perdidos (Brasília, edição do autor, 2026), em que retoma o ofício de poeta com peças em que procura estar próximo à vida cotidiana, livre das amarras daquele tempo sombrio, solto para se manter fiel à sua memória, à família e aos amigos, certo de que “a poesia não deixa de ser uma fidelidade ao que amamos”, como diz em texto que encaminhou a este articulista.

De fato, nesta obra, como diz o seu autor, as metáforas acabam assumindo um fluir, um caminho, um ato de navegar e dar continuidade, mas resistindo, precisando de portas e fronteiras livres. “O cotidiano está por debaixo das palavras, sem grande angústia, mas é um convite para sermos participativos, sem omissão. O mundo se move conforme as nossas ações”, diz. E acrescenta: “Não podemos destruir o nosso ambiente nem nossas relações. Não podemos subir no telhado para gritar impropérios contra os vizinhos, os familiares e os animais. Não podemos subir ao púlpito para a defesa de ideias envelhecidas e germinadoras de opressão e repressão. Temos de nos libertar do pragmatismo escravizante”.

Por aqui, pelas próprias palavras definidoras de seu trabalho poético, o poeta adianta ao leitor o que irá encontrar ao longo de seus poemas reunidos. Ou seja, um alerta para o mal que, volta e meia, tenta arrebentar as portas da frágil democracia que o País tenta reconstruir a muito custo. “O nefasto, que deseja nos dominar, faz de tudo para nos isolar. O isolamento nos enfraquece. A informação e a arte promovem o nosso encontro”, adverte.

 

                                                          II    

Oriundo de terras até hoje ainda pouco desbravadas no interior do Brasil, Salomão Sousa é um poeta lírico e, como tal, preocupado com a expressão da subjetividade, da alma e dos sentimentos. Por isso, em quase todos os seus versos, há sempre a evocação do seu passado rural, sem que saia do círculo estreito de seu “eu” poético, projetando-se nos amigos e familiares que ficaram para só ver a si próprio. Como se constata no poema “Ao meu irmão Miguel”:

          Sentávamos na cerca do curral / com algum graveto ou chicote, / lascávamos tapiocangas ao longe / e entre os voos dos morcegos / chacoalhávamos as varas. / Na porta surgia a nossa mãe: / Saiam já do sereno! / César Vallejo, exilado em Paris, / distante do Peru, amada Pátria, / não tinha um naco de queijo / nem palhas para dormir. / Ou mãe que lhe pedisse para colher / com Miguel folhas de chapéu-de-couro. / E fomos colhê-las a cavalo em pelo. / A lua não desiste de quarar a  noite. / Dou-te, irmão, as rimas mais improváveis. / O perfume, perfume talvez de limas. / Para estendermos as tranças de uma mãe /arrastamos ramas de fava. / E para as glórias de teu nome, irmão, / sempre estarão estirados os varais do céu.

 

                                                            III

Além de homenagear o poeta peruano César Vallejo (1892-1932), de  se notar é que em outro poema reverencia não só a atriz e modelo norte-americana Marilyn Monroe (1926-1962), um dos símbolos sexuais do século XX, como o poeta e ensaísta também  norte-americano Walt Whitman (1819-1892), a quem o poeta e ensaísta mexicano Octavio Paz (1914-1998) definiu, em ensaio que consta de O Arco e a Lira (Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1982), tradução de Olga Savary (1933-2020), como um versejador que se dizia realista, mas que, na verdade, seria um sonhador, que buscava a criação pura, para “escapar do pesadelo americano”.

Pois essa mesma definição pode ser transferida a Salomão Sousa, cuja poesia é igualmente um sonho profético, um sonho dentro de outro sonho, que procura entender o Brasil e escapar do “pesadelo brasileiro”, assim como Whitman tentou entender a América saxônica, “com seus homens, seus rios, suas cidades e suas montanhas”. Eis o poema “Marilyn lê Whitman”:

          Ninguém vira o rosto para saudar / ou traz o mapa com as especificações / em qual encosta as casas / e é tão rápido desmoronar / Onde vamos incendiar hoje? / Uma pessoa morta não ama / Ficaremos nus e nem existia a cama / No certame não iremos nos beijar / Quem aproveita as cortesias do dia? / Marilyn Monroe como uma libélula / pousada sobre as páginas da relva / Whitman tira do fosso os nossos ossos

Por aqui se desvenda também as influências de outros poetas consagrados no fazer poético de Salomão Sousa, que incluem, sem dúvida, o brasileiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), que, em 1979, chegou a lhe encaminhar uma carta, a propósito da publicação de seu livro de estreia, A moenda dos dias, dizendo que a obra lhe dava uma impressionante visão de Ceilândia, cidade satélite de Brasília, e lhe “devolvia às raízes rurais”, mineiro que era.

 

                                                            IV


Nascido em Silvânia, no interior de Goiás, Salomão Sousa (1952) é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (Ceub), mas foi alfabetizado tardiamente na zona rural, onde convivia com pessoas iletradas. Quando tinha 12 anos, a família deixou a casa em que vivia na zona rural que ficava a quinze quilômetros de Silvânia e transferiu-se para esta cidade, onde ele teve acesso à biblioteca pública e à leitura de jornais do Rio de Janeiro e São Paulo. Em 1971, transferiu-se para Brasília, onde ingressou no serviço público em 1973, passando a trabalhar na esfera do poder executivo, na área de relações políticas, até que se aposentou pelo Ministério da Economia em 2021.

É membro da Academia de Letras do Brasil (ALB), da Associação Nacional de Escritores (ANE), ambas de Brasília, da Academia de Letras, Artes e História de Silvânia-GO e da Academia Mundial de Letras da Humanidade (AMLH), de Santo André-SP.

Com Francisca Andrade, constituiu família de três filhos (Vítor, Saulo e Carlos Alberto), seis netos e duas bisnetas. Recentemente, teve a infelicidade de perder o filho Vítor, a quem dedica (em memória) seu mais recente livro. Em quase meio século de trabalho literário, tem conquistado leitores tanto no Brasil como no exterior, a exemplo de suas idas ao Peru, Chile e Equador, com participação em uma antologia na Argentina e outra na Espanha. Também tem admiradores na Cidade do México, onde participou de encontros com escritores locais e estrangeiros e leu seus poemas.

Em 2022, publicou Bifurcaçõesmemória, resistência e leitura (Cidade Ocidental-GO, edição do autor), instigante texto em que procura mostrar que a obra da poeta Cecília Meireles (1901-1964) ultrapassa os padrões originais do Modernismo,  corrigindo várias informações a respeito de sua vida, além de outros ensaios e artigos sobre outros temas igualmente atraentes.

Está também na Antologia da nova poesia brasileira (1992), organizada pela poeta Olga Savary, e em A poesia goiana do século XX (1998), organizada por Assis Brasil (1929-2021). Foi um dos 47 poetas incluídos no número que a revista Anto, de Portugal, dedicou, em 1998, à literatura brasileira, em comemoração dos 500 anos da descoberta do Brasil.

Organizou antologias, entre as quais Deste Planalto Central – poetas de Brasília, publicação da 1ª Bienal Internacional de Poesia da Biblioteca Nacional de Brasília (2008), Em canto cerrado e conto candango, com escritores de Brasília. Obteve o Prêmio Capital Nacional do Ano de 1998 de Crítica Literária. A União Brasileira dos Escritores (UBE), seção de Goiás, concedeu-lhe o Troféu Tiokô como personalidade goiana que mais se destacou fora do Estado no biênio 2010-2011.

É autor ainda de Falo (Brasília, Thesaurus Editora, 1986); Criação de lodo (Brasília, edição do autor, 1993); Caderno de desapontamentos (Brasília, edição do autor, 1994); Estoque de relâmpagos, Prêmio Brasília de Produção Literária (Secretaria de Cultura do Distrito Federal, 2002); Ruínas ao sol, Prêmio Goyaz de Poesia (São Paulo, 7Letras, 2006); Safra quebrada (reunião de livros anteriores e de dois  inéditos: Marimbondo (feliz) e Gleba dos excluídos (Brasília, Fundo de Apoio à Cultura, 2007); Momento crítico: textos críticos, crônicas e aforismos (Brasília, Thesaurus Editora, 2008); Vagem de vidro  (Brasília, Thesaurus Editora, 2013); Desmanche I (Brasília, Baú do Autor, 2018); Poética e  andorinhas (Brasília, Baú do Autor, 2018) e Descolagem (Goiânia, Editora Kelps, 2017), entre outros. Adelto Gonçalves - Brasil

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A selva escura dos cristais perdidos, de Salomão Sousa. Brasília, edição do autor, 134 páginas, R$ 50,00, 2026. E-mail: salomaosousa@yahoo.com.br                                                                       

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Fernando Pessoa: a voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003, São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra. E-mail:marilizadelto@uol.com.br




segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Salomão Sousa: poesia em tempos de angústia

Em nova obra, o poeta reúne poemas que foram escritos sob a pressão do isolamento social            

                                                                                 

                                                          I

Se contribuiu para evitar a propagação da epidemia de covid-19 (2020-2022), o isolamento social forçado serviu também para que o poeta Salomão Sousa produzisse os versos que compõem Certezas para as madressilvas (Brasília, edição do autor, 2024). É o que ele confessa no prefácio que escreveu para a sua obra: “Escrevi este livro no momento do ódio, no meio do aquartelamento da descrença, na hora do vírus da morte. Esses elementos se impregnaram na arte (...)”, disse.


Mais adiante, acrescentou: “Numa hora em que as pessoas desprezam a si mesmas, há preferência pela destruição da liberdade incentivada pelas aleivosias dos escritórios da mentira. Estes poemas (e muitos outros) foram escritos quando as pessoas deixaram de se reconhecer, de valorizar  os canais legítimos da existência e passaram a abarrotar os olhos com o fascínio pela violência”.

Por aqui se vê que há, ainda que de maneira subalterna, uma referência explícita, àquela época em que o poder público estava nas mãos de trogloditas que, até o último momento, por meio de mentiras, procuraram manter-se à frente dos negócios do País, inclusive recorrendo ao apoio de uma turbamulta que depredou o patrimônio público. A indignação do poeta com aquele tempo está expressa nestes versos do poema “Diálogo com Sófocles”:

             (...) Quem viu aquele que se ajoelha / e ora em prantos ao deus pneu? / (...) Merece desterro o que desonra / a sua Pátria, que desfoca os artigos da lei, / o fluir de uma água até uma nação / e atrofia os pequenos músculos / de crianças irmãs yanomanis. / É festiva a minha casa, / e, para que não a habite a desonra, / não dá acolhida a golpes, a fuzis no forro. / Esforço-me para que um voto / desintoxique-nos das inflamações da loucura / e à auspiciosa liberdade / não venha contradizer o édito. (...) Quando deixarão de bater à nossa porta / os arrotos dos trogloditas da mentira?

            

                                                         II

Obviamente, a inspiração do poeta não veio apenas daqueles dias de angústia que a população esclarecida viveu encurralada pelo regime nazifascista que assumira o poder pelo voto de uma massa manipulada por mentiras. Até porque, como diz o jornalista Euler Belém no texto de apresentação na contracapa, Salomão Sousa “é o tipo de poeta cerebral, um construtor milimétrico – um engenheiro com a delicadez do arquiteto – , que sabe que “secura” e “lirismo” não se excluem”, como se pode comprovar pelos últimos versos do poema “Resposta à última pergunta de minha mãe”:

             (...) Para rir a brisa usa a boca da noite / só para as almas se acalmarem / Não sabemos quem sopra a brisa / quem a dopou para que não revolva com força / Talvez venha da poerta do céu / que foi aberta por Deus / para nos acolher com voz mansa.

 Já a poeta Sônia Elizabeth, no prefácio que escreveu para esta obra e que mais constitui uma “tentativa de ensaio”, aponta, entre outras qualidades do autor, a sua preocupação em “observar e valorizar os insetos, larvas e acidentes tais”, procurando “garimpar riquezas do chão, o olhar voltado para o que passa desapercebido”. É o que se vê no poema “Casca de casulo” em que ele diz:

             (...) Se não tenho em mim a mariposa, serei casca de casulo? / Sentir-se não é ser, mas me sinto nulo, oco / desentranhado de voos, / de facécias de visitas, / sem ânimo  de me fixar até a chegada da veracidade. (...) Quisera desenrolar em mim loucos lábios, asas, / e, se voasse, não sugaria seiva, só a ânsia / de conhecer, de acolher-me no destino do vento. / Depois do percurso, da avidez de destroçar, / casca vazia a assoviar entre teias / se não sei se sou casulo às vésperas da mariposa.

Essa preocupação com a natureza está presente até mesmo no título do livro que remete para o poema “Destino óbvio do que somos” em que o poeta se refere à madressilva, trepadeira conhecida por suas flores que nascem brancas e ficam amarelas com o tempo, preechendo qualquer jardim ou amurada com o seu perfume. Assim diz o poeta:

             (...) Um voo para outro galho / e um passo para outra casa. / Destino óbvio do que somos. / O que o colibri quer da madressilvas / não é o que o homem quer / com a construção de uma cerca.

Enfim, são poemas nos quais o autor procurou não contaminá-los com excesso de formalidade, “com o conteúdo deletério desse tempo de indigência”. Antes, como diz no prefácio, deixou agir a fúria de estar presente, de presenciar, de ser elemento que pudesse contribuir para a expressão, mas sem ser falsário. Em outras palavras: “Se a razão foi empurrada para o escuro, não são as madressilvas que carecem de certezas, mas o homem presente, que não pode descarrilar do seu destino”, conclui o poeta.

 

                                                         III

Nascido em Silvânia-GO, Salomão Sousa (1952) é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (Ceub). Aposentado do poder executivo federal, vive em Brasília desde 1971. Estreou em 1979 com A moenda dos dias, que mereceu resenha na revista da Universidade de Harvard/EUA. É membro da Academia de Letras do Brasil (ALB), da Associação Nacional de Escritores (ANE), ambas de Brasília, da Academia de Letras, Artes e História de Silvânia-GO e da Academia Mundial de Letras da Humanidade (AMLH), de Santo André-SP.


Em quase meio século de trabalho literário, tem conquistado leitores tanto no Brasil como no exterior, a exemplo de suas idas ao Peru, Chile e Equador, com participação em uma antologia na Argentina e outra na Espanha. Também tem admiradores na Cidade do México, onde participou de encontros com escritores locais e estrangeiros e leu seus poemas.

Ainda em 2024, está publicando Poesia e alteridade (Brasília, edição do autor),  obra em que reúne dez textos nos quais, entre outros temas, procura compreender a importância e o alcance da poesia, exalta a produção dos poetas Anderson Braga Horta e Alexandre Pilati, discute a recepção e o significado do romance Grande sertão: veredas (1956), de João Guimarães Rosa (1908-1967), historifica a trajetória dos principais integrantes da última geração de poetas goianos, da qual é ilustre participante, analisa os romances O castelo (1926), de Franz Kafka (1883-1924), e Sob os olhos do Ocidente (1911), de Joseph Conrad (1857-1924), e, por fim, discute o conceito de alteridade.

Em 2022, publicou Bifurcaçõesmemória, resistência e leitura (Cidade Ocidental-GO, edição do autor), instigante texto em que procura mostrar que a obra da poeta Cecília Meireles (1901-1964) ultrapassa os padrões originais do Modernismo,  corrigindo várias informações a respeito de sua vida, além de outros ensaios e artigos sobre outros temas igualmente atraentes.

Está também na Antologia da nova poesia brasileira (1992), organizada pela poeta Olga Savary (1933-2020), e em A poesia goiana do século XX (1998), organizada por Assis Brasil (1929-2021). Foi um dos 47 poetas incluídos no número que a revista Anto, de Portugal, dedicou, em 1998, à literatura brasileira, em comemoração dos 500 anos da descoberta do Brasil.

Organizou antologias, entre as quais Deste Planalto Central – poetas de Brasília, publicação da 1ª Bienal Internacional de Poesia da Biblioteca Nacional de Brasília (2008), Em canto cerrado e Conto candango, com escritores de Brasília. Obteve o Prêmio Capital Nacional do Ano de 1998 de Crítica Literária. A União Brasileira dos Escritores (UBE), seção de Goiás, concedeu-lhe o Troféu Tiokô como personalidade goiana que mais se destacou fora do Estado no biênio 2010-2011.

É autor ainda de Falo (Brasília, Thesaurus Editora, 1986); Criação de lodo (Brasília, edição do autor, 1993); Caderno de desapontamentos (Brasília, edição do autor, 1994); Estoque de relâmpagos, Prêmio Brasília de Produção Literária (Secretaria de Cultura do Distrito Federal, 2002); Ruínas ao sol, Prêmio Goyaz de Poesia (São Paulo, 7Letras, 2006); Safra quebrada (reunião de livros anteriores e de dois  inéditos: Marimbondo (feliz) e Gleba dos excluídos (Brasília, Fundo de Apoio à Cultura, 2007); Momento crítico: textos críticos, crônicas e aforismos (Brasília, Thesaurus Editora, 2008); Vagem de vidro  (Brasília, Thesaurus Editora, 2013); Desmanche I (Brasília, Baú do Autor, 2018); Poética e  andorinhas (Brasília, Baú do Autor, 2018) e Descolagem (Goiânia, Editora Kelps, 2017), entre outros. Adelto Gonçalves - Brasil

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Certezas para as madressilvas, de Salomão Sousa. Brasília, edição do autor, 104 páginas, R$ 50,00, 2024. E-mail: salomaosousa@yahoo.com.br                                                                           

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Fernando Pessoa: a voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003, São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra. E-mail:marilizadelto@uol.com.br





sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Salomão Sousa e a importância da leitura

Em novo livro de ensaios, o poeta discute a linguagem poética e temas da atualidade                                                         

 

                                                          I

Depois de lançar Bifurcaçõesmemória, resistência e leitura (Brasília, Baú do Autor, 2022), o poeta, jornalista e ensaísta Salomão Sousa volta a contemplar seus leitores com outro livro de ensaios, Poesia e alteridade (Brasília, edição do autor, 2024). Nesta obra, reúne dez textos nos quais, entre outros temas, procura compreender a importância e o alcance da poesia, exalta a produção dos poetas Anderson Braga Horta e Alexandre Pilati, discute a recepção e o significado do romance Grande sertão: veredas (1956), de João Guimarães Rosa (1908-1967), historifica a trajetória dos principais integrantes da última geração de poetas goianos, da qual é ilustre participante, analisa os romances O castelo (1926), de Franz Kafka (1883-1924), e Sob os olhos do Ocidente (1911), de Joseph Conrad (1857-1924), e, por fim, discute o conceito de alteridade.


No primeiro dos ensaios, “A compreensão da poesia”, a reflexão de Salomão Sousa aborda a desestruturação política e a urgência de um novo olhar para a convivência humana, ressaltando a importância da leitura para as novas gerações, cada vez mais apegadas ao mundo digital, especialmente para a compreensão da poesia. “(...) quanto menos lemos, menos possibilidade temos de entender e aproveitar o encantamento encerrado numa obra litárária”, observa.  

“Quanto menos lê poesia, quanto menos a identifica nos textos, mais ignorante o indivíduo se torna. Quanto mais transita sem se integrar à realidade, sem aprendizagem de sua nominação e se nega a interagir com o diferente, mais o ignorante (aquele que não sabe) aprofunda a incapacidade de decodificar um texto”, acrescenta, ao constatar que o contato essencial com as manifestações culturais tem ficado cada vez mais raro entre os jovens, “o que gera uma falta de senso crítico e educação".

 

                                                          II

Já no terceiro ensaio, “Quando a poesia goiana teve de dar combate aos “tumores” do “matadouro do dia”, recupera uma trajetória, senão inédita, ao menos percuciente da última geração de poetas estabelecidos em Goiás, especialmente a partir dos tempos que se seguiram ao fatídico ano de 1964, quando os jovens deixavam as cidades humildes do interior e partiam para a capital goiana em busca de melhoria de vida, de acesso à escolarização e de alternativas de emprego, numa sociedade marcada pelo autoritarismo de uma elite que sempre procurou manter “à força uma parcela da população à margem da inclusão socioeconômica, distante da formação (educação e cultura), para manipulação, ao seu bel-prazer, em favor de seus interesses econômicos”.

Traça esse panorama a partir da experiência de vida do poeta Luiz de Aquino, mas analisa também os trajetos poéticos de Edival Lourenço, Delermando Vieira, Valdivino Brás, Brasigóis Felício, Gabriel Nascente, Aidenor Alves, Lourdes Teodoro, Maria Abadia Silva e dos saudosos Guido Heleno (1943-2017), Tagore Biram (1958-1998) e Pio Vargas (1964-1991), todos, como ele, egressos de pequenas cidades goianas, dominadas por “velhas oligarquias, que nunca se envolveram com a aculturação, pois sempre estiveram satisfeitas em manter os trabalhadores agregados (regime misto de escravidão e servidão) às suas propriedades, reféns de uma herança escravocrata”. Segundo Salomão Sousa, esses poetas não chegaram a Goiânia com projetos socializantes para quebrar essa rede de abandono, “mas para afirmar o humanismo, para dizer que o homem estava destruído por uma estrutura de poder”.

 

                                                         III

Outro ensaio que prende a atenção é “A obra de João Guimarães Rosa tanto pode salvar ou morrer um”, em que o autor, ao situar o contista como “um dos gênios da Literatura”,  comparando-o a Marcel Proust (1871-1922) e Ítalo Calvino (1923-1985), recorda a sua atuação como vice-cônsul em Hamburgo, na Alemanha, no período de 1938 a 1942, quando ele e sua mulher, a diplomata Aracy de Carvalho (1908-2011), concederam passaportes  a judeus para que pudessem ingressar no Brasil e escapar dos horrores do nazismo. No ensaio, lembra que, se como servidor do governo de Getúlio Vargas (1882-1954), que flertava com os regimes totalitários, Guimarães Rosa guardou para si sua crítica ao nazismo alemão, iria usá-la de forma velada, mais tarde, no monólogo de Riobaldo que consta de Grande sertão: veredas.

No último ensaio, “A desconstrução pela alteridade”, o poeta-ensaísta ressalta que esse conceito, o reconhecimento da individualidade e das especificidades do outro ou de um outro grupo,  significa agir com empatia, respeito e tolerância. “É o caminho para que as pessoas resgatem o respeito mútuo e a cidadania num mundo fragmentado", indica. E reverbera: “Precisamos descer do pedestal. Não adianta ficarmos na sacada reclamando da praga que cresce na calçada. Temos de descer para eliminá-la. A omissão é adesão à praga”. Para o ensaísta, “sem alteridade, é indiferente a criança a estertorar de fome na calçada”.

Como se vê, o que o leitor vai encontrar nesta obra são ensaios que não só discutem questões literárias, mas que também trazem considerações fundadas na experiência do autor, em vez de elocubrações generalizantes ou abstratas que são constatadas com frequência em textos de pseudoliteratos. Pois nestes textos o  que se percebe é a revolta de alguém que, como funcionário público lotado no Palácio do Planalto, contemplou com admiração, por mais de 40 anos,  as obras de arte e objetos históricos que seriam vandalizados pelos inimigos da democracia no dia 8 de janeiro de 2023, em ataque golpista às sedes dos Três Poderes, em Brasília. E que se levanta contra essa barbárie que ainda ameaça o País.

 

                                                        IV


Nascido em Silvânia-GO, Salomão Sousa (1952) é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (Ceub). Aposentado do poder executivo federal, vive em Brasília desde 1971. Estreou em 1979 com A moenda dos dias, que mereceu resenha na revista da Universidade de Harvard/EUA. É membro da Academia de Letras do Brasil (ALB), da Associação Nacional de Escritores (ANE), ambas de Brasília, da Academia de Letras, Artes e História de Silvânia-GO e da Academia Mundial de Letras da Humanidade (AMLH), de Santo André-SP.  

Em quase meio século de trabalho literário, tem conquistado leitores tanto no Brasil como no exterior, a exemplo de suas idas ao Peru, Chile e Equador, com participação em uma antologia na Argentina e outra na Espanha. Também tem admiradores na Cidade do México, onde participou de encontros com escritores locais e estrangeiros e leu seus poemas.

Está na Antologia da nova poesia brasileira (1992), organizada pela poeta Olga Savary (1933-2020), e em A poesia goiana do século XX (1998), organizada por Assis Brasil (1929-2021). Foi um dos 47 poetas incluídos no número que a revista Anto, de Portugal, dedicou, em 1998, à literatura brasileira, em comemoração dos 500 anos da descoberta do Brasil.

Organizou antologias, entre as quais Deste Planalto Central – poetas de Brasília, publicação da 1ª Bienal Internacional de Poesia da Biblioteca Nacional de Brasília (2008), Em canto cerrado e Conto candango, com escritores de Brasília. Obteve o Prêmio Capital Nacional do Ano de 1998 de Crítica Literária. A União Brasileira dos Escritores (UBE), seção de Goiás, concedeu-lhe o Troféu Tiokô como personalidade goiana que mais se destacou fora do Estado no biênio 2010-2011.

É autor ainda de Falo (Brasília, Thesaurus Editora, 1986); Criação de lodo (Brasília, edição do autor, 1993); Caderno de desapontamentos (Brasília, edição do autor, 1994); Estoque de relâmpagos, Prêmio Brasília de Produção Literária (Secretaria de Cultura do Distrito Federal, 2002); Ruínas ao sol, Prêmio Goyaz de Poesia (São Paulo, 7Letras, 2006); Safra quebrada (reunião de livros anteriores e de dois  inéditos: Marimbondo (feliz) e Gleba dos excluídos (Brasília, Fundo de Apoio à Cultura, 2007); Momento crítico: textos críticos, crônicas e aforismos (Brasília, Thesaurus Editora, 2008); Vagem de vidro  (Brasília, Thesaurus Editora, 2013); Desmanche I (Brasília, Baú do Autor, 2018); Poética e  andorinhas (Brasília, Baú do Autor, 2018) e Descolagem (Goiânia, Editora Kelps, 2017), entre outros.

Neste ano de 2024, acaba de lançar também Certezas para as madressilvas (Brasília, edição do autor), que reúne seus últimos poemas, na maioria escritos à época do isolamento forçado pela última pandemia que assolou a Humanidade. Adelto Gonçalves - Brasil 

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Poesia e alteridade, ensaios, de Salomão Sousa. Brasília, edição do autor, 144 páginas, R$ 50,00, 2024. E-mail: salomaosousa@yahoo.com.br                                                                          

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Fernando Pessoa: a voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003, São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro  Kenneth Maxwell on global trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br






segunda-feira, 4 de março de 2024

A trajetória de Cecília Meireles revisitada

Em seu novo livro, Salomão Sousa homenageia a poeta com um texto em que corrige várias informações sobre a sua vida pessoal                                                                         

                                                         I

Um instigante texto que procura mostrar que a obra da poeta Cecília Meireles (1901-1964) ultrapassa os padrões originais do Modernismo e corrige várias informações a respeito de sua vida pessoal é o que o leitor irá encontrar, além de outros ensaios e artigos igualmente atraentes, no livro Bifurcações – memória, resistência e leitura (Cidade Ocidental-GO, edição do autor, 2022), do poeta e jornalista Salomão Sousa (1952). Trata-se de um “pequeno artigo”, na própria definição do autor, que prenuncia o que pode vir a constituir uma biografia que o poeta tem todas as condições de escrever.

Na verdade, não há nenhum estudo biográfico mais alentado que abranja de forma aprofundada a existência da poeta, como reconhece o escritor, admitindo que são raras as informações sobre o seu cotidiano, relações familiares e com amigos, sobretudo com a intelectualidade, sua defesa de uma educação laica e universal à época da ditadura de Getúlio Vargas (1937-1946) e sua vasta produção poética, acadêmica e jornalística.

Sem contar, como assinalou Salomão Sousa, que há em várias obras informações deturpadas, como a que aparece em O livro no Brasil: sua história (São Paulo, Editora da Universidade de São Paulo - Edusp, 2023), do historiador britânico Laurence Hallewell (1929), tese de doutoramento escrita em 1975, que saiu no Brasil pela primeira vez em 1982 (tradução de Maria da Penha Villalobos, Lólio Lourenço de Oliveira e Geraldo Gerson de Souza), com segunda edição revista pelo autor e publicada pela Edusp, em 2005.

Uma incorreção é que Cecília Meireles teria sido presa por ter traduzido As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain (1835-1910), quando, na verdade, apesar de suas divergências com o Estado Novo, trabalhou no Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) como editora da revista Travel in Brazil, de divulgação para turistas, entre 1941 e 1942.  

Aliás, se o autor quiser ir adiante nesse possível projeto, este articulista gostaria de assinalar que não se pode deixar de mencionar a beleza física que Cecília Meireles deixava transparecer. Um testemunho disso é a menção que o professor, filósofo e ensaísta português Eduardo Lourenço (1923-2020) fez no ensaio “Orpheu e Presença”, que consta de suas Obras Completas. Tempo e Poesia, tomo III (Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2016), a respeito de uma visita que Cecília Meireles fez a Portugal, provavelmente, nos anos 30. Ali se lê: “(...) Essa senhora, além de ser uma grande poetisa, era uma estampa – como se dizia no meu tempo –, ainda passados muitos anos o poeta Afonso Duarte (1884-1958) falava de forma admirável das célebres pernas da Cecília Meireles. A senhora deixou um rasto de prestígio intelectual e de elegância, de fascínio, que ainda repercutia nos anos 40 quando eu estava em Coimbra”.

 

                                                         II

A par de sua brilhante e sempre exaltada produção poética, Cecília Meireles foi também uma jornalista profícua, a uma época em que era rara a presença de uma mulher nas redações de jornais e revistas. Como lembra Salomão Sousa, a atuação jornalística da poeta rendeu só no Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, com a seção “Página de Educação”, mais de 750 artigos, que se encontram organizados em cinco volumes. Por sua página no jornal, a poeta defendeu um ensino laico e universal para a escola pública, contrariando a corrente de conservadores católicos, liderada por Alceu de Amoroso Lima (1893-1983), que preconizava um ensino religioso e condenava o que entendia como escola “materializante e comunizante”.

Essa oposição conservadora levou o jornal a acabar com a página de Cecília Meireles, sem nenhuma explicação, provavelmente por pressão do governo. Tudo isso, como observa Salomão Sousa, pode ser lido em A farpa na lira: Cecília Meireles na Revolução de 30 (Rio de Janeiro, Editora Record, 1996), da professora Valéria Lamego, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), autora também do recente artigo “A extrema liberdade em Cecília Meireles” (São Paulo, Opiniães - Revista dos Alunos de Literatura Brasileira, nº 20, jan.-jul. 2022, pp. 61-76).

Neste artigo em que a professora faz um breve paralelo entre a intelectual brasileira e a pensadora e militante política francesa Simone Weil (1909-1943), há, inclusive, referência a um texto inédito encontrado entre os materiais enviados pela filha da poeta à autora. Como se vê, há ainda muito o que se pesquisar sobre a produção intelectual e a vida pessoal da autora de Romanceiro da Inconfidência (1953), sua mais aclamada obra.

 

                                                        III

Se só se referindo a um “pequeno artigo” já se chegou até aqui, o leitor há de antever o que irá encontrar neste livro em que, além de poemas, há ensaios instigantes como aquele dedicado ao filósofo e ensaísta sul-coreano Byung-Chul Han, professor da Universidade de Artes de Berlim. Neste texto, o autor, a partir de argumentações daquele pensador, reconhece que “vivemos um novo momento de extrema crise de identidade política, de desordem social e de ilegitimidade cultural, sem compreender onde iremos desaguar com a nossa solidão de Humanismo”.

E lembra que, hoje, com a atuação nas redes sociais, não participamos da vida em sociedade nem da discussão política, pois só agregamos concordância: “Cada vez que curtimos, diz Byung-Chul Han, dizemos amém. Assim, a democracia se afirma com expectadores, pois damos a ela nossa subordinação e concordância e não nossa participação”.

Neste livro, o leitor ainda encontrará artigos ou resenhas de livros de poetas não tão célebres como Cecília Meireles, mas que igualmente começam a se firmar no cenário literário brasileiro dos nossos dias, como Dheyne de Souza, Daniel Francoy, Renato Suttana, Ana Cristina Cotrim e Nirton Venâncio, entre outros, e, por fim, o discurso de posse do autor na Academia de Letras do Brasil (ALB), em Brasília.

 

                                                        IV

Nascido em Silvânia-GO, Salomão Sousa é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (Ceub). Aposentado do poder executivo federal, vive em Brasília desde 1971. Estreou em 1979 com A moenda dos dias, que mereceu resenha na revista da Universidade de Harvard/EUA. Além da ALB, é membro da Associação Nacional de Escritores (ANE), da Academia de Letras, Artes e História de Silvânia e da Academia Mundial de Letras da Humanidade (AMLH), de Santo André-SP.

Está também na Antologia da nova poesia brasileira (1992), organizada pela poeta Olga Savary (1933-2020), e em A poesia goiana do século XX (1998), organizada por Assis Brasil (1929-2021). Foi um dos 47 poetas incluídos no número que a revista Anto, de Portugal, dedicou, em 1998, à literatura brasileira, em comemoração dos 500 anos da descoberta do Brasil.

Organizou antologias, entre as quais Deste Planalto Central – poetas de Brasília (2008), como parte da I Bienal Internacional de Poesia da Biblioteca Nacional de Brasília, Em canto cerrado e Conto candango, com escritores de Brasília. Obteve o Prêmio Capital Nacional do Ano de 1998 de Crítica Literária. A União Brasileira dos Escritores (UBE), seção de Goiás, concedeu-lhe, em 2011, o Troféu Tiokô como personalidade goiana que mais se destacou fora do Estado no biênio 2010-2011.

É autor ainda de Falo (Brasília, Thesaurus Editora, 1986); Criação de lodo (Brasília, edição de autor, 1993); Caderno de desapontamentos (Brasília, edição de autor, 1994); Estoque de relâmpagos, Prêmio Brasília de Produção Literária (Brasília, 2002); Ruínas ao sol, Prêmio Goyaz de Poesia (São Paulo, 7Letras, 2006); Safra quebrada (reunião de livros anteriores e de dois  inéditos: Marimbondo (feliz) e Gleba dos excluídos (Brasília, Fundo de Apoio à Cultura, 2007); Momento crítico, textos críticos, crônicas e aforismos (Brasília, Thesaurus Editora, 2008); Vagem de vidro  (Brasília, Thesaurus Editora, 2013); Desmanche I (Brasília, 2018); Poética e  andorinhas (Brasília, 2018) e Descolagem (Goiânia, Editora Kelps, 2017), entre outros. Adelto Gonçalves – Brasil

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Bifurcações – memória, resistência e leitura, ensaios, de Salomão Sousa. Cidade Ocidental-GO, edição do autor, 164 páginas, R$ 37,00, 2022. E-mail: salomaosousa@yahoo.com.br                                                                           

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Fernando Pessoa: a Voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003, São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br.