Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 16 de maio de 2026

Macau - Crianças pensam identidade e liberdade em peça de teatro em língua portuguesa

Quinze crianças, na maioria chinesas, apresentam este sábado “A Revolta dos Lusecos”, sobre o 25 de abril, numa “lição de cidadania” para os jovens de Macau, “onde as referências históricas são outras”, disse a responsável pela iniciativa.


Uma narradora e 14 atores, dos 4 aos 13 anos e de cinco escolas diferentes de Macau, dão vida à adaptação para teatro da obra de Carlos Alberto Silva “A Revolta dos Lusecos”, numa iniciativa da Sílaba – Associação Educativa e Literária (Sílaba – AEL), que transporta para palco os valores de Abril, numa abordagem pensada para o público infantojuvenil.

“Quisemos integrar a história dando uma lição de cidadania e mostrar que as crianças e jovens não estão fora da história, que podem ter um papel, podem questionar, podem agir. Acreditamos que essa ideia é importante em Macau, onde as referências históricas são outras, este tipo de leitura abre espaço para pensar identidade e liberdade”, disse à Lusa a presidente da Sílaba – AEL, Susana Diniz, responsável pela adaptação do texto.

Entre as crianças – três portuguesas e 12 chinesas – nem todas têm o português como língua materna. Mas aqui quer-se construir algo comum: “Há crianças de diferentes origens linguísticas e culturais a trabalharem em português e a criarem juntas uma peça. Para nós, isso é uma das maiores conquistas”, afirmou.

O que “dá espessura ao uso da língua”, frisou ainda a responsável, não é apenas a aprendizagem de gramática ou vocabulário, mas também da cultura.

Em relação ao trabalho com as crianças, tratou-se de um processo “gradual e cuidadoso”, que, numa primeira fase, passou pela contextualização da “história de forma simples”, ao explicar o que foi o Estado Novo, a falta de liberdades ou a censura.

Num momento seguinte, com a aproximação das crianças às personagens, ajudou-se a que entendessem o que representava o medo, a esperança ou a vontade de mudança. Foi “enriquecedor ver como se apropriaram do tema”, constatou Susana Diniz.

E porquê “A Revolta dos Lusecos”? A obra de Carlos Alberto Silva foi o primeiro livro divulgado, em 2024, pela Dinis Caixapiz, um projeto da Sílaba que envolve a subscrição de uma caixa de livros infantis com uma revista exclusiva.

“Há uma preocupação constante em tornar a aprendizagem mais concreta, mais viva. Quando trabalhamos um livro pensamos sempre no que mais pode nascer dali”, acrescentou.

Na obra de Carlos Alberto Silva apresenta-se um país cinza, dominado pelos “glutões” e onde os “lusecos” vivem oprimidos – até que um dia soldados decidem organizar uma revolta.

“Por um lado, estamos a trabalhar um momento importante da história recente de Portugal, a transição para a democracia, de forma acessível. Por outro, é um tema que cruza o percurso escolar dos alunos e juntar estas duas dimensões – conteúdo e experiência – fez todo o sentido”, ainda de acordo com a presidente da Sílaba, que levou a cabo a encenação, com apoio de outros membros da associação.

A peça, que integra ainda música e imagens projetadas, sobe ao palco este sábado às 18:00 no auditório Stanley Ho, no edifício do Consulado-geral de Portugal em Macau. A entrada é gratuita. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 20 de março de 2026

Macau - Lançada 3.ª edição de projecto de incentivo à leitura em português

A 3.ª edição da “Dinis Caixapiz” será apresentada amanhã, às 10h00, na sede da Sílaba – Associação Educativa e Literária. Para além da apresentação da caixa, destinada a incentivar as crianças à leitura em língua portuguesa, as actividades complementares incluem um workshop de jardinagem gratuito com Sérgio Feiteira, ceramista local, e uma sessão de fotografias


A Sílaba – Associação Educativa e Literária apresenta amanhã, pelas 10h00 na sua sede, a 3.ª edição da “Dinis Caixapiz”, no âmbito do tema “Viagens”. As actividades programadas incluem um workshop de jardinagem gratuito, uma sessão de fotografias e a apresentação da nova Dinis Caixapiz.

No workshop de jardinagem, os participantes terão a oportunidade de decorar um vaso exclusivo, produzido por Sérgio Feiteira, ceramista local, e plantar sementes. Um fotógrafo profissional acompanhará a sessão, sendo que algumas das imagens serão oferecidas como lembranças aos participantes.

Destinada a crianças entre os oito e os 13 anos de idade, a edição deste ano apresentará “uma abordagem prática à leitura, combinando livros, conteúdos áudio e actividades interactivas”, segundo a associação. Desde 2024 que o projecto se tem afirmado como ferramenta complementar ao incentivo à leitura em português. A iniciativa chegou inclusive a ser apresentada na Feira do Livro de Lisboa e na Escola Portuguesa de Marrickville Petersham de Sidney.

A “Dinis Caixapiz” inclui um livro infantil seleccionado, o acesso a uma versão áudio da história através de um código QR, para além de uma revista juvenil destinada a jovens, a “Dinis Magazine”, cujo embaixador é a mascote que dá nome à publicação. Esta edição introduz novas rubricas, como os “Reis de Portugal”, refere a nota.

O livro infantil incluído em cada caixa relata histórias ao abrigo de vários temas, tais como “aventura, amizade, fantasia e descoberta”, adequado à faixa etária do público. A versão áudio da história do livro, gravada por actores, editores, escritores e outras figuras do mundo literário, poderá ser acedida através de um código QR e permitirá aos mais novos vivenciar a narrativa “de uma forma diferente”.

A caixa foi concebida para ser reutilizada, com o objectivo de promover práticas sustentáveis, chamando a atenção “para o excesso de lixo produzido nos dias de hoje”, ao mesmo tempo que estimula a imaginação das crianças.

A iniciativa oferece às crianças “uma janela para o mundo da literatura em língua portuguesa”, com uma caixa de assinatura trimestral que visa ir mais além “da experiência tradicional de leitura”. A edição deste ano convida os participantes “a explorar diferentes culturas e destinos através da leitura e de actividades criativas”. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

 


sexta-feira, 24 de maio de 2024

Macau - Novo projecto literário quer promover leitura em língua portuguesa

Um novo projecto literário, a ser lançado no Dia da Criança, quer incentivar a leitura em português em Macau e vai chegar ainda este ano aos países lusófonos, disse à Lusa a responsável pela iniciativa


O “Dinis Caixapiz”, o mais recente projecto da Sílaba – Associação Educativa e Literária, de Macau, contempla a assinatura trimestral de uma caixa com um livro infantil, uma versão do áudio dessa história e uma revista infantojuvenil.

“A melhor maneira de [as crianças] terem acesso a livros é receberem-nos em casa e conseguirem preparar a sua minibiblioteca. Além disso, as crianças nunca recebem correio em nome delas. Achei divertido criar uma caixa que seria entregue em nome do assinante, em vez de em nome dos pais”, explicou à Lusa a presidente da associação, Susana Diniz.

À caixa de correio vai chegar uma embalagem que permite às crianças ir “além da experiência tradicional de leitura”, lê-se ainda num comunicado da associação.

Esta caixa, além de poder ser recortada, é composta por elementos históricos e culturais “distintivos de Macau, referentes à presença portuguesa no território durante os últimos cinco séculos”.

“Permitindo a sua reutilização, alertando para o excesso de lixo produzido nos dias de hoje, estes elementos têm diferentes funções utilitárias para os jovens, estimulando, de igual forma, um momento em família através da exploração de técnicas artísticas no âmbito das manualidades”, afirma-se ainda na nota.

O “Dinis Caixapiz” vai ser lançado a 1 de Junho nas instalações do Instituto Português do Oriente, integrado nas comemorações de Junho – Mês de Portugal em Macau, e dirige-se a crianças falantes de português, com idades entre os 5 e os 12 anos, a escolas bilingues no território e professores de português como língua materna e/ou língua estrangeira.

“Falamos de um território especial, onde a língua portuguesa é cada vez mais promovida e procurada por parte de pais para os seus filhos, mas encontram grandes dificuldades na sua compreensão, interpretação e possível desenvolvimento”, indicou Susana Diniz.

Neste sentido, a responsável acredita que “todos os projetos de promoção da língua portuguesa são importantes para o desenvolvimento da língua e da cultura e para ajudar as crianças, neste caso, a olharem para a língua portuguesa como uma coisa divertida e que lhes permite criar outras coisas”. Ainda este ano, assegurou a presidente da Sílaba, “haverá uma versão digital para os países de língua portuguesa”.

A assinatura anual do “Dinis Caixapiz” compreende quatro volumes e custa 1752 patacas, sendo que um único exemplar pode ser adquirido por 488 patacas. In “Ponto Final” com “Lusa”