Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 13 de maio de 2023

Portugal - Ângela Rocha criou um labirinto para a Quadrienal de Praga

No projeto “Metade dos minutos”, que irá representar Portugal na 15.ª Quadrienal de Praga, a cenógrafa Ângela Rocha criou um labirinto, que permite ao visitante explorar o tato, sentido que nos últimos anos “está a ser esquecido


Numa edição da Quadrienal de Praga que tem como tema “Visões raras”, fez sentido a Ângela Rocha “começar a explorar o lado tátil, um dos sentidos que está a ser um bocadinho esquecido, não só por causa da pandemia, que fez com que a distância fosse a medida de todas as coisas, e que se associasse a ideia do toque a uma ideia de perigo, mas também porque o facto de se estar numa era cada vez mais digital faz com que os mesmos gestos sejam reduzidos à funcionalidade”, disse à Lusa.

Atualmente, basta “pressionar ou passar para o lado”, no ecrã de um telemóvel, “para comprar uma coisa”. Ato que dantes implicaria uma série de outros gestos como abrir a carteira, tirar o porta-moedas, pegar no dinheiro ou num cartão. “Começámos a ter os gestos mais reduzidos”, salientou.

Ângela Rocha considera que “está a haver um desligar deste sentido”, o tato, “que é tão importante para uma ideia de presente”.

“A minha ideia do futuro seria tentarmos reivindicar de novo a ideia do presente temporal e espacial, através da ‘reconexão’ tátil aos lugares, e daí este espaço ser desenvolvido com diferentes tipos de texturas. Umas mais repelentes e outras mais atrativas”, explicou a cenógrafa sobre a obra que quis apresentar aos jornalistas em Lisboa, antes de partir para Praga.

Antes de se entrar, literalmente, no labirinto, há uma espécie de antecâmara que poderia ser um escritório ou um espaço de trabalho numa qualquer divisão, com uma cadeira, uma secretária e um candeeiro.

“Para avançarmos para um futuro tínhamos que analisar o presente. Por isso, era importante materializar, de alguma forma, esta ideia mais premente da saída da pandemia. Fez-me sentido que fosse uma textura mais agressiva e que criasse uma distância entre nós e os objetos. É um espaço que temos alguma relação com ele, mas que foi absorvido por esta textura criada por alfinetes. Que nos atrai, mas que sentimos que temos de mexer com algum cuidado”, explicou Ângela Rocha.

Os objetos na antecâmara foram todos cobertos por alfinetes, que de longe têm a aparência de relva artificial cinzenta. O chão e paredes do espaço que ocupam foi todo forrado a alumínio.

Só depois de o visitante enfrentar “esta ideia de presente”, é que poderá “começar a fazer o caminho para o futuro”.

A entrada no labirinto foi forrada com pelo laranja, para que o visitante se lembre “da brincadeira e do jogo”. “E de estarmos uns com os outros, de ser uma coisa mais infantil talvez, que achei que também era importante levarmos na nossa mochila para o futuro”, explicou Ângela Rocha.

Dentro do labirinto, a cenógrafa achou que deveria trabalhar “uma textura a partir da luz, visto que a luz é uma força muito emotiva a que todos os seres vivos reagem”.

“Fazia-me sentido para esta limpeza que precisamos para avançar”, disse sobre o trabalho “desenvolvido através de filamentos de fibra ótica, que revestem todas as paredes”.

Em “Metade dos minutos” é dada ao visitante “a hipótese de escolha e de reinterpretar o lugar e qual é que é a saída”. “Uma ideia de futuro que também acho bastante importante”, sublinhou.

Ângela Rocha quer, “acima de tudo, que seja um futuro plural”, por isso convidou dois artistas plásticos, Diogo Costa e Telma Faria, para desenvolverem as portas de saída do labirinto, “para que a visão se multiplique”.

Em Praga, as saídas darão acesso aos expositores da Suécia e do Quebec, de modo a “continuar esse caminho de futuro, passando por diferentes visões que cada lugar tem”.

Além das saídas, o labirinto esconde “um beco sem saída, que também é muito importante haver, e que tem uma pequena surpresa”.

A obra ocupa um espaço de quatro por cinco metros, embora dentro do labirinto se tenha a sensação de que é bem maior. Para isso contribui o chão espelhado, que “ajuda a criar a ideia de luz a toda à volta do visitante, que o visitante é o centro dessa luz”.

Além do labirinto, Ângela Rocha criou também uma atividade paralela, a que chamou “Mirabolante”, com a ideia “de levar um bocadinho mais a fundo a representação de Portugal”.

“Em vez de ser só a minha visão, abrir a possibilidade das visões de Portugal. De todas as pessoas poderem contribuir com visões”, contou.

Ao longo de dois meses, a cenógrafa e a equipa que com ela trabalha foi juntando “visões de futuro, em forma de texto, imagem ou objeto”.

Essas visões foram recolhidas, numa parceria com a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), numa biblioteca em cada capital de distrito, do continente e ilhas, e também na Biblioteca Nacional, em Lisboa.

“Vamos cenografar uma máquina de brindes redonda, como se fosse uma bola de cristal, da qual, por uns trocos, se pode retirar uma visão rara trazida de Portugal para a República Checa”, descreveu.

“Metade dos Minutos” faz parte da exposição “Países e Regiões” da 15.ª Quadrienal de Praga, que decorre entre 07 e 18 de junho.

O projeto de Ângela Rocha foi o selecionado no âmbito do concurso limitado promovido pela Direção-Geral das Artes (DGArtes), que justificou a escolha da sua proposta curatorial com a “prioridade” que dá ao “visitante como agente ativo e decisor”.

A representação portuguesa inclui também, na secção “Fragments II”, dedicada ao que fica depois das peças de teatro ao nível da cenografia, o trabalho da cenógrafa Rita Lopes Alves para a última encenação de Jorge Silva Melo, a peça “Vida de artistas”, de Nöel Coward.

Além disso, a Direção-Geral das Artes convidou também a Associação Portuguesa de Cenografia (APCEN) para realizar a curadoria do projeto a apresentar na secção “Estudantes”, tendo sido proposto o projeto coletivo “HODO: Unique Journeys”, que envolve a participação de várias escolas superiores de diversas regiões do país que lecionam cursos de cenografia e design. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

República Checa - Detectados elevados índices de radiação nos javalis selvagens

Trinta anos depois do acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, continuam a aparecer vestígios de radiação nos locais mais inesperados. Desta vez, foram detectados elevados índices de radiação nos javalis selvagens que vagueiam nas florestas e montanhas da República Checa – a 1600 km da central nuclear



A República Checa enfrenta este inverno um problema invulgar com a sua carne de javali, ingrediente principal da sua iguaria nacional. Os javalis estão radioactivos.

Segundo a agência Reuters, a súbita radioactividade registada nos javalis checos é devida à dieta alimentar a que foram forçados este ano. Um inverno invulgarmente frio e nevoso obrigou os javalis a comer uma espécie de cogumelos subterrâneos comum nos montes Sumava, situados entre a República Checa, Alemanha e Áustria.

Estes fungos absorvem elevadas concentrações de césio-137, isótopo radioactivo libertado em grandes quantidades há quase 31 anos durante a catástrofe de 26 de abril de 1986 em Chernobyl – que, aparentemente, vagueou na atmosfera até chegar aos montes Sumava, onde foi absorvido pelos referidos cogumelos.

“Este inverno, forçados a comer os cogumelos radioactivos, os javalis ingeriram césio-137 e ficaram com a sua carne radioactiva também”, explica à Reuters Jiri Drapal, responsável da Administração Veterinária Estatal do país.

“É um problema mais ou menos sazonal”, diz Drapal.

Mas, infelizmente, a época vai ser muito longa. A meia-vida do césio-137, isto é, o tempo que leva a radioactividade de uma dada quantidade de césio-137 a ficar reduzida a metade, é de cerca de 30 anos. E depois, mais 30 para se reduzir a 25%…

Ou seja, daqui a 100 anos, os javalis dos montes Sumava não estarão propriamente a brilhar no escuro, mas ainda terão cerca de 10% dos níveis de radioactividade que apresentam hoje.

Não é a primeira vez que são encontrados elevados níveis de radiação em javalis. Em 2014, um em cada três javalis selvagens das florestas da Saxónia, na Alemanha, apresentavam elevados níveis de radiação. Segundo o The Telegraph, também neste caso a radioactividade foi um legado de Chernobyl.

Em abril do ano passado, havia javalis selvagens radioactivos à solta em todo o norte do Japão, contaminados pelo desastre de Fukushima.

Mas o problema, na República Checa, é que o javali é um dos pratos mais populares no país, onde aparece como ingrediente principal em inúmeras receitas tradicionais – nomeadamente no goulash, o famoso guisado de carne e vegetais com paprika.

Um pouco de césio-137 não transforma os javalis em leitões ninja mutantes adolescentes… mas tampouco os deixa propriamente saborosos.

Mas segundo Jiri Drapal, todos os javalis (e quaisquer outros animais) abatidos para consumo são analisados, e os que apresentam radioactividade são excluídos, pelo que o goulash checo continua a ser completamente seguro.

Além disso, diz Drapal, “teríamos que comer javali radioactivo várias vezes por semana, durante uns quantos meses, até começarmos e sentir-nos doentes“. In “ZAP.aeiou” - Portugal

domingo, 3 de abril de 2016

República Checa – Solicita estatuto de observador associado na CPLP

A República Checa oficializou o pedido para o estatuto de observador associado junto do Secretariado Executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, justificado pelo “interesse que o mundo lusófono” desperta no país.

“O pedido de atribuição do estatuto de observador vem confirmar o interesse pelo mundo lusófono manifestado pela República Checa na prossecução das actividades desenvolvidas nos tempos da Checoslováquia”, refere uma nota do governo de Praga enviada à Lusa através da sua representação diplomática em Lisboa.

A iniciativa do executivo checo também é justificada pela presença da língua portuguesa em diversas instituições de ensino neste país da Europa Central.

“O português é ensinado em cursos de licenciatura e mestrado em três universidades checas e estamos muito satisfeitos pela presença de centenas de estudantes portugueses na República Checa e pela posição cada vez mais activa dos nossos empresários no Brasil ou nos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). É para nós uma honra estar ao lado do mundo lusófono e temos a consciência da sua crescente importância”, conclui a nota.

O Secretariado Executivo da CPLP deverá entretanto remeter o pedido para apreciação do Comité de Concertação Permanente, encaminhando-o de seguida para o Conselho de Ministros, que recomendará a decisão final a ser tomada pela próxima cimeira de chefes de Estado e de governo da organização, prevista para Julho em Brasília.

De acordo com os estatutos da organização, os observadores associados beneficiarão dessa qualidade “a título permanente e poderão participar, sem direito a voto, nas cimeiras de chefes de Estado e de governo, bem como no Conselho de Ministros, sendo-lhes facultado o acesso à correspondente documentação não confidencial, podendo ainda apresentar comunicações desde que devidamente autorizados”.

São países observadores associados o Senegal, Ilha Maurícia, Geórgia, Namíbia, Turquia e Japão. Lusa

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Moçambique – Fórum de Negócios Moçambique – República Checa

O Ministro da Indústria e Comércio, Ernesto Max Tonela, considera que, apesar de a economia nacional estar a crescer a um ritmo assinalável, "Moçambique ainda necessita de grandes investimentos, principalmente do sector privado, para sustentar o actual nível de desenvolvimento a longo prazo".

Ernesto Max Tonela, que falava na passada quarta-feira, 27 de Maio de 2015, no Fórum de Negócios Moçambique – República Checa, realizado no âmbito da visita do Ministro dos Negócios Estrangeiros daquele País, Lubomir Zaorálek, explicou ainda que o "actual fluxo de investimentos é bom, porém, insuficiente para o nível de desenvolvimento e ritmo de criação de postos de trabalho que almejamos".

"A captação de investimentos é um factor-chave para o desenvolvimento de um País pois tem um efeito positivo na base económica", explicou o Ministro da Indústria e Comércio moçambicano, que diz ser necessário reforçar o fluxo de investimentos entre os dois países e criar possibilidades de exportação de produtos nacionais para a República Checa.



Por seu turno, Lubomir Zaorálek, Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Checa, reconheceu a necessidade de reforço das relações comerciais entre os dois países e identificou a defesa e segurança, energias renováveis, infraestruturas, fornecimento de água, bebidas, tecnologias de informação e comunicação, engenharia mecânica e eléctrica, agricultura e turismo como potenciais áreas de cooperação.

"A delegação é composta por 15 representantes de empresas que actuam em diversos sectores e a nossa expectativa é que dos encontros com o empresariado moçambicano resultem projectos, parcerias e que sejam identificadas oportunidades de investimento para ambas as partes", disse Lubomir Zaorálek.

Entretanto, para a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), representada pelo Director Executivo, Luís Sitoe, a visita do Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação da República Checa a Moçambique representa a revitalização das relações de cooperação entre os dois Países.

Por isso, Luís Sitoe garantiu que o sector privado vai "criar condições para o incremento das trocas comerciais entre ambos os países e apresentar oportunidades de negócio e áreas de investimento que sejam do interesse do empresariado da República Checa". In “Olá Moçambique” - Moçambique