Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Quebeque. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Quebeque. Mostrar todas as mensagens

domingo, 6 de abril de 2025

Canadá - Bairro português em Montreal mantém-se, mas com dificuldades

O bairro português de Montreal continua a preservar marcas da presença lusa na cidade canadiana, mas enfrenta desafios como a dispersão comunitária, envelhecimento populacional e falta de apoio institucional, alertam figuras históricas da comunidade portuguesa no Quebeque



Natural do concelho de Arcos de Valdevez, Joaquina Pires, que chegou de Portugal em 1966 com apenas 10 anos, considera que “a presença portuguesa no bairro continua, mas de forma cada vez mais invisível no dia a dia”.

Autora do livro “Empreintes Portugaises” (Marcas Portuguesas), publicado aquando dos 70 anos da imigração portuguesa para o Canadá, Joaquina Pires defende que todos os membros da comunidade “fazem parte da história” e lamenta que muitos episódios marcantes, como o movimento de alfabetização dos anos 1970, estejam ausentes da memória coletiva: “Há histórias que não estão documentadas, mas tiveram um enorme impacto social.”

A primeira vaga de imigração portuguesa para Montreal chegou em 1953. Muitos fixaram-se no Plateau-Mont-Royal, onde criaram negócios e deram vida ao bairro hoje conhecido como “Pequeno Portugal”.

O restaurante “Castanheira do Ribatejo”, atual “Jano”, fundado em 1970 por um dos pioneiros da comunidade, é um exemplo de resiliência e é atualmente gerido pela família.

“O bairro vive um ciclo de transições geracionais. A comunidade envelheceu, muitos foram viver para os subúrbios, mas há jovens que estão a regressar às raízes”, explicou Maria do Céu Castanheira, filha do fundador.

Na perspetiva da empresária, verifica-se cada vez mais um envolvimento de lusodescendentes em iniciativas culturais, como o festival português ou projetos artísticos.

“São a nossa esperança”, afirmou, sublinhando que os seus estabelecimentos “mantêm-se ativos e adaptados aos novos tempos”.

No espaço público, a herança lusa continua visível no ‘Parc du Portugal’, inaugurado em 1975, e nos murais dedicados à fadista Amália Rodrigues, ao “Hino à Emigração Portuguesa em azulejos” (2017) e ao diplomata Aristides de Sousa Mendes, este último inaugurado em 2022.

Outro projeto emblemático são os Bancos Literários: 12 bancos de pedra instalados no Boulevard Saint-Laurent, com citações que vão desde D. Dinis até José Saramago.

“É um projeto participativo que envolveu escolas, artistas e cidadãos, mas que pouca gente conhece. Está muito pouco divulgado”, lamenta Joaquina Pires.

Para Carlos Moleirinho, empresário da restauração e proprietário do Café Central, o bairro continua a ser um ponto de encontro essencial para a comunidade.

O luso-canadiano, natural do concelho de Marinha Grande, está no setor desde os 24 anos e há 14 que gere este restaurante, café e bar com 52 anos de história, localizado no coração do bairro português.

“É mais do que um negócio, é um espaço de convivência. Aqui cruzam-se gerações, histórias, memórias”, afirmou à Lusa.

O empresário reconhece as mudanças na comunidade, mas acredita que há caminho para renovar a ligação às raízes: “Hoje a comunidade está espalhada por toda a região de Montreal. Mas continuam a vir aqui, porque sentem que este espaço ainda é deles”.

Maria do Céu Castanheira sublinha que “falta um espaço central” onde seja possível reunir as diferentes associações e iniciativas culturais.

Em vez de fragmentação, defende maior coesão: “Hoje cada um puxa para o seu lado. Precisamos de união e de não nos deixarmos levar por expressões de bairrismo.”

A restauração continua a desempenhar um papel essencial na promoção da cultura portuguesa.

“A comida é o primeiro contacto com a nossa cultura. Temos casas como o Cocorico, a Casa Minhota, o Douro, o Portus 360, o Jano e muitos outros. Enquanto houver pratos típicos, há Portugal no prato e na alma”, afirmou Céu Castanheira.

Apesar das dificuldades, como a pressão fiscal, os desafios da era digital e a mudança dos hábitos de consumo, há vontade de inovar.

“Estamos a lançar um novo projeto que une gastronomia e arte. Queremos continuar a contar a nossa história de forma criativa”, anunciou.

A sobrevivência do “Pequeno Portugal” dependerá da capacidade de reinventar a presença lusa em Montreal e de envolver as novas gerações.

Como defende Carlos Moleirinho, “a tradição mantém-se viva enquanto houver vontade de a partilhar, uma chama que ainda não se apagou”.

O bairro português em Montreal está localizado na freguesia urbana de Le Plateau-Mont-Royal, na Boulevard Saint-Laurent, entre a rua Mont-Royal e a avenida Des Pins.

De acordo com o recenseamento canadiano de 2021, viviam no Canadá 448.310 pessoas que se identificavam com ascendência portuguesa, das quais 46.535 residiam na região metropolitana de Montreal, no Quebeque. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


segunda-feira, 13 de julho de 2020

Canadá - Luso-canadiano vai espalhar 25 murais de Amália pelo mundo

Um português a residir no Canadá pretende criar uma “aldeia global virtual” das comunidades portuguesas espalhadas nos vários cantos do mundo, um projeto que envolve a colocação de 25 murais dedicados à fadista Amália Rodrigues



“O objetivo é criar uma comunidade virtual entre as comunidades portuguesas no mundo para comunicarmos virtualmente. Para partilharmos a nossa cultura”, afirmou à Lusa o empresário e escritor Herman Alves, 62 anos, radicado no Canadá há 50 anos.

Natural de Porto de Mós (Leiria) e a residir em Montreal, no Quebeque, Herman Alves lançou o projeto da colocação de 25 murais de Amália Rodrigues em várias cidades com grande representatividade da comunidade portuguesa.

“Esperamos organizar na altura do Natal um concerto virtual, junto dos murais, com a contribuição de cada cidade”, sublinhou.

Esta semana o artista Paulo Carreira vai começar a pintar o mural da diva do fado junto ao Parque de Portugal, em Montreal, próximo da residência do músico canadiano Leonard Cohen, e que terá a sua inauguração no centenário do aniversário de Amália Rodrigues, no dia 23 de julho.

Além de Montreal, Porto de Mós já dispõe de um mural da fadista, na Praça Arménio Marques, inaugurado no dia 29 de maio, e as próximas cidades a receber as respetivas obras serão Toronto (Canadá), Fall River e New Bradford (Estados Unidos), Buenos Aires (Argentina) e Praia (Cabo Verde).

No entanto, o empresário também destaca outra vertente cultural da iniciativa, através do fado, interpretado por artistas das comunidades locais e em língua oficial desses mesmos países.

“O plano é fazer 25 murais com 25 canções para depois lançarmos dois álbuns, por artistas locais. Por exemplo em Cabo Verde será interpretada por José Perdigão em crioulo. Cada mural terá a sua canção, em inglês e em francês”, explicou.

Após o Canadá, o próximo mural a ser pintado será em Paris, pela artista luso-francesa Nathalie Afonso, obra que será acompanhada pela canção “Amália Aux Milles Reflets” interpretada por Marta Raposo, artista luso-canadiana a residir em Montreal.

Dentro de dois anos, o promotor espera ter murais de Amália nos vários cantos do mundo, como em Goa (Índia), Macau (China), em Timor-Leste, noutras antigas colónias portuguesas e em países onde existem grandes comunidades portuguesas.

Este ano assinala-se o centenário do nascimento de Amália Rodrigues.

A fadista tem uma ligação especial com a comunidade portuguesa no Canadá: o município de Toronto, em 1986, proclamou o 06 de outubro como o Dia de Amália, naquela cidade, curiosamente o mesmo dia em que a fadista viria a falecer, em 1999.

O Governo canadiano calcula que existem no Canadá cerca de 480 mil portugueses, e na área metropolitana de Montreal há cerca de 50 mil portugueses. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo