Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Cabo Verde - Pintura de casas ajuda a combater droga

Paiol é considerado um bairro mítico da cidade da Praia, mas com muitos problemas sociais, e o ‘click’ que faltava começou com a pintura de algumas casas, num projecto de prevenção do consumo de álcool e drogas.


O projecto de transformação da zona do Paiol é da autoria do artista e activista social Gá Dalomba, dono da casa dos pais no mesmo bairro, que virou um pardieiro e um amigo queria comprá-la, mas surgiram outras ideias para a moradia. “Vim cá com algumas pessoas, limpámos o espaço, convidei um amigo artista, fizemos um ‘graffiti’ e transformámos a casa. E depois vi que ambos os lados também precisam de ser requalificados, quer dizer, a zona toda, e porque não juntos tentarmos fazer isso?”, descreveu à Lusa o cantor, de 39 anos, natural do Paiol.

Gá Dalomba é presidente da Fundação Garah (garra), em que desde 2016 o próprio percorre as ilhas com o projecto “Nunca Experimentar”, contando a sua própria história de superação do consumo de álcool e outras drogas. Considerando-se como um adicto em recuperação, o activista recordou que depois da ideia falou com os vizinhos, contrataram os artistas e pintaram as fachadas de cinco casas.

“Depois disso, fiquei a pensar, podemos ir mais profundo”, afirmou, indicando que, nesta fase, o objectivo é dar cor e brilho a 15 moradias do Paiol, o segundo bairro à entrada da Praia, à direita, para quem chega do aeroporto.

Uma das cinco casas que foram pintadas foi a de António Monteiro, de 59 anos, natural do Fogo, mas há 55 anos a morar no mesmo sítio na capital do país. Este pedreiro de profissão disse que acolheu o projecto de bom grado e pós literalmente a mão na massa, rebocando a fachada da casa, que primeiro foi de chapas metálicas, depois de telha e actualmente com cobertura de betão armado e paredes de pedra e barro.

“É um bom projecto, gostei”, afirmou à Lusa o morador, prometendo apoiar em tudo o que for preciso para que o projecto chegue a mais casas da zona.

“Com esta apresentação, ficou mais ou menos. Se estava danificado a 100%, agora está requalificado em 25%, precisa de mais um passo”, manifestou um dos beneficiados.

Depois de começar nas casas, Gá Dalomba viu que ainda havia muito trabalho por fazer no bairro, tendo criado um projecto para ocupar os jovens, com formação profissional, e também campanhas de sensibilização para a necessidade de manter as ruas limpas. E a casa do pai que serviu de inspiração para todo o projecto vai acolher um estúdio de gravação, uma escola de música e uma biblioteca, para promover o acesso à cultura e à educação.

“O projecto é muito maior do que qualquer um de nós, não sou eu, fui só um instrumento, porque o vizinho também fez algo, deu um toque na casa para podermos pintar, e não é uma pintura de outro mundo, mas o amor, o tempo dedicado à pintura, não tem preço”, frisou o mentor da ideia para esta que é considerada uma das zonas míticas da cidade da Praia.

Com estes projectos, Gá Dalompa espera aumentar a auto-estima dos moradores, mas também criar atractivos para os turistas e visitantes. “Se transformarmos o bairro será muito mais fácil uma pessoa vir cá”, enfatizou, dando como exemplo a Rua d’Arte, na Terra Branca, que serviu de inspiração com as suas pinturas, funcionando já como que um museu a céu aberto, recebendo muitos visitantes e servindo de cenário para fotos e palco para gravação de vídeos.

“Paiol é uma zona mítica, e acho que está a precisar agora é de um ‘click’”, identificou ainda o activista, elogiando o envolvimento dos moradores nos projectos. “A minha ideia agora é tentar juntar todos, porque todos somos muito mais fortes, e tentar desenvolver a nossa zona, a nossa cidade, o nosso país”, traçou do presidente da Fundação Garah, que está em fase de oficialização.

Com o projecto “Nunca Experimentar”, Gá Dalomba já passou por seis ilhas de Cabo Verde, entre liceus, universidades, comunidades e casas de famílias, num total de 40 famílias, e já foi também à diáspora cabo-verdiana, beneficiando cerca de 20 mil pessoas. “O efeito é diário, o meu telemóvel transformou-se numa sala de terapia, mas não sou um terapeuta, ajudo até onde eu puder e encaminho”, avançou, dizendo, por isso, que a solução é a prevenção, com benefícios para todos, evitando sofrimento para a família, para os amigos, para a sociedade, para o Governo e para o próprio dependente de álcool e de outras drogas.

“Queremos dar uma resposta à sociedade. Acho que chegou o momento de pararmos de apontar o dedo e vermos o que estamos a fazer para nos melhorar e para melhorar a nossa sociedade, sermos a mudança que queremos da nossa sociedade”, apelou o presidente da fundação, que tem ainda uma marca de roupa. Ricardino Pedro – Agência Lusa in “Jornal Tribuna de Macau”


domingo, 7 de março de 2021

Guiné Equatorial – Explosão num paiol do quartel militar do bairro de Nkoantoma na cidade de Bata


Pelo menos 17 pessoas morreram e outras 400 ficaram feridas após várias explosões registadas hoje num quartel militar na cidade de Bata, na Guiné Equatorial, informaram as autoridades.

De acordo com dados do Ministério da Saúde e Bem Estar Social da Guiné Equatorial, até ao momento registaram-se 17 mortes nos hospitais da cidade, enquanto o número de feridos ascende a 400.

Os feridos estão distribuídos por três hospitais da cidade: 70 no Hospital la Paz, 150 no Hospital Geral de Bata e 200 no Hospital Nuevo Inseso.

De acordo com a mesma fonte, as explosões ocorreram no bairro de Mondong Nkuantoma, em Bata, maior cidade e capital económica da Guiné Equatorial, onde se localiza um quartel militar.

“Estima-se que haja mortos e muitos desaparecidos debaixo dos escombros”, tinha adiantado antes o ministério, que pediu a médicos e enfermeiros voluntários para se dirigirem ao Hospital Regional de Bata.

As autoridades de saúde apelaram também para a contribuição de dadores de sangue.

Para já é desconhecida a origem das explosões, mas uma fonte da Guiné Equatorial contactada pela agência Lusa adiantou que terá explodido o paiol do quartel militar do bairro de Nkoantoma, o maior do país, e que a “explicação mais plausível é que se trate de um acidente”.

Este quartel fica situado num zona habitacional e imagens transmitidas pela TVGE mostram dezenas de pessoas a fugir do local, muitas delas feridas.

As imagens também mostram uma espessa coluna de fumo.

Três das explosões ocorreram cerca das 15:00 locais (14:00 em Lisboa) e duas horas mais tarde ocorreu uma quarta.

De acordo com as autoridades equato-guineenses, equipas médicas e de bombeiros foram mobilizadas para o local.

Os feridos estão a ser transportados para os hospitais de La Paz, Nuevo Inseso e Regional de Bata.

O vice-presidente e responsável pela Defesa e Segurança, Teodoro Nguema Obiang Mangue, conhecido como ‘Teodorin’, filho do Presidente Teodoro Obiang, apareceu na TVGE a visitar o local rodeado de um forte aparato de segurança dos seus habituais guarda-costas israelitas.

Localizada na parte continental, Bata concentra cerca de 800 mil habitantes dos 1,4 milhões de residentes deste país da África Central, rico em petróleo e gás, mas onde a maioria da população vive abaixo do limiar da pobreza.

A Guiné Equatorial integra a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 2014. In “Jornal do Luxemburgo” – Luxemburgo com “Lusa”