Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 27 de julho de 2021

Namíbia - Fome ameaça milhares de crianças angolanas deslocadas no país

Alguns milhares de famílias, muitas com crianças, deixaram o sul de Angola rumo à vizinha Namíbia para escaparem às dificuldades geradas pela prolongada seca e ao desemprego, mas o que estão a viver agora é muito semelhante à situação que deixaram para trás e as autoridades das regiões fronteiriças para onde foram não escondem que a situação começa a ganhar contornos trágicos. Já há registo de crianças mortas por malnutrição


A imprensa namibiana tem repetido os alertas de que os milhares de angolanos que se encontram no país, especialmente nas regiões que fazem fronteira com Angola, estão em situação dramática, existindo mesmo contactos políticos ao nível dos governos regionais e provinciais mas que, até agora, se revelaram insuficientes para encontrar soluções duradouras e viáveis.

Uma das situações mais graves está, segundo acaba de noticiar o The Namiban, a ocorrer em Etunda, região de Omusati, onde estão registados 2352 angolanos em condições de grande precariedade e, entre estes, 1751 crianças com sinais de malnutrição evidentes.

Já há mesmo registo de mortes entre estas crianças, como relata este jornal, destacando o exemplo de uma criança de quatro anos que morreu recentemente de malnutrição severa no centro improvisado de Etunda, Ruacana, onde as famílias angolanas se juntaram.

De acordo com o que escreve hoje Hileni Nembwaya, jornalista do The Namibian, o governador da região de Omusati, Erginus Endjala avançou que outra criança, com escassos meses de vida, foi levada de urgência para uma unidade hospitalar devido a evidências de perigo de vida devido à fome.

Como o Novo Jornal tem vindo a noticiar nos últimos meses, milhares de famílias deixaram as províncias do Cunene, Namibe e Kuando Kubango, e ainda da Huíla, para fugirem aos efeitos devastadores da severa estiagem que vive o sul de Angola há largos anos, com especial efeito a partir de 2018, devido à acção do El Nino, um fenómeno natural que bloqueia as chuvas no sul do continente e que, de acordo com cientistas, é resultado directo das alterações climáticas.

Como resultado evidente disso, as culturas não vingam e as pastagens sucumbem face ao calor tórrido e à ausência de chuvas.

Segundo Hileni Nembwaya, que esteve neste campo improvisado de angolanos, os relatos obtidos entre as pessoas que ali vivem em condições precárias deixam evidente que muitos vivem durante dias com rações alimentares que não chegam sequer para uma refeição.

Os alimentos doados, inclusive por autoridades angolanas nos últimos meses, já acabaram e isso levou a que a insegurança alimentar destas pessoas tenha aumentado de forma substancial.

É face a isso que o governador de Omusati voltou a lançar um apelo veemente aos dois governos para fazerem chegar bens alimentares de emergência a este centro e ainda às empresas e pessoas das imediações que possam abdicar de alguns dos seus alimentos para evitar a morte de pessoas.

"Não temos capacidade para fazer isto sozinhos, nem as pessoas de Omusati conseguem dar resposta. Esta catástrofe exige acção imediata dos governos de Angola e da Namíbia, e impõe que os bons samaritanos namibianos continuem a ajudar estas pessoas desesperadas e em risco de vida", disse Erginus Endjala, sublinhando de forma veemente que se isso não suceder, "mais pessoas vão morrer de fome severa", incluindo muitas centenas de crianças que sofrem de doenças diarreicas, entre outras. In “Novo Jornal” – Angola com “The Namibian”

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Namíbia – Continua o contrabando com origem em Angola

O contrabando de combustível, cigarros, bebidas alcoólicas e alimentos de Angola para as regiões de Omusati e Ohangwena do norte da Namíbia persiste sem cessar


O contrabando de combustível afeta negativamente os comerciantes locais e, eventualmente, prejudica a economia do país.

Isso foi revelado durante uma reunião das partes interessadas em Oshikango na passada segunda-feira.

O comandante regional da polícia de Omusati, Titus Shikongo, afirmou que as fronteiras da região são permeáveis, dificultando a apreensão de contrabandistas de combustível.

“Os consumidores são obrigados a cumprir os regulamentos dos produtos de petróleo ao lidar com combustível. No entanto, tem havido elementos inescrupulosos na nossa sociedade que contrabandeiam combustível de Angola e vendem aos consumidores locais sem pagar impostos. O combustível, entre outros, é um dos produtos vitais que contribuem enormemente para o produto interno bruto (PIB) do país, portanto, a sua venda e compra são regulamentadas por lei”, disse Shikongo.

Disse que de Janeiro a Junho deste ano a polícia da região de Omusati apreendeu cerca de 2590 litros de combustível ilegal de Angola.

Um total de 14 suspeitos foram presos por contrabando de combustível ilegal e os seus casos estão pendentes no tribunal, avançou.

Shikongo afirmou que a região de Omusati está a lutar contra o contrabando de combustível ilegal devido à falta de transporte para patrulhar as fronteiras penetráveis, invasão de mato, residências próximas às fronteiras e falta de equipamento sofisticado para detectar o contrabando.

“Para conter a situação, sugere-se que o fornecimento de transporte para patrulhar as fronteiras seja uma responsabilidade partilhada tanto pela Polícia Namibiana como pelas partes interessadas. A polícia da região de Omusati, em resposta ao contrabando de combustível para a região através de métodos clandestinos, planeou operações de inteligência e intensificou as patrulhas de fronteira e emboscadas para combater o tráfico de combustível”, concluiu.

Também pediu a introdução de drones para complementar a detecção de contrabando de combustível.

A comissária comandante regional da polícia de Ohangwena, Elizabeth Sibolile, ressoou estes sentimentos, dizendo que a região confiscou cerca de 14000 litros de combustível contrabandeado e que seis suspeitos foram presos e acusados, ​​conectados com este crime.

Ela considerou que os polícias que transportam combustível confiscado estão expostos ao perigo, à falta de armazenamento de combustível e à falta de programas comunitários voltados para educar os residentes sobre os perigos do contrabando de combustível. Hileni Nemwaya – Namíbia in “The Namibian”


quinta-feira, 25 de março de 2021

Namíbia - Mais de 7 mil angolanos que fugiram à fome acampados em Omusati

Os milhares de angolanos que entraram ilegalmente na Namíbia para fugir à fome e ao desemprego, nas últimas semanas, poderão ser repatriados em breve através de um mecanismo que está a ser preparado pelo Governo de Luanda em colaboração com as autoridades namibianas

O governador de Omusati, na Namíbia, que faz fronteira com Angola, avançou que pelo menos 7000 angolanos que fugiram da fome e do desemprego devido à seca nas províncias do sul, estão acampados em vários locais desta região, uma das que acolheram mais cidadãos nacionais nestas condições nas últimas semanas.

Como o Novo Jornal noticiou, ultimamente, devido ao acumular dos efeitos devastadores da seca prolongada que afecta as províncias do sul de Angola, milhares de angolanos, especialmente homens e mulheres, muitos com filhos pequenos, passaram ilegalmente a fronteira para a Namíbia, onde procuram desesperadamente comida e trabalho na agricultura, por vezes a troco de migalhas.

Erginus Endjala, governador da região de Omusati, que lembra que os empregadores namibianos estão impedidos de acolher angolanos porque a entrada destes no país é ilegal devido às restrições geradas pelas medidas de controlo da pandemia da Covid-19, ressalta que estão a decorrer conversações entre as autoridades dos dois países de forma a encontrar soluções.

Na semana passada, a embaixadora angolana na Namíbia, Jovelina Costa, deslocou-se às regiões que fazem fronteira com Angola para analisar a situação com as autoridades locais e recolher informação sobre o número e as necessidades dos angolanos que passaram a fronteira nos últimos tempos.

Uma das medidas em análise, segundo o governador de Omusati, citado pelo The Namibian - a imprensa namibiana tem dado grande destaque a este assunto - é a abertura das fronteiras para que os angolanos, desesperados pela fome e desemprego, possam encontrar, legalmente, trabalho no país vizinho e, essencialmente, lhes possa ser prestada assistência humanitária.

Erginus Endjala disse mesmo que "não se pode virar as costas a pessoas que procuram fugir da fome fechando-lhes as fronteiras", ao mesmo tempo que adiantava que o Governo de Luanda está a preparar um sistema de transporte para repatriar os cidadãos angolanos que se encontram na condição de imigrantes ilegais em território namibiano.

O responsável sublinhou que esse repatriamento só poderá suceder depois de as autoridades angolanas terem criado condições mínimas para o efeito, incluindo a garantia de alimentação para as pessoas que vão ser deslocadas.

Para já, as duas regiões com mais concentração de angolanos que deixaram o seu País para procurar comida e trabalho no país vizinho estão, na sua maior parte, concentrados nas regiões de Omusati Ohangwena, para onde o Governo de Windhoek enviou 500 sacos de milho e 2000 latas de peixe em conserva.

Endjala notou que o Governo namibiano está a fazer "um grande esforço para ajudar estas pessoas" apesar de também estar a lidar com "problemas sérios devido à pandemia da Covid-19".

"Estamos a ajudar com o pouco que temos", disse, ao mesmo tempo que lembrou que o Governo de Luanda prometeu "enviar ajuda para garantir alimentos e abrigo a estas pessoas".

E observou que os angolanos que estão nestas condições procuram essencialmente trabalho como pastores ou empregados domésticos, mal remunerados, mas que isso não deixa de obrigar os empregadores a pedir uma autorização legal para o fazerem.

O que significa que o consulado de Angola deve emitir um "cartão verde" para cada cidadão que tiver conseguido um contrato de trabalho, de forma a evitar acusações de tráfico ilegal de seres humanos e evitar que estes sejam deportados.

Recorde-se que a maior parte destas pessoas está a sobreviver há várias semanas da ajuda de organizações humanitárias e de pessoas que podem ajudar com alimentos, roupas e mesmo medicamentos.

Recorde-se que a par deste problema, como o Novo Jornal também noticiou, centenas de angolanos que se encontram no campo de refugiados de guerra de Osire há largos anos, estão em risco de serem obrigados a voltar a Angola por terem perdido o estatuto de refugiados. In “Novo Jornal” - Angola