Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Timor-Leste - Aero Dili começa ano com nova rota aérea que vai ligar a capital à China

A companhia aérea timorense Aero Dili inaugura na próxima sexta-feira a rota aérea de ligação da capital de Timor-Leste à cidade chinesa de Xiamen, disse Lourenço de Oliveira, diretor executivo daquela empresa privada



Em declarações à Lusa, na sede da empresa em Díli, Lourenço de Oliveira explicou que decidiu abrir a rota porque esta “representa um grande mercado”, tendo em conta os milhares de chineses que vivem no território timorense.

Mas, salientou, também porque quando começou há dois anos a voar para Bali, na Indonésia, e depois para Singapura, a comunidade chinesa lhe pediu para fazer uma rota direta. “O processo não foi fácil”, disse o empresário timorense, mas o dia 14 de fevereiro marca o início do voo para Xiamen, cidade da província de Fujian, no sul da China.

A ligação entre as duas cidades demora cerca de 05:20 horas e a viagem de ida e volta vai custar cerca de 1060 dólares.

Questionado pela Lusa sobre se a expansão da empresa inclui ligações aéreas para a Austrália, Lourenço de Oliveira disse que já está a “submeter os documentos”. “Se aprovarem, tenho planos para fazer a rota Díli/Darwin e Díli/Melbourne”, afirmou.

Lourenço de Oliveira disse também que o futuro da companhia é de sucesso, principalmente se Timor-Leste for admitido como membro pleno na Associação das Nações do Sudeste Asiático, processo que as autoridades esperam concluir ainda no decorrer deste ano.

Criada em 2023, a Aero Dili fez o seu voo inaugural para Denpasar, Bali, em março do mesmo ano, e atualmente voa todos os dias para a capital daquela ilha indonésia.

No ano passado iniciou a ligação a Singapura com um voo semanal e também tem várias ligações semanais a Oecussi, enclave timorense situado no lado indonésio da ilha.

O único apoio financeiro que a Aero Dili recebe do Governo timorense é uma compensação de 50.000 dólares mensais para voar para Oecussi. “Ainda assim, tenho de dar também um subsídio de 7500 dólares” para manter os preços dos bilhetes acessíveis, disse Lourenço de Oliveira.

Questionado pela Lusa sobre se já pediu um aumento da compensação ao Governo, Lourenço de Oliveira explicou que nunca pediu, mas salientou a rota para a Oecussi está a correr “muito bem”. “Mas de qualquer maneira é bom e tem um bom aeroporto, podia era ser em Díli. Se eu pudesse mudar o aeroporto”, disse, salientando que as obras no aeroporto internacional Nicolau Lobato são “muito importantes”, principalmente o aumento da pista, que é pequena.

O director executivo da Aero Dili explicou que fica com as operações condicionadas, porque não pode utilizar aviões maiores.

A Aero Dili tem dois aviões, o segundo tem chegada prevista em Março. “Estou a precisar de um outro avião para cumprir os critérios”, disse o empresário, salientando que para Singapura está prevista a realização de dois voos semanais e que aguarda a assinatura de um acordo aéreo entre Timor-Leste e a Tailândia para começar também a voar para aquele país.

O empresário timorense afirmou que decidiu formar a Aero Dili, porque passados mais de 20 anos o país não tinha uma empresa aérea de bandeira nacional, apesar de antes operar as ligações aéreas entre a capital timorense e Bali com voos ‘charter’. “Comecei a formar recursos humanos e agora já temos 22 aeromoças, três pilotos, mais três por causa da Airbus, que estão agora também a pilotar, e formei o pessoal do Governo na Aviação Civil, porque se não temos inspector, não podemos colaborar”, disse Lourenço de Oliveira. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 20 de março de 2023

Timor-Leste - “Orgulho” na chegada a Díli do voo inaugural do primeiro avião de bandeira timorense

Líderes timorenses manifestaram ontem “orgulho” pela chegada a Díli do voo inaugural do primeiro avião de bandeira timorense, um A320, operado pela companhia aérea Aero Dili, que começa com voos regulares na próxima semana


Dezassete passageiros, incluindo o ministro dos Transportes e Telecomunicações, José Agustinho da Silva, viajaram no voo procedente da Indonésia que aterrou no Aeroporto Internacional Presidente Nicolau Lobato pouco depois das 08:30. “Estou muito contente. É um orgulho e um sonho que se concretiza”, disse à Lusa o empresário timorense Lourenço de Oliveira, proprietário da Aero Dili.

“Agora vamos começar no dia 28 com rotas de voos regulares, para a Indonésia todos os dias, mas também para Singapura. Estamos a negociar com a Austrália para poder operar o voo também para aquele país”, confirmou, explicando que há ainda objetivos de chegar à China e às Filipinas.

O responsável falou à margem da cerimónia de boas-vindas do A320, recebido com jatos de água e aplaudido por vários líderes timorenses, incluindo o Presidente, José Ramos-Horta, vários membros do Governo e outras individualidades.

Em declarações à Lusa, Ramos-Horta parabenizou Lourenço de Oliveira, originário da ilha de Ataúro, e saudou o seu empreendedorismo. “Sem dúvida um dia de orgulho e mais um exemplo do empreendedorismo do Lourenço 'Ataúro', um empresário timorense conhecido, apreciado, muito popular com muitas iniciativas ao longo do ano, em transporte marítimo e aéreo , aquacultura de camarão”, afirmou o chefe de Estado.

Ramos-Horta vincou que a iniciativa do setor privado é importante, mas que, no setor aéreo, e dadas as suas complexidades, é vital que haja apoio do Estado. “Espero que o Governo entenda que o negócio de companhias aéreas é muito complexo e é necessário grande apoio do Estado. Conheço muitas companhias de aviação e estou lendo. Muitas empresas não sobreviveriam sem o apoio do Estado”, afirmou. “O Estado deve fazer como fazem nos Estados Unidos: nenhum governante pode viajar num avião não americano. E aqui o Estado pode fazer o mesmo, apoiar, garantindo que os governantes, os deputados, os funcionários viajem nesta companhia”, disse.

Paralelamente, defendeu o Presidente, o Estado deve igualmente, “e para assegurar a sobrevivência da companhia e a sua competitividade, subsidiar o custo do combustível em Díli que é o dobro do custo das noutras capitais da região”.

O ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fidelis Magalhães, salientou o “orgulho” de estar em Díli “um avião de Timor com bandeira de Timor”. “Marca uma nova fase na nossa história. Isto abre uma nova competição e com isso acredita que os preços baixarão, a mobilidade será mais fácil e todos poderão ter acesso às ligações aéreas”, afirmou o governante em declarações à Lusa.

Magalhães disse que um dos legados do atual Governo são os vários acordos de navegação aérea feitos nos últimos anos por Timor-Leste, sublinhado que os investimentos ajudarão a cimentar a conectividade do país. “O primeiro-ministro deu orientações claras ao ministro dos Transportes para considerar as conexões aéreas uma das prioridades da governação e o ministro e a sua equipa fizeram um ótimo trabalho para facilitar a concretização da ambição do Aero Dili. É tudo o resultado de um trabalho feito por este Governo”, sublinhou.

“Quando se fala em soberania, sem uma presença física, sem investimento, sem aviões, seriam só acordos que não se traduziriam numa mudança concreta e real. Com este passo, mais aviões para Timor e depois o aumento e melhorias no Aeroporto de Díli, facilita-se o processo de desenvolvimento, negócios”, frisou.

O projeto representa um investimento de 10 milhões de dólares com uma equipa de quase 40 pessoas a assegurar o funcionamento do aparelho decorado com a frase “Aero Dili Timor-Leste” e duas bandeiras de Timor-Leste, uma na fuselagem e outra a cobrir a totalidade da cauda. A manutenção é feita com uma empresa em Jacarta onde é igualmente dada formação a toda a equipa. “É um avião com bandeira de Timor-Leste e registado em Timor-Leste. Sinto muito orgulho. Foi um grande investimento. Espero poder incorporar um segundo avião mais tarde”, referiu Lourenço de Oliveira.

A equipa da Aero Dili inclui pilotos, técnicos e equipas a bordo e em terra, com extensa experiência e originários de vários países, incluindo Timor-Leste, com o aparelho alugado em modelo 'wet lease' à Dubai Aerospace Enterprise, uma das maiores empresas de leasing de aviões do mundo, que leva equipas a Timor-Leste para fazer toda a avaliação do projeto.

O A320 tem capacidade para 180 passageiros, que na configuração da Aero Díli foi reduzida para 165 lugares. Dono de dois casinos em Díli e com investimentos em aquicultura e agricultura, entre outros, Lourenço de Oliveira tem no último ano operado parte das ligações aéreas entre Díli e Bali, na Indonésia, utilizando um modelo de 'charter' com aviões das empresas Air Asia e Sriwijaya Air.

O sonho de ter um avião de bandeira timorense começou há cerca de seis anos quando Lourenço de Oliveira decidiu tirar o curso de piloto, comprando depois três pequenas avionetas para viagens domésticas em Timor-Leste.

Nos últimos anos Timor-Leste tem procurado celebrar acordos de serviços aéreos com vários países sendo que, até ao momento, o único ratificado e em vigor é com a Austrália. Voos para outros países, como Indonésia, Singapura ou Malásia, têm sido operados apenas em sistema de 'charter'. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”