Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Brasil - Das igrejas aos ritmos musicais, documentário resgata influência africana nos sinos

“Noite Feliz”, “Bate o Sino”, “Dobre de Finados”. Entre toques sagrados e repiques profanos, os sinos das igrejas, assim como de outros espaços públicos do Brasil, operaram como a voz das cidades, anunciando chegadas, partidas, incidentes e celebrações. Com a mudança da paisagem sonora e o surgimento da comunicação eletrônica, os campanários foram perdendo a centralidade que tinham no passado. Mesmo as igrejas passaram a receber sistemas eletrônicos e automatizados, que substituíram a figura dos sineiros.

Vindos da África Centro-Ocidental e compreendendo diferentes povos da faixa atlântica do continente, esses africanos de chegada forçada ao Brasil trouxeram consigo um conhecimento antigo de uso e manipulação de sinos. Mais do que isso: em um complexo sistema de línguas tonais, seus ouvidos estavam treinados para escutar e mandar mensagens por meio de instrumentos como os agogôs – sinos de campana dupla sem badalo.

“Nenhuma cultura musical ocidental alcançou esse grau de complexidade linguística. Essas pessoas literalmente ouviam, seja um tambor, um instrumento de corda, de sopro. E, neste caso aqui, os sinos falam”, explica Rafael Galante, etnomusicólogo e doutor em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Sua tese de doutorado, intitulada Essa gunga veio de lá!” – Sinos e sineiros na África Centro-Ocidental e no Brasil centro-africano recebeu o 1º lugar do Prêmio Sílvio Romero de Monografias de Folclore e Cultura Popular 2023, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O trabalho também serviu como base para a produção de um documentário do Jornal da USP, que resgatou as relações dos sinos entre europeus, africanos, brasileiros e sua influência para a formação da cultura musical do Brasil.

O documentário contou com a colaboração do Instituto Machadense de Artes e Ciências, do Departamento de Música da Universidade Federal de São João del-Rei, do produtor musical Rabay, da artista Maria Anália e do fotodocumentarista Thiago Morandi. Tabita Said – Brasil in “Jornal USP”


quinta-feira, 31 de março de 2022

Brasil - Restaurado Convento do Carmo, que foi residência de D. Maria I no Rio de Janeiro


Após quatro anos de obras que restauraram as antigas características arquitetônicas, o Convento do Carmo, no Centro do Rio de Janeiro (RJ), foi reinaugurado no último dia 24. A Procuradoria Geral do Estado (PGE) investiu R$ 30 milhões na recuperação do prédio, que foi residência de D. Maria I, rainha de Portugal, depois que a corte portuguesa mudou-se para o Brasil em 1808.

O local vai abrigar o Centro Cultural da Procuradoria, com biblioteca, salão de exposições e bistrô abertos ao público.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada à Secretaria Especial da Cultura e ao Ministério do Turismo, acompanhou de perto as intervenções. O imóvel foi tombado em 1964, com a inscrição no Livro do Tombo Histórico do Instituto.

Durante a cerimônia que marcou a conclusão das obras de restauro, PGE-RJ e Secretaria de Educação do estado assinaram um termo de cooperação para que alunos da rede estadual de ensino façam visitas guiadas ao bem cultural.

“Parabenizo a Procuradoria Geral do Estado pelo magnífico trabalho de recuperar e devolver à sociedade um dos mais emblemáticos ícones da nossa história. O Iphan participou de perto e é uma imensa satisfação ver realizada mais uma importante entrega”, celebra o superintendente do Iphan-RJ, Olav Schrader. “Aqui fica preservado para as futuras geraçōes o testemunho físico da época em que o Rio de Janeiro era capital de um Reino que se estendia pelos quatro cantos do mundo e na qual se criou os alicerces do Brasil independente. E, ao mesmo tempo, sua nova destinação enriquece a nossa cidade através de sua proposta cultural e educacional”, complementa.

“A PGE tem muito orgulho de ter recuperado esse patrimônio histórico e cultural da cidade. A conclusão da obra de reforma deste prédio, que viu o Rio de Janeiro nascer e foi residência da única mulher que assumiu o trono português, simboliza o renascimento do Centro da Cidade”, destacou o procurador-geral do Estado, Bruno Dubeux, referindo-se às atrações do Centro Cultural da PGE como mais uma opção de lazer cultural na cidade.


O restauro

Construído pelos frades carmelitas em 1620, o Convento do Carmo é um dos prédios mais antigos do Rio de Janeiro. Ao longo dos séculos a edificação em estilo colonial passou por transformações, como a construção de um terceiro andar e a retirada de uma ponte que conectava ao Paço Imperial, situado à frente.

O escopo da obra recém-inaugurada contemplou o restauro de esquadrias, pisos, forros e pinturas. Também foram incorporadas novas soluções de acessibilidade, bem como melhorias nas instalações prediais e intervenções visando o conforto ambiental e acústico. O resultado é um projeto contemporâneo que não perde de vista as características históricas do prédio.

No andar térreo, a obra resgatou a originalidade dos arcos que emolduram os dois grandes ambientes, onde serão instalados o bistrô e o salão de exposições. No primeiro andar, os aposentos que serviram à D. Maria I tiveram o piso completamente restaurado, com tábuas de pinho de riga trazidas em navios da Europa. Também foram recuperadas a cor das paredes e as pinturas que adornam o ambiente.

O restauro também revelou a estrutura das paredes internas do primeiro piso, com vigas de madeira entrelaçadas. O recurso evidencia a preocupação dos europeus com os abalos sísmicos que devastaram Lisboa em 1755. A obra também descortinou uma delicada pintura na parede que imita uma divisória em madeira. Trata-se da técnica artística conhecida como trompe l’oeil (em francês), que cria uma ilusão de ótica e transforma a figura em três dimensões. Há, ainda, paredes erguidas com pedras coladas com óleo de baleia.

As escavações feitas no prédio para a instalação de novos sistemas de água e esgoto desenterraram dezenas de achados arqueológicos utilizados no dia a dia pela família real portuguesa: louças francesas e inglesas, garrafas de vinho, talheres de prata, moedas, pentes, cachimbos e fragmentos de cerâmica. Esses utensílios da família real serão reunidos e organizados para uma exposição permanente no próprio convento, a ser inaugurada ainda este ano. In “Mundo Lusíada” - Brasil




 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Brasil - Tombamento: Manaus incluído no rol das cidades históricas do país


Foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (28) a homologação do tombamento do Centro Histórico de Manaus (AM). A publicação da portaria é mais uma etapa do processo de reconhecimento do conjunto urbano, já protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A homologação é uma avaliação de conveniência e oportunidade realizada pelo Ministério do Turismo. Quando um tombamento é homologado, o chefe da pasta aprova as decisões tomadas nas fases anteriores do processo.

Concluída essa etapa, o Centro Histórico de Manaus será inscrito em dois dos quatro livros do tombo: o Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico e o Histórico. A inscrição concluirá os trâmites do reconhecimento federal.

O ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, destaca a importância da ampliação de áreas protegidas em todo o país. “A homologação do tombamento do Centro Histórico de Manaus reflete um compromisso do nosso governo com a proteção e preservação da história e identidade do povo brasileiro. Este ato inclui, definitivamente, Manaus no rol das cidades históricas do Brasil”, ressaltou Machado Neto.

A poligonal de tombamento protegida pelo Iphan abrange uma área entre a orla do rio Negro e o entorno do Teatro Amazonas. Os monumentos refletem o espírito da Belle Époque, quando a capital amazonense era conhecida como uma das metrópoles da borracha. No auge do ciclo do produto, o Brasil exportou 42 mil toneladas do insumo em um único ano, dinheiro que financiou boa parte do conjunto urbano.

“O Centro Histórico de Manaus é mais do que beleza: é a monumentalização dos ideais de uma época, de um importante momento econômico e cultural do Brasil. Sendo fundamental para o exercício do direito à memória, esse bem deve ser protegido pelo Iphan”, afirma Larissa Peixoto, presidente do Instituto.

Metrópole da borracha

As origens de Manaus remontam a 1669, durante o período colonial, no contexto da interiorização da América Portuguesa. A ocupação que posteriormente daria origem à cidade começou na margem esquerda do rio Negro, a partir do forte de São José da Barra do Rio Negro. O nome da cidade deriva da nação Manaó, um dos povos indígenas mais importantes da região. Tornou-se capital do Amazonas em 1889, com a Proclamação da República.

A arquitetura e o urbanismo característicos do conjunto foram criados entre os séculos XIX e XX. A partir de 1892, o governo de Eduardo Ribeiro elaborou um plano para coordenar o crescimento da cidade.

Manaus ganhou o serviço de transporte coletivo de bondes elétricos, telefonia, eletricidade e água encanada, além de um porto flutuante, que passou a receber navios de diversas bandeiras. As ruas, parques e praças arborizados também surgiram nessa onda modernizadora: esses equipamentos eram vistos como instrumentos para garantir a salubridade e a beleza das urbes. A Praça da Saudade e a já desaparecida Praça Oswaldo Cruz são locais que refletem os ideais oitocentistas.

À época, o látex era matéria-prima basilar para a industrialização mundial. Manaus estava no epicentro da cadeia de fornecimento do insumo: junto com Belém, era o principal ponto de escoamento da produção dos seringais amazônicos.

Edifícios monumentais erguidos no Centro Histórico de Manaus refletem a opulência e a euforia da época. É o caso do Teatro Amazonas, inaugurado em 1896. O espaço foi projetado para atender às necessidades do que era uma das cidades mais prósperas do mundo, e que recebia – e recebe –companhias de espetáculos do exterior.

Investimentos

Mesmo antes de o tombamento ser homologado, o Iphan já trabalhava em prol da proteção e do desenvolvimento do Centro Histórico de Manaus. Só entre os anos de 2017 e 2021, os técnicos da autarquia analisaram 374 propostas de intervenção dentro do perímetro protegido.

O conjunto urbano recebeu, ainda, diversos investimentos no âmbito do Programa de Preservação de Cidades Históricas. Foram oito ações que contaram com a participação do Iphan, em parceria com a Prefeitura de Manaus, como requalificação urbanística da Praça XV de Novembro (Praça da Matriz) e Relógio Municipal; Transferência do Pavilhão Universal da Praça Terneiro Aranha para a Praça Adalberto Vale; da Praça Dom Pedro II; Restauração da Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja Evangelista; Restauração do Antigo Hotel Cassina (Centro da Inovação Cassina); Antiga Câmara Municipal (Centro de Arqueologia) e outros.

A autarquia e o restante do governo federal investiram aproximadamente R$ 9 milhões nessas ações.

Há uma ação em curso no Teatro Amazonas, um dos principais monumentos da cidade. O imóvel está em processo de modernização do sistema de prevenção e combate a incêndios, com entrega estimada para outubro deste ano. As melhorias somam pouco mais de R$ 2,6 milhões em recursos do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Brasil – Arqueólogos brasileiros e portugueses estudam gravuras rupestres descobertas no Paraná



O município de Capitão Leônidas Marques, situado na região sudoeste do Paraná, é habitado por pouco mais de 15 mil pessoas e tem chamado a atenção de pesquisadores.

Arqueólogos descobriram aproximadamente 150 gravuras rupestres em um sítio arqueológico. As gravuras estão distribuídas em três rochas e os pesquisadores estimam que elas foram esculpidas há pelo menos 4 mil anos.

O local de descoberta do sítio já vem sendo estudado desde 2009, quando, por meio do licenciamento ambiental, o mesmo foi identificado e já cadastrado no banco de dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O sítio arqueológico Vista Alta e outros sítios de diversas tipologias foram identificados durante as prospecções arqueológicas realizada nas áreas pretendidas para a implantação da Usina Hidrelétrica do Baixo Iguaçu.

Apesar dos estudos terem começado há dez anos, foi no mês passado que iniciou-se uma avaliação mais aprofundada da área. Em decorrência da importância do sítio, do potencial informativo para a comunidade e do fato de que a área estava sofrendo impactos decorrentes de outras atividades, o Iphan solicitou estudos mais detalhados e a verificação da possibilidade de transformar o sítio em um local de visitação, um museu a céu aberto.

Segundo divulgou o órgão no último dia 12, pesquisadores brasileiros e portugueses, das empresas Espaço Arqueologia e Instituto Terra e Memória de Portugal, estão tratando em laboratório especializado fotografias feitas por drone, para a produção de material cartográfico bem como modelos digitais de terreno e descrição do estado de conservação. As fotografias também servirão para subsidiar um modelo de gestão do sítio após as atividades de levantamento.

Todo o material que se encontra em estudo possibilitará produzir um vasto conjunto informações sobre o sudoeste do Paraná, bem como dados interpretativos sobre o comportamento humano nesta região, tanto nos aspectos tecnológicos como simbólicos. O sítio é considerado de alta relevância e a sua localização privilegiada, em área não afetada diretamente pelo barramento, faz com que ele tenha grande potencial para ser preservado, estudado e visitado.

Os impactos ao meio ambiente causados por grandes projetos de infraestrutura, instalações industriais, entre outros, sempre estão vinculados aos aspectos culturais das comunidades onde essas obras são realizadas. É nesse sentido, que o Iphan, por meio do licenciamento ambiental, tenta assegurar a sustentabilidade dos ecossistemas em suas variabilidades físicas, bióticas, socioculturais e econômicas.

O licenciamento ambiental é uma obrigação legal prévia à instalação de qualquer empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente, compartilhada entre instituições federais, estaduais e municipais. Nos processos de licenciamento ambiental o Iphan é consultado preventivamente, para que um empreendimento ou atividade não venha a impactar ou destruir os bens culturais acautelados em âmbito federal.

As medidas são imprescindíveis para que um projeto não impacte ou destrua os bens culturais considerados patrimônio cultural dos brasileiros. In “Mundo Lusíada” - Brasil