Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Moçambique - Vítimas das cheias recebem carga humanitária internacional

O primeiro carregamento é composto por 88 toneladas de suprimentos essenciais avaliados em cerca de US$ 552 mil. A meta é suprir necessidades de até 50 mil pessoas. Os fundos da União Europeia respondem ao alerta lançado para salvar vidas


Moçambique recebeu nesta segunda-feira o primeiro voo de carga humanitária da União Europeia para a distribuição pelas vítimas das enchentes em curso.

Os materiais de saúde, educação, proteção infantil e tendas serão destinados a espaços seguros para crianças, clínicas de saúde temporárias e outros serviços essenciais.

Expetativa para as próximas semanas

Falando à ONU News, a partir de Maputo, o especialista em aprovisionamento no Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, em Moçambique, Edson Madeira, diz que a ajuda humanitária chega em momento oportuno. 

“Temos cerca de 600 mil pessoas afetadas, das quais mais de 50% são crianças. Temos mais de 100 mil pessoas deslocadas, principalmente na província de Gaza. Então, estes suprimentos, esta carga humanitária vem mesmo para apoiar a resposta. Recebemos muito material médico, para tratamento de água e para alojamento temporário para pessoas que foram deslocadas das suas casas. É primeira carga humanitária, internacionalmente e a expectativa e que nas próximas semanas vamos receber mais duas cargas ou dois voos com apoio da União Europeia.”

O embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore, citou o trabalho conjunto com os Estados-membros da União Europeia e garantiu apoio contínuo para não deixar ninguém para trás.

Reforço financeiro da União Europeia

“Permita-me destacar alguns elementos concretos de apoio. Um outro avião similar vai chegar nos próximos dias e garantir uma ajuda para 20 mil pessoas. Adicionalmente 30 a 50 mil pessoas vão ser ajudadas com este carregamento. A União Europeia assinou € 950 mil de ajuda humanitária ao país, disponibilizamos o uso do sistema copernicus para diagnóstico de necessidades.”

A primeira carga humanitária de 88 toneladas métricas de suprimentos essenciais está avaliada em aproximadamente US$ 552 mil.

A presidente do Instituto Nacional de Gestão de Desastres, INGD, Luísa Celma Meque, elogiou a resposta rápida do apoio e garantiu que a instituição irá canalizar para quem precisa.

Esforço conjunto

“Todo este esforço que foi feito, foi um trabalho que em menos de duas semanas. Conseguimos ver o resultado, tendo em conta que estamos no momento de emergência e com alerta vermelho, significa que estamos todos com a devida preocupação para que as famílias sejam assistidas. Este apoio vai fazer uma grande diferença dentro das nossas famílias e iremos fazer chegar a todas as populações que de facto precisam.”

A distribuição da ajuda humanitária será assegurada pela Unicef em coordenação com INGD e o Governo.

Dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, INGD, indicam que desde o início da época chuvosa houve 124 mortes e foram afetadas mais de 800 mil pessoas. Pelo menos 242 unidades sanitárias sofreram danos. Ouri Pota – Moçambique ONU News


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Moçambique - Fortes chuvas afetam mais de 640 mil pessoas e arrasam várias comunidades

Famílias contaram ao Programa Mundial de Alimentos, WFP, que perderam tudo e pelo menos 105 pessoas já morreram. Nas áreas atingidas já começam a faltar alimentos e a previsão é de mais chuvas para esta semana


Moçambique é o país mais afetado entre as três nações do sul da África que estão a enfrentar chuvas torrenciais. Desde a véspera do Natal, as províncias de Gaza, Maputo, Inhambane e Sofala, no sul e centro do país de língua portuguesa, registaram pelo menos 105 mortes.

Em Moçambique, o número de perdas humanas vai subindo com a chegada de novas atualizações. Nas vizinhas África do Sul e Zimbábue já são 30 mortos.

Comunidade humanitária

O Programa Mundial de Alimentos, WFP, tem atuado com a comunidade humanitária em ações lideradas pelo governo em resposta à crise.

A chefe do escritório na província de Gaza, Moçambique, Carla Mucapera, contou em rede social, em inglês, que está-se diante das piores inundações em anos.

Ela disse que analisando a situação no terreno, no distrito de Chokwé, casas foram destruídas e pessoas evacuadas. Algumas comunidades foram completamente arrasadas. São famílias que, segundo ela, perderam tudo. Nos próximos dias será intensificada a busca urgente por comida e apoio.

610 mil afetados pela tempestade

Na capital moçambicana Maputo e noutros locais contam-se dezenas de feridos devido às chuvas persistentes em diferentes bairros.

Estima-se que até 68,6 mil pessoas tenham sido evacuadas para 77 centros de acolhimento em todas as áreas atingidas do país. Quase 640 mil pessoas ficaram afetadas pela tempestade.

O Instituto Nacional de Gestão de Desastres relatou que 3231 casas foram arrasadas e outras, cerca de 78 mil residências, ficaram danificadas em todo o território nacional.

Até este dia de 20 de janeiro havia previsão de mais chuvas fortes na maior parte de Moçambique, com “precipitações localmente muito intensas” no nordeste da África do Sul e em todo o Zimbábue. Ouri Pota – Moçambique ONU News



terça-feira, 6 de junho de 2023

Moçambique - Agência coreana disponibiliza cerca de 400 milhões de Meticais ao Instituto Nacional de Gestão de Desastres

O Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) tem 6,5 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 400 milhões de Meticais, disponibilizados por parceiros no âmbito de um acordo fechado na Cidade de Maputo. O valor destina-se a 342 mil pessoas afectadas por desastres naturais e conflitos armados.

Devido à sua localização geográfica, aliada a alterações climáticas, Moçambique tem sofrido inundações e cheias causadas por chuvas intensas, ciclones, depressões tropicais e secas. Os eventos resultam na destruição de infra-estruturas públicas e privadas, perda de vidas humanas, bem como deslocamento de pessoas.

Para ajudar a enfrentar essas situações, a Agência Coreana de Cooperação Internacional disponibilizou 6,5 milhões de dólares ao INGD.

“Testemunhamos a assinatura deste acordo de disponibilização de 6,5 milhões de dólares para melhorar as capacidades nacionais e locais para antecipar, prevenir e enfrentar riscos multidimensionais. Estamos seguros dos impactos positivos deste projecto, pois os seus objectivos estão alinhados com as prioridades de desenvolvimento estratégico de Moçambique”, esclareceu Teresa Pinto, do INGD.

São 342 mil pessoas a serem beneficiadas pelo projecto que será implementado em comunidades das províncias de Zambézia, Manica, Sofala, Nampula, Niassa e Cabo Delgado durante quatro anos.

Além de minimizar os efeitos dos desastres naturais, o projecto contempla a prevenção de conflitos armados, segundo fez saber a directora da Agência Coreana de Desenvolvimento Internacional, Jinjoo Hyum.

“O terrorismo que se regista na zona Norte de Moçambique desde 2017 e o ciclone Freddy, que assolou o país este ano, resultaram em vítimas e refugiados que, neste momento, sofrem bastante. A situação mostrou-se particularmente grave na região Centro do país.”

O dinheiro disponibilizado pelo governo coreano para o projecto será aplicado e monitorizado pelo PNUD e pelo INGD.

Algumas das medidas a serem tomadas passam por reforçar as capacidades dos comités de gestão de risco de desastres, melhorar as estratégias de resposta às calamidades, construir infra-estruturas comunitárias melhoradas e equipar e treinar comunidades em sistemas de aviso prévio e resposta antecipada. Amândio Borges – Moçambique in “O País”

 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Moçambique – Rios a transbordar deixam estradas e pontes destruídas

A tempestade tropical Ana passou para categoria de depressão tropical. A chefe da ONU no país fala de necessidade de ajuda internacional para enfrentar crise que deixou pelo menos oito mortos e dezenas de feridos


Até esta quarta-feira, Moçambique registou oito mortes devido à passagem da tempestade tropical Ana.

A agora depressão tropical atingiu a costa da província de Nampula, na segunda-feira, antes de seguir para o oeste, afetando o norte das províncias da Zambézia e sul de Tete.

Salvamento

A representante das Nações Unidas em Moçambique explicou que as cheias são extensas nas áreas afetadas. Falando à ONU News, de Maputo, Myrtha Kaulard contou que “rios transbordaram com força de correntes devastadoras”.

Destacou que com as estradas e pontes destruídas, essas condições limitam a possibilidade de se avaliar os danos e os esforços de busca e salvamento no momento.

“Como Nações Unidas, estamos presentes em todas as províncias afetadas pela tempestade tropical Ana. Estamos a trabalhar de maneira conjunta e muito forte com as autoridades locais e com o Instituto Nacional de Gestão de Desastres. Eu gostaria de dizer que as instituições moçambicanas estão muito bem preparadas. Estão muito presentes e temos estoques.”

Pelo menos 4 mil pessoas foram afetadas pela tempestade, 66 ficaram feridas e 650 casas sofreram danos, incluindo um centro de saúde e salas de aula.

Eventos

A coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique disse também que é preciso ter em conta que o momento é de incidência destes episódios.

“As Nações Unidas também estão extremadamente preocupadas. Este é o primeiro evento desta época de ciclones, mas sabemos como Moçambique é um dos países mais vulneráveis aos problemas climáticos que podem ser devastadores e que acontecem em cada ano. Este ciclo anual está tão breve que as populações não têm tempo para recuperar e acumulam a vulnerabilidade. Em Moçambique a vulnerabilidade é extrema. Ainda que agora estamos a dar ajuda humanitária, ao mesmo tempo vemos como é absolutamente importante investir na redução do risco dos desastres naturais ao fortalecer a resiliência em Moçambique”.

A tempestade Ana teve ventos de até 100km/h e chuvas de até 200 milímetros por dia. As províncias de Sofala, Niassa e Cabo Delgado foram afetadas em menor escala.

Kaulard destacou que “definitivamente, Moçambique precisa de ajuda internacional para enfrentar esta crise adicional.”

Em apoio às autoridades locais, a ONU atua com parceiros humanitários em questões como a provisão de reservas humanitárias que são atualmente limitadas no país. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 14 de julho de 2021

Moçambique - Grupo japonês Mitsui doa 156 toneladas de arroz para os deslocados de Cabo Delgado


Os deslocados da guerra que fustiga a província nortenha de Cabo Delgado desde Outubro de 2017, irão receber 156 toneladas de arroz nos próximos dias. A doacção é feita pelo Grupo japonês Mitsui, através da sua subsidiária ETG, empresa agrícola do grupo. A formalização da entrega, avaliada em 100 mil dólares, decorreu no passado dia 2, nos escritórios do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), em Maputo, e contou com as presenças do Director Geral da Mitsui em Moçambique, Yota Orii, com Gabriel Belém Monteiro, vice-presidente do INGD.

Na sua intervenção, o responsável da ETG destacou a “grande satisfação” que sente com a doacção, afirmando ser intensão do grupo “continuar a contribuir para o desenvolvimento da sociedade moçambicana. Mais adiante, salientou: “Esta foi a quarta doacção do grupo Mitsui a favor do INGD. A primeira foi em 2015, para as vítimas das cheias. A segunda foi em 2019, depois do ciclone IDAI. A terceira foi também nesse ano, após o ciclone Kennedy. As duas primeiras, foram em valor monetário, as últimas duas em géneros alimentícios.”

Por seu lado, Belém Monteiro, do INGD, após agradecer a doacção, congratulou-se pelo facto de a empresa ter estado ao lado do INGD na procura de soluções para os problemas das comunidades. “Mais uma vez estamos perante um gesto enorme solidariedade para com os nossos irmãos de Cabo Delgado. O ETG já tinha apoiado estas populações aquando do ciclone Kenneth. Agora estão a apoiar numa outra situação difícil. Significa que estão ao lado do Governo e do sofrimento das nossas comunidades. A ETG é um exemplo para as outras empresas. As empresas não devem só caminhar atrás do lucro, mas devem ter preocupações sociais e solidárias com as populações mais carenciadas.” In “Carta de Moçambique” - Moçambique