Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Galeria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Galeria. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Macau – Exposição na Galeria da Fundação Rui Cunha mostra fotos de Alex Chao

Uma colecção de 30 fotografias de Alex Chao, que exploram a cidade de diferentes ângulos, vai estar em exposição a partir de hoje na Galeria da Fundação Rui Cunha. “Macau no Meu Coração” mostra, através da lente do artista, as transformações do território ao longo dos anos



As mudanças que têm marcado a fisionomia de Macau ao longo dos anos foram o ponto de partida para a concepção de 30 obras fotográficas do artista local Alex Chao, que a partir de hoje serão divulgadas ao público na Galeria da Fundação Rui Cunha (FRC).

A exposição “Macau no Meu Coração” é o espelho da viagem fotográfica de décadas quando o fotógrafo era adolescente, tendo utilizado a lente “como um poeta utiliza uma caneta”, transformando “emoções tão profundas numa linguagem visual”, segundo refere o artista no manifesto da exibição.

As imagens captadas ilustram a arquitectura da cidade, antiga e recente, o movimento urbano, os brilhos e as cores, o ritmo da população. “Aqui, a arquitectura histórica portuguesa e os modernos edifícios altos complementam-se, enquanto as tradições e a inovação andam de mãos dadas”, comenta o artista.

Alex Chao Io Chong, fotógrafo profissional há mais de 30 anos reúne imagens de vários pontos da cidade, explorando diferentes temas, estilos e técnicas de abordagem. Os trabalhos registam momentos distintos como a transformação da cidade, de uma vila piscatória numa próspera cidade internacional, e compilam imagens poéticas “ao entrelaçar história e modernidade”.

O artista considera que o rápido desenvolvimento económico “trouxe prosperidade à cidade” e também fez de Macau “uma atracção turística e um centro de entretenimento mundialmente famoso”. Ao longo deste processo, o fotógrafo testemunhou muitos momentos importantes, como “a abertura de casinos internacionais, a construção de novos marcos e o fogo-de-artifício anual”, registos que fazem parte de alguns exemplos que podem ser observados na mostra, a qual tem curadoria de David Sit, crítico de arte, pintor e professor universitário.

Alex Chao formou-se na Universidade Politécnica de Macau, com especialização em Artes Visuais (educação artística). Nos primeiros anos, estudou e dedicou-se à fotografia profissional e à educação de artes visuais. Foi fotógrafo de profissão no ex-Hotel Mandarin Oriental em Macau, durante muitos anos, e também director do estúdio de fotografia do então Instituto Politécnico de Artes de Macau, com décadas de investigação e prática no desenvolvimento da fotografia. Possui ainda uma vasta experiência nas áreas do design visual, edição de livros, impressão, multimédia e planeamento de exposições.

A mostra vai ficar patente até ao dia 1 de Março. Entretanto, com o mesmo título “Macau in My Heart”, na tradução para inglês, Alex Chao apresentará ainda um seminário sobre fotografia no dia 20 de Fevereiro, quinta-feira, às 18h30, apenas em língua chinesa (cantonês). A entrada é livre. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau” 


sábado, 2 de março de 2024

Angola - Inaugurada primeira Galeria dos Símbolos Nacionais

O país conta, desde sexta-feira, com a primeira Galeria dos Símbolos Nacionais, localizada no Complexo Administrativo Clássicos de Talatona, em Luanda, inaugurada pelo ministro de Administração do Território, Dioniso da Fonseca


A galeria composta por 17 painéis, contém na parte principal, os três Símbolos Nacionais (Hino Nacional, Bandeira Nacional e a Insígnia Nacional) e as respectivas descrições, normas protocolares e os erros comuns, com objectivo de difundir as regras sobre o uso correcto e a deferência dos Símbolos Nacionais.

Na parte suplementar, encontram-se os painéis com informações sobre as quatro principais efemérides do País, designadamente o 4 de Fevereiro-Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional; o 4 de Abril – Dia da Paz e da Reconciliação Nacional; o 17 de Setembro – Dia do Herói Nacional e do Fundador da Nação e o 11 de Novembro – Dia da Independência Nacional e as respectivas descrições sobre as leis que as institucionalizam como Feriados Nacionais.

Na ocasião, o Ministro da Administração do Território, Dionísio Manuel da Fonseca, disse, em declarações à comunicação social, que a Galeria dos Símbolos Nacionais, ora inaugurada, serve para divulgar os verdadeiros Símbolos Nacionais, conforme a Constituição da República de Angola.

"O que temos notado no quadro das nossas actividades é uma má utilização quer da Insígnia Nacional, da Bandeira Nacional, assim como uma má entoação e execução do Hino Nacional. Esta Galeria retrata os Símbolos Nacionais e as suas formas de utilização nos termos legalmente estabelecidos”, sublinhou Dionísio da Fonseca.

O governante explicou que a cerimónia sinaliza o encerramento das celebrações do 4 de Fevereiro – Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional, cujo acto central teve lugar na Província do Cuanza Sul.

O ministro da Administração do Território informou que a Galeria dos Símbolos Nacionais está localizada num espaço aberto e de acesso público, de forma propositada de modo que todos interessados possam aceder para consulta sem formalismos.

De acordo com as informações divulgadas pelo Ministério da Administração e Território, no Facebook, durante a cerimónia, realizou-se uma palestra com o tema, "Uso Correcto dos Símbolos Nacionais - Erros Comuns”, proferida por Manuel Pedro Panzo, especialista em Cerimonial, Imagem e Organização de Eventos. In “Jornal de Angola” - Angola


segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Macau - Creative Macau celebra 20 anos com uma exposição de trabalhos de 40 artistas associados

Esta segunda-feira, a Creative Macau celebra 20 anos com uma exposição de trabalhos de 40 artistas associados. Confessando que sempre acreditou nos artistas locais, que considera estarem ao mesmo nível do trabalho que se faz lá fora, a directora do espaço no piso térreo do Centro Cultural de Macau é há 20 anos testemunha da evolução do sector das artes. Lúcia Lemos falou ao Ponto Final sobre o balanço que faz do trabalho desenvolvido, reflectindo também sobre a actual diversidade e vitalidade do meio artístico local, com várias associações, galerias, e até espaços em resorts a fazerem de Macau uma cidade mais criativa e dinâmica


São duas décadas de intensa actividade artística e cultural com a comunidade criativa, e sempre com a missão de acolher profissionais consagrados e novos talentos em busca de reconhecimento. Lúcia Lemos é há 20 anos a responsável pela Creative Macau, uma das primeiras galerias no território a apoiar os criativos locais, com inúmeras mostras colectivas e individuais, workshops e seminários. Esta segunda-feira, dia 28, o espaço celebra duas décadas com uma exposição que reúne obras de 40 artistas associados da Creative Macau, como Carlos Marreiros, Adalberto Tenreiro, Yaya Vai, Dennis Murell ou Justin Ung. A exposição, que termina a 29 de Setembro, intitula-se “Quatro Estações”. “Embora as Quatro Estações apelem aos sentidos sensoriais, a vida humana tem inúmeros significados no que respeita à sua capacidade criativa”, partilhou a responsável na nota enviada à nossa redacção, acrescentando que “as estações do ano e os seus fenómenos alteram significativamente a concretização dos desejos e sonhos das pessoas, levando-as a crescer, aprendendo, e falhando até conseguir”. Lúcia Lemos tem, de facto, visto os criativos a crescer, acompanhando o amadurecimento não só de vários artistas que deram os primeiros passos em exposições colectivas na Creative Macau, mas também a evolução do sector das artes em Macau, que em 20 anos se democratizou, vincou a responsável. Em conversa com o Ponto Final, Lúcia Lemos falou-nos do quanto o meio artístico mudou. Louvando a diversidade das inúmeras galerias, associações, cafés e restaurantes que também funcionam como espaços de exposição espalhados pela cidade, a dirigente da Creative Macau também aplaude o recente contributo das concessionárias ao sector das artes, que podem financiar estes artistas de uma forma mais constante, um apoio que poderá ajudar estes artistas a lançarem-se internacionalmente.

Como vai celebrar os 20 anos da Creative Macau?

Vai haver um corte de fitas, como houve na abertura, e quando fizemos 10 anos. Convidámos oficiais, e depois vai haver a entrega de um livro, o “Documenta”. Já tínhamos feito um para os anos 2003-2013, em que fizemos uma selecção do essencial do nosso trabalho visível ao público, que foram as exposições. No livro deste ano, para além das exposições, pusemos os workshops que fomos dando, conversas, seminários. Com alguns ataques cibernéticos, muita informação desapareceu, mas fizemos todos os possíveis para conseguir dar uma ideia geral das actividades, e mostrar que estivemos sempre em constante actividade. Nunca parámos. Quisemos mostrar como fomos servindo o público, principalmente o local. Para além das participações internacionais, quisemos dar a conhecer os criativos locais. A Creative Macau foi fundada pelo Instituto de Estudos Europeus de Macau, e então, no dia do aniversário, vamos ter o presidente a fazer um pequeno discurso, e também vamos entregar juntamente com o livro uma fotografia impressa em cartão de espuma do arquitecto Ricardo Meirelles, que é um membro nosso e já expôs na Creative Macau as suas fotografias, usando uma técnica de transferência manual. Ele, entretanto, saiu de Macau por questões profissionais, e deixou-nos essas fotografias de uma exposição para nós ofereceremos nesse dia a todos os convidados. Vai haver também, para além do corte de fitas, um bolo de aniversário, e depois vai haver uma actuação de um mágico chinês que muda de máscaras, aquelas máscaras tradicionais, do macaco, etc. Temos uma particularidade de que, dos 40 artistas que estão agora a ser expostos no espaço, no dia do aniversário alguns dos seus trabalhos vão ter de ser retirados, principalmente aqueles que são susceptíveis de se partirem, uma vez que há sempre muita gente numa abertura e há também essa performance. No dia seguinte serão colocados de novo na exposição. O mágico vai dar saltos enquanto muda de máscaras, e vai usar aquele vestuário chinês da ópera, e vai precisar de espaço. Já informámos todas as pessoas quando as convidámos, devido ao risco que se pode correr, não só de se partir as peças, mas de ter um acidente com pessoas. É só por precaução.

Imagino que a Lúcia, ao fim de 20 anos, já deve ter muita experiência neste tipo de detalhes de produção, que quem vê de fora muitas vezes não sabe, o que está envolvido na produção de uma exposição ou evento.

Sim, é preciso pensar nessas coisas, porque as pessoas gostam de transitar livremente, e vai haver um cocktail. O espaço parece grande, mas não é, e com 60 pessoas fica cheio, e as pessoas terão de se encostar às paredes para o mágico poder passar. Não posso ter esculturas, instalações, e tudo o que seja susceptível de bloquear o espaço, porque estes tipos de peças normalmente são vistas em 360 graus, e ficarem encostadas perturba o trabalho de outros autores. As coisas não podem estar umas em cima das outras, tem de se dar dignidade. É isso, falta de espaço, mas eu não estou a pedir outro, é preciso que se veja, é a nossa casa!

Sente a Creative Macau como se fosse sua casa?

Quando se entra num projecto de corpo e alma, fazemos daquilo a nossa casa, é normal.

E o balanço que faz destes anos?

É muito bom, naturalmente. Tivemos bastante adesão, e continuamos a receber novas inscrições. Qualquer pessoa que seja criativa e que produza qualquer coisa para além da sua profissão, porque tanto pode ser um hobby ou uma segunda profissão, e que a gente considere que o trabalho que a pessoa faz é bom, e pode ser exposto, fazemos. Normalmente as pessoas que se inscrevem como sócios da Creative Macau já expuseram, mesmo que seja em exposições colectivas noutros lugares. Os artistas que trabalham a tempo inteiro, e os que trabalham a tempo parcial, mas que já produzem regularmente e fazem disso uma segunda actividade.

Há agora em Macau mais artistas, acha que houve uma grande evolução em 20 anos?

Sim, desde que nós abrirmos também foram aparecendo mais galerias, mais lugares associativos, etc, em que as pessoas puderam criar, ensinar, e entrar nesse campo da criatividade, e mais lugares também onde as pessoas pudessem expor, e acho que se democratizou bastante o sector das artes. Aliás, hoje em dia desenvolveram-se todas as áreas criativas, como o design, e que são imensas. Nós, por exemplo, temos 12 áreas, mas dentro delas, elas cruzam-se. Imagine um designer de moda, precisa de um fotógrafo, precisa de um designer gráfico, do marketing, jornalismo, etc. Elas cruzam-se e entrelaçam-se, porque é inerente, devido à necessidade de promoção. Digamos que começou a aparecer muita gente jovem e não jovem, e o ensino tornou-se muito mais acessível. Hoje em dia todas as pessoas querem tirar uma licenciatura, isso abriu ainda mais possibilidades. No entanto, isto não quer dizer que as pessoas que produzem a tempo inteiro são imensas – não são. Há mais do que antigamente, mas as pessoas têm a sua própria carreira, e família. Mas há maior atrevimento, as pessoas têm mais coragem de ir mostrando o que vão fazendo. Também se multiplicaram os lugares de exposição, porque as associações também precisam disto para poder viver e dar continuidade ao propósito associativista. As pessoas estão mais abertas, há um maior estímulo e encorajamento, há eventos, como o salão de outono, etc. Há também maior abertura em acarinhar propostas de outras associações.

Acha que há mais interactividade entre os espaços?

Sim, e espaços diferentes, os espaços de café pequenininhos, por exemplo. O cliente já não vai só beber um café ou um copo de vinho, vai também conviver com a arte, e há ilustração e pintura nesses espaços, iniciativas que as pessoas acolhem.

A Lúcia já está ligada a esse meio há tanto tempo, sente-se feliz de ver a dinâmica actual? Por exemplo, o Festival de Artes, com tanta colaboração com espaços nos resorts, o que acha desta nova realidade?

Gosto, e vejo isso como uma grande oportunidade para os locais. Todas as pessoas que vão trabalhando com exposições de grande gabarito, como são estas [do Festival de Artes], porque o crivo é maior, podem, no fundo, tentar-se profissionalizar no sentido de qualidade. Acho que é fantástica, toda esta participação dos casinos na vida comunitária. São eles que têm muito dinheiro, e se houver esse compromisso entre o Governo e eles, é óptimo, até porque o processo envolve associações, porque eles não conhecem tudo, [as concessionárias] têm de ir ter com as associações e com os criativos para poderem saber o que eles andam a fazer, e injectarem apoio de forma mais constante, de maneira a que estes possam criar e mostrar o seu talento. Desde sempre, eu vi que quando levávamos trabalhos dos criativos locais para a Europa, as pessoas ficavam abismadas. As pessoas ainda têm aquela ideia do colorido todo, dos brilhantes, e do mobiliário tradicional, e quando vêm algo muito mais moderno, e cultural, no sentido de contemporâneo, as pessoas ficam um pouco aparvalhadas. É absolutamente interessante, e se é preciso que sejam os casinos, ou seja o que for, as entidades que tiverem disponíveis para isso, a ajudar a formação e promoção desses criativos, algo que só se consegue com muito dinheiro, que seja, porque os criativos também têm as suas famílias, e precisam de sustento. Por exemplo nós, na Creative Macau: eu convido as pessoas para expor, temos exposições colectivas, ou a seis ou a duas pessoas, ou individuais também. Mas nós não podemos subsidiar, não temos dinheiro para subsidiar, portanto depende também do interesse dos artistas. A vantagem em exporem na Creative está no facto de que, para os artistas depois poderem ter mostras nesses grandes átrios locais e internacionais, precisam de antes disso expor individualmente, e, portanto, nós somos uma mais-valia para eles. Não estou a puxar a brasa só à minha sardinha, isto também acontece noutros espaços. O artista não vai a lado nenhum participando em exposições colectivas. Vai numa exposição colectiva, etc, mas tem de dar provas de que é capaz de construir um corpo ou vários corpos de trabalhos. É a tal identidade. É a diferença que faz com que as pessoas confiem e se sintam motivadas e queiram arriscar, e confiar naquele artista. É tudo assim, nada se faz sem experiência.

Acha que os artistas cá em Macau são de qualidade internacional?

É evidente. Não tenho dúvidas nenhumas, e sempre vi com esses olhos, e eu comparo, e sempre o disse em todas as entrevistas e livros, porque eu vi, e estive e levei. Nós estamos muito bem entre os outros. É muito bom, nós fazemos bons trabalhos. Embora Macau seja pequeno, as pessoas formaram-se fora, na Europa, na Ásia, e têm contactos quer formativos, quer entre os demais que são fantásticos. E sabe como é, todas as pessoas querem ser diferentes.

Pode-me dar alguns exemplos de nomes de pessoas que acha que fazem um trabalho notável?

Posso falar no geral, membros e não membros; vem-me à cabeça a Alice Kok, ela sabe o que faz, tem um trabalho alinhado em forma conceptual, e que é bom em qualquer lado; por exemplo, o Alexandre Marreiros, o trabalho dele é bom em qualquer lado, e eu só estou a ver o de agora, mas antes também há outros. Por exemplo, a Debby Sou faz um trabalho fantástico. Ela é uma chinesa que, entretanto, foi viver para a Alemanha, já esteve em Hong Kong, e esteve em Portugal. Há tantas pessoas, aliás que se vê nas exposições que estiveram em tantos sítios, e os galeristas e associações apostam neles. Às vezes é tão surpreendente porque os criativos têm complexos em mostrar, mas quem não tem, e o faz, acaba por fazer o seu caminho. Assim como uma criança que no princípio está deitada, e depois vai aprendendo a andar, mas caindo. As pessoas às vezes têm desdém em mostrar, mas é importante tentar fazer, e esse talvez seja o passo mais difícil. Se nos lembrarmos de pessoas como Chagal, Picasso, Matisse, eles fizeram tudo para voltar a ser crianças, e foi assim que eles ficaram famosos. É preciso haver um respeito grande por quem tem coragem de mostrar, e depois a coragem é sustentada na crítica, mas crítica formativa, claro, e no crivo das instituições. Pode às vezes uma instituição gostar de uns trabalhos e não de outros; é preciso que o criativo nunca se vá abaixo com isso, e continue a criar, em cima dos erros. Não há ninguém que seja profissional sem antes ter sofrido imenso com esses trabalhos que adora, e depois tenta fazer outros, e é um desastre completo. O talento está ligado à individualidade. Gostaria apenas de referir mais um artista, o Eric Fok, que desenha em linhas e constrói todo um mundo imaginário, por exemplo de Macau e não só, de Veneza, etc, e mistura a época dos descobrimentos com a de agora. Na sala oposta à entrada no Museu de Arte, há um espaço chamado Art Space onde estão expostos artistas locais como o Eric Fok, o Konstantin Bessmertny, o Ung Vai Meng, que foi director do museu, o Lampo Leong, da UMAC, e um fotógrafo também muito bom, que já participou com Ung Vai Meng na bienal de Veneza há dois anos. Está ali uma mão cheia dos locais, que os casinos convidaram a desenvolver os trabalhos. E, claro, tiveram que injectar dinheiro para poder fazer aquilo. Recomendo que se vá ver esta exposição para ver como nós em Macau somos fantásticos. Não ficamos aquém de maneira nenhuma.

Tem projectos planeados, qual é o futuro próximo para a Creative Macau?

Em princípio a gente continua, estamos num espaço que pertence ao Centro Cultural de Macau, e penso que estaremos lá até que seja possível. Vamos continuar a desenvolver com um orçamento que vamos tendo, e fazer aquilo que fazemos: um festival de curtas de Macau, que é internacional, e que nos consome imenso tempo, que decorre sempre em Dezembro. Este ano, será de 5 a 13 de Dezembro, e vai incluir um simpósio com master classes, etc, mas que ainda está a ser delineado.

E onde vai decorrer?

É no Teatro Capitólio. Já é o nosso terceiro ano, e é um festival muito interessante, especialmente os filmes da noite, que são sempre com um conteúdo assim mais para adultos. Vamos ter agora um workshop de gravura japonesa nos quatro sábados de Setembro a começar no dia 2, um workshop que é gratuito. Sempre que seja possível, vamos organizando este tipo de iniciativas porque é algo que fazemos bem, e se houver algo extraordinário também podemos fazer, mas também só somos uma equipa de três pessoas desde 2003, e não temos muita capacidade de fazer muito mais. Isto tudo exige muito trabalho, por exemplo, o festival de curtas exige 9 meses de trabalho, mas as outras coisas também exigem, são os pequenos detalhes, toda aquela atenção e preparações.

A exposição dos 40 artistas que está na Creative Macau por ocasião do 20.º aniversário tem o tema das quatro estações? Porquê a escolha deste tema?

Sou sempre eu que escolho os temas para exposições colectivas, e escrevo o conceito para as pessoas se inspirarem. Não obrigo ninguém a fazer aquilo, é mais para que os artistas reflitam sobre o tema. Portanto pensei nas quatro estações, porque achei que era interessante, porque as quatro estações é tudo, é o cosmos, é o globo, somos envolvidos por toda a natureza. Não quer dizer que as quatro estações sejam as da Primavera, Verão, Outono, Inverno, também podem ser outras, podem ser as estações da vida das pessoas, se elas querem contar uma história de uma estação, e concentrarem-se numa parte, que o façam, é apenas um mote representativo. As pessoas têm imensas ideias, e eu quero apenas que elas as tragam cá para fora. É preciso é dar liberdade às pessoas, liberdade naquele sentido de pensar, e de ser possível fazer as coisas. Mas as pessoas têm de trabalhar para aquilo ser possível, porque as pessoas podem ter ideias, mas depois quando se começa a fazer o trabalho, não funciona, e então tem de se pensar noutra coisa. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 20 de abril de 2021

Estados Unidos da América - Galeria Nacional de Arte comemora 80 anos, fechada pela pandemia


Há oito décadas, quando a Segunda Guerra Mundial assolava a Europa, o presidente Franklin D. Roosevelt fez o discurso de inauguração da “National Gallery of Art”, que chamou de um “presente para a nação” que permitiria ao público ver permanentemente em Washington as principais obras de arte. Entre os artistas cujas obras estariam expostas no museu naquela época estavam – e estão – Rafael, Rembrandt, Velazquez, Botticelli e a única peça de Leonardo da Vinci então nos EUA.

Tudo isso graças à doação do ex-secretário do Tesouro (de 1921 a 1932) Andrew Mellon, um dos americanos mais ricos, cuja fortuna englobava bancos, petroleiras e empresas de alumínio e que morreu em 1937, poucos anos antes de realizar o sonho de ver uma Galeria Nacional de Arte estabelecida no país.

“A dedicação desta Galeria a um passado vivo e a um futuro de vida maior e mais rico é a medida da seriedade de nossa intenção: que a liberdade do espírito humano continue”, disse Roosevelt na inauguração do museu, a 17 de Março de 1941.

A respeito de Mellon, o presidente comentou que combinou a vultosa doação com a modéstia de seu espírito, estipulando que a galeria não levasse o seu nome, mas sim o da nação. Um dia depois, a 18 de Março, o museu abriu as portas ao público.

Houve apenas dois períodos durante os quais as operações diárias do museu foram ajustadas. Em 1942, foi parcialmente fechado e uma parte das suas obras mais valiosas foi transferida para a Carolina do Norte para protecção durante a guerra, e em 2020 e até agora em 2021 foi fechada ao público devido à pandemia do coronavírus.

Desde a fundação, o museu tornou-se a segunda instituição do género mais visitada nos EUA, superado apenas pelo “Metropolitan Museum of Art” de Nova Iorque.

“Oitenta anos é grande, mas não é o Prado ou outras instituições europeias. Acho que o marco é sobre o serviço público”, disse o director do museu Kaywin Feldman numa conversa com a EFE.

“Acho impressionante que, quando inaugurámos em 194, em poucos meses, recebemos um milhão de visitantes e tínhamos muito poucas obras de arte. A nossa colecção inicial era de cerca de 150 objectos e todos esses anos depois, antes da pandemia, recebíamos, normalmente, em média quatro ou cinco milhões de visitantes por ano”, acrescentou. Actualmente, a colecção soma mais de 150.000 obras.

Feldman acrescentou que o grande desafio agora é para a instituição se adaptar à realidade social e cultural em mudança nos EUA. Salienta que a questão é descobrir o que significa pertencer à nação e a todos os americanos num momento em que os EUA se estão a transformar de forma significativa, com 40% da população sendo afro-americanos, latinos e asiáticos.

Feldman disse que o museu foi fundado como uma instituição europeia e apesar de ter uma colecção de arte norte-americana, o coração da instituição é a Europa e o museu orgulha-se disso. No entanto, o museu quer abraçar o espectro mais amplo possível do que os EUA são hoje.

Infelizmente, o museu não poderá comemorar totalmente o seu 80º aniversário por causa da pandemia.

Em Julho passado, reabriu as portas, mas teve de fechar novamente a 21 de Novembro por causa do novo surto de infecções por COVID-19 na área metropolitana de Washington.

Feldman enfatizou que a galeria desenvolveu notavelmente os seus pontos fortes na produção digital para ser capaz de trazer o museu para as casas das pessoas, mas reconheceu que não é a “mesma experiência” de estar diante de um Caravaggio ou Cézanne e contemplá-lo.

Actualmente, o jardim de esculturas do museu está aberto e a instituição espera poder reabrir totalmente nos próximos dois meses. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


 

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Macau - Obras de Vítor Pomar para apreciar no Clube Militar

“Ver o Mundo como Ornamento”, assim se intitula a mostra que apresenta 29 obras do pintor Vítor Pomar, integrada no ciclo “Pontes de Encontro”, bem como nas comemorações de “Junho – Mês de Portugal”. A mostra estará patente entre 29 de Maio e 7 de Julho no Clube Militar



As obras já estão no território, falta montar a exposição e que chegue o artista – Vítor Pomar. “Ver o Mundo como Ornamento” é o título da mostra que integra este ano o ciclo “Pontes de Encontro”, organizado pelo Clube Militar, bem como as comemorações de “Junho – Mês de Portugal”. À Tribuna de Macau, José Duarte, da Associação para a Promoção de Actividades Culturais (APAC) e um dos curadores, disse que a escolha recaiu em Vítor Pomar por ser um dos pintores com quem tinham contacto, mas também pela sua vasta obra, que permite realizar uma exposição individual.

“Temos procurado, ao longo destes anos, trazer sempre artistas diferentes, umas vezes em exposições colectivas outras vezes em exposições individuais. Muitas vezes o problema é haver obra suficiente disponível para fazer uma exposição individual. Neste caso ela existe em alguma dimensão e ele é um pintor de estilo muito característico”, explicou José Duarte.

Um artista “com consistência temática e de estilo”, que estará no plano do “abstraccionismo expressionista”, mas que tem também algumas experiências do que faziam os surrealistas, como é o caso do chamado desenho automático, disse o curador.

As 29 obras, de diferentes tamanhos e entre as quais se encontram, na maioria pinturas, mas também alguns desenhos, “marcam várias fases da vida do autor e têm diferentes abordagens”. Apesar disso, José Duarte afirmou que “as pessoas perceberão que existe uma característica comum” entre elas.

Duas, explicou José Duarte, são “trípticos de grande dimensão, com quatro metros de largura e dois de altura por isso acabam por se transformar em 33 unidades no total, mas são 29 obras”.

A mostra, que inaugura no dia 28, estará patente na galeria do Comendador Ho Yin, no Clube Militar, entre 29 de Maio e 7 de Julho, entre as 12:00 e as 20:00. A curadoria é feita por José Duarte e Lina Ramadas.

Vítor Pomar é filho do também pintor Júlio Pomar e vive e trabalha actualmente em Assentiz, Rio Maior. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”