Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Gabriel Nascente: poesia e pesadelo epidêmico

 I

Tirar poesia do horror – foi a essa ingente tarefa que se atirou o experimentado poeta goiano Gabriel Nascente (1950) para produzir o alentado A Ópera dos Ausentes – pesadelo epidêmico: poema-reportagem (Goiânia, edição do autor, 687 páginas), provavelmente a primeira obra poética de vulto inspirada pela pandemia do coronavírus (covid-19), que desde o final de 2019, quando apareceu na cidade de Wuhan, na China, tem trazido dor e pânico em todo o planeta.

Logo no pórtico, o poeta diz que este longo poema foi “construído com a iluminação das trevas”, ao som “horripilante das ambulâncias despedaçando a inocência das madrugadas”. E tão assoberbado se sentiu diante do tema e da ameaça de morte que ronda todos nós que tratou de propor um novo gênero literário, o poema-reportagem, pois só assim se sentiria capaz de narrar essa tragédia universal, “sob o impacto das mais dolorosas emoções e sofrimentos, causados pelo assombroso vírus”.

Como observa no prefácio intitulado “A cerimônia das trevas”, que escreveu para a sua própria obra, Gabriel Nascente diz que a questão central do poema “foi trazer para dentro do texto as sombrias impressões de uma realidade (cruelmente mortífera)”, que roubou a vida de mais de cinco milhões de seres humanos em todo o mundo e continua desvairada em sua sanha assassina. E confessa que o fez “arrastado pelas correntes do choque”, pois, do contrário, “estaria mastigando a solidão das paredes. Ou uivando como um louco entre as grades de um hospício”.

 

                                                     II

Dentro dos gêneros conhecidos, a melhor definição para este poema, no entanto, seria épico, já que busca fornecer uma visão ampla do mundo, hoje submetido aos ditames do maligno e que, portanto, não caberia em poucas estrofes, embora o tamanho da peça não seja requisito fundamental para a sua definição. Tal como poemas épicos conhecidos, como “Os Lusíadas”, de Luís de Camões (c. 1524-c.1580) ou “Máquina do Mundo”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), citados como exemplos perfeitos desse gênero literário pelo professor e ensaísta Massaud Moisés (1928-2018) em A Criação Literária. Poesia (São Paulo, Cultrix, 16ª ed., 2003, p.251), A Ópera dos Ausentes constitui uma aglutinação harmônica de uma série de poemas menores, com os seus respectivos episódios que pouco têm de lirismo.

Afinal, aqui, o diálogo é com o planeta que habitamos, uma tentativa de compreender o Universo, de saber por que a Humanidade teria de passar por esse castigo, ainda que pecados não faltem nas costas daqueles que se arvoram donos do mundo em nome de ideologias que a ambição humana e sua pequenez já desmoralizaram há muito tempo.

Eis um exemplo: (...) O que fizeram de ti, meu velho / planeta, com esta gigantesca máscara de / cirurgião dentista na cara? O que é isto/ / Não é tempo de carnaval. Joga fora / esta fantasia de tirar de sarcófago. / Estás doente? Conta pra mim. / Andas com falta de ar/ tens febre, / respirando trôpego, com ajuda de / tubos de oxigênio. Pois então, / o homem o transforma, / num só lixão de / carniças a céu aberto. Agora é tarde para / replantarmos a esperança de teu verde. / O homem é um bicho miserável, / disputando forças com Deus. / O que fizeram de ti, meu velho / planeta? / Dinamitaram o manancial de teus rios? / Vomitaram pus industrial (negro) / ao ventre de escamas de teus oceanos? (...). 

 

                                                    III

Não é difícil compreender o conteúdo épico deste poema, em que o poeta se despoja do “eu” para falar em nome da humanidade assolada pelo fantasma da morte que leva a cada dia um pai, uma mãe, um parente, um amigo, um conhecido e até um famoso qualquer.  

Leia-se este pequeno trecho: (...) Ó maldição / de Covid-19, / tu és a saliva / do demônio, / voraz e ubíqua (...).

E também este lamento que reverencia um mundo que não existe mais, que ficou para trás, de antes da chegada do vírus maligno: (...) As janelas de costas para o sol. / Meu Deus, já não desfraldam mais / o branco aceno de nossos sorrisos. / Ó Covid-19, tu és / o dente do demônio / em cena, voraz / e ubíquo. / A tristeza vestiu sua roupa / cor de hospital. E saiu / buzinando dentro do povo. / A tristeza de luvas a / bordo das ambulâncias. / Generosos são sol e / o orvalho da manhã. / A pomba cisca / os telhados do mundo.

Um grande cenário se abre diante do poeta, um cenário de dor e desolação, como se vê neste outro trecho deste extenso poema: (...) Ó vidas que chegam em cadeiras de rodas / e voltam em sacos de plástico! / Ó quebradeiras de aviltantes prejuízos / no fluxo dos negócios!  / Os camelôs incitam seus rivais à / discórdia, na disputa por fregueses / de rua. (A ira se esbraseia / em cólera pública). A polícia / aparece. / A guerra pelo feijão. / A guerra pela vida. / A guerra pelo sonho. / Proibidos, estamos? (...)

Por fim, o poeta não deixa de lamentar, implicitamente, que o mal no Brasil tenha se alastrado e crescido em razão da incompetência, despreparo e irresponsabilidade de muitos daqueles que deveriam ter assumido a frente de combate ao vírus, demorando para tomar as medidas recomendadas pelas autoridades sanitárias e pelo bom senso: (...) É o Brasil apodrentado / pela granfinagem corrupta de teus / políticos (amado por eles não és), / pátria do Far-West, bangue-bangue / de ladrões – superlotando enfermarias, / UTIs e cemitérios, de doentes tombados / pela Covid. / São vampiros de gravata / que comem o dinheiro / dos Hospitais de Campanha. / A vergonha buscou abrigo / nos tribunais de Deus (...).

Se não deixa de dar uma visão da sua Goiânia e da bucólica Morrinhos, o poeta também se compunge com a dor dos outros povos que igualmente se sentem impotentes diante de tão poderoso mal: “Na província de Guayas, Equador, / famílias não têm dinheiro / para cobrir de terra / os seus mortos. / Em Guayas, defuntos são despejados / às moscas dos meios-fios (...).

 

                                                               IV

Jornalista e poeta, Gabriel Nascente escreveu e publicou mais de 60 livros, incursionando-se pelos gêneros ensaio, ficção, reportagem, narrativa, crônica e poesia. Filho de um marceneiro, um dos pioneiros na construção de Goiânia, é funcionário público, servindo como assessor cultural da presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.

Atuou profissionalmente também no jornalismo, mas não se limitou às experiências vivenciais e profissionais em sua terra: passou uma longa temporada em São Paulo, onde trabalhou na Editora Martins como redator de textos de “orelhas” de livros de autores famosos, deu aulas em cursinhos de pré-vestibular e trabalhou na redação da Folha de S. Paulo.

Quando deixava a redação do jornal, na Alameda Barão de Limeira, no centro da capital paulista, aproveitava para vender exemplares de seus livros. Como o poeta português Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805) e o russo Vladimir Maiakóvski (1893-1930), aos quais confessadamente procurou imitar em muitos de seus poemas, sempre teve a preocupação de ir aos bares e cafés à noite não só para declamar os seus versos como para vendê-los, pois muitas das edições de seus livros foram pagas à gráfica com seus próprios recursos, o que exigiu esforços redobrados para recuperar o capital investido.

Foi editor de diversas revistas e jornais de Goiânia, destacando-se principalmente como editor-adjunto do suplemento literário do Diário da Manhã, além de ter sido cronista durante 15 anos de O Popular. É colaborador do Jornal Opção. Esteve em Montevidéu e Buenos Aires durante a ditadura civil-militar (1964-1985), na clandestinidade. Publicou em Concepción, no Chile, El llanto de la tierra (1999), em tradução para o castelhano pelo poeta Dilermando Rocha, do Centro de Estudos Brasileiros de Buenos Aires. Aos 16 anos, publicou seu primeiro livro de poesias, Os Gatos. Tem poemas traduzidos e publicados em diversos idiomas, dos Estados Unidos a Grécia, com extensa participação em jornais, revistas, antologias brasileiras e estrangeira.

Seu nome é citado com verbetes em diversos dicionário e enciclopédias da literatura brasileira. É membro da Academia Goiana de Letras, ocupante da cadeira de número 40. Seu nome mereceu um alentado texto no livro História da Literatura Brasileira — Da Carta de Caminha aos Contemporâneos (Editora Leya, 2011), do poeta e acadêmico Carlos Nejar, que lhe dedicou ainda o poema “Gabriel Nascente de Goiás”, reproduzido na contracapa de Galáxia dos Dias (Goiânia, Editora Kelps, 2020), que reúne sua obra poética de 1966 a 2019 em quatro volumes com mais de mil páginas cada. Adelto Gonçalves - Brasil

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A Ópera dos Ausentes (pesadelo epidêmico: poema-reportagem), de Gabriel Nascente. Goiânia, edição do autor, 687 págs., 2021. E-mail: gabrielnascente@yahoo.com.br

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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage, o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo-Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d’El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. (E-mail: marilizadelto@uol.com.br



terça-feira, 29 de setembro de 2020

Gabriel Nascente ou a libertação da metáfora

                                                                      I

Para marcar uma trajetória literária de mais de meio século, o poeta goiano Gabriel Nascente (1950) lançou, em 2019, Galáxia dos dias, uma caixa com quatro volumes com mais de mil páginas cada um, com poemas de toda uma vida, revisados e até ampliados. Publicada pela Editora Kelps, de Goiânia, a coletânea reúne a obra do poeta em verso e prosa de 1966 até 2019, ao menos aquela publicada em livros, inclusive os primeiros que estavam esgotados e não são encontrados nem mesmo em alfarrábios, ainda que de fora tenham ficado muitos poemas esparsos que saíram em revistas, jornais e antologias.

Enfim, trata-se de uma extensa coletânea que vai de Os gatos (1966) até Nunca lhe direi adeus (2018), que marcam a produção de quem fez da poesia um “instrumento para melhor compreender o mundo, dissecá-lo, fazendo-o avançar ou retroceder  às origens clássicas, com deuses e deusas, mas sempre dando ao homem a sua exata dimensão”, como bem observa no prefácio ao primeiro volume o professor Adovaldo Fernandes Sampaio, linguista e ensaísta, autor de Letras e memória – uma breve história da escrita (São Paulo, Ateliê, 2010), entre outras obras.

É de se lembrar que, para comemorar os seus 40 anos de poesia, Gabriel Nascente já havia lançado Inventário poético (2005), pela Editora Alternativa, também de Goiânia, em bem cuidada edição que reuniu o melhor de sua produção até então, de acordo com seleção feita por Aidenor Aires e Vera Maria Tietzmann Silva, que também foi responsável pela organização e pelo texto introdutório. Ao mesmo tempo, lançou com o apoio cultural da Central dos Concursos, de Goiânia, Um poeta em ação (2005), que contém sua biografia e fortuna crítica, com o qual chegou a sua 40ª obra publicada, o que resulta na média impressionante de um livro editado por ano de atividade literária.

Não se sabe de outro poeta que tenha alcançado tamanho volume de trabalho. Quinze anos depois, o balanço registra 49 livros de poesia, aos quais se deve acrescentar mais 14 de outros gêneros. Sem contar ainda os ensaios críticos sobre a sua obra escritos pelo grande escritor português Joaquim de Montezuma de Carvalho (1927-2008), reunidos em A poesia de Gabriel Nascente, publicado em 2008 pela Editora Kelps.

É verdade que quantidade não significa qualidade, mas esta é uma observação injusta quando se trata do fazer poético de Gabriel Nascente, marcado principalmente por uma preocupação existencial extravasada por um lirismo não muito comum na literatura brasileira. E que já se constata em suas primeiras manifestações poéticas, como se pode comprovar com o poema “Antes do abismo”, de Os gatos: Deste muro/ mal acabado pelos séculos,/ desta calçada estreita/ fechada pelo lodo,/ eu saí à procura/ da rosa sedutora,/ atordoado de medo,/ mas airoso de Cristo/ em mim,/ (de chutar pedras/ na cara do mundo)./ Fui crescendo/ na medida dos homens. / Fui diminuindo/ na ausência de Deus./ Mostrei/ meu reboque de amor./ Mostrei/ minha alma/ de amar estrela.

                                                                     II

Na produção de Gabriel Nascente, em muitos poemas, a natureza assume reações humanas, valendo-se o autor de uma figura de linguagem, a prosopopeia ou personificação, que só grandes mestres da literatura sabem como utilizar em seu maior grau de transcendência, atribuindo qualidades humanas a personagens não-humanos, ao transferir para árvores seus próprios traços psicológicos, como se vê nos versos de "A palmeira de Morrinhos", que faz parte do livro Os passageiros (1979): “(...) A palmeira de Morrinhos/ tem silêncio de que dormiu/ com as águas. O rosto sempre virado/ para os lábios da brisa”.

Ou  nos versos de “As bananeiras”, que consta do livro Ventania (1995): “(...) As bananeiras estão fartas e amarelas de fadiga./ Mas quando nas madrugadas as ventanias/ são impiedosas a ponto de maltratá-las,/ elas ficam a chorar de inveja dos telhados,/ porque abaixo dos telhados há corações,/ relógios e cobertores./ E por baixo das bananeiras, não (...)”.

Ou ainda nos versos de “O rio é uma flauta”, que faz parte de Cora, a pitonisa da ponte (Kelps, 2006), livro em homenagem a poeta Cora Coralina (1889-1985): “Ali é onde o rio/ vai à forca./ O parto de suas águas/ vem do oco das pedras./ E o rio, como um pulmão,/ arma seus abismos/ das vidas sem retorno. O rio é estrela rolando/ como o viver/ é pesado e fundo e leve/ na carne dos cardumes./ Manso como a sandália/ ou a casca de uma fruta/ o rio é ermo, espremido./ E suspira longo/ num corredor de terra./ O mistério de suas águas/ é tão leve como a cinza:/ o rio é levado pelas asas/ de outro rio (...)”.

Por aqui se vê que, a exemplo do que notou o professor Leodegário A. de Azevedo Filho (1927-2011) no opúsculo “Fernando Pessoa, seus heterônimos e a emergência do novo” (Porto, 2008), em relação ao heterônimo Álvaro de Campos, a poesia de Gabriel Nascente busca assumir a libertação plena da metáfora, “ao sabor das mais desencontradas sensações subjetivas”, o que o faz buscar dar vida às “personagens” não-humanas, com a prevalência do verbo sentir sobre o verbo pensar. Obviamente, Gabriel Nascente como poeta tem numerosas faces, como poderá comprovar quem fizer a longa travessia por estes quatro volumes, mas, seja como for, o que da imensa maioria destes versos sairá sempre será essa simultaneidade de sensações que, a rigor, caracteriza o seu ideal poético.

                                                                     III

Filho de um marceneiro, um dos pioneiros na construção de Goiânia, Gabriel Nascente é ainda hoje funcionário público, servindo como assessor cultural da presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. Atuou profissionalmente também no jornalismo, mas não se limitou às experiências vivenciais e profissionais em sua terra: passou uma longa temporada em São Paulo, onde trabalhou na Editora Martins como redator de textos de “orelhas” de livros de autores famosos, deu aulas em cursinhos de pré-vestibular e trabalhou na redação da Folha de S. Paulo.

Quando deixava a redação do jornal, na alameda Barão de Limeira, no centro da capital paulista, aproveitava para vender exemplares de seus livros nas noites paulistanas. Como o poeta português Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805) e o russo Vladimir Maiakovski (1893-1930), a quem confessadamente procurou imitar em muitos de seus poemas, sempre teve a mania de ir aos bares e cafés à noite não só para declamar os seus versos como para vendê-los, pois muitas das edições de seus muitos livros foram pagas à gráfica com seus próprios recursos, o que exigiu esforços redobrados para recuperar o capital investido.

Em Goiânia, fez o jardim da infância e o curso primário no Instituto Araguaia e concluiu o ginásio industrial pela Escola Técnica Federal de Goiás, onde estudou também o curso de Eletrotécnica, equivalente ao científico, mas não fez estudos universitários. Aos 16 anos, publicou seu primeiro livro de poesias, Os gatos, mas não deixou de incursionar por outros gêneros, como ensaio, ficção, reportagens, narrativas, crônicas e poesia.

Durante o regime militar (1964-1985), chegou a morar em Buenos Aires e Montevidéu, na clandestinidade. Por essa época, em 1975, o poeta Dilermando Rocha, do Centro de Estudos Brasileiros, de Buenos Aires, traduziu para o espanhol o seu livro El llanto de la tierra, publicado em 1999, em Concepción, no Chile. Tem poemas traduzidos e publicados em diversos idiomas, dos Estados Unidos a Grécia, com extensa participação em jornais, revistas e antologias brasileiras e estrangeiras.

Foi editor de diversas revistas e jornais de Goiânia, destacando-se principalmente como editor adjunto do suplemento literário do Diário da Manhã, além de ter sido cronista durante anos de O Popular. É colaborador do Jornal Opção. Seu nome mereceu um alentado texto no livro História da Literatura Brasileira: da carta de Caminha aos contemporâneos (São Paulo, Editora Leya, 2011), do poeta e acadêmico Carlos Nejar, que lhe dedicou ainda o poema “Gabriel Nascente de Goiás”, reproduzido na contracapa de Galáxia dos dias.

Nos últimos tempos, o poeta tem encetado uma campanha pessoal para viabilizar o seu ingresso na Academia Brasileira de Letras, o que, diga-se de passagem, seria bem merecido, não fosse aquela instituição marcada por extremo favoritismo carioca. Afinal, seu labor poético tem arrancado elogios de poetas, romancistas e críticos consagrados como Ivan Junqueira (1934-2014), Ferreira Gullar (1930-2016), Olga Savary (1933-2020), Affonso Romano de Sant´Anna e Antonio Carlos Secchin, entre outros. É membro da Academia Goiana de Letras. Adelto Gonçalves - Brasil

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Galáxia dos dias: obra reunida, de Gabriel Nascente, vols. I a IV. Goiânia: Editora Kelps, 2019.

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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de são Paulo (USP) e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp)/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br