Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 22 de novembro de 2022

Brasil - Com texto sobre a relação da cidade de Santos com Portugal, escritor santista participa da FLIP


O jornalista, fotógrafo e escritor santista Ronaldo Andrade participa da 20ª FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), no estado do Rio de Janeiro, que acontece entre os dias 23 e 27 de novembro, com o texto ‘Santos, cidade de alma portuguesa’, que aborda a relação do município com Portugal.

Pela primeira vez no evento, Andrade terá o texto publicado em duas obras: ‘Coletânea da Academia Contemporânea de Letras’, com sessão de autógrafos no dia 26, às 10h, e na Antologia ‘Alma em palavras – Volume II’, com sessão de autógrafos no dia 27, também às 10h.

Os dois livros são da Editora Conejo, que terá um estande no evento para os lançamentos: a Casa Conejo (Rua da Lapa, 375 / 411), no Centro Histórico de Paraty.

‘Santos, cidade de alma portuguesa’, aborda as semelhanças do município com Portugal em diversos aspectos, como na arquitetura, gastronomia, cultura e especialmente nos laços familiares, visto que recebeu grande número de imigrantes portugueses que ajudaram a construir e moldar sua identidade – Braz Cubas, por exemplo, natural da cidade do Porto, foi o fundador de Santos.

O texto também faz menção ao ‘Patriarca da Independência’, o santista José Bonifácio de Andrada e Silva, que teve importante papel para a Independência do Brasil, em 1822, e que manteve fortes laços com Portugal por meio de estudos e de cátedra na Universidade de Coimbra.

Em Portugal, onde morou por três anos e meio, Andrade participou de três edições da Feira do Livro de Lisboa, com o lançamento dos livros ‘A mulher do comboio’ (publicação independente) e ‘Eleição de síndico’ (Chiado Editora), obra posteriormente traduzida para o espanhol (Editora Letraviva) e lançada na Feira do Livro de Buenos Aires.

Na Academia Contemporânea de Letras, Andrade tem como patrono o escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura em 1998, cujo centenário de nascimento foi celebrado no último dia 16.

Portugal representado na FLIP

A 20.ª edição da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty acontece a partir desta quarta-feira, com representantes de Portugal, como a escritora Patrícia Lino e ainda Alice Neto de Sousa.

“Palavra Livre” é o título da mesa que reúne Alice Neto de Sousa (Portugal), Lázaro Ramos (Brasil) e Midria (Brasil), no dia 26 de novembro, às 20h30. Com moderação de Anabela Mota Ribeiro (Portugal), a proposta que a curadoria traz para esta mesa “responde à emergência de novas vozes, às margens dos espaços clássicos de consagração literária, e traz a sua força lírica, a um só tempo poética e política. Em diálogo com outras linguagens, a mesa contempla a performance e a memória do corpo, que se reafirmam nas artes dramáticas e na própria escrita.”

A mesa é realizada com o apoio do Camões – Centro Cultural Português em Brasília. Confira toda a programação em https://www.flip.org.br/flip-2022/programa-principal/.

Neste ano, a Flip homenageia Maria Firmina dos Reis. O legado da autora é o de uma insistente vigilância sobre os valores humanos, capaz de situar, no centro do debate contemporâneo, a educação e a imaginação, mas também a educação para a imaginação. Trata-se de visibilizar quem trabalha pela palavra e por um ambiente cultural e educacional mais acolhedor, seja nas margens ou nos centros econômicos do país, segundo organização. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

sábado, 16 de janeiro de 2016

Brasil - Fotógrafo registra bailarina em ensaio realizado nas ruas de São Paulo

O que acontece quando uma bailarina e um fotógrafo se encontram em uma grande metrópole com um interesse em comum? Vinícios, 18 anos, que é estudante de fotografia, tinha à frente mais um trabalho acadêmico. Ele precisava criar um trabalho fotográfico cujo tema fosse a cidade. Natália, 22 anos, bailarina, estuda dança na UNICAMP, e também precisava desenvolver um trabalho acadêmico na área. Foi então que os dois colegas resolveram aproveitar a Avenida Paulista, que é fechada para a circulação de veículos aos finais de semana, como cenário para um ensaio um tanto diferente. A ação deu origem ao projeto chamado Todo Lugar é Palco, cujo objetivo é retratar manifestações artísticas em meio às paisagens urbanas.

O resultado foi uma coleção de fotografias com uma composição um tanto interessante, onde a modelo interage com o público ao redor. Nos próximos parágrafos você poderá conhecer um pouco sobre os personagens e ao final da matéria você confere a galeria com uma seleção das fotografias feitas na avenida que é considerada o coração de São Paulo.

O Fotógrafo
 
Vinicius Rodrigues Rivas tem 18 anos, e é morador de Santo André, região do ABC Paulista, Grande São Paulo. Ele conta que sua preferência é pelo trabalho fotográfico na área de Moda.

Minha ligação com a foto voltada à área da cultura e sociedade começou recentemente, com o meu ingresso à faculdade. No primeiro semestre tive a oportunidade de fazer um trabalho com duas amigas do curso, Raquel Pfutzenreuter e Marina Paixão, sobre violência contra mulher. À partir daí surgiu um interesse maior da minha parte por esse tema, e pretendo desenvolver outros projetos na área”, comentou Vinícius.

A Bailarina

Natália Araújo Beserra tem 22 anos, e vive na capital paulista. Estudou Ballet Clássico e Dança Contemporânea por 10 anos com os professores Angela Dizioli, Gilbert D’Assis e Anderson Bargo. É formada e diplomada pelo pelo método Royal Ballet. Ingressou na faculdade de Dança pela UNICAMP, e estagiou na Academia Ballet Cristiana Packer.

Meus projetos com a dança ainda são pequenos. A princípio pretendo fazer cursos com professores renomados no meio artístico, para criar um pouco mais de experiência, e também começarei a fazer audições de companhias de dança, uma vez que nunca entrei para alguma e gostaria de passar por essa experiência também. Gosto de dar aulas e poder compartilhar do meu conhecimento com outras pessoas, então, acredito que mais pra frente eu permaneça dando aulas. In “Vá de Cultura” - Brasil





sábado, 25 de abril de 2015

Índia - Pablo Bartholomew, a herança de Goa em Lisboa

O fotógrafo indiano três vezes vencedor do World Press Photo está em Portugal para documentar a comunidade goesa que imigrou nos anos 60 e 70.

Aos 15 anos, Pablo Bartholomew era expulso da escola onde estudava em Nova Deli. Nada que fosse um problema quando havia uma máquina fotográfica por perto. O pai era “o que hoje em dia se chama curador” e também costumava fotografar e a mãe, “ligada ao cinema e ao teatro”, ajudava ao ambiente artístico que se vivia em casa. À falta de escola, há sempre a fotografia.

Estamos na esplanada do restaurante Eduardo das Conquilhas, na Parede, e Pablo Bartholomew recorda o seu passado na Índia, onde cresceu e onde ainda vive. “Queria experimentar a comida goesa aqui, mas o outro restaurante [goês, também na Parede] estava fechado”, diz enquanto encara a vitela que tem no prato. Vitela num restaurante de conquilhas? Bem, terá tempo para as experimentar noutra visita.

Recomendamos-lhe o Jesus é Goês, em Lisboa, onde talvez encontre o que procura, o prato mais picante de Lisboa, o caril de caranguejo, típico da cozinha indo-portuguesa. Nos próximos três meses, o fotógrafo vencedor também três vezes do World Press Photo vai estar na cidade para fotografar a comunidade goesa que imigrou para Portugal em 61, “depois da independência da colónia”, explica. O caril de caranguejo certamente terá de fazer parte da ementa da visita. Mas isso fica para outro dia.

O projecto que vai desenvolver em Lisboa, uma continuação da série “The Indian Emigrés”, que começou nos Estados Unidos, não é novo. Aliás, tem praticamente a nossa idade.“Comecei-o em 1987, dois anos depois de o meu pai morrer”, conta. “Na altura tinha 30 e tal anos e comecei a questionar várias coisas na minha vida. O meu pai nasceu na Birmânia, foi-se embora para a Índia ainda criança, durante a Segunda Guerra Mundial, e nunca mais regressou. Nunca deixei de pensar nas origens dele e em como seria a adaptação das pessoas a outra cidade, com a comida, a religião, as roupas e todos os hábitos diferentes.”

Nos anos 80 as suas inquietações levaram-no à Califórnia, onde conheceu “dos indianos que lideravam grandes empresas de tecnologia à comunidade sique de agricultores do Norte, numa altura em que se consumia muita comida enlatada, de fruta a legumes”, explica.

Antes disso, já tinha vencido o World Press Photo com apenas 20 anos. “Na verdade, quando tirei as fotos vencedoras tinha 19 anos”, recorda. Valeu a pena faltar às aulas.

“Foi com uma série sobre viciados em morfina e não foi muito difícil consegui-la”, conta. “De facto aquele ambiente era o que me rodeava nesses tempos mais hippies.” Em 1984 voltou a vencer o World Press Photo, com uma série sobre o desastre industrial da fábrica de pesticidas em Bhopal. Uma das fotos, a de uma criança morta, foi considerada Foto do Ano e correu o mundo.

Ainda assim, e apesar do reconhecimento, o dinheiro não lhe chegava aos bolsos. “Mesmo depois do prémio continuei a trabalhar como fotógrafo em rodagens de cinema”, continua. “Depois disso trabalhei em publicidade e foi aí que consegui ganhar dinheiro. Mas tive de deixar porque isso mata-nos a cabeça.”

Melhores tempos ainda viriam e os trabalhos de freelancer começaram a suceder-se em várias revistas importantes, da “National Geographic” à “Paris Match”, passando por jornais como o “Figaro” ou o “New York Times” numa altura de crescimento da Índia. “Posso dizer que vivi a era de ouro do fotojornalismo, que deve ter acabado ali por 1995 ou 1996”, opina.

Quanto ao trabalho sobre as comunidades fora da Índia deixou-o “adormecido” no fim dos anos 80 “por falta de dinheiro”. “Em 2009 arranjei dinheiro para o recomeçar em França, com uma bolsa do Museu Quai Branly”, conta. “Queria olhar para as comunidades que vieram das ilhas francesas, como a Martinica ou Guadaloupe, para onde muitos indianos foram num trabalho praticamente escravo.”

Seguiu-se Leicester, no Reino Unido, e agora Lisboa, onde vai estar até ao início de Julho com uma bolsa da Fundação Oriente. “Estou mais interessado nas pessoas que vieram nos anos 60 e nas que vieram mais tarde, nos anos 70, de Moçambique”, conta. Já tem uma rede de contactos e o trabalho vai começar nos próximos dias. Clara Silva – Portugal in “Jornal I”