Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Brasil - A Amazónia está a entrar num estado "hipertropical" nunca visto em milhões de anos

Um novo estudo publicado na revista Nature sobre a floresta amazónica descobriu que a região está a transformar-se num estado "hipertropical", à medida que as secas se tornam mais longas, mais quentes e mais frequentes.


Segundo a equipa internacional de investigadores responsável pelo estudo, estas condições "não têm paralelo atualmente". As árvores estão sendo expostas a níveis de estresse sem precedentes, e a capacidade da Amazónia de absorver dióxido de carbono também está sendo reduzida.

As alterações contemporâneas e iminentes são tão drásticas, com base em dados coletados na Amazónia ao longo de mais de três décadas, que os investigadores criaram um termo: "hipertropical". Estamos a falar de condições que não existiam na Terra há milhões de anos.

Os Investigadores analisaram como as árvores e o solo em que estão enraizadas reagem a períodos de altas temperaturas e seca. À medida que esses períodos se intensificam, eles oferecem uma breve visão do que poderá ser o novo normal nos próximos 100 anos.

"Quando ocorrem estas secas intensas, esse é o clima que associamos a uma floresta hipertropical, porque está além dos limites do que consideramos floresta tropical atualmente", afirma o geógrafo Jeff Chambers, da Universidade da Califórnia, Berkeley.

Modelos criados a partir dos dados coletados por Chambers e pelos seus colegas mostram que estas secas extremas provavelmente serão ainda mais comuns até 2100 e ocorrerão durante todo o ano – inclusive durante a estação chuvosa (por volta de dezembro a maio ).

Prevê-se que as árvores morram em taxas mais elevadas devido à redução da humidade do solo, o que pode desencadear dois problemas relacionados: falha hidráulica , em que bolhas de ar bloqueiam o transporte de água dentro das árvores, e privação de carbono , em que o fechamento dos poros das folhas, numa tentativa de economizar água, afeta a fotossíntese.

Medições de campo mostram que isso já está a acontecer agora, nos extremos do clima atual da Amazónia. Se o clima tornar-se hipertropical, esses extremos ocorrerão com muito mais frequência, podendo aumentar a taxa de mortalidade das árvores em 55%.

"Demonstramos que as árvores de crescimento rápido e baixa densidade da madeira eram mais vulneráveis, morrendo em maior número do que as árvores de alta densidade da madeira", afirma Chambers.

"Isso implica que as florestas secundárias podem ser mais vulneráveis ​​à mortalidade induzida pela seca, porque possuem uma fração maior desses tipos de árvores."

Parte do estudo focou em dois locais específicos da Amazónia afetados pelas secas de 2015 e 2023, que foram impulsionadas por eventos El Niño excepcionalmente quentes. O limiar crítico de água foi o mesmo nos dois locais e nos dois anos – sugerindo uma possível mudança generalizada.

A maioria das florestas hipertropicais surgirá na região amazónica, preveem os investigadores, embora também seja provável que apareçam na África e na Ásia. Essas florestas podem deixar de ser sumidouros de carbono e tornarem-se emissoras de carbono, à medida que as árvores morrem.

Estas projeções são baseadas em dados abrangentes e servem como mais um lembrete preocupante da importância das florestas para o equilíbrio da atmosfera – e do que acontece se elas forem perdidas.

"Tudo depende do que fizermos", diz Chambers. "Cabe a nós decidir até que ponto vamos realmente criar esse clima hipertropical."

"Se continuarmos emitindo gases de efeito estufa à vontade, sem nenhum controlo, criaremos esse clima hipertropical mais cedo." David Nield – Reino Unido in “Science Alert”


terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Internacional - Na Amazónia quanto maior a variedade de árvores maior a variedade de peixes

A extensão de floresta inundada, a variedade de espécies de árvores e a duração das inundações determinam a riqueza das espécies de peixes na Amazónia, segundo um estudo publicado na Academia Nacional de Ciências dos EUA



Várias dezenas de cientistas de todo o mundo realizaram a primeira grande avaliação da variedade de peixes de água doce que habitam os mais de 6 milhões de quilómetros quadrados da floresta amazónica, 15% dos quais estão inundados durante grande parte do ano e albergam 29 espécies de peixes pertencentes a nove linhagens diferentes.

"São peixes frugívoros, assim chamados porque mais de metade do que comem são frutos, e migram através das florestas sazonalmente inundadas da bacia amazónica, realizando uma tarefa fundamental: espalhar sementes", explicou uma das principais autoras, a cientista colombiana Sandra Correa, da Universidade Estadual do Mississípi, em entrevista à agência EFE.

Estudar estas espécies tinha sido um desafio até agora, explica a investigadora, uma vez que migram através das florestas temporariamente inundadas em vários países da América Latina, razão pela qual os investigadores precisaram de quatro anos e mais de 300 mil registos para poderem descrever "a interdependência dos peixes e das florestas na Amazónia".

A investigadora sublinhou que os resultados apontam para "uma sincronização na época em que os rios inundam a floresta, que é um fator chave na interdependência dos peixes e das florestas na Amazónia".

Assim, quando os peixes entram na floresta, em decorrência da cheia dos rios, encontram o que o pesquisador define como "uma chuva de frutos" dos quais podem se alimentar e, posteriormente, propagar as sementes.

O estudo de mais de 140 sub-bacias amazónicas mostrou que o que determina a riqueza de peixes é a época da cheia, a duração e a variedade de árvores na floresta.

Ao mesmo tempo, também apontou as principais ameaças à biodiversidade de água doce: desmatamento e mudança no uso da terra, construção de barragens e poluição.

Os cientistas estão particularmente preocupados com a quantidade de zonas húmidas planeadas para a Amazónia: "Nenhuma árvore sobrevive às inundações permanentes provocadas pelas barragens e, com elas, todo o ecossistema piscícola é afetado, bem como a alimentação das populações locais", acrescenta Sandra Correa.

Os investigadores sublinham a necessidade de uma gestão ambiental adequada na região para salvaguardar estes valiosos ecossistemas de inundação, com práticas como a replantação de árvores em áreas derrubadas ou a inalteração do curso de água.

Ao mesmo tempo, salientam a necessidade de manter e conservar as áreas que ainda estão em bom estado, especialmente as florestas inundáveis localizadas entre a Amazónia ocidental brasileira e a Cordilheira dos Andes.

"Uma vez que cada espécie de peixe frugívoro tende a consumir o seu fruto preferido, precisamos de peixes de diferentes variedades para espalhar as sementes, manter a biodiversidade da floresta e garantir a sustentabilidade a longo prazo", conclui. Agência Lusa 


domingo, 10 de novembro de 2024

Brasil - Povoação colonial portuguesa perdida há 250 anos encontrada na Amazónia

Uma equipa de arqueólogos brasileiros descobriu uma antiga povoação colonial portuguesa perdida há 250 anos, abandonada e completamente absorvida pela densa floresta amazónica.


A descoberta, realizada no estado de Rondônia, revela não só a localização de uma povoação que se julgava extinta como também a existência de várias estruturas geométricas no solo, cujas funções ainda permanecem um mistério.
A investigação, liderada por Eduardo Góes Neves, diretcor do Museu de Arqueologia e Etnografia da Universidade de São Paulo (USP), marca um avanço inédito no estudo das origens coloniais do Brasil e da história arqueológica na Amazónia.
Os investigadores acreditam que o local era utilizado por homens responsáveis pelo transporte de ouro através do rio Guaporé. Os portugueses instalaram-se ali em 1750 após a ocupação filipina do país, já que antes a região pertencia à Espanha.
Segundo Eduardo Neves, em declarações ao portal Metrópoles, “a povoação foi abandonada em 1822, quando o Brasil se tornou independente, a floresta tomou conta dela e os blocos de pedra foram removidos”. Através de um mapeamento detalhado, a equipa conseguiu identificar o traçado original das ruas, o que Neves descreve como “uma descoberta fascinante”.
A pesquisa beneficiou do apoio de habitantes indígenas da região, que orientaram os arqueólogos no processo de mapeamento inicial da área. De seguida, a equipa utilizou tecnologia LiDAR, um sistema de detecção remoto que permite uma análise precisa do local sem necessidade de manusear ou alterar as estruturas antigas. Esta tecnologia possibilitou a visualização de formas geométricas surpreendentes, como quadrados, círculos e até mesmo estradas que cortam a povoação.
Eduardo Neves explica que ainda não se sabe ao certo o propósito destas estruturas, que “podem ser áreas de cultivo ou locais de habitação”, e acrescenta que “será necessário regressar ao terreno para uma escavação mais detalhada e entender o seu real significado”.
A equipa irá apresentar os primeiros resultados desta investigação no Museu da Amazónia, em Manaus, no contexto do projecto Amazónia Revelada, que reúne especialistas e promove a preservação da herança arqueológica da floresta. Uma das prioridades do projecto é garantir a protecção dos sítios históricos ameaçados, destacou Neves num comunicado da Fundação de Pesquisa de São Paulo.
A relevância e o impacto desta descoberta representam um passo importante para a compreensão do impacto europeu na Amazónia e na história da colonização portuguesa no Brasil, além de evidenciar a necessidade de preservar e estudar as raízes arqueológicas da região. In “Executive Digest” – Portugal com “Revista Leia Mais”


quarta-feira, 18 de maio de 2022

Brasil - Projeto da ONU procura preservar a floresta amazónica no Maranhão

O estado brasileiro com maiores índices de pobreza e insegurança alimentar recebe investimento para dar apoio a comunidades tradicionais e pequenos produtores. O projeto deve cobrir aproximadamente 72% da floresta amazónica do estado sob ameaça de desmatamento e degradação


O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU, IFAD, e o Governo do Maranhão, no nordeste do Brasil, assinaram um acordo de financiamento para a implementação do Projeto de Gestão Sustentável da Amazónia.

Segundo o IFAD, o projeto abordará a degradação ambiental arraigada da floresta amazónica no estado brasileiro com os maiores índices de pobreza e insegurança alimentar.

Comunidades e pequenos agricultores

O diretor do IFAD no Brasil, Claus Reiner, afirma que no Maranhão, assim como em outras partes do Brasil, pobreza, insegurança alimentar e degradação ambiental estão profundamente interligadas.

Ele explica que a iniciativa procura fornecer aos pequenos agricultores e comunidades tradicionais ferramentas que permitam melhorar a sua situação socioeconómica sem ter que recorrer ao esgotamento dos seus recursos naturais.

Para o representante do IFAD, desenvolvimento e bem-estar a longo prazo só são possíveis por meio do uso sustentável da natureza.

Agricultores familiares, povos indígenas e outras comunidades tradicionais da floresta amazónica maranhense estão entre as populações mais pobres do Brasil.

Segundo dados divulgados pelo fundo, o estado do Maranhão tem a maior proporção de pessoas vivendo na pobreza no Brasil, chegando a 53%. Outros 20% estão em extrema pobreza.

Além disso, é o estado com o índice de insegurança alimentar mais crítico, afetando cerca de 60% dos domicílios.

Semiárido nordestino

O projeto será a primeira intervenção de desenvolvimento rural financiada pelo IFAD no Brasil que vai além do semiárido nordestino, conhecido como sertão.

No entanto, basear-se-á na experiência do fundo em agroflorestas de pequena escala e investimentos em infraestrutura de acesso à água nessa área.

A área do projeto compreende três regiões do Estado do Maranhão: Amazonas, Gurupí e Pindaré, e abrange as terras indígenas de Arariboia, chegando a 58755 km² e incluindo 37 municípios.

O alcance do projeto deve cobrir aproximadamente 72% da floresta amazónica do estado que, de acordo com o IFAD, é uma região que está sob constante ameaça de desmatamento e degradação por extração ilegal de madeira e exploração para agricultura em grande escala.

Como resultado, a iniciativa deve reduzir as emissões de gases de efeito estufa em aproximadamente 6 milhões de toneladas de CO2.

Financiamento

O custo total do projeto é de US$ 37 milhões, dos quais o IFAD contribuirá com uma doação de US$ 17 milhões, fornecida pelo Governo da Alemanha por meio do Programa de Adaptação Aprimorada para Agricultura de Pequenos Produtores.

O Governo do Maranhão contribuirá com R$ 16 milhões, e os beneficiários farão contribuições em espécie de R$ 4 milhões.

O projeto tem como alvo as populações mais pobres e vulneráveis da Amazónia brasileira e deve beneficiar aproximadamente 80 mil pessoas em zonas rurais, das quais pelo menos 50% são mulheres e 25% são jovens.

Quase 15% pertencem a comunidades indígenas e outras comunidades tradicionais, como quilombolas e catadores de coco babaçu.

O IFAD explica que o projeto aplicará uma estratégia integrada que engloba quatro elementos: manejo florestal sustentável, produção e comercialização de produtos florestais não-madeireiros, investir em infraestrutura básica de água e melhorar as capacidades das famílias e das autoridades estaduais em garantir o acesso das populações rurais à proteção social pública e aos programas de melhoria da produção. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 3 de março de 2022

Brasil - Está a nascer o maior corredor de natureza no mundo


Foi concluída a primeira fase de um corredor ecológico às margens dos rios Araguaia e Tocantins. Batizado de “Corredor de Biodiversidade do Araguaia”, o projeto de reflorestamento atravessará seis estados do país – ligando a floresta amazónica e o Cerrado (a segunda maior formação vegetal brasileira). O corredor criará uma via verde com 2600 quilómetros de extensão e 40 quilómetros de largura. A meta é reflorestar 1 milhão de hectares – que hoje estão degradados ou desmatados – com espécies nativas do Cerrado e da Amazónia. Para isso, calcula-se que sejam necessários 1,7 mil milhões de árvores.

O ambicioso programa foi desenvolvido pela Fundação Black Jaguar, do empresário holandês Ben Valks. Além de restaurar a paisagem do corredor ecológico, o projeto contribuirá para a preservação da fauna e flora e para a produção agroflorestal. Esta via verde vai estender-se pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Pará e Maranhão. A área abrange 112 municípios e inclui 23997 imóveis rurais, sendo que 96% são propriedades privadas. Por isso, foi preciso encontrar parcerias com os proprietários rurais locais.

Um estudo avaliou os benefícios ambientais, sociais e económicos gerados pelo futuro corredor. O cálculo apontou que a recuperação da vegetação pode gerar 21,1 mil milhões de dólares em benefícios económicos nos próximos 50 anos. Isso ocorreria com a restauração associada à implantação de sistemas de produção agroflorestal. In “Green Savers Sapo” - Portugal