Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 16 de junho de 2022

Cabo Verde – Cooperação técnica brasileira na área da educação inclusiva



Uma nova fase do projeto “Escola de Todos” está sendo desenhada em Cabo Verde. No último mês, uma missão de especialistas brasileiros visitou o país africano com o objetivo de realizar a prospecção para uma segunda fase do projeto de cooperação técnica na área da educação inclusiva. A nova etapa da iniciativa permitirá a continuidade do desenvolvimento de capacidades locais para o aprimoramento do Sistema Nacional de Sinalização de Crianças e Jovens com Necessidades Educativas Especiais.

A missão viabilizou o encontro entre as instituições cooperantes brasileiras e cabo-verdianas com informações para elaboração do novo projeto de cooperação técnica bilateral na área da educação inclusiva. A delegação brasileira foi composta por representantes da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE); e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Já a contraparte cabo-verdiana incluiu especialistas da Direção Nacional de Educação, do Ministério da Educação, e do Ministério da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social (MFIDS).

Foi realizada uma série de encontros que permitiram à delegação brasileira colher informações para a elaboração de uma nova fase do projeto que leve em conta as capacidades já existentes e as necessidades daquele país quanto à educação inclusiva. Também se procedeu a análise documental com informações sobre o tema, mapeamento de atores, além de reuniões com as autoridades do Ministério da Educação de Cabo Verde.

A equipe de profissionais brasileiros visitou as unidades de educação nas quais as ações devem ser desenvolvidas durante a parceria e participou de oficinas em que as equipes técnicas das instituições brasileiras e cabo-verdianas puderam discutir conjuntamente os problemas, os objetivos, assim como os resultados e os produtos esperados para esta nova fase do projeto.

Segundo Anna Perez, analista de projetos da ABC e responsável pela iniciativa em Cabo Verde, “a proposta de nova fase do projeto “Escola de Todos” permitirá dar continuidade ao desenvolvimento de capacidades dos cabo-verdianos”, disse. “Isso vai permitir maior aprimoramento do Sistema Nacional de Sinalização de Crianças e Jovens com Necessidades Educativas Especiais do país.”

Até o final de julho o governo brasileiro deverá ter proposta de projeto consolidada e aprovada para assinatura de todas as instituições parceiras da iniciativa. In “mundo Lusíada” - Brasil

 

domingo, 4 de julho de 2021

Cabo Verde - Rede Nacional da Campanha de Educação Para Todos firma parcerias para incitar educação inclusiva


Mindelo – A Rede Nacional de Campanha de Educação Para Todos (RNCEPT-CV), o Observatório Cidadania Activa e a Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (Ajoc) assinaram no Mindelo, protocolos para promover educação inclusiva e de qualidade.

O protocolo entre a Ajoc e o Observatório Cidadania Activa estabelece os termos e condições de cooperação entre as duas organizações tendo em vista a realização de várias acções socioeducativas, em conjunto, com principal destaque para matérias relacionadas com o exercício da cidadania e o papel do jornalismo enquanto ferramenta de educação cívica.

Já o protocolo entre o Observatório e a Rede Nacional da Campanha de Educação para Todos estabelece a realização de um conjunto de actividades pedagógicas e de sensibilização voltadas para a educação inclusiva e de qualidade, abrangendo os mais diversos agentes educativos e a sociedade civil.

A assinatura desses protocolos aconteceu no término do workshop de capacitação em técnicas de advocacia para a educação dirigido a associações comunitárias, artistas, jornalistas, educadores, representantes de estudantes e activistas sociais, que aconteceu num dos hotéis da cidade do Mindelo.

A rede integra instituições mundiais que trabalham sob o lema “Unir as sinergias para uma educação em alta voz” com o objectivo de chegar a mil milhões de pessoas a trabalhar em prol da educação inclusiva. In “Inforpess” – Cabo Verde


 

terça-feira, 31 de julho de 2018

Cabo Verde - Farol da inclusão no continente africano

Cidade da Praia – A partir do próximo ano lectivo, Cabo Verde vai ter legislação sobre a educação inclusiva, que está a ser preparada com apoio da investigadora portuguesa Célia Sousa, que considera que o país será “farol” da inclusão em África.

Depois de terem sido formados mais de 50 técnicos e professores de todo o país, Cabo Verde está a ultimar a legislação que vai regulamentar a educação inclusiva, um trabalho que começou no início do mês com apoio técnico da investigadora portuguesa Célia Sousa, coordenadora do Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID) do Instituto Politécnico de Leiria (IPL).

Em declarações à agência Lusa, na cidade da Praia, Célia Sousa notou que Cabo Verde tem “boas práticas” na área de inclusão, pelo que considerou ser “pertinente” o país lançar, no próximo ano lectivo, que inicia em Setembro, uma legislação que regulamenta a educação especial.

“Esta lei é de extrema importância por várias razões. Cabo Verde será um dos primeiros países do continente africano a implementar uma legislação que regulamenta a educação inclusiva”, disse a investigadora, considerando que o país dá um “passo de gigante” e vai passar a ser um “modelo” em África, onde existem cerca de 84 milhões de pessoas com deficiência.

Segundo o censo realizado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), em 2010 existiam em Cabo Verde 13948 pessoas com alguma deficiência, o que representava 3,2% da população.

“Cabo Verde será o farol da inclusão no continente africano”, prosseguiu, entendendo que quando se fala se educação inclusiva deve-se falar não só das pessoas com deficiência, mas também de pessoas de outras culturas e etnias.

Além de permitir que todas as crianças com deficiência estejam na escola, adiantou que a lei vai “mudar o paradigma da educação” em Cabo Verde, onde a “escola vai ter de pensar em todos”.

“Isto é de uma riqueza imensa porque vai permitir que se criem estratégias diferentes em sala de aula, que haja uma diferenciação do ensino, uma perspectiva diferente de como acolher as crianças, não é só uma questão de acolhimento, mas de direitos humanos”, prosseguiu a docente, dizendo que, a partir de agora, as crianças vão ter respostas adequadas de acordo com as suas capacidades.

“Com esta legislação também se deixa de ver a incapacidade da pessoa, mas passa-se a olhar para a pessoa pela capacidade, porque todos nós somos diferentes e temos capacidades completamente diferentes e é dessa diferença que nasce a riqueza de uma sociedade”, mostrou.

A lei vai abranger todas as crianças cabo-verdianas no sistema de educação, desde o pré-escolar ao ensino secundário, que terão de ter técnicas, materiais, adaptação às condições de avaliação, entre outras respostas no atendimento.

Célia Sousa avançou ainda que com a nova legislação haverá um “envolvimento crescente” da família, em que todos os pais e encarregados de educação serão ouvidos para darem o seu aval para que as medidas sejam implementadas.

A investigadora portuguesa sublinhou, por outro lado, que não é por causa de uma legislação que Cabo Verde vai se transformar num país inclusivo.

“Mas há momentos em que é necessário que a legislação saia para dar visibilidade. E tendo uma legislação, as famílias e o sistema educativo têm alguma coisa que regulamenta, alguma coisa que devem poder recorrer”, enfatizou.

A investigadora portuguesa afirmou à Lusa que a legislação vai ainda fazer com que as universidades cabo-verdianas criem cursos na área de educação especial para formar técnicos, algo que era “impensável” há uns anos porque não havia regulamentação.

Célia Sousa disse ainda acreditar que, com a criação de formação nesta área, as instituições de ensino superior cabo-verdianas poderão receber muitos alunos estrangeiros, principalmente do continente africano.

“Esta legislação vai operacionalizar uma mudança em todo o sistema educativo de Cabo Verde, desde o pré-escolar ao ensino superior”, salientou, esperando ver todas as crianças na escola, para que também possam fazer parte de uma “sociedade cabo-verdiana mais inclusiva”.

Também espera que isso se venha a reflectir em políticas de inclusão social, do turismo inclusivo e nas barreiras arquitectónicas, numa que a lei estipula que todos os edifícios escolares têm de providenciar as acessibilidades. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”