Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Diana Nascimento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Diana Nascimento. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Portugal - Rejuvenescer o coração: nova esperança no tratamento da insuficiência cardíaca

Investigadores do i3S e da Universidade de Coimbra recorreram a fármaco que elimina as células envelhecidas e verificaram um alívio simultâneo de vários sintomas


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) e do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), integrado no Centro de Inovação de Biomedicina e Biotecnologia (CIBB), fez uma descoberta que pode transformar o futuro da medicina cardíaca. Através de uma estratégia inovadora inspirada na medicina de rejuvenescimento, os cientistas encontraram uma forma de combater uma das variantes mais graves da insuficiência cardíaca: a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (HFpEF).

Nesta condição, embora o coração mantenha a capacidade de bombear sangue, o ventrículo esquerdo perde a flexibilidade necessária para relaxar e encher-se adequadamente. As consequências são devastadoras: falta de ar, fadiga incapacitante, limitação para tarefas simples do quotidiano e, sobretudo, uma taxa de mortalidade equiparável à de vários tipos de cancro.

Esta forma de insuficiência cardíaca está a aumentar a um ritmo alarmante e, devido ao envelhecimento da população, prevê-se que se torne dominante num futuro próximo. A sua gravidade é agravada pelo facto de estar frequentemente associada a outras patologias prevalentes, como hipertensão, diabetes e obesidade, tornando a HFpEF um dos maiores desafios da medicina cardiovascular contemporânea.

Neste estudo, publicado na prestigiada revista Cardiovascular Research, e destacado no editorial, os investigadores usaram um modelo animal que mimetiza a HFpEF humana em contexto cardiometabólico, e observaram uma acumulação de células senescentes no sistema imunitário, nos vasos sanguíneos e no coração. Trata-se de células envelhecidas que pararam de se dividir, mas que permanecem no corpo e libertam substâncias inflamatórias que prejudicam as células de tecidos vizinhos, acelerando o processo de envelhecimento e contribuindo para o desenvolvimento de doenças.

“Após a administração de um fármaco senolítico, que elimina especificamente estas células senescentes, verificámos um alívio simultâneo dos múltiplos sintomas da HFpEF, ou seja, há um impacto direto na saúde cardiovascular e sistémica», afirma Diana S. Nascimento, coordenadora da equipa do i3S, que é também investigadora do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).

“Este trabalho realça o enorme potencial da medicina de rejuvenescimento como abordagem terapêutica para doenças complexas e multifatoriais como a HFpEF”, explica por sua vez investigador Lino Ferreira, líder da equipa do CNC-UC/CIBB e da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

“Há décadas que olhamos para o envelhecimento como um processo inevitável. Este estudo mostra que é possível intervir diretamente nos mecanismos celulares do envelhecimento para tratar doenças altamente incapacitantes”, acrescenta Inês Tomé, investigadora da Universidade de Coimbra.

Os investigadores destacam ainda que níveis elevados de leucócitos (células sanguíneas do nosso sistema imunitário) senescentes em circulação foram observados em doentes com HFpEF, estando associados a uma maior severidade da doença, sugerindo assim que esta abordagem poderá ter relevância clínica direta.

“Estamos a transformar o paradigma da terapêutica cardiovascular: não se trata apenas de aliviar sintomas, mas de atuar diretamente sobre os mecanismos celulares do envelhecimento, que estão na origem da disfunção orgânica associada à idade”, conclui Elsa Silva, investigadora do i3S e primeira autora do artigo.

O trabalho, sublinham os autores, “representa um marco na convergência da medicina antienvelhecimento e cardiovascular, apenas possível através de uma forte colaboração entre três instituições portuguesas de referência em investigação cardiovascular, medicina regenerativa e envelhecimento: i3S, CNC-UC/CIBB e Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP)”.

As equipas estão já a planear os próximos passos para avaliar os mecanismos que causam o envelhecimento precoce em contexto cardiovascular e desenvolver novas terapias mais personalizadas, com vista à sua futura translação clínica. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 19 de maio de 2025

Portugal - Tecnologia portuguesa usa batimentos cardíacos para curar o coração

Equipa co-liderada por investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar desenvolveu um penso cardíaco inteligente para ser aplicado após enfarte do miocárdio



Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) e do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) desenvolveu um penso cardíaco inteligente para ser aplicado após enfarte do miocárdio. A sua estrutura é composta por um biomaterial especial (piezoelétrico) que usa os batimentos do coração para melhorar a sua função elétrica e ajudar na recuperação após enfarte do miocárdio. Os resultados desta nova estratégia terapêutica foram publicados recentemente na revista Materials Today Bio.

O repto partiu da equipa do CNC-UC, que integra o Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB), liderada pelo investigador Lino Ferreira: “Os testes in vitro com estes adesivos que libertam uma carga elétrica foram muito promissores e decidimos experimentar em modelos animais no contexto do enfarte do miocárdio para avaliar a sua eficácia e segurança”.

Foi nesse contexto que se iniciou uma parceria com a investigadora Diana Nascimento, do i3S e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), cuja experiência em modelos animais lhes permitiu avançar com novas abordagens terapêuticas para o coração.

A investigadora do i3S explica que “há poucos biomateriais desenhados para melhorarem a condutividade do coração e os que existem fazem-no de forma passiva. Este penso é único porque, quando colocado na superfície do coração, tira partido dos batimentos cardíacos para gerar novos impulsos elétricos”.

Neste trabalho, acrescenta Diana Nascimento, “investigámos o seu potencial para melhorar a resposta do coração ao enfarte do miocárdio, uma das principais causas de morte em todo o mundo”.

Luís Monteiro, doutorado em Biologia Experimental e Biomedicina da Universidade de Coimbra, e primeiro autor do artigo, sublinha que “os testes em ratinhos mostraram que os biomateriais piezoeléctricos melhoram a condução elétrica do coração e ajudam na sua recuperação após enfarte. Além disso, em testes com corações de porco, a aplicação deste dispositivo não interferiu com a função normal do coração, atestando a sua segurança”.

No futuro, acrescenta Lino Ferreira, “esta estratégica terapêutica inovadora, poderá eventualmente minimizar a ocorrência de arritmias, uma das principais complicações, que podem ser fatais, do enfarte do miocárdio”.

As duas equipas de investigadores estão já a explorar outras funcionalidades deste biomaterial inteligente no contexto de um projeto europeu em que participam, o REBORN. O objetivo passa por combinar os efeitos benéficos deste biomaterial com o seu potencial para libertação controlada de fármacos para promover a regeneração do tecido cardíaco. Universidade do Porto - Portugal