Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 7 de dezembro de 2024

Alemanha - Português chega a bailarino principal da companhia Bayerisch StaatsBallett, da cidade de Munique

O português António Casalinho foi promovido a bailarino principal da companhia Bayerisch StaatsBallett, de Munique, na Alemanha, reconhecimento que diz ser “incrivelmente recompensador”



Desde 2021 na Alemanha, onde se profissionalizou na dança, António Casalinho, de 21 anos, considera a ascensão ao topo da companhia “extremamente significativa”.

“Representa o reconhecimento não apenas do público, mas também dos meus colegas, do diretor, dos ‘ballet masters’ e de todos com quem trabalho diariamente. É um marco especial porque é nesta companhia que comecei a minha carreira”, disse à agência Lusa.

A elevação a bailarino principal “é como completar um círculo” e “torna tudo ainda mais motivador”.

O bailarino português, natural de Leiria e formado no Conservatório Internacional Annarella Sanchez, não esperava “uma ascensão tão rápida”, mas admite que foi para este objetivo que trabalhou desde que integrou a estrutura alemã.

“Lembro-me claramente do meu primeiro dia no palco, vendo os bailarinos principais à minha frente. Naquele momento, soube que era ali que queria estar. Hoje, olhar para trás e rever essas memórias torna este momento ainda mais especial”, afirmou.

Casalinho é um dos dois portugueses que integram o corpo de bailarinos profissionais da Bayerisch StaatsBallett, onde também dança Margarita Fernandes, de 19 anos, recentemente designada uma das primeiro solistas da companhia.

Ambos chegaram à Alemanha há três anos e o percurso tem sido “muito especial e gratificante”, reconhece o português: “Foi aqui que comecei a minha experiência profissional como bailarino. Vejo esse período como um processo de amadurecimento, tanto como artista quanto como pessoa. Ver tudo isso consolidado de forma oficial é incrivelmente recompensador”.

O novo estatuto de bailarino principal traz responsabilidades significativas. “O maior desafio é manter o meu mérito como bailarino principal”, considera António Casalinho, que sabe que terá de “preservar a ética de trabalho e demonstrar constantemente que [merece] este reconhecimento”.

Assumir a função de bailarino principal implica “ser um exemplo, não apenas para os colegas dentro da companhia, mas também para o público”.

“Quando alguém me vê no palco, espera ver um bailarino principal. Manter essas expectativas é um grande desafio, assim como continuar a ser disciplinado e dedicado, como sempre fui”, afirmou.

Após ter atingido o topo da hierarquia na Bayerisch StaatsBallett, António Casalinho admite ser difícil falar de novas metas, “porque o mundo do ballet é muito dinâmico”.

“No entanto, os meus objetivos permanecem os mesmos. Quero ser um exemplo para aqueles que estão próximos de mim e para o mundo inteiro. Desejo ser uma referência e uma inspiração, não apenas para estudantes e profissionais de ballet, mas também para pessoas fora desse universo”, afirmou.

A intenção do português é “levar o ballet além das portas do teatro e ajudar a elevar o reconhecimento dessa arte”.

“Espero continuar a dançar nas maiores companhias do mundo, como convidado, e fortalecer a minha posição como um bailarino de referência para todos, incluindo aqueles que ainda não conhecem o ballet”, concluiu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 29 de março de 2024

Alemanha - Associação que promove a língua portuguesa em Munique comemora 30 anos

A associação portuguesa “Lusofonia”, criada em 1993 na cidade alemã de Munique, pretende mostrar, através de diversos eventos, que vão desde debates a concertos, a diversidade cultural dos vários países de língua portuguesa


Mais de três décadas depois de começar a organizar as primeiras iniciativas, a diversidade continua a ser a grande preocupação e o objetivo da fundadora Luísa Costa Hölzl, que até se arrepende de não ter utilizado o plural de “Lusofonia” quando batizou a associação.

“Estou arrependida de não nos chamarmos ‘lusofonias’ no plural. A palavra lusofonia tem um eco imperial, continua a ter uma marca colonial, como se tivesse substituído a ideia de império. Não queremos isso de todo, recusamos totalmente”, apontou, em declarações à Lusa.

“O nosso objetivo sempre foi uma diversidade a vários níveis. Diversidade do lado dos países de origem dos artistas que trazemos. E os formatos, as próprias áreas artísticas, desde concertos, performance, conversas, debates, leituras, exposições de arte, ou eventos em que misturamos vários formatos”, acrescentou.

A associação começou a dar os primeiros passos em 1993 com o escritor Mia Couto. Foi o primeiro evento que contou com uma leitura e música moçambicana. Seguiram-se várias iniciativas que foram dando mais força a este trabalho.

“Em 1998, Portugal foi o país convidado da Feira do Livro de Frankfurt. Foi uma ocasião fantástica para montar uma programação bastante pormenorizada porque tivemos vários escritores que foram a Frankfurt e depois vieram até Munique. Tivemos um serão de lírica, poesia, com a edição de uma revista literária”, indicou Luísa Costa Hölzl.

O estatuto de associação cultural só foi concretizado em 2009, mas, mesmo assim, o grupo, de portugueses, alemães e brasileiros, continuou a ser pequeno.

“Somos meia dúzia de sócios”, detalhou a fundadora, nascida em Lisboa, e a viver em Munique, onde é professora de português na Universidade Ludwig-Maximilians desde 2000 e na Münchner Volkshochschule desde 1988.

“A nossa ideia foi sempre cooperarmos com outras instituições. Não fazemos nada sozinhos”, destacou, sublinhando ser também esse um dos aspetos principais da associação que coopera, muitas vezes, promovendo eventos através da newsletter.

Uma das últimas iniciativas organizada pela “Lusofonia” foi um concerto da cantora cabo-verdiana Lura. Para os dias 02 e 03 de maio estão programados vários eventos que comemoram os 50 anos do 25 de Abril, como uma exposição fotográfica, um debate político e momentos musicais.

“Procuramos sempre datas que sejam significativas, efemérides. Por exemplo, vamos seguramente ler poesia de Alexandre O’Neill, porque se celebram cem anos do seu nascimento em 2024”, exemplificou, lamentando que nem sempre seja fácil chegar a toda a comunidade lusófona.

“Não queremos ser chatos”, ri Luísa Costa Hölzl, enquanto explica a escolha de formatos diferentes para que o público, maioritariamente alemão, goste. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo